{"id":4696,"date":"2021-05-23T22:58:41","date_gmt":"2021-05-24T01:58:41","guid":{"rendered":"http:\/\/insightee.com.br\/blog\/?p=4696"},"modified":"2021-05-24T09:44:57","modified_gmt":"2021-05-24T12:44:57","slug":"pesquisa-academica-com-dados-de-midias-sociais-por-onde-comecar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/insightee.com.br\/blog\/pesquisa-academica-com-dados-de-midias-sociais-por-onde-comecar\/","title":{"rendered":"Pesquisa acad\u00eamica com dados de m\u00eddias sociais: por onde come\u00e7ar?"},"content":{"rendered":"\n<p>No pref\u00e1cio do livro <em>&#8220;An\u00e1lise de Redes para M\u00eddia Social&#8221;<\/em> (2015), o soci\u00f3logo <a href=\"https:\/\/www.smrfoundation.org\/staff-member\/marc-a-smith\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Marc A. Smith<\/a> introduz a obra de Raquel Recuero, Marco Bastos e Gabriela Zago dando destaque sobretudo \u00e0 emerg\u00eancia do aparato te\u00f3rico-metodol\u00f3gico que permitiu a populariza\u00e7\u00e3o dos estudos de redes a partir de dados da internet. &#8220;Enquanto nossa sociedade adota a m\u00eddia social como um novo f\u00f3rum para o discurso p\u00fablico, criando uma pra\u00e7a p\u00fablica virtual, h\u00e1 uma necessidade crescente de ferramentas e m\u00e9todos que possam documentar esses espa\u00e7os [&#8230;]&#8221;, explica.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image is-style-default\"><figure class=\"alignright size-large is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.editorasulina.com.br\/img\/thumbs\/670.jpg\" alt=\"\" width=\"135\" height=\"199\"\/><\/figure><\/div>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>A m\u00eddia social pode ser um fluxo desconcertante de coment\u00e1rios, uma assustadora mangueira de inc\u00eandio esperramando conte\u00fado. Com melhores ferramentas e um pequeno conjunto de conceitos da ci\u00eancia social, o enxame de coment\u00e1rios, favoritos, etiquetas, curtidas, avalia\u00e7\u00f5es, atualiza\u00e7\u00f5es e links pode revelar pessoas-chave, t\u00f3picos e subcomunidades. Quanto mais intera\u00e7\u00f5es sociais moverem-se para grupos de dados que podem ser lidos por m\u00e1quinas, mais novas ilustra\u00e7\u00f5es das rela\u00e7\u00f5es humanas e organizacionais se tornam poss\u00edveis. Mas novos formatos de dados requerem novas ferramentas para coletar, analisar e comunicar percep\u00e7\u00f5es.<\/p><cite>SMITH, p. 11.<\/cite><\/blockquote>\n\n\n\n<p>Seis anos antes, a pr\u00f3pria Recuero j\u00e1 chamava a aten\u00e7\u00e3o em <em>&#8220;Redes Sociais na Internet&#8221;<\/em> (2009) para como a (populariza\u00e7\u00e3o e consolida\u00e7\u00e3o da) intera\u00e7\u00e3o mediada por computador facilitou a <strong>produ\u00e7\u00e3o de rastros identific\u00e1veis<\/strong>, a <strong>difus\u00e3o de conte\u00fados diversos<\/strong> e a <strong>amplia\u00e7\u00e3o de limites interacionais<\/strong>. Esses aspectos foram desenvolvidos com mais detalhes em outra obra de sua autoria, <em>&#8220;A conversa\u00e7\u00e3o em Rede: comunica\u00e7\u00e3o mediada pelo computador&#8221;<\/em> (2014), agora em torno da caracteriza\u00e7\u00e3o de elementos e din\u00e2micas especificamente dos sites de redes sociais (SRSs).<\/p>\n\n\n\n<p>As <em>affordances<\/em> propostas por danah boyd para pensar os p\u00fablicos em rede (<em>networked publics)<\/em> &#8211; <strong>persist\u00eancia<\/strong>, <strong>replicabilidade<\/strong>, <strong>escalabilidade<\/strong> e <strong>buscabilidade<\/strong> &#8211; ratificam como a internet (ou os SRSs) se tornou(aram) um espa\u00e7o prol\u00edfero para identificar as &#8220;novas&#8221; formas de sociabilidade das \u00faltimas d\u00e9cadas. Nas palavras de Richard Rogers em <em>&#8220;The End of the Virtual&#8221;<\/em> (2009): &#8220;A quest\u00e3o n\u00e3o \u00e9 mais saber o quanto da sociedade e da cultura est\u00e1 online, mas sim como diagnosticar mudan\u00e7as culturais e condi\u00e7\u00f5es da sociedade atrav\u00e9s da internet&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed is-type-rich is-provider-soundcloud wp-block-embed-soundcloud wp-embed-aspect-4-3 wp-has-aspect-ratio\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<iframe loading=\"lazy\" title=\"Richard Rogers, &quot;The End of the Virtual: Digital Methods&quot; by MIT Comparative Media Studies\/Writing\" width=\"980\" height=\"400\" scrolling=\"no\" frameborder=\"no\" src=\"https:\/\/w.soundcloud.com\/player\/?visual=true&#038;url=https%3A%2F%2Fapi.soundcloud.com%2Ftracks%2F96559117&#038;show_artwork=true&#038;maxwidth=980&#038;maxheight=1000&#038;dnt=1\"><\/iframe>\n<\/div><\/figure>\n\n\n\n<p>Cerca de dez anos j\u00e1 se passaram desde a publica\u00e7\u00e3o dessas obras mais antigas e muitas outras quest\u00f5es (inclusive problem\u00e1ticas) j\u00e1 entraram em cena, mas o interesse em fazer pesquisa com dados de m\u00eddias sociais segue crescente. A grande \u00e1rea da Comunica\u00e7\u00e3o (incluindo aqui tamb\u00e9m os chamados <em>Media Studies<\/em>), provavelmente a primeira que se prop\u00f4s a avan\u00e7ar as discuss\u00f5es e as metodologias desse novo ecossistema social, hoje j\u00e1 partilha desse interesse com outras disciplinas das Ci\u00eancias Humanas e o restante das Ci\u00eancias Sociais Aplicadas.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 nesse contexto que surgem (sub)disciplinas\/campos como as Humanidades Digitais (<a href=\"https:\/\/repositorio.ufba.br\/ri\/handle\/ri\/32746\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Sociologia Digital<\/a>, Hist\u00f3ria Digital), que unem as epistemologias espec\u00edficas das Ci\u00eancias Humanas com muito do que foi desenvolvido sobre m\u00eddias digitais nas \u00faltimas d\u00e9cadas (que localizo em Comunica\u00e7\u00e3o, mas cujos fundamentos s\u00e3o tamb\u00e9m muito ligados \u00e0 Sociologia, por exemplo). Acrescentamos a esse cen\u00e1rio as t\u00e9cnicas de coleta\/tratamento\/an\u00e1lise de dados de \u00e1reas ainda mais distantes, como a Ci\u00eancia da Computa\u00e7\u00e3o ou Engenharia da Informa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"alignright size-large is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.editorasulina.com.br\/img\/thumbs\/530.jpg\" alt=\"\" width=\"131\" height=\"200\"\/><\/figure><\/div>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>Pessoas de v\u00e1rias disciplinas s\u00e3o atra\u00eddas para o estudo da internet por muitas raz\u00f5es. Alguns querem utilizar as tecnologias para conduzir pesquisa tradicional dentro de suas bases disciplinares, outros querem se libertar dos grilh\u00f5es das pr\u00e1ticas disciplinares tradicionais. Alguns querem compreender algo sobre tecnologias particulares, mas possuem pouco treinamento em m\u00e9todos para estud\u00e1-las. Outros sabem muito sobre os m\u00e9todos da pesquisa sociais mas pouco a respeito do contexto tecnologicamente mediado que eles est\u00e3o estudando.<\/p><cite>(MARKHAM e BOYD, 2009, p. XIII apud FRAGOSO et. al, p. 28-29)<\/cite><\/blockquote>\n\n\n\n<p>O que temos hoje, portanto, \u00e9 um cen\u00e1rio de fartura de dados, ferramentas refinadas, metodologias consolidadas e avan\u00e7os te\u00f3rico-epistemol\u00f3gicos interdisciplinares. Em outras palavras: todo mundo quer um pedacinho desse bolo multicamadas. Este post, portanto, \u00e9 para voc\u00ea que est\u00e1 na gradua\u00e7\u00e3o ou numa p\u00f3s e est\u00e1 doido para provar o sabor dessa belezura, mas que n\u00e3o faz ideia por onde come\u00e7ar &#8211; ou nem tem certeza se \u00e9 realmente esse bolo que vai alimentar a sua fome (pode at\u00e9 achar que sim, mas talvez &#8211; mais para frente &#8211; descubra que n\u00e3o).<\/p>\n\n\n\n<p>Neste post, pretendo apresentar aqui algumas orienta\u00e7\u00f5es\/indica\u00e7\u00f5es do que eu acredito que pode vir a ser \u00fatil para a sua jornada enquanto pesquisador acad\u00eamico que deseja\/pretende trabalhar com dados (publica\u00e7\u00f5es, principalmente) de m\u00eddias sociais. J\u00e1 deixo aqui o agradecimento \u00e0 minha amiga <a href=\"https:\/\/scholar.google.com\/citations?user=iCfFNL0AAAAJ&amp;hl=pt-BR\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Aianne Amado<\/a>, que tem desenvolvido comigo alguns projetos que passam por essa tem\u00e1tica; e ao mestre (e meu ex-chefe) <a href=\"https:\/\/tarciziosilva.com.br\/blog\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Tarc\u00edzio Silva<\/a>, que me apresentou a maioria dessas discuss\u00f5es, autores e, principalmente, ferramentas e metodologias.<\/p>\n\n\n\n<p>A proposta aqui n\u00e3o \u00e9 a de oferecer um panorama geral, que exigiria uma elabora\u00e7\u00e3o ainda mais cuidadosa e &#8220;cientificamente respons\u00e1vel&#8221; (como em uma revis\u00e3o bibliogr\u00e1fica ou estado da arte), mas apontar alguns caminhos interessantes para esse trabalho. J\u00e1 s\u00e3o mais de duas d\u00e9cadas de produ\u00e7\u00e3o acad\u00eamica tanto no Brasil quanto l\u00e1 fora que pavimentaram o ch\u00e3o no qual podemos caminhar hoje em dia, ent\u00e3o \u00e9 importante conhecer alguns desses esfor\u00e7os para continuarmos trilhando essa jornada sem querer reinventar a roda.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Apontamentos iniciais para a pesquisa acad\u00eamica com dados de m\u00eddias sociais<\/h2>\n\n\n\n<p>A primeira coisa que eu acho importante de fazermos (coletivamente enquanto comunidade acad\u00eamica) \u00e9 acalmar os \u00e2nimos. Com esse <em>boom<\/em> de dados que \u00e9 explorado em diversas narrativas mercadol\u00f3gicas (<em>big data<\/em>, <em>data scientist<\/em>, etc.), acabamos querendo tamb\u00e9m entrar nessa onda apenas para, como falei na met\u00e1fora anteriormente, pegar um pedacinho desse bolo. Vale, ent\u00e3o, perguntar-se: ser\u00e1 que o meu interesse de pesquisa se encaixa nesse contexto e\/ou pode ser respondido a partir de dados (publica\u00e7\u00f5es) de m\u00eddias sociais?<\/p>\n\n\n\n<p>Come\u00e7o, portanto, apresentando quatro pontos que acredito que precisamos levar em considera\u00e7\u00e3o ao nos propormos a realizar pesquisa em m\u00eddias sociais. S\u00e3o quest\u00f5es que trago n\u00e3o para esgotarmos as discuss\u00f5es (que s\u00e3o complexas e podem ter argumentos consideralmente conflitantes) ou para desestimular o interesse por essa jornada, mas para pensarmos tamb\u00e9m o que n\u00e3o pode ser pesquisado a partir desses dados &#8211; ou at\u00e9 pode, mas que precisa ser responsavelmente abordado na teoria e metodologia da pesquisa.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">1. N\u00e3o pule para a metodologia antes de definir o objetivo e o problema de pesquisa<\/h4>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"alignright size-large is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/cdn2.wwnorton.com\/wwnproducts\/COLLEG\/8\/4\/9780393978148\/9780393978148_300.jpeg\" alt=\"\" width=\"150\" height=\"225\"\/><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p>Na abertura do livro <em>&#8220;Methods of Discovery: Heuristics for the Social Sciences&#8221;<\/em> (2004), o soci\u00f3logo Andrew Abbott coloca que: &#8220;The heart of good work is a puzzle and an idea&#8221; (algo como &#8220;O cora\u00e7\u00e3o de um bom trabalho [de pesquisa] \u00e9 um quebra-cabe\u00e7as e uma ideia&#8221;, em tradu\u00e7\u00e3o literal). O autor chama a aten\u00e7\u00e3o para como o rigor e a criatividade devem andar lado a lado no fazer cient\u00edfico, para que seja poss\u00edvel destravar as ideias mais criativas atrav\u00e9s de m\u00e9todos que devem servir de apoio, mas raramente de guias definitivos.<\/p>\n\n\n\n<p>Trago essa refer\u00eancia porque muitas vezes o que eu vejo s\u00e3o estudantes de gradua\u00e7\u00e3o ou pesquisadores de p\u00f3s querendo utilizar certas metodologias apenas pela metodologia. Ser\u00e1 que analisar tweets realmente responde \u00e0 sua quest\u00e3o de pesquisa? Ser\u00e1 que o que as pessoas publicam no Instagram se enquadra nas informa\u00e7\u00f5es que voc\u00ea precisa para avaliar as suas hip\u00f3teses? Grafos s\u00e3o realmente muito bonitos (tenho uma amiga que sempre fala que parecem gal\u00e1xias), mas ser\u00e1 que eles atendem as suas necessidades?<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">2. Lembre-se que o Brasil ainda \u00e9 um pa\u00eds extremamente desigual<\/h4>\n\n\n\n<p>Ainda nessa quest\u00e3o de \u00eaxtase por dados, n\u00e3o se engane: o Brasil infelizmente &#8211; e com \u00edndices piorados devido \u00e0 pandemia e o descaso do governo federal &#8211; continua sendo um pa\u00eds com diversos problemas socioecon\u00f4micos. A pesquisa <a href=\"https:\/\/cetic.br\/media\/analises\/tic_domicilios_2019_coletiva_imprensa.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">TIC Domic\u00edlios 2019<\/a> realizada pelo Centro Regional para o Desenvolvimento de Estudos sobre a Sociedade da Informa\u00e7\u00e3o (Cetic.br) indicou que 80% dos brasileiros possuem acesso \u00e0 internet, mas h\u00e1 diferen\u00e7as importantes para serem consideradas a partir de recortes de renda, g\u00eanero, ra\u00e7a e regi\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\" style=\"font-size:10px\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/ibcdn.canaltech.com.br\/9iUpgBRSSaQvDcDQio2VyUCduwk=\/1024x0\/smart\/i385301.jpeg\" alt=\"\"\/><figcaption>Gr\u00e1fico desenvolvido pelo Canal Tech a partir do relat\u00f3rio da Cetic.br<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>N\u00e3o se engane (como prop\u00f5e o mercado de marketing\/publicidade): pesquisas e relat\u00f3rios de institutos como o pr\u00f3prio Cetic.br ou o IBGE, por exemplo, s\u00e3o bem mais importantes do que estudos de ag\u00eancias <em>cool<\/em> sobre a mais nova tend\u00eancia digital para dois mil e tanto. Essa pondera\u00e7\u00e3o retorna ao primeiro ponto levantado: ser\u00e1 que o que \u00e9 produzido pelos pessoas na internet &#8211; \u00e0s vezes, mais especificamente, nas m\u00eddias sociais &#8211; realmente atende o que voc\u00ea necessita? S\u00e3o 1) brasileiros falando sobre ou 2) &#8220;internautas&#8221; brasileiros falando sobre?<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">3. Entenda muito bem como os usu\u00e1rios se apropriam de cada plataforma e quais dados (conte\u00fados) geram em cada uma delas<\/h4>\n\n\n\n<p>Este ponto parte de dois lugares diferentes, mas com o mesmo pressuposto: a facilidade de falar de m\u00eddias sociais (ou sites de redes sociais) como um grupo. Quando falamos em fazer pesquisa sobre\/nas\/com dados de m\u00eddias sociais, estamos supondo que se trata de um coletivo relativamente homog\u00eaneo, semelhante &#8211; o que n\u00e3o necessariamente \u00e9 o caso para todas. Embora autoras como danah boyd e Nicolle Ellison tenha, em 2007, <a href=\"https:\/\/tarciziosilva.com.br\/blog\/quatro-aspectos-dos-sites-de-redes-sociais\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">tentando propor algumas caracter\u00edsticas em comum para esses sites<\/a>, mais de 10 anos depois, <a href=\"https:\/\/medium.com\/@raquelrecuero\/m%C3%ADdia-social-plataforma-digital-site-de-rede-social-ou-rede-social-n%C3%A3o-%C3%A9-tudo-a-mesma-coisa-d7b54591a9ec\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">esse conceito se complexificou muito<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"alignright size-large is-resized\"><a href=\"https:\/\/tarciziosilva.com.br\/blog\/auto-apresentacao-nas-midias-sociais-aula-da-rihanna-sobre-papeis-sociais-nos-ambientes-online\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/tarciziosilva.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2015\/08\/Rihanna-M%C3%ADdias-Sociais-D1V4s.jpg\" alt=\"\" width=\"184\" height=\"218\"\/><\/a><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p>O problema, portanto, encontra-se neste lugar que pressup\u00f5e uma classifica\u00e7\u00e3o bem definida para m\u00eddias sociais (ou sites de redes sociais), mas n\u00e3o leva em considera\u00e7\u00e3o como suas pr\u00f3prias arquiteturas est\u00e3o em constante atualiza\u00e7\u00e3o, complicando suas semelhan\u00e7as e diferen\u00e7as. E a\u00ed entra outra quest\u00e3o tamb\u00e9m muito importante: o modo como as pessoas se apropriam e <a href=\"https:\/\/tarciziosilva.com.br\/blog\/necessidades-humanas-camadas-simbolicas-e-o-monitoramento-de-midias-sociais\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">fazem a utiliza\u00e7\u00e3o de cada plataforma<\/a>. Cada espa\u00e7o estimula <a href=\"https:\/\/tarciziosilva.com.br\/blog\/auto-apresentacao-nas-midias-sociais-aula-da-rihanna-sobre-papeis-sociais-nos-ambientes-online\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">produ\u00e7\u00f5es diferentes de n\u00f3s mesmos<\/a>, atendendo ainda \u00e0 maquinaria da opini\u00e3o p\u00fablica &#8211; que une pessoas, empresas, personalidades, etc.<\/p>\n\n\n\n<p>Em outras palavras, o que voc\u00ea publica\/compartilha no Facebook n\u00e3o \u00e9 a mesma coisa que voc\u00ea compartilha no Instagram, LinkedIn ou Twitter. Os p\u00fablicos com os quais voc\u00ea interage em cada um desses sites (familiares, grupos de amigos, conhecidos, contatinhos, etc.) \u00e9 muito provavelmente diferente, e isso tanto implica quanto est\u00e1 implicado no tipo de conte\u00fado que ser\u00e1 gerado em cada um deles. Se voc\u00ea consegue perceber isso da perspectiva de usu\u00e1rio, deve tamb\u00e9m ter isso em mente enquanto pesquisador\/a.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">4. Fique por dentro das discuss\u00f5es sobre algoritmos, intelig\u00eancia artificial, etc.<\/h4>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m de nos comportarmos de modos diferentes em cada uma das plataformas (geralmente de acordo com as audi\u00eancias \u00e0s quais nos apresentamos), tamb\u00e9m somos moldados &#8211; ou melhor, moldamos nossas conversas &#8211; de acordo com o que est\u00e1 sendo falado, apresentado, compartilhado e\/ou debatido em cada uma delas. Acontece que, infelizmente, esse processo de pauta envolve atores que atrapalham\/complexificam a &#8220;espontaneidade&#8221; das conversas: empresas, marcas e <a href=\"https:\/\/tarciziosilva.com.br\/blog\/por-que-empresas-de-midia-insistem-que-nao-sao-empresas-de-midia-por-que-estao-erradas-e-por-que-isso-importa\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">as pr\u00f3prias m\u00eddias sociais<\/a> &#8211; que possuem um modelo de neg\u00f3cio estruturado para isso.<\/p>\n\n\n\n<p>Muito tem sido discutido &#8211; principalmente na academia &#8211; sobre as <a href=\"https:\/\/www.wiley.com\/en-us\/Are+Filter+Bubbles+Real%3F-p-9781509536443\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">bolhas das m\u00eddias sociais<\/a>, c\u00e2maras de eco, <a href=\"https:\/\/www.ibpad.com.br\/produto\/algoritmos-vies-subjetividade-online\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">vi\u00e9s algor\u00edtmico<\/a>, <a href=\"https:\/\/www.ibpad.com.br\/blog\/analise-de-dados\/mais-de-30-noticias-e-controversias-sobre-inteligencia-artificial-nos-ultimos-anos\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">(des)intelig\u00eancia artificial<\/a> e assuntos correlatos. Embora cada tem\u00e1tica e cada pesquisa aborde essas problem\u00e1ticas a partir de uma discuss\u00e3o pr\u00f3pria, acredito que o que todas elas possuem em comum \u00e9 a constata\u00e7\u00e3o de que precisamos problematizar (e responsabilizar) as pol\u00edticas de neg\u00f3cios das <em>big techs<\/em>, visto que todas as suas tomadas de decis\u00f5es t\u00eam impacto e s\u00e3o impactadas pelo modo como as pessoas utilizam seus servi\u00e7os.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Da cibercultura \u00e0 era p\u00f3s-APIs: um panorama n\u00e3o-oficial dos estudos da internet e das m\u00eddias sociais (no Brasil)<\/h2>\n\n\n\n<p>Talvez n\u00e3o esteja t\u00e3o evidente assim, mas o principal intuito deste texto \u00e9 apresentar algumas ferramentas e t\u00e9cnicas para a coleta\/extra\u00e7\u00e3o e an\u00e1lise de dados de m\u00eddias sociais. Para chegar a\u00ed, entretanto, estou tentando apresentar v\u00e1rias quest\u00f5es que considero importantes para pesquisadores que pretendem trabalhar com isso. Al\u00e9m dos apontamentos iniciais j\u00e1 apresentados, percebo tamb\u00e9m a necessidade de explicar onde estamos atualmente. Ou melhor: de onde vimos, como chegamos at\u00e9 aqui e (possivelmente) para onde vamos?<\/p>\n\n\n\n<p>Como tenho tentado enfatizar durante todo o texto, fazer pesquisa sobre a internet, na internet ou com dados da internet n\u00e3o \u00e9 algo nada novo. O que se proliferou consideravelmente na \u00faltima d\u00e9cada, por\u00e9m, foi tanto a produ\u00e7\u00e3o desenfreada de dados aos montes (em todos os aspectos da nossa vida) quanto as possibilidades de obten\u00e7\u00e3o desses dados por diferentes atores e atrav\u00e9s de diversas capacidades t\u00e9cnicas (para o &#8220;bem&#8221; e para o &#8220;mal&#8221;). Como, ent\u00e3o, podemos fazer o entendimento desse processo &#8211; e por que \u00e9 t\u00e3o importante faz\u00ea-lo?<\/p>\n\n\n\n<p>No cap\u00edtulo <strong>&#8220;Panorama dos Estudos de Internet&#8221;<\/strong> do livro <em>&#8220;M\u00e9todos de pesquisa para internet&#8221;<\/em> (2011), Fragoso, Recuero e Amaral fazem um compilado do que, at\u00e9 ent\u00e3o, estava \u00e0 frente dessa tem\u00e1tica. Apresentam a proposta de pensar &#8220;os estudos de internet como um campo em constante mudan\u00e7a (Jones, 1999) surgido a partir de diversas disciplinas (Baym, 2005) [&#8230;] dentro de um contexto s\u00f3cio-hist\u00f3rico que dialoga com a tradi\u00e7\u00e3o dos estudos de comunica\u00e7\u00e3o, cultura, m\u00eddia e tecnologia (Sterne, 1999)&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-table is-style-stripes\"><table class=\"has-fixed-layout\"><thead><tr><th>Fases dos Estudos sobre Internet<\/th><th>1a Fase (In\u00edcio dos 90)<\/th><th>2a Fase (Segunda metade dos 90)<\/th><th>3a Fase (In\u00edcio dos 00)<\/th><\/tr><\/thead><tbody><tr><td><strong>Wellmann (2004)<\/strong><\/td><td>Dicotomia entre ut\u00f3picos e dist\u00f3picos; a narrativa da hist\u00f3ria da comunica\u00e7\u00e3o parece ter in\u00edcio com a internet.<\/td><td>Inicia por volta de 1998; coleta e an\u00e1lise de dados: documenta\u00e7\u00e3o e observa\u00e7\u00e3o sobre os usu\u00e1rios e suas pr\u00e1ticas sociais; internet come\u00e7a a atingir um p\u00fablico maior e mais diverso do que o da fase anterior; pesquisa de opin\u00e3o e entrevistas; resultados atingidos: apropria\u00e7\u00f5es feitas por diferentes classes sociais, g\u00eaneros, faixas et\u00e1rias etc.<\/td><td>Abordagem te\u00f3rico-metodol\u00f3gica: enfoque na an\u00e1lise dos dados; reflex\u00f5es sobre padr\u00f5es de conex\u00f5es, personaliza\u00e7\u00e3o e comunica\u00e7\u00e3o.<\/td><\/tr><tr><td><strong>Postill (2010)<\/strong><\/td><td>Hype acerca do pr\u00f3prio surgimento da internet; polariza\u00e7\u00e3o real versus virtual; internet como esfera aut\u00f4noma; intera\u00e7\u00f5es s\u00edncronas versus ass\u00edncronas.<\/td><td>An\u00e1lise do objeto internet j\u00e1 inserida dentro do cotidiano; compara\u00e7\u00f5es entre a internet e outras m\u00eddias; populariza\u00e7\u00e3o da internet para v\u00e1rios tipos de usu\u00e1rios; amostragem intencional (escolha de casos extremos)<\/td><td>Enfoque nos usos e apropria\u00e7\u00f5es; explicita\u00e7\u00e3o metodol\u00f3gica.<\/td><\/tr><tr><td><strong>Observa\u00e7\u00f5es<\/strong><\/td><td>Para Postill, sobretudo nas duas primeiras fases, h\u00e1 muita \u00eanfase no hype sobre a pr\u00f3pria internet.<\/td><td>Wellmann indica uma predomin\u00e2ncia na segunda fase dos estudos quantitativos, enquanto que na segunda fase a abordagem qualiquantitativa tem aparecido com mais for\u00e7a.<\/td><td><\/td><\/tr><\/tbody><\/table><figcaption style=\"font-size:10px;margin-bottom:10px;\"><em><center>Tabela 1: Principais fases dos estudos de internet para Wellmann (2004) e Postill (2010).<\/center><\/em><\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>Na Tabela 1, que reproduzo acima, apontam as fases dos estudos sobre internet a partir de dois autores, elaborando o argumento de se pens\u00e1-la n\u00e3o como disciplina, mas como um campo. Chamam a aten\u00e7\u00e3o, entretanto, para como essa historiciza\u00e7\u00e3o &#8220;merece ser relativizada, no sentido que, corresponde, em grande parte, ao desenvolvimento das pesquisas no contexto anglo-sax\u00e3o&#8221;. No Brasil, apontam que &#8220;um direcionamento rumo a pesquisa emp\u00edrica em internet entra com maior for\u00e7a apenas a partir da segunda metade dos anos 2000&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>Acrescentam que &#8220;antes disso [da segunda metade da d\u00e9cada], boa parte dos estudos voltava-se a aspectos filos\u00f3ficos ou at\u00e9 mesmo psicol\u00f3gicos cujas abordagens eram estritamente te\u00f3ricas e e\/ou ensa\u00edsticas <strong>sem comprometimento com coleta de dados no campo<\/strong>&#8220;. Esses estudos, no contexto brasileiro das Ci\u00eancias Humanas e das Ci\u00eancias Sociais Aplicadas, encontravam-se sobretudo associado aos estudos de cibercultura e dos estudos de interface humano computador (IHC). Surge, ent\u00e3o, a pergunta: o que mudou a partir de 2005 em diante?<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"376\" src=\"https:\/\/insightee.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/linhadotemposrsrs-1024x376.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-4715\" srcset=\"https:\/\/insightee.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/linhadotemposrsrs-1024x376.png 1024w, https:\/\/insightee.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/linhadotemposrsrs-300x110.png 300w, https:\/\/insightee.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/linhadotemposrsrs-768x282.png 768w, https:\/\/insightee.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/linhadotemposrsrs-1536x564.png 1536w, https:\/\/insightee.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/linhadotemposrsrs.png 1765w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p>Eu fiz essa linha do tempo para apresentar em duas oportunidades que tive de falar com alunos, professores e pesquisadores acad\u00eamicos sobre coleta de dados em m\u00eddias sociais (e como chegamos na era p\u00f3s-APIs). Selecionei algumas obras n\u00e3o necessariamente por relev\u00e2ncia ou impacto te\u00f3rico (no Brasil e \u00e0 fora), mas para tentar explicar mais ou menos o que aconteceu &#8211; a partir da minha interpreta\u00e7\u00e3o &#8211; na primeira d\u00e9cada do mil\u00eanio em termos de internet, sites de redes sociais e, consequentemente, pesquisas que os envolvem de alguma forma.<\/p>\n\n\n\n<p>No in\u00edcio dos anos 2000, as pesquisas e estudos de internet eram muito voltados para uma perspectiva mais sociot\u00e9cnica &#8211; e que vislumbrava v\u00e1rias abordagens, das mais pragm\u00e1tica \u00e0s mais dist\u00f3picas\/ut\u00f3picas. Era tamb\u00e9m o momento em que a <em>World Wide Web<\/em> se consolidava como uma das grandes &#8220;revolu\u00e7\u00f5es&#8221; do mundo moderno, com v\u00e1rias expectativas realmente revolucion\u00e1rias do que poderia estar por vir. Havia um entusiasmo muito grande com a possibilidade de conex\u00e3o e descentraliza\u00e7\u00e3o dos meios de informa\u00e7\u00e3o\/comunica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\" style=\"font-size:12px\"><figure class=\"alignright size-medium\"><a href=\"https:\/\/insightee.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/tabelascolari.jpg\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"201\" height=\"300\" src=\"https:\/\/insightee.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/tabelascolari-201x300.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-4718\" srcset=\"https:\/\/insightee.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/tabelascolari-201x300.jpg 201w, https:\/\/insightee.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/tabelascolari-687x1024.jpg 687w, https:\/\/insightee.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/tabelascolari-768x1145.jpg 768w, https:\/\/insightee.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/tabelascolari.jpg 1003w\" sizes=\"auto, (max-width: 201px) 100vw, 201px\" \/><\/a><figcaption><em>Outra proposta de reflex\u00f5es te\u00f3ricas sobre a cibercultura (SCOLARI, 2009)<\/em><\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p>Acho importante tamb\u00e9m abrir um par\u00eanteses para falar do fen\u00f4meno da web 2.0, hoje at\u00e9 negligenciado, principalmente em termos de discuss\u00e3o, mas que foi fundamental para a consolida\u00e7\u00e3o do que temos atualmente. No in\u00edcio da internet, eram pouqu\u00edssimas as pessoas que podiam produzir conte\u00fado: a web 1.0 era formada por webmasters que sabiam fazer sites (HTML) completamente est\u00e1ticos e usu\u00e1rios que navegavam por esse espa\u00e7o; na web 2.0, esse cen\u00e1rio se torna mais din\u00e2mico com a introdu\u00e7\u00e3o de possibilidades com XML e RSS (de onde nascem os blogs, wikis, etc.).<\/p>\n\n\n\n<p>Em meados dos anos 2000, &#8220;entrar&#8221; na internet j\u00e1 era algo bastante comum para boa parte da popula\u00e7\u00e3o brasileira. Foi o per\u00edodo de febre das <em>lan houses<\/em>, dos joguinhos online, da evolu\u00e7\u00e3o dos discadores para banda largas, etc. &#8211; e tamb\u00e9m o primeiro momento em que um site de rede social ganha for\u00e7a: o Orkut. A meu ver, nessa \u00e9poca, a discuss\u00e3o virtual x offline (heran\u00e7a da d\u00e9cada de 90) ainda continuava com bastante for\u00e7a, com muito sendo discutido &#8211; inclusive na imprensa &#8211; sobre comunidades virtuais, subculturas virtuais e mundos virtuais (Second Life, Habbo Hotel, etc.).<\/p>\n\n\n\n<p>Duas coisas acontecem no final dessa d\u00e9cada que, a meu ver, s\u00e3o fundamentais para o que viria a seguir &#8211; e est\u00e3o bastante interligadas: a populariza\u00e7\u00e3o de smartphones (e, obviamente, a ascens\u00e3o econ\u00f4mica dos brasileiros para adquirirem esses objetos) e a consolida\u00e7\u00e3o da internet m\u00f3vel (3G). Esse cen\u00e1rio foi fundamental para que, no final dos anos 2000, sites de redes sociais como Facebook, Twitter e YouTube ganhassem a proje\u00e7\u00e3o social e econ\u00f4mica que t\u00eam hoje em dia. Paramos de &#8220;entrar&#8221; na internet, que se tornou embutida, incorporada e cotidiana (HINE, 2015).<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 tamb\u00e9m nesse contexto que a <em>World Wide Web<\/em>, que nasce com um entusiamo de revolu\u00e7\u00e3o, \u00e9 cooptada pelas garras do capitalismo nos modelos de neg\u00f3cios desenvolvidos pelas empresas de m\u00eddias sociais. Internet vira, de certo modo, sin\u00f4nimo de redes sociais &#8211; <a href=\"https:\/\/tarciziosilva.com.br\/blog\/10-anos-de-facebook-um-ponto-obrigatorio-de-passagem\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">um ponto obrigat\u00f3rio de passagem<\/a>. Da Tabela 2, que tamb\u00e9m reproduzo do livro de Fragoso et. al, percebemos um redirecionamento dos estudos de internet em termos de abordagem te\u00f3rica, cada vez mais em dire\u00e7\u00e3o a pens\u00e1-la como artefato cultural e\/ou como m\u00eddia mesmo.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-table is-style-stripes\"><table class=\"has-fixed-layout\"><thead><tr><th>Abordagem Te\u00f3rica<\/th><th>Internet como Cultura<\/th><th>Internet como Artefato Cultural<\/th><th>Internet como M\u00eddia<\/th><\/tr><\/thead><tbody><tr><td><strong>Conceitos<\/strong><\/td><td>Ciberespa\u00e7o, vida virtual, cibercultura, descorporifica\u00e7\u00e3o, desterritorializa\u00e7\u00e3o.<\/td><td>Online\/Offline, incorporada \u00e0 vida cotidiana, localidade.<\/td><td>Converg\u00eancia de m\u00eddia, vida cotidiana, novas m\u00eddias, cultura digital.<\/td><\/tr><tr><td><strong>Objeto\/Campo<\/strong><\/td><td>Com base no texto: Chats, BBS, IRC, Usenet, Newsgroups, MUDs<\/td><td>Com base na web: P\u00e1ginas pessoais, websites, mundos virtuais.<\/td><td>Redes sociais, objetos multim\u00eddia: Conte\u00fado gerado por consumidor, Web 2.0.<\/td><\/tr><tr><td><strong>Metodologia<br>Qualitativa<br>Etnografia<\/strong><\/td><td>Comunidades Virtuais, Comunica\u00e7\u00e3o Mediada por Computador, Identidade Online, Estudos feitos exclusivamente em tela.<\/td><td>La\u00e7os sociais, representa\u00e7\u00e3o de identidade, \u201cestudos al\u00e9m da tela\u201d, apropria\u00e7\u00e3o da tecnologia, etnografia virtual.<\/td><td>Etnografia multim\u00eddia, etnografia conectiva, etnografia das redes.<\/td><\/tr><\/tbody><\/table><figcaption style=\"font-size:10px;margin-bottom:10px;\"><em><center>Tabela 2: Abordagens te\u00f3ricas sobre a internet enquanto objeto de estudo. Fonte: Ardevol et al. (2008)<\/center><\/em><\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>Percebemos, portanto, que, a partir da virada da d\u00e9cada, os sites de redes sociais (SRSs) passam a tomar conta, com v\u00e1rias das produ\u00e7\u00f5es acad\u00eamicas sendo principalmente dedicadas a esses fen\u00f4menos. O projeto de pesquisa <em>&#8220;Why We Post&#8221;<\/em>, liderado pelo etn\u00f3grafo Daniel Miller na University College London busca, desde 2012, compreender os usos e as consequ\u00eancias das m\u00eddias sociais no mundo inteiro. No Brasil, temos tamb\u00e9m a tese <em>&#8220;Din\u00e2micas identit\u00e1rias em sites de redes sociais&#8221;<\/em> (2014), de Beatriz Polivanov, que vira livro e refer\u00eancia na \u00e1rea.<\/p>\n\n\n\n<p>Essas obras n\u00e3o necessariamente trazem novos paradigmas para o campo da pesquisa na internet, mas atualizam e referenciam muito &#8211; o trabalho de Polivanov, por exemplo, traz bastante da produ\u00e7\u00e3o brasileira das pr\u00f3prias autoras Raquel Recuero, Adriana Amaral, Suely Fragoso, Sandra Montardo, etc. &#8211; dos m\u00e9todos j\u00e1 populares, como (n)etnografia virtual, entrevista em profundidade, etc. No entanto, dando continuidade \u00e0 promessa da web 2.0, a produ\u00e7\u00e3o de conte\u00fado gerado por usu\u00e1rios exige que essas pesquisas tamb\u00e9m atualizem seus repert\u00f3rios ferramentais.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"alignright size-large is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/mitpress.mit.edu\/sites\/default\/files\/styles\/large_book_cover\/http\/mitp-content-server.mit.edu%3A18180\/books\/covers\/cover\/%3Fcollid%3Dbooks_covers_0%26isbn%3D9780262018838%26type%3D.jpg?itok=ISsw7DrH\" alt=\"\" width=\"120\" height=\"154\"\/><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p>Nesse contexto, grupos como o <a href=\"https:\/\/wiki.digitalmethods.net\/Dmi\/DmiAbout\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Digital Methods Initiative<\/a> da Universidade de Amsterd\u00e3 surgem com alternativas para explorar dados da internet &#8211; e, consequentemente, dos sites de redes sociais &#8211; em grande escala. O livro <em>&#8220;Digital Methods&#8221;<\/em> (2013), de Richard Rogers, l\u00edder do grupo, \u00e9 a publica\u00e7\u00e3o que reafirma a iniciativa de estruturar ferramentas capazes de compreender a sociedade atrav\u00e9s da internet, principalmente sob a perspectiva de redes, rastros de conflito, arquivos de conte\u00fado, etc. &#8211; para estudar cliques, hiperlinks, curtidas, coment\u00e1rios, etc.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/www.ibpad.com.br\/blog\/comunicacao-digital\/10-livros-e-10-artigos-sobre-metodos-digitais-de-pesquisa\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">V\u00e1rias outras publica\u00e7\u00f5es<\/a> tamb\u00e9m surgem nesse mesmo momento com o intuito de pensar m\u00e9todos para fazer pesquisas com\/nas m\u00eddias sociais, mas aqui chamo a aten\u00e7\u00e3o para essa produ\u00e7\u00e3o do DMI devido \u00e0 proposta do grupo de produzir principalmente um <a href=\"https:\/\/wiki.digitalmethods.net\/Dmi\/ToolDatabase\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">aparato t\u00e9cnico<\/a> que desse conta desse novo cen\u00e1rio. E se hoje estamos vivendo a era da <a href=\"https:\/\/insightee.com.br\/blog\/pesquisa-com-apis-pos-cambridge-analytica\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">pesquisa &#8220;p\u00f3s-APIs&#8221;<\/a>, \u00e9 porque foi nesse momento &#8211; e tamb\u00e9m com a ajuda de projetos como esse, muito ancorados nas l\u00f3gicas das APIs &#8211; que a coleta de dados de m\u00eddias sociais p\u00f4de se popularizar tanto.<\/p>\n\n\n\n<p>Para explicar isso, vou ter que voltar um pouquinho na nossa historiciza\u00e7\u00e3o da web. Quando os sites de redes sociais surgiram, eles eram tamb\u00e9m fruto da l\u00f3gica da web 2.0 (que, como expliquei, teve como primeiros produtos os blogs e wikis, mas cuja evolu\u00e7\u00e3o disso fica evidente na proposta das m\u00eddias sociais). Essa l\u00f3gica da cultura colaborativa trazia consigo um est\u00edmulo de co-desenvolvimento para que as pessoas tamb\u00e9m pudessem criar e elaborar projetos em cima de estruturas e c\u00f3digos j\u00e1 previamente estabelecidos (que \u00e9 a cultura da programa\u00e7\u00e3o at\u00e9 hoje).<\/p>\n\n\n\n<p>As <em>APIs (Application Programing Interface)<\/em>, que s\u00e3o basicamente &#8220;s\u00e9ries de comandos que permitem a usu\u00e1rios e aplicativos se comunicarem com os sites e requisitarem dados hospedados em seus servidores&#8221; (ALVES, 2017, p. 2016), foram lan\u00e7adas praticamente junto \u00e0s pr\u00f3prias m\u00eddias sociais. Foram a partir delas que v\u00e1rios aplicativos ganharam tamb\u00e9m bastante popularidade &#8211; como aqueles joguinhos do Facebook de meados de 2010 (Farmville, Colheita Feliz, SongPop), ou o antigo Twitpic de quando o Twitter ainda n\u00e3o permitia publicar imagens.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><a href=\"https:\/\/www.ibpad.com.br\/o-que-fazemos\/publicacoes\/historico-das-apis-no-monitoramento-e-pesquisa-em-midias-sociais\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"497\" src=\"https:\/\/insightee.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/Linha-do-Tempo-apis-1024x497.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-4721\" srcset=\"https:\/\/insightee.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/Linha-do-Tempo-apis-1024x497.png 1024w, https:\/\/insightee.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/Linha-do-Tempo-apis-300x146.png 300w, https:\/\/insightee.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/Linha-do-Tempo-apis-768x373.png 768w, https:\/\/insightee.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/Linha-do-Tempo-apis-1536x745.png 1536w, https:\/\/insightee.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/Linha-do-Tempo-apis-2048x993.png 2048w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/a><\/figure>\n\n\n\n<p>Foi a partir dessa oportunidade que muitos dos softwares acad\u00eamicos desenvolvidos no final da primeira d\u00e9cada dos anos 2000 e in\u00edcio da d\u00e9cada seguinte ganharam tamb\u00e9m muita for\u00e7a, sendo talvez a Netvizz (do DMI), que permitia coletar dados do Facebook, <a href=\"http:\/\/thepoliticsofsystems.net\/2018\/08\/facebooks-app-review-and-how-independent-research-just-got-a-lot-harder\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">a grande protagonista de toda essa hist\u00f3ria<\/a>. Infelizmente, n\u00e3o por um bom motivo: quando os problemas come\u00e7aram a vir \u00e0 tona, a ferramenta foi aos poucos enfrentando limita\u00e7\u00f5es cada vez mais severas. O pr\u00f3prio Rogers, que ajudou a popularizar as ferramentas do seu grupo, foi for\u00e7ado a admitir:<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>Ao construir as infraestruturas necess\u00e1rias para apoiar e rastrear a crescente quantidade de intera\u00e7\u00f5es online e ao tornar os registros resultantes dispon\u00edveis atrav\u00e9s das APIs, <strong>as plataformas reduziram significativamente os custos dos dados de m\u00eddias sociais. A facilidade da pesquisa com APIs veio com o pre\u00e7o de aceitar a padroniza\u00e7\u00e3o particular operada pelas plataformas de m\u00eddias sociais e o enviesamento que vem junto<\/strong>. [\u2026] Num frenesi consumista, n\u00f3s estocamos dados como commodities produzidas em massa. <strong>A pesquisa com APIs \u00e9 culpada (pelo menos em parte) por espalhar o hype dos dados de m\u00eddias sociais<\/strong>, reduzindo a diversidade de m\u00e9todos digitais ao estudo de plataformas online, e por espalhar as ideias pr\u00e9-concebidas de que o Facebook, o Google, o Twitter e seus semelhantes s\u00e3o os mestres do debate online, e n\u00e3o h\u00e1 alternativas a n\u00e3o ser viver sob as migalhas de suas APIs.<\/p><cite>(VENTURINI, ROGERS; 2019)<\/cite><\/blockquote>\n\n\n\n<p>A &#8220;era das APIs&#8221; realmente facilitou muito uma das etapas do processo metodol\u00f3gico de pesquisa com dados de m\u00eddias sociais, a coleta\/extra\u00e7\u00e3o dos dados, mas a verdade \u00e9 que muita pesquisa j\u00e1 foi feita &#8211; inclusive no mesmo per\u00edodo &#8211; sobre m\u00eddias sociais sem necessariamente depender dessa alternativa. O pr\u00f3prio termo &#8220;p\u00f3s-APIs&#8221; parece, hoje, demasiadamente apocal\u00edptico, visto que v\u00e1rias plataformas continuam com APIs ainda bastante favor\u00e1veis principalmente \u00e0queles interessados a realizar pesquisa acad\u00eamica com dados de m\u00eddias sociais.<\/p>\n\n\n\n<p>O Twitter lan\u00e7ou recentemente uma <a href=\"https:\/\/www.ibpad.com.br\/blog\/twitter-libera-api-especial-para-academicos-o-que-voce-precisa-saber\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">vers\u00e3o de sua API exclusiva para acad\u00eamicos<\/a> com acesso in\u00e9dito a um volume de dados jamais visto at\u00e9 em algumas das suas op\u00e7\u00f5es pagas. O YouTube continua com a API funcionando relativamente bem, com ferramentas como o <a href=\"https:\/\/tools.digitalmethods.net\/netvizz\/youtube\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">YouTube Data Tools<\/a> (DMI) ainda no ar. At\u00e9 mesmo o Facebook, maior site de rede social da atualidade, que come\u00e7ou a fechar sua API em 2015 e depois do seu afiliado Instagram em 2016, hoje tem a <a href=\"https:\/\/www.crowdtangle.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">CrowdTangle<\/a> como alternativa oficial da empresa para pesquisadores acad\u00eamicos.<\/p>\n\n\n\n<p>Ainda temos um cen\u00e1rio bastante pr\u00f3spero para quem deseja trabalhar com coleta de dados de m\u00eddias sociais, embora os trope\u00e7os dos \u00faltimos ainda. \u00c9 importante, entretanto, ter em vista que &#8220;muitos dados&#8221; n\u00e3o \u00e9 necessariamente o equivalente a uma pesquisa melhor, mais v\u00e1lida ou mais rica. Essa perspectiva positivista pela evid\u00eancia quantitativa euf\u00f3rica n\u00e3o \u00e9 o legado que duas d\u00e9cadas de estudos de internet nos deixa, com um vasto repert\u00f3rio de m\u00e9todos qualitativos sendo explorados, discutidos e potencializados no Brasil e \u00e0 fora.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Abordagens e ferramentas de coleta para m\u00eddias sociais \u2013 quais dados est\u00e3o dispon\u00edveis?<\/h2>\n\n\n\n<p>H\u00e1 basicamente tr\u00eas maneiras para se coletar dados de m\u00eddias sociais (em 2021): via APIs, raspagem de dados (web scraping) ou manualmente. Qual \u00e9 a diferen\u00e7a entre cada um deles e o que isso implica? Antes de responder essa pergunta, preciso admitir uma coisa: quando estou falando aqui de &#8220;dados de m\u00eddias sociais&#8221;, estou me referindo principalmente \u00e0s publica\u00e7\u00f5es que s\u00e3o feitas pelos usu\u00e1rios (o famoso <em>UGC &#8211; user-generated content<\/em>) e\/ou \u00e0s informa\u00e7\u00f5es semip\u00fablicas dispon\u00edveis a n\u00edvel de usabilidade das plataformas (seguidores, por exemplo).<\/p>\n\n\n\n<p>No entanto, \u00e9 evidente que os dados que geramos nas m\u00eddias sociais correspondem a muito mais do que isso. Cliques, alcance, tempo em tela, taxa de rejei\u00e7\u00e3o (<em>bounce rate<\/em>), dentre v\u00e1rias outras m\u00e9tricas tamb\u00e9m podem ser consideradas para an\u00e1lise de m\u00eddias sociais. No mercado de comunica\u00e7\u00e3o digital, essa diferen\u00e7a se estabelece <a href=\"https:\/\/www.ibpad.com.br\/blog\/comunicacao-digital\/metricas-ou-monitoramento-nao-se-confunda-entenda-as-diferencas\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">nas defini\u00e7\u00f5es de monitoramento e m\u00e9tricas<\/a>, em que a segunda est\u00e1 muito mais associada a dados fornecidos pelas pr\u00f3prias plataformas cujo foco est\u00e1 na mensura\u00e7\u00e3o para otimiza\u00e7\u00e3o de objetivos de neg\u00f3cios (venda, <em>awereness<\/em>, etc.).<\/p>\n\n\n\n<p>O foco das pesquisas com dados de m\u00eddias sociais, portanto, costuma ser as conversa\u00e7\u00f5es em rede &#8211; ou seja, o conte\u00fado (das mensagens ou dos perfis) ou as pr\u00f3prias intera\u00e7\u00f5es. \u00c9 por isso que a an\u00e1lise de redes se popularizou tanto nas \u00faltimas d\u00e9cadas, por fornecer o aparato t\u00e9cnico-metodol\u00f3gico (e te\u00f3rico) para compreendermos principalmente a l\u00f3gica de conex\u00f5es das redes &#8211; que est\u00e3o nas trocas de mensagens, mas tamb\u00e9m na associa\u00e7\u00e3o entre os atores (amizade, seguidores, v\u00eddeos relacionados, etc.), dissemina\u00e7\u00e3o de (des)informa\u00e7\u00e3o, etc.<\/p>\n\n\n\n<p>Para gerar essas redes com centenas, milhares, \u00e0s vezes milh\u00f5es de conex\u00f5es, alternativas de coleta via API ou <em>web scraping<\/em> facilitam muito o processo &#8211; o que n\u00e3o quer dizer que uma rede n\u00e3o possa tamb\u00e9m ser produzida manualmente. O mesmo vale para a an\u00e1lise de conversa\u00e7\u00e3o\/conte\u00fado, que tamb\u00e9m ganhou bastante notoriedade nas produ\u00e7\u00f5es acad\u00eamicas da \u00faltima d\u00e9cada. Na tabela abaixo, apresento de modo bastante simplificado\/did\u00e1tico quais s\u00e3o as principais diferen\u00e7as entre essas tr\u00eas op\u00e7\u00f5es de coleta, j\u00e1 listando algumas ferramentas.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-table is-style-stripes\"><table class=\"has-fixed-layout\"><thead><tr><th><\/th><th>APIs<\/th><th>Raspagem de dados<br>(web scraping)<\/th><th>Coleta manual<\/th><\/tr><\/thead><tbody><tr><td><strong>Como utilizar?<\/strong><\/td><td>&#8211; Ferramentas plenas comerciais<br>&#8211; Softwares acad\u00eamicos<br>&#8211; C\u00f3digos e scripts de programa\u00e7\u00e3o<\/td><td>&#8211; C\u00f3digos e scripts de programa\u00e7\u00e3o<\/td><td>&#8211; Copia e cola<br>&#8211; Captura de tela<\/td><\/tr><tr><td><strong>Limita\u00e7\u00f5es e implica\u00e7\u00f5es<\/strong><\/td><td>&#8211; Dados dispon\u00edveis de acordo com a documenta\u00e7\u00e3o de cada plataforma<\/td><td>&#8211; Pr\u00e1tica vai contra os Termos de Servi\u00e7o das plataformas<br>&#8211; Pode ter consequ\u00eancias operacionais e at\u00e9 jur\u00eddicas<\/td><td>&#8211; Assim como raspagem, envolve quest\u00f5es \u00e9ticas da privacidade dos usu\u00e1rios<\/td><\/tr><tr><td><strong>Exemplos de ferramentas ou softwares<\/strong><\/td><td>&#8211; Netlytic, YouTube Data Tools, Facepager<\/td><td>&#8211; Twint, SNScrape, Instagram-Scraper<\/td><td>&#8211; Spreadsheets, Excel, LibreOffice<\/td><\/tr><\/tbody><\/table><\/figure>\n\n\n\n<p>Fazer a extra\u00e7\u00e3o\/coleta de dados via API significa basicamente utilizar das portas de acesso que as pr\u00f3prias plataformas disponibilizam para terceiros terem acesso a seus dados. Essa pr\u00e1tica diz respeito ao modo como a web, que surgiu otimista pela descentraliza\u00e7\u00e3o de acesso, tem se transformado cada vez mais em plataformas propriet\u00e1rias de empresas &#8211; como no caso das m\u00eddias sociais. A <strong>plataformiza\u00e7\u00e3o da web<\/strong> diz respeito a um modelo econ\u00f4mico dominante e as consequ\u00eancias da expans\u00e3o das plataformas de redes sociais em outros espa\u00e7os online.<\/p>\n\n\n\n<p>O pesquisador brasileiro Marcelo Alves traz esse argumento da pesquisadora Anne Helmond &#8211; integrante do <em>Digital Methods Initiative (DMI)<\/em> &#8211; em que explica que &#8220;as APIs permitem fluxos de dados cuidadosamente regulamentados entre plataformas sob a forma de APIs abertas ou APIs propriet\u00e1rias&#8221;. Essas infraestruturas program\u00e1ticas que definem barreiras e se comunicam com o restante da web por meio de aplica\u00e7\u00f5es direciona a pol\u00edtica de fluxo de dados, nas quais os planos de neg\u00f3cio das empresas s\u00e3o representadas atrav\u00e9s de permiss\u00f5es e leis de acesso.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\" style=\"font-size:12px\"><figure class=\"alignright size-large is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/insightee.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/twitterapis.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-4730\" width=\"335\" height=\"305\" srcset=\"https:\/\/insightee.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/twitterapis.png 446w, https:\/\/insightee.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/twitterapis-300x274.png 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 335px) 100vw, 335px\" \/><figcaption>Gr\u00e1fico do artigo <em>&#8220;Is the Sample Good Enough? Comparing Data from Twitter\u2019s Streaming API with Twitter\u2019s Firehose&#8221;<\/em> comparando a mesma coleta atrav\u00e9s de duas APIs do Twitter<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p>H\u00e1, portanto, dois pontos importantes em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s APIs: suas documenta\u00e7\u00f5es e chaves de acesso (<em>token<\/em>). As primeiras geralmente s\u00e3o disponibilizadas publicamente nos sites das plataformas (com dicion\u00e1rios sobre pontos de exporta\u00e7\u00e3o, informa\u00e7\u00f5es para consultas, erros comuns, etc.), mas a segunda exige uma requisi\u00e7\u00e3o a ser solicitada (para conseguir uma chave). S\u00e3o diversos n\u00edveis de autoriza\u00e7\u00e3o, acesso e proibi\u00e7\u00f5es de pontos de dados, cuja diversidade dos metadados est\u00e1 de acordo com as permiss\u00f5es concebidas (ALVES, 2018).<\/p>\n\n\n\n<p>Em termos pr\u00e1ticos, portanto, \u00e9 imprescind\u00edvel que os pesquisadores interessados nos dados dessas plataformas entendam como ler a documenta\u00e7\u00e3o fornecida e aprendam a operacionalizar as interfaces <a href=\"https:\/\/wasimahmed.org\/2015\/06\/04\/a-comparison-of-twitter-apis-across-tools\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">para tirar o m\u00e1ximo de proveito<\/a> de acordo com seus objetivos. Isso implica, entretanto, ter o m\u00ednimo de conhecimento de programa\u00e7\u00e3o para saber como fazer requisi\u00e7\u00f5es aos servidores do Facebook, Twitter ou YouTube &#8211; o que dificulta um pouco esse processo, como tamb\u00e9m \u00e9 o caso para a op\u00e7\u00e3o de raspagem de dados (scraping).<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 por isso que v\u00e1rias ferramentas\/softwares foram desenvolvidas na \u00faltima d\u00e9cada a partir de iniciativas como a DMI para facilitar o acesso de pesquisadores acad\u00eamicos aos dados fornecidos via API. J\u00e1 citei aqui algumas delas, como: a falecida <a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=3vkKPcN7V7Q\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Netvizz<\/a> que permitia acesso a dados do Facebook; a <a href=\"https:\/\/netlytic.org\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Netlytic<\/a> e sua irm\u00e3 mais nova, <a href=\"https:\/\/communalytic.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Communalytic<\/a>, desenvolvida por pesquisadores da <a href=\"https:\/\/socialmedialab.ca\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Social Media Lab<\/a> com funcionalidades robustas de an\u00e1lise (de redes, inclusive) a partir da coleta de dados do Twitter, YouTube, Facebook\/Instagram; e a <a href=\"https:\/\/tools.digitalmethods.net\/netvizz\/youtube\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">YouTube Data Tools<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>Todas essas fazem (ou faziam, como no caso da Netvizz) uso das APIs das plataformas, o que pode ser um grande facilitador em v\u00e1rios sentidos. No entando, apesar dos benef\u00edcios de interfaces que n\u00e3o exigem conhecimento de programa\u00e7\u00e3o e reposit\u00f3rios online independentes da nossa m\u00e1quina pessoal, o maior problema delas tamb\u00e9m est\u00e1 no trunfo das APIs e suas limita\u00e7\u00f5es. A vers\u00e3o gratuita para desenvolvedores, do Twitter, por exemplo, at\u00e9 recentemente s\u00f3 permitia a coleta de alguns milhares de tweets a cada 15 minutos e com um retroativo de at\u00e9, no m\u00e1ximo, 7 dias.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 nesse contratempo &#8211; de modo mais amplo &#8211; que surge a alternativa de raspagem de dados (ou <em>scraping<\/em>, em ingl\u00eas), que nada mais \u00e9 do que um procedimento automatizado de uma coleta que voc\u00ea tamb\u00e9m poderia fazer manualmente. Isso porque essa t\u00e9cnica geralmente extrai os dados a partir de uma linguagem de marca\u00e7\u00e3o (HTML) do seu c\u00f3digo-fonte, na qual &#8220;o mecanismo exibe a p\u00e1gina e procura na linguagem de marca\u00e7\u00e3o pelas partes espec\u00edficas referentes aos dados que precisamos&#8221; (ALVES, 2018, p. 24).<\/p>\n\n\n\n<p>A maior dificuldade de se trabalhar com <em>web scraping<\/em> \u00e9 ter o m\u00ednimo de conhecimento de programa\u00e7\u00e3o para saber como rodar scripts em Python e R. No entanto, trabalhar com APIs tamb\u00e9m exige um conhecimento de t\u00e9cnicas e linguagem de programa\u00e7\u00e3o para poder fazer as requisi\u00e7\u00f5es (e at\u00e9 mesmo ler as documenta\u00e7\u00f5es de acesso). A boa not\u00edcia \u00e9 que para ambos os casos h\u00e1 v\u00e1rios scripts &#8211; c\u00f3digos escritos por programadores, desenvolvedores, etc. &#8211; disponibilizados publicamente em reposit\u00f3rios como o GitHub.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<iframe loading=\"lazy\" title=\"Coleta de dados do Twitter e Instagram - Parte 1: Instala\u00e7\u00e3o do Python\" width=\"980\" height=\"551\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/xVML2vqhiCc?list=PLfCyWgbhbmDLx_hIsbLHBLzfjBPMG_vGz\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe>\n<\/div><\/figure>\n\n\n\n<p>Para quem n\u00e3o quer utilizar as ferramentas acad\u00eamicas j\u00e1 citadas (que podem custar caro no bolso brasileiro) para extra\u00e7\u00e3o via API, h\u00e1 projetos como o <a href=\"https:\/\/github.com\/strohne\/Facepager\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Facepager<\/a> e o <a href=\"https:\/\/gwu-libraries.github.io\/sfm-ui\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Social Feed Manager<\/a> que j\u00e1 fazem boa parte do trabalho de programa\u00e7\u00e3o por voc\u00ea, sendo necess\u00e1rio apenas alguns ajustes de configura\u00e7\u00e3o do acesso. J\u00e1 quem n\u00e3o possui boas chaves de API \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o, alguns scripts de raspagem como o <a href=\"https:\/\/github.com\/twintproject\/twint\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Twint<\/a>, o <a href=\"https:\/\/github.com\/arc298\/instagram-scraper\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Instagram-Scraper<\/a> e o <a href=\"https:\/\/github.com\/JustAnotherArchivist\/snscrape\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">SNScrape<\/a> podem ser interessantes. Acima, compartilho v\u00eddeos-tutoriais de como instalar o Python para utiliz\u00e1-los.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m de todas as op\u00e7\u00f5es, h\u00e1 tr\u00eas iniciativas que est\u00e3o constantemente atualizando suas listas de ferramentas para pesquisa em m\u00eddias sociais: o <em>Social Media Research Toolkit<\/em> do <a href=\"https:\/\/socialmedialab.ca\/apps\/social-media-research-toolkit-2\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Social Media Lab<\/a>\/<a href=\"https:\/\/socialmediadata.org\/social-media-research-toolkit\/\">Social Media Data<\/a> (com uma cataloga\u00e7\u00e3o detalhada de vari\u00e1veis importantes), o wiki <a href=\"http:\/\/socialmediadata.wikidot.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Social Media Data Collection Tools<\/a> organizado pelo Deen Freelon; e as ferramentas do <a href=\"https:\/\/medialab.sciencespo.fr\/en\/tools\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">m\u00e9dialab Sciences Po<\/a>. Em seu blog institucional, o pesquisador Wasim Ahmed tamb\u00e9m j\u00e1 fez levantamentos de ferramentas em <a href=\"https:\/\/blogs.lse.ac.uk\/impactofsocialsciences\/2015\/07\/10\/social-media-research-tools-overview\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">2015<\/a>, <a href=\"https:\/\/blogs.lse.ac.uk\/impactofsocialsciences\/2017\/05\/08\/using-twitter-as-a-data-source-an-overview-of-social-media-research-tools-updated-for-2017\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">2017<\/a>, <a href=\"https:\/\/blogs.lse.ac.uk\/impactofsocialsciences\/2019\/06\/18\/using-twitter-as-a-data-source-an-overview-of-social-media-research-tools-2019\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">2019<\/a> e recentemente em <a href=\"https:\/\/blogs.lse.ac.uk\/impactofsocialsciences\/2021\/05\/18\/using-twitter-as-a-data-source-an-overview-of-social-media-research-tools-2021\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">2021<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>Na tentativa de agregar todas essas ferramentas levantadas por esses reposit\u00f3rios e tamb\u00e9m incluir outras op\u00e7\u00f5es interessantes &#8211; inclusive projetos brasileiros, como o <a href=\"https:\/\/www.labcomdata.com.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">LTweet do LABCOM da UFMA<\/a> -, criei recentemente <a href=\"https:\/\/docs.google.com\/spreadsheets\/d\/12Ua7FKkoSDd8NfuEXxZf2Pbqzk7skydtuxdfokj__JU\/edit?usp=sharing\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">uma planilha<\/a> (ainda em constru\u00e7\u00e3o &#8211; interessados em colaborar podem entrar em contato comigo!) para compartilhamento dentre a comunicade de pesquisadores brasileiros. No final das contas, o que fica evidente \u00e9 que op\u00e7\u00e3o n\u00e3o falta para conseguirmos algum jeito de coletar\/extrair dados de m\u00eddias sociais &#8211; a escolha \u00e9 sua.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Para continuar estudando: uma nota pessoal, refer\u00eancias e m\u00e9todos\/metodologias mais comuns<\/h2>\n\n\n\n<p>Tentei, ao longo deste post, construir a minha fala em cima de v\u00e1rios referenciais te\u00f3ricos e uma perspectiva mais impessoal sobre o assunto. Gostaria de finaliz\u00e1-lo, entretanto, carregando um pouco a m\u00e3o no eutnocentrismo, come\u00e7ando pelos motivos que me fizeram escrev\u00ea-lo, que s\u00e3o tr\u00eas: um pedido de ajuda de uma mestranda da USP, uma fala para alunos da gradua\u00e7\u00e3o do curso de Estudos de M\u00eddia da UFF e uma oficina que ministrei junto \u00e0 minha querida amiga Aianne Amado para graduandos, mestrandos, doutorandos e doutores da UFS\/UnB.<\/p>\n\n\n\n<p>Esses tr\u00eas eventos aconteceram (n\u00e3o simultaneamente) nos \u00faltimos dois meses e me fizeram n\u00e3o s\u00f3 refletir, mas levantar e preparar um material did\u00e1tico para esses tr\u00eas diferentes p\u00fablicos que tinham o mesmo interesse: aprender como coletar e analisar dados de m\u00eddias sociais. Para cada um deles, eu tive que desenvolver um modo diferente de explicar tudo isso que falei aqui (nem com tanta profundidade ou entrando em tantos detalhes como fiz agora), levando em considera\u00e7\u00e3o o n\u00edvel &#8211; e a forma\u00e7\u00e3o &#8211; de conhecimento de cada um.<\/p>\n\n\n\n<p>Escrevi este texto com o intuito de compilar tudo que pude passar nessas tr\u00eas ocasi\u00f5es, agregando j\u00e1 as discuss\u00f5es que conseguimos propor em alguns deles, com o intuito principal de ser realmente um guia (introdut\u00f3rio) para quem deseja trabalhar com dados de m\u00eddias sociais. H\u00e1 muito mais do que eu trouxe aqui, mas imagino (espero) que o que pude apontar &#8211; e questionar &#8211; sirva de contribui\u00e7\u00e3o para voc\u00ea, que est\u00e1 lendo at\u00e9 agora. A minha proposta nunca foi a de esgotar as possibilidades, mas abrir os horizontes para futuros navegantes.<\/p>\n\n\n\n<p>Acho tamb\u00e9m importante colocar que embora a minha forma\u00e7\u00e3o (gradua\u00e7\u00e3o) seja em Estudos de M\u00eddia\/UFF, muito do que eu aprendi e conheci veio do meu trabalho no IBPAD, com a mentoria do meu mestre, Tarc\u00edzio Silva. Foi sob sua orienta\u00e7\u00e3o que produzi o material <a href=\"https:\/\/www.ibpad.com.br\/o-que-fazemos\/publicacoes\/100-fontes-sobre-pesquisa-e-monitoramento-de-midias-sociais\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">&#8220;100 Fontes sobre Pesquisa e Monitoramento de M\u00eddias Sociais&#8221;<\/a>, com o qual descobri v\u00e1rios dos autores que citei; foi tamb\u00e9m onde aprendi a mexer na Netvizz, no YouTube Data Tools e no Netlytic; al\u00e9m da pr\u00e1tica de an\u00e1lise de redes com o Gephi e, depois, com a WORDij.<\/p>\n\n\n\n<p>No mestrado, optei por seguir para uma \u00e1rea interdisciplinar menos voltada para Comunica\u00e7\u00e3o, o que fez com que eu tivesse que estudar sobre m\u00e9todos digitais por conta pr\u00f3pria. \u00c9 realmente muito desafiador se manter atualizado de todas essas discuss\u00f5es e dos pr\u00f3prios fen\u00f4menos digitais nesse campo em constante mudan\u00e7a que \u00e9 a internet, mas tento acompanhar v\u00e1rios pesquisadores da \u00e1rea atrav\u00e9s do Twitter, para ficar de olho no que h\u00e1 de mais novo (no sentido de inovador mesmo) em termos de metodologias, ferramentas e t\u00e9cnicas.<\/p>\n\n\n\n<p>No entanto, \u00e9 importante que n\u00e3o nos deixemos cair no deslumbramento do que est\u00e1 no hype somente pelo hype (como fizeram os primeiros estudiosos de internet). \u00c9 preciso olhar constantemente para tr\u00e1s &#8211; vide a tabela 3, do livro bastante citado aqui de Fragoso et. al (2011) &#8211; a fim de entendermos como conseguimos avan\u00e7ar sem necessariamente reinventar m\u00e9todos j\u00e1 consolidados, mas pensar como podemos agregar novas metodologias aos cen\u00e1rios atuais e emergentes &#8211; como tem sido feito constantemente com as abordagens chamadas <a href=\"https:\/\/www.researchgate.net\/publication\/335472092_Metodos_Mistos_Combinando_Etnografia_e_Analise_de_Redes_Sociais_em_Estudos_de_Midia_Social\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">&#8220;m\u00e9todos mistos&#8221;<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-table is-style-stripes\"><table class=\"has-fixed-layout\"><thead><tr><th>Objetos<\/th><th>Alguns m\u00e9todos apresentados na literatura<\/th><\/tr><\/thead><tbody><tr><td>Blogs<br>Fotologs<br>Videologs<br>Moblogs<br>Microblogs<\/td><td>An\u00e1lise de conte\u00fado<br>An\u00e1lise de discurso<br>Etnografia + ARS<br>Entrevistas<br>Estudo de caso<br>Observa\u00e7\u00e3o participante<br>M\u00e9todo Biogr\u00e1fico<br>Estat\u00edsticas<\/td><\/tr><tr><td>P\u00e1ginas Pessoais<br>Websites<\/td><td>An\u00e1lise de Hyperlinks<br>Etnografia<br>Estudo de Caso<br>An\u00e1lise de webesfera<br>Webometria<\/td><\/tr><tr><td>Portais<\/td><td>Estudo de caso \u2013 M\u00e9todo GJOL<br>Etnografia<br>Entrevistas em profundidade<br>An\u00e1lise documental<\/td><\/tr><tr><td>Mundos virtuais<br>MMORPGs<\/td><td>Interacionismo simb\u00f3lico<br>Etnografia<br>Semi\u00f3tica<br>An\u00e1lise documental<\/td><\/tr><tr><td>F\u00f3runs<br>Chats<br>Listas de discuss\u00e3o<br>IRC<\/td><td>Pesquisa de opini\u00e3o (survey)<br>Observa\u00e7\u00e3o Participante<br>Entrevista<br>Teoria Fundada<\/td><\/tr><tr><td>Sites de Redes<br>Sociais<\/td><td>ARS<br>Etnografia<br>ARS + Etnografia<br>Grupo Focal Online<br>Entrevista em profundidade<br>An\u00e1lise de Conversa\u00e7\u00e3o<\/td><\/tr><\/tbody><\/table><figcaption style=\"font-size:10px;margin-bottom:10px;\"><em><center>Tabela 3: Algumas ferramentas digitais e m\u00e9todos j\u00e1 utilizados em suas an\u00e1lises.<\/center><\/em><\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Temos no Brasil diversos pesquisadores, grupos, laborat\u00f3rios e departamentos com um vasto repert\u00f3rio de pesquisa sobre internet: na UFBA, o <a href=\"http:\/\/gitsufba.net\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">GITS<\/a> e o <a href=\"http:\/\/www.lab404.ufba.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Lab404<\/a>; na UFMA, o j\u00e1 citado <a href=\"https:\/\/www.labcomdata.com.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">LABCOM<\/a>; na UFPel, o <a href=\"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/midiars\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">MIDIARS<\/a>; na UFF, o MidiCom, o <a href=\"http:\/\/www.colab.uff.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">coLAB<\/a> e o <a href=\"http:\/\/citelab.sites.uff.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">CiteLab<\/a>; para citar apenas alguns. O Instituto Nacional de Ci\u00eancia e Tecnologia em Democracia Digital (INCT.DD) tem toda uma rede de pesquisa com grupos de diversas universidades brasileiras voltado a pesquisar comunica\u00e7\u00e3o, internet e pol\u00edtica. S\u00e3o atores que d\u00e3o o tom da pesquisa em m\u00eddias sociais no Brasil.<\/p>\n\n\n\n<p>L\u00e1 fora, al\u00e9m do t\u00e3o citado DMI, indico tamb\u00e9m o <a href=\"http:\/\/inovamedialab.org\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">iNOVA Media Lab,<\/a> respons\u00e1vel pelo projeto #SMARTDataSprint, que vem desde 2018 atualizando e provocando v\u00e1rios dos paradigmas propostos pelos m\u00e9todos digitais. Em portugu\u00eas, deixo aqui a minha recomenta\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m para a obra <a href=\"https:\/\/www.icnova.fcsh.unl.pt\/2020\/02\/23\/novo-e-book-icnova-metodos-digitais-teoria%E2%80%90pratica%E2%80%90critica-coordenado-por-janna-joceli-omena\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">&#8220;M\u00e9todos Digitais: teoria\u2010pr\u00e1tica\u2010cr\u00edtica&#8221;<\/a>, organizado pela pesquisadora Janna Joceli Omena, que traz textos in\u00e9ditos e tradu\u00e7\u00f5es de importantes discuss\u00f5es sobre a tem\u00e1tica. Em ingl\u00eas, h\u00e1 o j\u00e1 citado <a href=\"https:\/\/socialmedialab.ca\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Social Media Lab<\/a>, a <a href=\"https:\/\/www.smrfoundation.org\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Social Media Research Foundation<\/a> e a <a href=\"https:\/\/aoir.org\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Association of Internet Researchers<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed is-type-rich is-provider-slideshare wp-block-embed-slideshare wp-embed-aspect-1-1 wp-has-aspect-ratio\" style=\"width:100%\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<iframe loading=\"lazy\" title=\"Networks, Hashtags, Memes: A Quali-Quantitative Approach for Exploring Social Media Engagement\" src=\"https:\/\/www.slideshare.net\/slideshow\/embed_code\/key\/gNKkSRhznVLtOJ\" width=\"427\" height=\"356\" frameborder=\"0\" marginwidth=\"0\" marginheight=\"0\" scrolling=\"no\" style=\"border:1px solid #CCC; border-width:1px; margin-bottom:5px; max-width: 100%;\" allowfullscreen> <\/iframe> <div style=\"margin-bottom:5px\"> <strong> <a href=\"https:\/\/www.slideshare.net\/jannajoceli\/networks-hashtags-memes-a-qualiquantitative-approach-for-exploring-social-media-engagement\" title=\"Networks, Hashtags, Memes: A Quali-Quantitative Approach for Exploring Social Media Engagement\" target=\"_blank\">Networks, Hashtags, Memes: A Quali-Quantitative Approach for Exploring Social Media Engagement<\/a> <\/strong> from <strong><a href=\"https:\/\/www.slideshare.net\/jannajoceli\" target=\"_blank\">Janna Joceli Omena<\/a><\/strong> <\/div>\n<\/div><\/figure>\n\n\n\n<p>Finalizo este post com o mesmo tom que iniciei: muita calma com essa euforia por dados. Vivemos, de fato, um momento hist\u00f3rico em que nunca houve tantos dados \u00e0 nossa disposi\u00e7\u00e3o &#8211; e isso vem com v\u00e1rias pondera\u00e7\u00f5es, t\u00e9cnicas, ferramentais, \u00e9ticas e pol\u00edticas. Tentei apontar aqui algumas delas, mas enquanto pesquisadores acad\u00eamicos acredito que precisamos ter sempre uma responsabilidade social que amplie e atribua as preocupa\u00e7\u00f5es aos seus devidos lugares, usos e desusos desses meios em v\u00e1rios sentidos.<\/p>\n\n\n\n<p>Tamb\u00e9m pe\u00e7o calma aos novos navegantes, que foram possivelmente bombardeados com todas essas informa\u00e7\u00f5es de uma vez s\u00f3. Eu admito: n\u00e3o li &#8211; por completo &#8211; todos os livros, teses ou disserta\u00e7\u00f5es que cheguei a citar por aqui. Conhe\u00e7o porque chegaram a mim e sei que s\u00e3o importante no cen\u00e1rio geral, mas sei que minha jornada ainda \u00e9 muito nova para ter todo esse repert\u00f3rio debaixo do bra\u00e7o. O que eu recomendo \u00e9 pelo menos saber do que se trata cada um desses apontamentos e discuss\u00f5es, para que seja aprofundado quando &#8211; e se &#8211; necess\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<p>Acredito tamb\u00e9m que precisamos pensar coletivamente enquanto comunidade acad\u00eamica sobre essas diferentes perspectivas de se fazer pesquisa: ferramentas, m\u00e9todos\/metodologias e <a href=\"http:\/\/revistas.unisinos.br\/index.php\/fronteiras\/article\/view\/20795\/60748495\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">tamb\u00e9m epistemologias<\/a>. A sensa\u00e7\u00e3o que eu tenho \u00e9 que, no Brasil, ficamos cada um no respectivo cantinho produzindo sobre nossas tem\u00e1ticas e assuntos de interesse, sem necessariamente discutir como estamos desenvolvendo essas pesquisas. A pr\u00f3pria l\u00f3gica e burocracia cient\u00edfica atrapalha de publica\u00e7\u00e3o n\u00e3o acompanha a velocidade de tantas mudan\u00e7as &#8211; o que torna ainda mais urgente pensarmos como podemos manter de p\u00e9 toda essa conversa.<\/p>\n\n\n\n<h5 class=\"wp-block-heading\"><strong>Refer\u00eancias bibliogr\u00e1ficas<\/strong><\/h5>\n\n\n\n<p>ALVES, Marcelo. Abordagens da coleta de dados nas m\u00eddias sociais. In: SILVA, Tarc\u00edzio; STABILE, Max (Orgs.). Monitoramento e pesquisa em m\u00eddias sociais: metodologias, aplica\u00e7\u00f5es e inova\u00e7\u00f5es. S\u00e3o Paulo: Uva Lim\u00e3o, 2016.<br>ARD\u00c8VOL, Elisenda., et al. Media practices and the Internet: some reflections through ethnography. 2008. Apresenta\u00e7\u00e3o no Simposio del XI congreso de antropolog\u00eda de la FAAEE, Donostia, 10-13 de septiembre de 2008. Dispon\u00edvel em: . Acesso em: 01\/02\/2010.<br>FRAGOSO, Suely; RECUERO, Raquel; AMARAL, Adriana. M\u00e9todos de pesquisa para internet. Porto Alegre: Sulina, v. 1, 2011.<br>HINE, Christine. Ethnography for the Internet: Embedded. Embodied and Everyday (London: Bloomsbury Academic), 2015.<br>RECUERO, Raquel; BASTOS, Marco; ZAGO, Gabriela. An\u00e1lise de redes para m\u00eddia social. Editora Sulina, 2015.<br>RECUERO, Raquel. Redes sociais na Internet. Porto Alegre: Sulina, 2009.<br>VENTURINI, Tommaso; ROGERS, Richard. \u201c\u2018API-Based Research\u2019 or How Can Digital Sociology and Digital Journalism Studies Learn from the Cambridge Analytica Affair.\u201d Digital Journalism, 2019.<br>WELLMAN, Barry. The three ages of internet studies: ten, five and zero years ago. New Media &amp; Society. London, Vol. 6 Issue 1, p. 123-129, 2004.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Materiais de apoio<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong><a href=\"https:\/\/www.slideshare.net\/tarushijio\/coleta-de-dados-em-midias-sociais-para-pesquisa-academica\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Coleta de Dados em Midias Sociais para Pesquisa Acad\u00eamica<\/a>&nbsp;<\/strong>de&nbsp;<strong><a href=\"https:\/\/www.slideshare.net\/tarushijio\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Tarc\u00edzio Silva<\/a><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/docplayer.com.br\/107939310-Extracao-de-dados-altmetricos-das-midias-sociais.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><strong>Extra\u00e7\u00e3o de dados altm\u00e9tricos das m\u00eddias sociais<\/strong><\/a> de <strong>Marcelo Alves<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong><a href=\"https:\/\/pt.slideshare.net\/mediaeducation\/dados-para-pesquisas-sociais-dbora-zanini\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Dados para pesquisas sociais<\/a><\/strong> from <strong>D\u00e9bora Zanini<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No pref\u00e1cio do livro &#8220;An\u00e1lise de Redes para M\u00eddia Social&#8221; (2015), o soci\u00f3logo Marc A. Smith introduz a obra de Raquel Recuero, Marco Bastos e Gabriela Zago dando destaque sobretudo \u00e0 emerg\u00eancia do aparato te\u00f3rico-metodol\u00f3gico que permitiu a populariza\u00e7\u00e3o dos estudos de redes a partir de dados da internet. &#8220;Enquanto nossa sociedade adota a m\u00eddia [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":4740,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[7],"tags":[255,172,113,140],"class_list":["post-4696","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-guias","tag-apis","tag-coleta-de-dados","tag-metodos-digitais","tag-pesquisa"],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v27.3 - https:\/\/yoast.com\/product\/yoast-seo-wordpress\/ -->\n<title>Pesquisa acad\u00eamica com dados de m\u00eddias sociais: por onde come\u00e7ar? &#8211; insightee<\/title>\n<meta name=\"description\" content=\"Orienta\u00e7\u00f5es, provoca\u00e7\u00f5es, dicas e refer\u00eancias para quem pretende fazer pesquisa a partir de dados de m\u00eddias sociais.\" \/>\n<meta name=\"robots\" content=\"index, follow, max-snippet:-1, max-image-preview:large, max-video-preview:-1\" \/>\n<link rel=\"canonical\" href=\"https:\/\/insightee.com.br\/blog\/pesquisa-academica-com-dados-de-midias-sociais-por-onde-comecar\/\" \/>\n<meta property=\"og:locale\" content=\"pt_BR\" \/>\n<meta property=\"og:type\" content=\"article\" \/>\n<meta property=\"og:title\" content=\"Pesquisa acad\u00eamica com dados de m\u00eddias sociais: por onde come\u00e7ar? 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