{"id":4400,"date":"2019-06-02T16:27:18","date_gmt":"2019-06-02T19:27:18","guid":{"rendered":"http:\/\/insightee.com.br\/blog\/?p=4400"},"modified":"2019-06-02T16:39:42","modified_gmt":"2019-06-02T19:39:42","slug":"entre-identidade-e-representacao-uma-analise-exploratoria-da-producao-academica-sobre-nordestinos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/insightee.com.br\/blog\/entre-identidade-e-representacao-uma-analise-exploratoria-da-producao-academica-sobre-nordestinos\/","title":{"rendered":"Entre identidade e representa\u00e7\u00e3o: uma an\u00e1lise explorat\u00f3ria da produ\u00e7\u00e3o acad\u00eamica sobre nordestinos"},"content":{"rendered":"\n<p><em>*Texto originalmente produzido para o XV ENECULT &#8211; Encontro de Estudos Multidisciplinares em Cultura, submetido e n\u00e3o aprovado para o GT de Culturas e Identidades.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p style=\"text-align:right\"><em>Pedro Meirelles(1)<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Nas \u00faltimas d\u00e9cadas, diversas produ\u00e7\u00f5es acad\u00eamicas t\u00eam se dedicado a compreender como a cultura nordestina tem sido (re)produzida em\/para produtos culturais e midi\u00e1ticos que (re)constroem os sentidos em torno do que significa Nordeste e ser nordestino. Esses trabalhos surgem como esfor\u00e7o coletivo para pensar sobre uma identidade conjugada na esfera cultural da sociedade brasileira que se formou de maneira muito espec\u00edfica, constantemente no lugar de oposi\u00e7\u00e3o \u2013 n\u00e3o necessariamente de forma combativa, mas geralmente enquanto posi\u00e7\u00e3o de alteridade.<\/p>\n\n\n\n<p>Este artigo surge no contexto do projeto de pesquisa de mestrado desenvolvido pelo autor no Programa de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em Cultura e Territorialidades da Universidade Federal Fluminense, em que investiga as diferentes narrativas e produ\u00e7\u00f5es de sentido criadas (e disputadas) em torno do Nordeste e dos nordestinos na internet. A partir do levantamento bibliogr\u00e1fico necess\u00e1rio para a pesquisa, percebeu-se a possibilidade de analisar de modo mais criterioso quais s\u00e3o os estudos desenvolvidos em \u00e2mbito cient\u00edfico, com recorte espec\u00edfico das Ci\u00eancias Sociais e Humanas, sobre quest\u00f5es culturais das categorias simb\u00f3licas supracitadas.<\/p>\n\n\n\n<p>O objetivo, portanto, \u00e9 identificar as principais discuss\u00f5es referentes \u00e0s no\u00e7\u00f5es te\u00f3ricas de identidade e representa\u00e7\u00e3o quanto ao Nordeste e aos nordestinos nas produ\u00e7\u00f5es acad\u00eamicas. Para responder a essa pergunta de pesquisa, foi feito um extenso levantamento de artigos, monografias, disserta\u00e7\u00f5es e teses cujo foco do trabalho se sustentava sob esses pilares fundamentais. Atrav\u00e9s de um processo de classifica\u00e7\u00e3o e categoriza\u00e7\u00e3o sistem\u00e1tica das produ\u00e7\u00f5es levantadas, al\u00e9m de um refor\u00e7o t\u00e9cnico de an\u00e1lise textual e sem\u00e2ntica (a ser apresentado e detalhado na metodologia), pretende-se descobrir as principais tem\u00e1ticas, enquadramentos e referenciais te\u00f3ricos.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 importante ressaltar que, embora o artigo tenha uma proposta semelhante e at\u00e9 procedimentos metodol\u00f3gicos similares \u00e0s pesquisas denominadas \u201cestado da arte\u201d(2) , n\u00e3o \u00e9 a inten\u00e7\u00e3o do autor que esse seja interpretado de tal forma. A proposta aqui \u00e9 de trabalhar o levantamento bibliogr\u00e1fico das pesquisas produzidas de modo explorat\u00f3rio, sem inten\u00e7\u00e3o alguma de se afirmar enquanto mapeamento totalizante. Ou seja, interessa-nos explorar o objetivo de pesquisa modo mais criativo e menos sistem\u00e1tico, a partir de diferentes t\u00e9cnicas de an\u00e1lise que podem oferecer insumos interessantes sobre os debates te\u00f3ricos em rela\u00e7\u00e3o principalmente \u00e0s abordagens conceituais.<\/p>\n\n\n\n<p>Antes de apresentarmos com mais detalhamento a metodologia e as quest\u00f5es de pesquisa, cabe introduzir uma discuss\u00e3o inicial sobre por que as quest\u00f5es sobre identidade e representa\u00e7\u00e3o s\u00e3o relevantes para o projeto como um todo e, mais especificamente, como dialogam com a pauta nordestina. Na pr\u00f3xima se\u00e7\u00e3o, portanto, situamos o debate acerca da centralidade da cultura a partir principalmente da argumenta\u00e7\u00e3o de Stuart Hall (1997; 2015; 2016), discutindo esse fen\u00f4meno sob a perspectiva dos processos indissoci\u00e1veis de representa\u00e7\u00e3o e identidade; e, por fim, identificando brevemente como a quest\u00e3o nordestina se encaixa nesse debate.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Identidade, representa\u00e7\u00e3o e o circuito da cultura<\/h4>\n\n\n\n<p>Em mapeamento explorat\u00f3rio sobre estudos da cultura no Brasil, Pitombo et al. (2015), a partir de corpus espec\u00edfico dos trabalhos publicados no Encontro de Estudos Multidisciplinares em Cultura \u2013 ENECULT, identifica o eixo tem\u00e1tico &#8220;Narrativas e representa\u00e7\u00f5es culturais&#8221; como um dos mais populares do evento. A categoria diz respeito a trabalhos que envolvem &#8220;a representa\u00e7\u00e3o e as narrativas acerca da identidade cultural a partir da an\u00e1lise de produtos culturais (\u2026) como programas de TV, m\u00fasicas, obras liter\u00e1rias, filmes\u201d (p. 12). Embora as autoras n\u00e3o explorem os motivos por tr\u00e1s desse resultado espec\u00edfico, toda a argumenta\u00e7\u00e3o te\u00f3rica do texto parte de um mesmo ponto de partida: o interesse crescente de pesquisadores de diferentes campos e \u00e1reas para com a centralidade da cultura.<\/p>\n\n\n\n<p>Nesse contexto, o protagonismo da cultura parte de uma perspectiva epistemol\u00f3gica, \u201cem rela\u00e7\u00e3o \u00e0s quest\u00f5es de conhecimento e conceitualiza\u00e7\u00e3o, em como a \u2018cultura\u2019 \u00e9 usada para transformar nossa compreens\u00e3o, explica\u00e7\u00e3o e modelos te\u00f3ricos do mundo\u201d (HALL, 1997, p. 16). Ainda que a cultura em seu sentido mais amplo e dentro do senso comum (produ\u00e7\u00e3o de h\u00e1bitos, valores, costumes, normas, tradi\u00e7\u00f5es, etc. de determinados grupos sociais) tenha um repert\u00f3rio bem antigo, Hall (1997) sinaliza que \u00e9 no s\u00e9culo XX que ela se torna uma problem\u00e1tica para o homem ocidental, quando, principalmente por volta da d\u00e9cada de 1950 e 1960, acontece uma esp\u00e9cie de \u201crevolu\u00e7\u00e3o cultural\u201d que a materializa e a torna substancial tanto na esfera da sociedade(3) civil quanto especificamente para as Ci\u00eancias Sociais.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>A \u201cvirada cultural\u201d est\u00e1 intimamente ligada a esta nova atitude em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 linguagem, pois a cultura n\u00e3o \u00e9 nada mais do que a soma de diferentes sistemas de classifica\u00e7\u00e3o e diferentes forma\u00e7\u00f5es discursivas aos quais a l\u00edngua recorre a fim de dar significado \u00e0s coisas. O pr\u00f3prio termo \u201cdiscurso\u201d refere-se a uma s\u00e9rie de afirma\u00e7\u00f5es, em qualquer dom\u00ednio, que fornece uma linguagem para se poder falar sobre um assunto e uma forma de produzir um tipo particular de conhecimento. O termo refere-se tanto \u00e0 produ\u00e7\u00e3o de conhecimento atrav\u00e9s da linguagem e da representa\u00e7\u00e3o, quanto ao modo como o conhecimento \u00e9 institucionalizado, modelando pr\u00e1ticas sociais e pondo novas pr\u00e1ticas em funcionamento.<\/p><cite> (id. Ibid, p. 29)<\/cite><\/blockquote>\n\n\n\n<p>A \u201cvirada cultural\u201d define a cultura \u201ccomo um processo original e igualmente constitutivo, t\u00e3o fundamental quanto a base econ\u00f4mica ou material para a configura\u00e7\u00e3o de sujeitos sociais e acontecimentos hist\u00f3ricos\u201d (HALL, 2016, p. 25-26). Epistemologicamente, portanto, a cultura passa a ser interpretada no contexto de outra virada \u2013 que Hall chama de \u201cvirada lingu\u00edstica\u201d das Ci\u00eancias Sociais e dos Estudos Culturais \u2013, na qual \u201co sentido \u00e9 visto como algo a ser <em>produzido<\/em> (grafo do autor) \u2013 constru\u00eddo \u2013 em vez de simplesmente \u2018encontrado\u2019\u201d (p. 25). Esse sentido \u00e9 fruto do que DuGay et al. (1997 apud WOODWARD, 2014) denominaram de \u201ccircuito da cultura\u201d, que atravessa diversas \u00e1reas e processos\/pr\u00e1ticas da vida em sociedade.<\/p>\n\n\n\n<p>O argumento desses autores \u00e9 que \u201cpara se obter uma plena compreens\u00e3o de um texto ou artefato cultural, \u00e9 necess\u00e1rio analisar os processos de representa\u00e7\u00e3o, identidade, produ\u00e7\u00e3o, consumo e regula\u00e7\u00e3o\u201d (WOODWARD, 2014, p. 16). Ainda que todos esses processos se atravessem e se influenciem concomitantemente (como melhor representado pelo esquema visual produzido), aqui nos interessa pensar especificamente identidade e representa\u00e7\u00e3o devido \u00e0 proposta do projeto, que trabalha com a ideia de disputas de significados e narrativas. Ou seja, voltamos o olhar para as produ\u00e7\u00f5es de sentido constituintes do circuito cultural a partir da linguagem(4) como \u201cum dos \u2018meios\u2019 privilegiados atrav\u00e9s do qual o sentido se v\u00ea elaborado e perpassado\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Abordamos a quest\u00e3o da identidade cultural, portanto, a partir da discuss\u00e3o em torno do seu car\u00e1ter construtivo e descentralizado. Nesse cen\u00e1rio, ela \u00e9 \u201cfixada\u201d atrav\u00e9s das constru\u00e7\u00f5es de sentido nas quais \u201ca cultura \u00e9 usada para restringir ou manter a identidade dentro do grupo e sobre a diferen\u00e7a entre grupos\u201d (HALL, 2016, p. 21-22). Ou seja, de modo simples, as identidades culturais se estabelecem em torno de \u201ccomunidades imaginadas\u201d que supostamente compartilham dos mesmos valores, s\u00edmbolos e mapas conceituais. No entanto, esses elementos n\u00e3o s\u00e3o inerentes \u00e0s suas ess\u00eancias, mas constru\u00eddos \u2013 e disputados \u2013 em diversas arenas culturais. Sobre o sentido de nacionalidade, Hall (2015, p. 31) explica que<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>As culturas nacionais s\u00e3o compostas n\u00e3o apenas de institui\u00e7\u00f5es culturais, mas tamb\u00e9m de s\u00edmbolos e representa\u00e7\u00f5es. Uma cultura nacional \u00e9 um discurso \u2014 um modo de construir sentidos que influencia e organiza tanto nossas a\u00e7\u00f5es quanto a concep\u00e7\u00e3o que temos de n\u00f3s mesmos (\u2026). As culturas nacionais, ao produzir sentidos sobre &#8220;a na\u00e7\u00e3o&#8221;, sentidos com os quais podemos nos identificar, constroem identidades. Esses sentidos est\u00e3o contidos nas est\u00f3rias que s\u00e3o contadas sobre a na\u00e7\u00e3o, mem\u00f3rias que conectam seu presente com seu passado e imagens que dela s\u00e3o constru\u00eddas.<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p>A identidade nacional (tomada aqui como exemplo espec\u00edfico, mas correlata \u00e0 no\u00e7\u00e3o mais ampla de identidade), portanto, surge \u201cdo di\u00e1logo entre os conceitos e defini\u00e7\u00f5es que s\u00e3o representados para n\u00f3s pelos discursos de uma cultura e pelo nosso desejo (\u2026) de responder aos apelos feitos por estes significados\u201d (HALL, 1997, p. 26). Ou seja, al\u00e9m da quest\u00e3o que envolve o \u201cfazer parte\u201d de um grupo, h\u00e1 uma segunda inst\u00e2ncia t\u00e3o importante quanto que diz respeito aos processos de identifica\u00e7\u00e3o \u2013 e, consequentemente, de constru\u00e7\u00e3o\/representa\u00e7\u00e3o \u2013 de determinados valores simb\u00f3licos. O discurso de pertencimento nacional s\u00f3 se legitima atrav\u00e9s dos sistemas de \u201csignifica\u00e7\u00e3o\u201d que fornece aos indiv\u00edduos o mapa mental necess\u00e1rio para se perceber enquanto parte de determinada cultura (Hall, 2016).<\/p>\n\n\n\n<p>Para que possamos pensar e discutir sobre identidade, portanto, temos tamb\u00e9m que falar sobre outro processo-chave do circuito cultural: a representa\u00e7\u00e3o. \u00c9 esta esfera que nos oferece tanto os signos quanto os significados necess\u00e1rios para que possamos nos posicionar, ou seja, \u201c\u00e9 por meio dos significados produzidos pelas representa\u00e7\u00f5es que damos sentido \u00e0 nossa experi\u00eancia e \u00e0quilo que somos\u201d (WOORDWARD, 2014, p. 18). Fica evidente, portanto, como todos esses referenciais te\u00f3ricos \u2013 identidade, representa\u00e7\u00e3o e cultura \u2013 devem ser observados, conforme nossa linha de argumento e filia\u00e7\u00e3o, sob uma perspectiva construtivista na qual h\u00e1 uma disputa constante pela produ\u00e7\u00e3o \u2013 e identifica\u00e7\u00e3o \u2013 de sentidos compartilhados.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>O argumento que estarei considerando aqui \u00e9 que, na verdade, as identidades nacionais n\u00e3o s\u00e3o coisas com as quais n\u00f3s nascemos, mas s\u00e3o formadas e transformadas no interior da representa\u00e7\u00e3o. N\u00f3s s\u00f3 sabemos o que significa ser ingl\u00eas&#8221; devido ao modo como a &#8220;inglesidade&#8221; (Englishness) veio a ser representada \u2014 como um conjunto de significados \u2014 pela cultura nacional inglesa. Segue-se que a na\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 apenas uma entidade pol\u00edtica mas algo que produz sentidos \u2014 um sistema de representa\u00e7\u00e3o cultural. As pessoas n\u00e3o s\u00e3o apenas cidad\u00e3os\/\u00e3s legais de uma na\u00e7\u00e3o; elas participam da ideia da na\u00e7\u00e3o tal como representada em sua cultura nacional.<\/p><cite> (HALL, 2015, p. 30) <\/cite><\/blockquote>\n\n\n\n<p>\u00c9 sob essa linha de pensamento te\u00f3rico que v\u00e1rios trabalhos de produ\u00e7\u00e3o acad\u00eamica (artigos, monografias, disserta\u00e7\u00f5es e teses) t\u00eam feito um esfor\u00e7o para tentar compreender e discutir a identidade e a representa\u00e7\u00e3o nordestina no \u00e2mbito da cultura nacional. Partindo tanto de pesquisas te\u00f3ricas quanto de pesquisas emp\u00edricas e\/ou estudos de caso, essas produ\u00e7\u00f5es analisam \u2013 sob diferentes perspectivas \u2013 como o Nordeste \u201cnasceu\u201d, foi e continua sendo narrado na arena discursiva da sociedade brasileira. Ou seja, uma vez que a identidade \u00e9 uma constru\u00e7\u00e3o fruto dos processos de representa\u00e7\u00e3o de uma cultura, esses estudos trazem \u00e0 tona discuss\u00f5es sobre esse circuito para com as categorias \u201cnordestinos\u201d e \u201cNordeste\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>O que faz \u201cser\u201d nordestino? Como se inventou o Nordeste? Como meios de comunica\u00e7\u00e3o de massa representaram e representam historicamente os nordestinos e o Nordeste? Como a literatura nacional ajudou na cria\u00e7\u00e3o de uma imagem regionalista? Como as pol\u00edticas de gest\u00e3o federal influenciaram no jogo de articula\u00e7\u00f5es para a cria\u00e7\u00e3o da regi\u00e3o? Como a m\u00fasica, principalmente o forr\u00f3, tornou-se um dos principais narradores da leg\u00edtima experi\u00eancia nordestina? Como o cinema nacional e as produ\u00e7\u00f5es audiovisuais televisivas corroboraram em todo esse processo? Essas s\u00e3o algumas das perguntas que envolvem tanto identidade quanto representa\u00e7\u00e3o e fazem parte do escopo te\u00f3rico por tr\u00e1s das produ\u00e7\u00f5es a serem analisadas.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Quest\u00f5es da pesquisa e metodologia<\/h4>\n\n\n\n<p>Tendo em vista a relev\u00e2ncia \u2013 social e epistemol\u00f3gica \u2013 dos trabalhos sobre as narrativas e produ\u00e7\u00f5es de sentido em torno do Nordeste e dos nordestinos enquanto categorias culturais, estabelecemos como objetivo principal e secund\u00e1rios deste trabalho, respectivamente, as seguintes quest\u00f5es:<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\"><li>Quais s\u00e3o as discuss\u00f5es e os debates em torno das quest\u00f5es de identidade e representa\u00e7\u00e3o do Nordeste nas produ\u00e7\u00f5es acad\u00eamicas?<ul><li>Quais s\u00e3o as categorias tem\u00e1ticas gerais (referentes ao objeto de pesquisa) dessas produ\u00e7\u00f5es? Ex: Cinema, M\u00fasica, etc.<\/li><li>Quais s\u00e3o as refer\u00eancias bibliogr\u00e1ficas que se apresentam com maior frequ\u00eancia nesses recortes?<\/li><\/ul><\/li><\/ul>\n\n\n\n<p>O primeiro passo para responder a esses questionamentos foi encontrar um corpus de an\u00e1lise minimamente significativo. Foi realizado, ent\u00e3o, um levantamento de produ\u00e7\u00f5es cient\u00edficas a partir da plataforma de pesquisa acad\u00eamica do Google(5) . Novamente, como o artigo n\u00e3o tem a ambi\u00e7\u00e3o de fazer um mapeamento completo referente ao estado da arte da tem\u00e1tica aqui abordada, esse processo foi mais exaustivo do que totalizante: foram selecionadas 165 produ\u00e7\u00f5es acad\u00eamicas(6) encontradas a partir da listagem ranqueada por ordem de relev\u00e2ncia (segundo crit\u00e9rios da plataforma) que traziam discuss\u00f5es concomitantes sobre identidade, representa\u00e7\u00e3o e Nordeste.<\/p>\n\n\n\n<p>O segundo passo necess\u00e1rio, ap\u00f3s o levantamento de essas produ\u00e7\u00f5es, foi criar um aporte anal\u00edtico capaz de nos fornecer as informa\u00e7\u00f5es requisitadas referentes a cada uma das perguntas da pesquisa. Criamos, ent\u00e3o, uma planilha(7) com as seguintes vari\u00e1veis a serem preenchidas com os dados de cada produ\u00e7\u00e3o encontrada: tema\/\u00e1rea, t\u00edtulo, autor(es\/as), resumo, ano, bibliografia e tipo de trabalho. Essa categoriza\u00e7\u00e3o sistem\u00e1tica dos dados levantados permite que possamos come\u00e7ar a delinear as respostas que desejamos fornecer \u00e0s quest\u00f5es deste trabalho. Na pr\u00f3xima se\u00e7\u00e3o, apresentamos como ficou a disposi\u00e7\u00e3o de corpus e resultados da an\u00e1lise.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Resultados da an\u00e1lise explorat\u00f3ria<\/h4>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"559\" height=\"123\" src=\"https:\/\/insightee.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/figura01.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-4401\" srcset=\"https:\/\/insightee.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/figura01.png 559w, https:\/\/insightee.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/figura01-300x66.png 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 559px) 100vw, 559px\" \/><figcaption>FIGURA 01 \u2013 Gr\u00e1ficos referente ao Tipo e Ano das publica\u00e7\u00f5es<br>FONTE \u2013 O autor<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Dentre as produ\u00e7\u00f5es acad\u00eamicas mapeadas, a grande maioria foram do tipo Artigo (70%) \u2013 referentes a apresenta\u00e7\u00f5es em eventos, anais de congressos, projetos cient\u00edficos, etc.; seguido de Monografia (15%) e Disserta\u00e7\u00e3o (11%), com apenas quatro Teses (2%) encontradas. Quanto \u00e0 \u00e9poca de produ\u00e7\u00e3o dos trabalhos, h\u00e1 uma concentra\u00e7\u00e3o relativamente est\u00e1vel sobretudo na \u00faltima d\u00e9cada (de 2009 em diante), com um pico consider\u00e1vel em 2014 \u2013 n\u00e3o h\u00e1 nenhuma novidade ou acontecimento expl\u00edcito nos dados que provoque esse aumento repentino, visto que os trabalhos desse ano espec\u00edfico abordam temas antigos em geral (principalmente Literatura e M\u00fasica).<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 importante ratificar que essas informa\u00e7\u00f5es n\u00e3o dizem respeito \u00e0 toda produ\u00e7\u00e3o acad\u00eamica sobre identidade, representa\u00e7\u00e3o e Nordeste\/nordestinos, mas pode ser vista como indicativo para poss\u00edveis futuros mapeamentos mais aprofundados \u2013 e, principalmente, delimitam e apresentam o corpus de an\u00e1lise selecionado. \u00c9 nesse mesmo contexto que apresentamos na Figura 02, na qual foram contabilizadas as \u00c1reas\/Temas dos trabalhos (referentes especificamente aos objetos de pesquisa e\/ou discuss\u00e3o te\u00f3rica). Foram identificadas em apenas um trabalho: Turismo, Teatro, Religi\u00e3o, Letras, Biblioteconomia, Pol\u00edtica, Direito e Artes.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"566\" height=\"253\" src=\"https:\/\/insightee.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/figura02.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-4402\" srcset=\"https:\/\/insightee.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/figura02.png 566w, https:\/\/insightee.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/figura02-300x134.png 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 566px) 100vw, 566px\" \/><figcaption>FIGURA 02 \u2013 Gr\u00e1fico referente \u00e0s \u00c1reas\/Temas dos trabalhos<br>FONTE \u2013 O autor<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>As produ\u00e7\u00f5es sobre Cinema (20%), M\u00fasica (20%) e Literatura (19%) somam juntas mais da metade do corpus de an\u00e1lise. S\u00e3o trabalhos que analisam especificamente ou de maneira mais abrangente como as produ\u00e7\u00f5es culturais \u2013 filmes, can\u00e7\u00f5es, cantores(as), romances, cordel, etc. \u2013 dessas \u00e1reas atravessam, influenciam ou envolvem quest\u00f5es relacionadas \u00e0 (constru\u00e7\u00e3o da) identidade nordestina e da representa\u00e7\u00e3o do Nordeste e do povo nordestino. Na Figura 03, tr\u00eas esquemas de nuvens de palavras (mais frequentes) foram produzidos 8 a partir dos t\u00edtulos dos trabalhos para ilustrar alguns dos assuntos recorrentes em cada uma dessas categorias.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"372\" src=\"https:\/\/insightee.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/nuvens_artigosnordeste-1024x372.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-4407\" srcset=\"https:\/\/insightee.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/nuvens_artigosnordeste-1024x372.png 1024w, https:\/\/insightee.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/nuvens_artigosnordeste-300x109.png 300w, https:\/\/insightee.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/nuvens_artigosnordeste-768x279.png 768w, https:\/\/insightee.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/nuvens_artigosnordeste.png 1280w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption>FIGURA 03 \u2013 Nuvens de palavras de termos mais frequentes nos t\u00edtulos dos trabalhos por categoria<br>FONTE \u2013 O autor <\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Retomando a Figura 02, temos ainda v\u00e1rios trabalhos que foram classificados na categoria Geral. As produ\u00e7\u00f5es aqui atribu\u00eddas trabalham as quest\u00f5es de identidade, representa\u00e7\u00e3o e Nordeste sob uma perspectiva mais conceitual e te\u00f3rica, sem um recorte espec\u00edfico de objeto de estudo e\/ou an\u00e1lise. J\u00e1 Pedagogia e Migra\u00e7\u00e3o\/Territorialidade apontam produ\u00e7\u00f5es bem espec\u00edficas, abordando, respectivamente, como o Nordeste \u00e9\/pode ser visto em sala de aula (ou no processo de ensino e aprendizagem como um todo), e em estudos que discutem sobre a quest\u00e3o da migra\u00e7\u00e3o nordestina em rela\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m a uma no\u00e7\u00e3o de territorialidade.<\/p>\n\n\n\n<p>As produ\u00e7\u00f5es sobre Internet s\u00e3o, em sua maioria, estudos de caso sobre p\u00e1ginas da web e\/ou de m\u00eddias sociais nas quais a identidade nordestina \u00e9 reconfigurada simbolicamente para o &#8220;ciberterrit\u00f3rio&#8221;. Em Televis\u00e3o, autores discutem sobre o modo como o Nordeste e os nordestinos s\u00e3o representados\/retratados nas narrativas audiovisuais &#8220;fict\u00edcias&#8221;, assim como acontece nos trabalhos categorizados em Imprensa. Por fim, a categoria G\u00eanero surge n\u00e3o necessariamente como uma tem\u00e1tica, mas como uma \u00e1rea de pesquisa \u2013 que, aqui especificamente, discute principalmente as quest\u00f5es sobre a &#8220;masculinidade&#8221; nordestina.<\/p>\n\n\n\n<p>Em sequ\u00eancia, interessa-nos tamb\u00e9m descobrir quais s\u00e3o os autores mais populares que embasam essas discuss\u00f5es. Para isso, foi desenvolvido um c\u00f3digo em linguagem de programa\u00e7\u00e3o R que contabilizou todos os termos em caixa alta (conforme padroniza\u00e7\u00e3o nos modelos da ABNT) das bibliografias mapeadas; em seguida, averiguou-se, a partir da listagem em ordem de maior frequ\u00eancia, quais eram referentes a autores (e exclu\u00eddos termos como siglas de universidade, nomes de editoras, etc.); para finalizar, a verifica\u00e7\u00e3o final foi feita com o software AntConc(9) . A listagem dos autores mais citados com o n\u00famero de ocorr\u00eancias est\u00e1 disposta a seguir:<\/p>\n\n\n\n<table class=\"wp-block-table is-style-stripes\"><tbody><tr><td><strong>Autores<\/strong><\/td><td><strong>Frequ\u00eancia Bibliogr\u00e1fica<\/strong><\/td><\/tr><tr><td>Durval Muniz de Albuquerque<\/td><td>182<\/td><\/tr><tr><td>Stuart Hall<\/td><td>98<\/td><\/tr><tr><td>Michel Foucault<\/td><td>62<\/td><\/tr><tr><td>Tomaz Tadeu da Silva<\/td><td>47<\/td><\/tr><tr><td>Zygmunt Bauman<\/td><td>43<\/td><\/tr><tr><td>Eni Pucicinelli Orlandi<\/td><td>39<\/td><\/tr><tr><td>Mikhail Bakhtin<\/td><td>39<\/td><\/tr><tr><td>Gilberto Freyre<\/td><td>39<\/td><\/tr><tr><td>N\u00e9stor Garc\u00eda Canclini<\/td><td>36<\/td><\/tr><tr><td>Alfredo Bosi<\/td><td>33<\/td><\/tr><tr><td>Pierre Bourdieu<\/td><td>31<\/td><\/tr><tr><td>Lu\u00eds da C\u00e2mara Cascudo<\/td><td>31<\/td><\/tr><tr><td>Renato Ortiz<\/td><td>30<\/td><\/tr><tr><td>Homi K. Bhabha<\/td><td>25<\/td><\/tr><tr><td>Michel P\u00eacheux<\/td><td>24<\/td><\/tr><tr><td>Ant\u00f4nio C\u00e2ndido<\/td><td>24<\/td><\/tr><tr><td>Euclides da Cunha<\/td><td>22<\/td><\/tr><tr><td>Ariano Suassuna<\/td><td>22<\/td><\/tr><tr><td>Patativa do Assar\u00e9<\/td><td>21<\/td><\/tr><tr><td>Maria do Ros\u00e1rio Gregolin<\/td><td>21<\/td><\/tr><tr><td>Ismail Xavier<\/td><td>21<\/td><\/tr><tr><td>Maura Penna<\/td><td>21<\/td><\/tr><tr><td>Michel de Certeau<\/td><td>20<\/td><\/tr><tr><td>Luiz Paulo da Moita Lopes<\/td><td>20<\/td><\/tr><tr><td>Roger Chartier<\/td><td>19<\/td><\/tr><\/tbody><\/table>\n\n\n\n<p>Destaca-se evidentemente a relev\u00e2ncia do autor Durval Muniz de Albuquerque Jr., que aparece com uma numera\u00e7\u00e3o superior \u00e0 pr\u00f3pria totalidade de artigos mapeados (165) devido \u00e0 presen\u00e7a de cita\u00e7\u00f5es a mais de um dos seus trabalhos num \u00fanico artigo. Al\u00e9m de A inven\u00e7\u00e3o do Nordeste e outras artes (1999), sua produ\u00e7\u00e3o mais popular, outras obras de sua autoria como Nordestino: uma inven\u00e7\u00e3o do falo: uma hist\u00f3ria de g\u00eanero masculino (2003) e Preconceito contra a origem geogr\u00e1fica e de lugar: as fronteiras da disc\u00f3rdia tamb\u00e9m receberam men\u00e7\u00f5es expressivas. O historiador, inquestionavelmente, \u00e9 a principal refer\u00eancia sobre Nordeste e nordestinos na academia.<\/p>\n\n\n\n<p>Stuart Hall \u00e9 o segundo autor mais citado nos trabalhos, sobretudo por suas obras A identidade cultural na p\u00f3s-modernidade (2006) e Da di\u00e1spora: identidades e media\u00e7\u00f5es culturais (2003). Assim como Tomaz Tadeu da Silva \u2013 cuja publica\u00e7\u00e3o Identidade e diferen\u00e7a: a perspectiva dos estudos culturais (2005) tamb\u00e9m foi bastante referenciada e consta, inclusive, com um texto de autoria de Hall \u2013, s\u00e3o os te\u00f3ricos mais populares neste campo para discutir a quest\u00e3o da identidade. Ainda que Zygmunt Bauman tamb\u00e9m fa\u00e7a parte desse jogo, com Identidade: Entrevista a Benedetto Vecchi (2005), o fil\u00f3sofo recebe mais aten\u00e7\u00e3o quanto \u00e0 quest\u00e3o da modernidade.<\/p>\n\n\n\n<p>Outro nome tamb\u00e9m bastante conhecido da comunidade acad\u00eamica, Michel Foucault acumula pontos de modo razoavelmente equilibrado entre suas obras: Arqueologia do saber (1969), A ordem do Discurso (1970) e Microf\u00edsica do Poder (1978). H\u00e1 de ser feita uma investiga\u00e7\u00e3o mais profunda sobre qual \u00e9 o di\u00e1logo que os autores promovem com o fil\u00f3sofo, no entanto, a partir da leitura de alguns resumos que o citam de modo espec\u00edfico, p\u00f4de-se identificar sobretudo as quest\u00f5es que envolvem rela\u00e7\u00f5es de poder e a \u00eanfase na An\u00e1lise do Discurso enquanto abordagem te\u00f3rico- metodol\u00f3gica desenvolvida por v\u00e1rios trabalhos.<\/p>\n\n\n\n<p>Esse campo tamb\u00e9m ganha corpo com a presen\u00e7a not\u00f3ria de nomes como Eni Pucicinelli Orlandi, Michel P\u00eacheux, Maria do Ros\u00e1rio Gregolin e Luiz Paulo da Moita Lopes. Os trabalhos desenvolvidos em di\u00e1logo com esses autores geralmente adv\u00eam da \u00e1rea de Comunica\u00e7\u00e3o, onde a An\u00e1lise do Discurso \u00e9 bastante popular para desenvolver pesquisa sobre produtos culturais\/midi\u00e1ticos. Por outro lado, sob uma perspectiva mais \u201cculturalista\u201d, autores como Mikhail Bakhtin, N\u00e9stor Garc\u00eda Canclini, Homi Bhabha e Pierre Bourdieu oferecem os conceitos e um modo de pensar esses mesmos produtos a partir de contextualiza\u00e7\u00f5es mais antropol\u00f3gicas e sociol\u00f3gicas.<\/p>\n\n\n\n<p>Vale comentar ainda aqueles autores que oferecem o panorama te\u00f3rico para discutir sobre a cultura brasileira e\/ou nordestina de modo mais abrangente, liderados por Gilberto Freyre em suas diferentes publica\u00e7\u00f5es. Somam a essa lista Lu\u00eds da C\u00e2mara Cascudo, Renato Ortiz, Ant\u00f4nio C\u00e2ndido e Alfredo Bosi \u2013 esses \u00faltimos cujo trabalho se desenvolve bastante em cima da Literatura, \u00e1rea j\u00e1 referida como de bastante import\u00e2ncia para as quest\u00f5es em cena aqui. Importante citar, nesse sentido, a presen\u00e7a de Euclides da Cunha, Ariano Suassuna e Patativa Assar\u00e9, que, assim como Freyre, s\u00e3o fontes e objetos de estudo dessas produ\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Considera\u00e7\u00f5es finais<\/h4>\n\n\n\n<p>A ideia do artigo surgiu a partir de uma demanda produtiva-pessoal do autor para com o desenvolvimento do seu projeto de mestrado. A proposta do trabalho foi realizar um levantamento explorat\u00f3rio das produ\u00e7\u00f5es acad\u00eamicas sobre o Nordeste e sobre os nordestinos quanto \u00e0s quest\u00f5es de identidade e representa\u00e7\u00e3o, de modo a esquematizar minimamente quais s\u00e3o as \u00e1reas e tem\u00e1ticas mais comuns para pensar \u2013 e teorizar \u2013 todas essas quest\u00f5es no ambiente acad\u00eamico.<\/p>\n\n\n\n<p>Como resultado desse processo, foi poss\u00edvel identificar que trabalhos sobre Cinema, M\u00fasica e Literatura s\u00e3o recorrentes nas discuss\u00f5es sobre produ\u00e7\u00f5es de sentidos e significados em torno de Nordeste e nordestinos. Uma an\u00e1lise com mais afinco da bibliografia dos trabalhos mapeados permitiu tamb\u00e9m identificar que o historiador Durval Muniz de Albuquerque Jr. \u00e9 a autoridade no assunto, enquanto que te\u00f3ricos como Stuart Hall, Michel Foucault, Tomaz Tadeu da Silva e Zygmunt Bauman fornecem o arcabou\u00e7o conceitual para as discuss\u00f5es travadas.<\/p>\n\n\n\n<p>Por fim, ressalta-se mais uma vez o car\u00e1ter explorat\u00f3rio da pesquisa e as possibilidades de desdobramentos para um futuro trabalho. Expandindo a an\u00e1lise, seria poss\u00edvel pensar em investigar cada um dos campos\/\u00e1reas tem\u00e1ticas principais, para identificar prefer\u00eancias te\u00f3ricas ou de m\u00e9todos; voltando o olhar para a bibliografia, seria poss\u00edvel tamb\u00e9m tensionar a lista de autores mais citados para discutir a popularidade de alguns espec\u00edficos; ou, ainda, analisar o local da produ\u00e7\u00e3o para pensar a rela\u00e7\u00e3o autor-identidade-nordeste e a associa\u00e7\u00e3o Nordeste x estados, para localizar os Nordestes sobre o qual est\u00e3o discutindo.<\/p>\n\n\n\n<h5 class=\"wp-block-heading\">Notas<\/h5>\n\n\n\n<ol class=\"wp-block-list\"><li>Mestrando no Programa de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em Cultura e Territorialidades da Universidade Federal Fluminense (PPCULT\/UFF).<\/li><li>\u201cDefinidas como de car\u00e1ter bibliogr\u00e1fico, elas parecem trazer em comum o desafio de mapear e de discutir uma certa produ\u00e7\u00e3o acad\u00eamica em diferentes campos do conhecimento, tentando responder que aspectos e dimens\u00f5es v\u00eam sendo destacados e privilegiados em diferentes \u00e9pocas e lugares, de que formas e em que condi\u00e7\u00f5es t\u00eam sido produzidas certas disserta\u00e7\u00f5es de mestrado, teses de doutorado, publica\u00e7\u00f5es em peri\u00f3dicos e comunica\u00e7\u00f5es em anais de congressos e de semin\u00e1rios. Tamb\u00e9m s\u00e3o reconhecidas por realizarem uma metodologia de car\u00e1ter inventariante e descritivo da produ\u00e7\u00e3o acad\u00eamica e cient\u00edfica sobre o tema que busca investigar, \u00e0 luz de categorias e facetas que se caracterizam enquanto tais em cada trabalho e no conjunto deles, sob os quais o fen\u00f4meno passa a ser analisado.\u201d (FERREIRA, 2002, p. 258)<\/li><li>Al\u00e9m da dimens\u00e3o epistemol\u00f3gica, Hall (1997, p. 27) cita quatro dimens\u00f5es gerais para discutir a centralidade da cultura: \u201ca ascens\u00e3o dos novos dom\u00ednios, institui\u00e7\u00f5es e tecnologias associadas \u00e0s ind\u00fastrias culturais que transformaram as esferas tradicionais da economia, ind\u00fastria, sociedade e da cultura em si; a cultura vista como uma for\u00e7a de mudan\u00e7a hist\u00f3rica global; a transforma\u00e7\u00e3o cultural do quotidiano; a centralidade da cultura na forma\u00e7\u00e3o das identidades pessoais e sociais\u201d.<\/li><li>\u201cColocando em termos simples, cultura diz respeito a \u201csignificados compartilhados\u201d. Ora, a linguagem nada mais \u00e9 do que o meio privilegiado pelo qual \u201cdamos sentido\u201d \u00e0s coisas, onde o significado \u00e9 produzido e intercambiado. Significados s\u00f3 podem ser compartilhados pelo acesso comum \u00e0 linguagem. Assim, esta se torna fundamental para os sentidos e para a cultura e vem sendo invariavelmente considerada o reposit\u00f3rio-chave de valores e significados culturais.\u201d (HALL, 2016, p. 18)<\/li><li>Google Scholar: https:\/\/scholar.google.com.br\/<\/li><li>A coleta foi feita a partir da query de busca &#8220;identidade nordestina&#8221; OR (identidade AND nordeste) OR (representa\u00e7\u00e3o AND nordestinos) OR (representa\u00e7\u00e3o AND nordestinas) entre mar\u00e7o e abril de 2019; e o crit\u00e9rio de recorte foi a presen\u00e7a dos termos identidade(s), representa\u00e7\u00e3o(\u00f5es), narrativa(s), sentido(s) ou cultura(s) no t\u00edtulo ou resumo do trabalho, em conson\u00e2ncia com o enfoque quanto \u00e0s categorias-m\u00e3es Nordeste\/nordestino(as) (n\u00e3o espec\u00edficas aos estados); foram desconsiderados trabalhos que n\u00e3o continham resumo (cap\u00edtulos de livro, ensaios, etc.).<\/li><li>A planilha est\u00e1 dispon\u00edvel online e pode ser acessada no link: <\/a><\/li><li>Os termos \u201cnordeste\u201d, \u201cnordestino(a)\u201d e \u201cnordestino(as)\u201d foram removidos para melhor visualiza\u00e7\u00e3o. Optou-se por manter \u201cidentidade\u201d e \u201crepresenta\u00e7\u00e3o\u201d para perceber como essas duas terminologias aparecem \u2013 ou n\u00e3o \u2013 em categorias espec\u00edficas.<\/li><li>Software de an\u00e1lise de texto: http:\/\/www.laurenceanthony.net\/software\/antconc\/<\/li><\/ol>\n\n\n\n<h5 class=\"wp-block-heading\">Refer\u00eancias bibliogr\u00e1ficas<\/h5>\n\n\n\n<p>FERREIRA, Norma. Pesquisas denominadas estado da arte: possibilidades e limites. Educa\u00e7\u00e3o e Sociedade, Campinas, v. 1, n.79, p. 257-274, 2002.<br>HALL, Stuart. A centralidade da cultura: notas sobre as revolu\u00e7\u00f5es culturais do nosso tempo. Educa\u00e7\u00e3o &amp; realidade, v. 22, n. 2, 1997.<br>HALL, Stuart. A identidade cultural na p\u00f3s-modernidade. Rio de Janeiro: DP&amp;A Editora, 2015.<br>HALL, Stuart. Cultura e representa\u00e7\u00e3o. Rio de Janeiro: Ed. PUC-Rio, 2016.<br>PITOMBO, Mariella; RUBIM, Lindinalva; SOUZA, Delmira. ESTUDOS DA CULTURA NO BRASIL:<br>UMA AN\u00c1LISE A PARTIR DO ENECULT. In: XI Encontro de Estudos Multidisciplinares em Cultura &#8211; XI ENECULT, 2015, Salvador. Salvador: CULT, 2015. v. 1.<br>WOODWARD, Kathryn. Identidade e diferen\u00e7a: uma introdu\u00e7\u00e3o te\u00f3rica e conceitual. In: Identidade e diferen\u00e7a: a perspectiva dos estudos culturais. Petr\u00f3polis, RJ: Vozes, p. 7-72, 2014.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Identidade e representa\u00e7\u00e3o s\u00e3o processos-chave do chamado circuito cultural. Sob a perspectiva construtivista, compreende-se que h\u00e1 uma constante disputa entre produ\u00e7\u00f5es de sentido e narrativas em torno desse circuito, no qual signos s\u00e3o ativados pela linguagem para representar e criar identifica\u00e7\u00e3o para com categorias culturais. Neste contexto, v\u00e1rios trabalhos acad\u00eamicos t\u00eam feito um esfor\u00e7o para compreender e discutir a identidade e a representa\u00e7\u00e3o nordestina no \u00e2mbito da cultura nacional. O presente artigo apresenta um levantamento e uma an\u00e1lise explorat\u00f3ria sobre essa produ\u00e7\u00e3o a partir de uma plataforma de indexa\u00e7\u00e3o virtual, com o aux\u00edlio de algumas t\u00e9cnicas de codifica\u00e7\u00e3o e de an\u00e1lise textual. O objetivo \u00e9 identificar quais s\u00e3o as \u00e1reas e tem\u00e1ticas mais comuns nas discuss\u00f5es sobre o Nordeste e os nordestinos quanto \u00e0s quest\u00f5es de identidade e representa\u00e7\u00e3o, pensando sobretudo o debate em torno das produ\u00e7\u00f5es de sentido. Como resultado, foi poss\u00edvel identificar que trabalhos sobre Cinema, M\u00fasica e Literatura s\u00e3o recorrentes; enquanto autores como Durval Muniz de Albuquerque Jr., Stuart Hall, Michel Foucault, Tomaz Tadeu da Silva e Zygmunt Bauman s\u00e3o as principais fontes te\u00f3ricas para esses debates.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":4409,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[121],"tags":[122,252,259,186],"class_list":["post-4400","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-artigos","tag-identidade","tag-nordestinos","tag-producoes-academicas","tag-representacao"],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v27.3 - https:\/\/yoast.com\/product\/yoast-seo-wordpress\/ -->\n<title>Entre identidade e representa\u00e7\u00e3o: uma an\u00e1lise explorat\u00f3ria da produ\u00e7\u00e3o acad\u00eamica sobre nordestinos &#8211; 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