{"id":4131,"date":"2018-10-31T21:39:12","date_gmt":"2018-11-01T00:39:12","guid":{"rendered":"http:\/\/insightee.com.br\/blog\/?p=4131"},"modified":"2018-10-31T21:52:20","modified_gmt":"2018-11-01T00:52:20","slug":"o-papel-da-representacao-em-cultura-e-representacao-de-stuart-hall","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/insightee.com.br\/blog\/o-papel-da-representacao-em-cultura-e-representacao-de-stuart-hall\/","title":{"rendered":"O papel da representa\u00e7\u00e3o \u2013 em Cultura e representa\u00e7\u00e3o, de Stuart Hall"},"content":{"rendered":"<p>Em mar\u00e7o de 2017 <a href=\"https:\/\/insightee.com.br\/blog\/cultura-e-representacao-de-stuart-hall-introducao-e-a-skol-hein\/\">publiquei aqui no blog<\/a> a primeira parte do que prometi que seria uma s\u00e9rie de tr\u00eas posts sobre o livro <em>&#8220;Cultura e Representa\u00e7\u00e3o&#8221; <\/em>(Stuart Hall, 2016), organizado pela Editora PUC-Rio. A obra traz tr\u00eas textos independentes (produzidos originalmente para diferentes publica\u00e7\u00f5es), por\u00e9m complementares: a Apresenta\u00e7\u00e3o (introdu\u00e7\u00e3o da colet\u00e2nea\u00a0<em>Representation: Cultural Representation and Signifying Practices<\/em>, de 1997), o Cap\u00edtulo 1 &#8211; O papel da representa\u00e7\u00e3o (o original,\u00a0<em>The Work of Representation<\/em>) e o Cap\u00edtulo 2 &#8211; O espet\u00e1culo do outro (o original,\u00a0<em>The Spectacle of the Other<\/em>). Tendo mais de um ano do lan\u00e7amento desta s\u00e9rie, compartilho aqui &#8211; enfim &#8211; o segundo post sobre o livro, como uma esp\u00e9cie de resumo-comentado.<\/p>\n<p>No texto <em><strong>&#8220;O papel da representa\u00e7\u00e3o&#8221;<\/strong><\/em> (primeiro cap\u00edtulo da obra), Hall se debru\u00e7a com\u00a0tremenda min\u00facia em alguns dos conceitos mais relevantes do seu trabalho: representa\u00e7\u00e3o, sentido, linguagem e discurso. Extremamente met\u00f3dico, o autor divide a leitura em cinco t\u00f3picos principais: 1. Representa\u00e7\u00e3o, sentido e linguagem (no qual explica as principais teorias em torno de signos, significados e sentidos); 2. O legado de Saussure (no qual apresenta a &#8220;virada lingu\u00edstica&#8221; nos estudos sociais); 3. Da linguagem \u00e0 cultura: da lingu\u00edstica \u00e0 semi\u00f3tica (no qual apresenta a abordagem da semi\u00f3tica quanto \u00e0 constru\u00e7\u00e3o de sentido); 4. Discurso, poder e sujeito (no qual localiza a import\u00e2ncia de Foucault para pensar poder\/pol\u00edtica\/causa e efeito); e 5. Onde est\u00e1 o sujeito? (no qual toma para si a responsabilidade de localizar o sujeito na estrutura).<\/p>\n<h4><strong>1. Representa\u00e7\u00e3o, sentido e linguagem<\/strong><\/h4>\n<p>Na primeira parte, o autor apresenta gradativamente os conceitos que ser\u00e3o trabalhados no texto, a come\u00e7ar por representa\u00e7\u00e3o: um processo-chave do circuito cultural (significados produzidos e compartilhados) que conecta o sentido e a linguagem (signos e imagens que significam\/representam objetos) \u00e0 cultura. Em outras palavras (e de modo simples), representa\u00e7\u00e3o seria a produ\u00e7\u00e3o de sentido pela linguagem. E para explicar com mais detalhes sobre esse assunto, ele apresenta tr\u00eas abordagens\/teorias principais: a\u00a0<em>Reflexiva<\/em>, a\u00a0<em>Intencional<\/em> e a\u00a0<em>Construtivista<\/em> &#8211; esta \u00faltima mais relevante (e atual), \u00e0 qual o autor se filia e na qual desenvolve todo o seu pensamento -, a serem exploradas com mais detalhes logo mais.<\/p>\n<p>Para facilitar a compreens\u00e3o, colocaria que, fosse essa tem\u00e1tica uma simples equa\u00e7\u00e3o matem\u00e1tica, seria algo como: representa\u00e7\u00e3o = sentido + linguagem. Ou seja,\u00a0<em>&#8220;\u00e9 a conex\u00e3o entre conceitos e linguagem que permite nos referirmos ao mundo &#8216;real&#8217; dos objetos, sujeitos ou acontecimentos, ou ao mundo imagin\u00e1rio de objetos, sujeitos e acontecimentos fict\u00edcios&#8221;<\/em> (p. 34). Nesse contexto, h\u00e1 o que o autor pontua didaticamente como dois processos (ou sistemas) complexos de representa\u00e7\u00e3o: o primeiro, ligado aos conceitos sustentados pela constru\u00e7\u00e3o met\u00f3dica de sentido; e, o segundo, ligado ao uso da linguagem (enquanto instrumento comunicacional) para carregar consigo a fun\u00e7\u00e3o do primeiro.<\/p>\n<p>Hall simplifica o primeiro sistema (bastante complexo, \u00e9 bom ratificar) como <em>&#8220;um conjunto de conceitos ou representa\u00e7\u00f5es mentais que n\u00f3s carregamos&#8221;<\/em> relacionados a ordem de objetos, sujeitos e acontecimentos <em>&#8220;que podem &#8216;representar&#8217; ou &#8216;se colocar como&#8217; o mundo&#8221;<\/em> (p. 34). Diz respeito, portanto \u00e0 nossa capacidade enquanto seres intelig\u00edveis capazes de produzir e manter um sistema conceitual mental que nos permita julgar <em>&#8220;o mundo de maneira relativamente similar&#8221;<\/em>, podendo\u00a0<em>&#8220;construir uma cultura de sentidos compartilhada e, ent\u00e3o, criar um mundo social que habitamos juntos&#8221;<\/em> (p. 36). Talvez aqui seja dif\u00edcil de compreender por se tratar de um processo bem abstrato, mas os exemplos que surgir\u00e3o mais para frente devem ajudar.<\/p>\n<p>J\u00e1 o segundo sistema \u00e9 relativamente mais simples (de compreender), j\u00e1 que se faz literalmente mais concreto no nosso cotidiano. \u00c9 a linguagem esse <em>&#8220;segundo sistema de representa\u00e7\u00e3o envolvido no processo global de constru\u00e7\u00e3o de sentido&#8221;<\/em> (p. 36), sobre o qual os signos se organizam. Estes\u00a0<em>&#8220;indicam ou representam os conceitos e as rela\u00e7\u00f5es entre eles que carregamos em nossa mente e [&#8230;], juntos, constroem os sistemas de significado da nossa cultura&#8221;<\/em> (p. 37). Ele chama aten\u00e7\u00e3o para o sentido mais amplo atribu\u00eddo \u00e0 linguagem (e, consequentemente, aos signos) nessa explica\u00e7\u00e3o, n\u00e3o se limitando \u00e0 fala\/escrita\/etc., mas tudo que seja capaz &#8220;de carregar e expressar sentido&#8221;, organizado sistematicamente e se tornando, assim, &#8220;uma linguagem&#8221;.<\/p>\n<blockquote><p>No cerne do processo de significa\u00e7\u00e3o na cultura surgem, ent\u00e3o, dois \u201csistemas de representa\u00e7\u00e3o\u201d relacionados. O primeiro nos permite dar sentido ao mundo por meio da constru\u00e7\u00e3o de um conjunto de correspond\u00eancias, ou de uma cadeia de equival\u00eancias, entre as coisas, pessoas, objetos, acontecimentos, ideias abstratas etc. &#8211; e o nosso sistema de conceitos, os nossos mapas conceituais. O segundo depende da constru\u00e7\u00e3o de um conjunto de correspond\u00eancias entre esse nosso mapa conceitual e um conjunto de signos, dispostos organizados em diversas linguagens, que indicam ou representam aqueles conceitos. <strong>A rela\u00e7\u00e3o entre \u201ccoisas\u201d, conceitos e signos se situa, assim, no cerne da produ\u00e7\u00e3o do sentido na linguagem, fazendo do processo que liga esses tr\u00eas elementos o que chamamos de \u201crepresenta\u00e7\u00e3o\u201d<\/strong> (p. 38).<\/p><\/blockquote>\n<p>Todo esse &#8220;ciclo&#8221; da representa\u00e7\u00e3o exige que as pessoas possuam minimamente &#8220;mapas conceituais&#8221; semelhantes, ou seja, maneiras parecidas de interpretas os signos de uma linguagem: <em>&#8220;\u00e0 medida que a rela\u00e7\u00e3o entre o signo e o seu referente se torna menos clara, o sentido come\u00e7a a deslizar e escapar de n\u00f3s, caminhando para a incerteza&#8221;<\/em> (p. 39). Essa condi\u00e7\u00e3o (ou pr\u00e9-requisito) \u00e9 importante tamb\u00e9m para nos lembrar a arbitrariedade dessa rela\u00e7\u00e3o entre signo, conceito e objeto; ou seja, a palavra &#8220;melancia&#8221; nos remete \u00e0 fruta devido ao acordo que fizemos na sociedade brasileira\/l\u00edngua portuguesa quanto \u00e0 refer\u00eancia entre signo e objeto real, mas poderia ser qualquer outra combina\u00e7\u00e3o de letras: &#8220;yulate&#8221; (ou &#8220;watermelon&#8221;, em ingl\u00eas).<\/p>\n<p>O sentido, portanto, n\u00e3o nasce com o signo, \u00e9 incorporado a ele:\u00a0<em>&#8220;Somos n\u00f3s quem fixamos o sentido t\u00e3o firmemente que, depois de um tempo, ele parece natural e inevit\u00e1vel. [&#8230;] Ele \u00e9 constru\u00eddo e fixado pelo c\u00f3digo, que estabelece a correla\u00e7\u00e3o entre o nosso sistema conceitual e nossa linguagem [&#8230;]&#8221;<\/em> (p. 42). Os c\u00f3digos, portanto, possibilitam-nos a falar e ouvir inteligentemente ao fixar arbitrariamente as rela\u00e7\u00f5es entre o nosso sistema conceitual e os nossos sistemas lingu\u00edsticos, num processo de tradutibilidade em ambas dire\u00e7\u00f5es. Crian\u00e7as, por exemplo, aprendem o sistema de conven\u00e7\u00f5es sociais e representa\u00e7\u00f5es (tanto na fala quanto na interpreta\u00e7\u00e3o) para que passem a, gradativamente, atuar como sujeitos culturalmente competentes.<\/p>\n<blockquote><p>Uma implica\u00e7\u00e3o desse argumento sobre c\u00f3digos culturais \u00e9 que, se o sentido \u00e9 o resultado n\u00e3o de algo fixo na natureza, mas de nossas conven\u00e7\u00f5es sociais, culturais e lingu\u00edsticas, ent\u00e3o o sentido n\u00e3o pode nunca ser finalmente fixado [&#8230;]. Obviamente, deve haver alguma fixa\u00e7\u00e3o do sentido na linguagem, ou nunca poder\u00edamos entender uns aos outros [&#8230;]. Conven\u00e7\u00f5es sociais e lingu\u00edsticas mudam, sim, atrav\u00e9s do tempo [&#8230;]. C\u00f3digos lingu\u00edsticos variam significativamente entre uma l\u00edngua e outra. [&#8230;] <strong>O principal ponto \u00e9 que o sentido n\u00e3o \u00e9 inerente \u00e0s coisas, ao mundo. Ele \u00e9 constru\u00eddo, produzido. \u00c9 o resultado de uma pr\u00e1tica significante &#8211; uma pr\u00e1tica que produz sentido, que faz os objetos significarem<\/strong>. (p. 46)<\/p><\/blockquote>\n<p>Para explicar como a representa\u00e7\u00e3o do sentido pela linguagem funciona, Hall traz tr\u00eas enfoques das teorias j\u00e1 citadas: reflexiva, intencional a construtivista. Na primeira, <em>&#8220;o\u00a0sentido \u00e9 pensado como repousando no objeto, pessoa, ideia ou evento no mundo real, e a linguagem funciona como um espelho, para refletir o sentido verdadeiro como ele j\u00e1 existe no mundo&#8221;<\/em> (p. 47). O foco dessa teoria, portanto, est\u00e1 na <em>mimesis<\/em> (reflex\u00e3o\/imita\u00e7\u00e3o) do real &#8211; por isso tamb\u00e9m \u00e9 comumente chamada de mim\u00e9tica. J\u00e1 na segunda, o foco \u00e9 o interlocutor: <em>&#8220;as palavras significam o que o autor pretende que signifiquem&#8221;<\/em> (p. 48). Seu car\u00e1ter individualista, entretanto, esbarra na necessidade comunicacional que exige o conhecimento compartilhado dos signos e dos sentidos a eles atribu\u00eddos.<\/p>\n<p>\u00c9 sob o manto da teoria construtivista, entretanto, que o autor se deleita. Nela, nem o signo pelo signo nem o interlocutor pelo interlocutor basta, mas um jogo complexo entre todas as partes envolvidas: <em>&#8220;Nem as coisas nelas mesmas, nem os usu\u00e1rios individuais podem fixar os significados na linguagem. As coisas n\u00e3o significam: n\u00f3s constru\u00edmos sentido, usando sistemas representacionais &#8211; conceitos e signos&#8221;<\/em>. Em complemento, explica a din\u00e2mica desse processo:<em> &#8220;S\u00e3o os <strong>atores sociais<\/strong> que usam os <strong>sistemas conceituais<\/strong>, o lingu\u00edstico e outros sistemas representacionais de sua <strong>cultura<\/strong> para construir <strong>sentido<\/strong>, para fazer com que o mundo seja compreens\u00edvel e para <strong>comunicar<\/strong> sobre esse mundo, inteligivelmente, para outros&#8221;<\/em> (p. 49).<\/p>\n<p>Para explicar melhor a teoria construtivista (e o processo de representa\u00e7\u00e3o como um todo), o autor utiliza o \u00f3timo exemplo da linguagem dos sem\u00e1foros. Primeiro, levemos em considera\u00e7\u00e3o as cores que conhecemos. Elas existem, obviamente, mas os nomes os quais as atribu\u00edmos foram definidos por n\u00f3s mesmos: <em>&#8220;usamos um modo de classificar o espectro colorido para criar cores que s\u00e3o diferentes umas das outras. N\u00f3s representamos ou simbolizamos as diversas cores e as classificamos de acordo com diferentes conceitos de cor&#8221;<\/em> (p. 49-50). S\u00e3o, portanto, dois momentos (did\u00e1ticos): aquele no qual nosso mapa mental compreende e distingue as cores umas das outras; e outro no qual associamos a essas cores, diferenciadas, signos e c\u00f3digos lingu\u00edsticos.<\/p>\n<p>\u00c9 \u00f3bvio que, na pr\u00e1tica, esse processo \u00e9 menos met\u00f3dico e mais &#8220;bagun\u00e7ado&#8221;, mas ele nos leva a tr\u00eas considera\u00e7\u00f5es relevantes: 1) nem o significado nem o signo existem sozinhos, s\u00e3o constru\u00eddos socialmente; 2) uma vez que s\u00e3o constru\u00eddos socialmente, poderiam ser qualquer coisa; 3) exatamente devido a essa possibilidade de ser qualquer coisa, mas tendo essa fixa\u00e7\u00e3o social, h\u00e1 um duplo arbitr\u00e1rio em jogo. E \u00e9 justamente em cima dessa arbitrariedade que os construtivistas v\u00e3o argumentar de onde surge o sentido:\u00a0<em>&#8220;o que significa, o que carrega sentido, eles argumentam, n\u00e3o \u00e9 cada cor por si mesma nem o conceito ou palavra para ela. \u00c9 a diferen\u00e7a entre vermelho e verde que significa&#8221;<\/em> (p. 53).<\/p>\n<blockquote><p>Em princ\u00edpio, qualquer combina\u00e7\u00e3o de cores &#8211; como qualquer cole\u00e7\u00e3o de letras na linguagem escrita ou de sons na linguagem falada &#8211; funcionaria, dado que as cores fossem suficientemente diferentes para n\u00e3o serem confundidas. Os construtivistas expressam essa ideia dizendo que todos os signos s\u00e3o &#8216;arbitr\u00e1rios&#8217;. Esse termo significa que n\u00e3o existe nenhuma rela\u00e7\u00e3o natural entre o signo e seu sentido ou conceito [&#8230;]. \u00c9 o c\u00f3digo que fixa o sentido, n\u00e3o a cor por si pr\u00f3pria.<strong> Isso tamb\u00e9m tem implica\u00e7\u00f5es mais amplas para a teoria da representa\u00e7\u00e3o e sentido na linguagem, e significa que signos por eles mesmos n\u00e3o podem fixar sentido. Em vez disso, o sentido depende da rela\u00e7\u00e3o entre um signo e um conceito, o que \u00e9 fixado por um c\u00f3digo<\/strong>. O significado, os construtivistas diriam, \u00e9 &#8216;relativo&#8217;. (p. 52)<\/p><\/blockquote>\n<p>Em resumo, portanto, vale recapitular: <em>representa\u00e7\u00e3o<\/em> \u00e9 a <strong>produ\u00e7\u00e3o do sentido<\/strong> pela <strong>linguagem<\/strong>.\u00a0<em>&#8220;O sentido \u00e9 produzido dentro da linguagem, dentro e por meio de v\u00e1rios sistemas representacionais que, por conveni\u00eancia, n\u00f3s chamamos de &#8216;linguagens&#8217;. O sentido \u00e9 produzido pela pr\u00e1tica, pelo trabalho, da representa\u00e7\u00e3o. Ele \u00e9 constru\u00eddo pela pr\u00e1tica significante, isto \u00e9, aquele que produz sentidos&#8221;<\/em> (p. 54). Como um ciclo da teoria construtivista, portanto, compreenderia-se: conceitos formados nas nossas mentes em sistemas classificat\u00f3rios intelig\u00edveis &gt; signos que transportam os sentidos &gt; tradu\u00e7\u00e3o dos nossos conceitos em linguagem atrav\u00e9s de mapas de sentido compartilhados.<\/p>\n<ul>\n<li><strong>Teoria Reflexiva (Mim\u00e9tica):<\/strong> prop\u00f5e uma rela\u00e7\u00e3o direta e transparente de imita\u00e7\u00e3o ou reflex\u00e3o entre as palavras (signos) e as coisas;<\/li>\n<li><strong>Teoria Intencional:<\/strong> reduz a representa\u00e7\u00e3o \u00e0s inten\u00e7\u00f5es do autor ou sujeito;<\/li>\n<li><strong>Teoria Construtivista:<\/strong> prop\u00f5e uma rela\u00e7\u00e3o complexa e mediada entre as coisas no mundo, os conceitos em nosso pensamento e a linguagem.<\/li>\n<\/ul>\n<h4><strong>2. O legado de Saussure<\/strong><\/h4>\n<p>A segunda parte do texto \u00e9 completamente dedicada ao fil\u00f3sofo\u00a0Ferdinand de Saussure, respons\u00e1vel pela &#8220;virada lingu\u00edstica&#8221; das Ci\u00eancias Sociais (e, consequentemente, dos Estudos Culturais). A vis\u00e3o social-construtivista da linguagem ratifica a import\u00e2ncia dos signos (sistema de sinais), por\u00e9m somente num contexto de sistema de conven\u00e7\u00f5es compartilhadas. Deste modo, o significante (a palavra ou imagem de um objeto) se correlaciona com o conceito mental desse objeto parar gerar sentido, <em>&#8220;mas \u00e9 a rela\u00e7\u00e3o entre eles, fixada pelo nosso c\u00f3digo cultural e lingu\u00edstico, que sustenta a representa\u00e7\u00e3o&#8221;<\/em> (p. 57). Novamente, para simplificar: signo = significante (forma que significa) + significado (ideia significada).<\/p>\n<p>Embora essa primeira introdu\u00e7\u00e3o ao autor possa indicar uma caminhada em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 teoria reflexiva, Hall logo explica que \u00e9 a natureza arbitr\u00e1ria do signo que fundamenta &#8211; para Saussure, assim como para os construtivistas &#8211; a constru\u00e7\u00e3o de sentido pela linguagem: <em>&#8220;Signos n\u00e3o possuem um sentido fixo ou essencial. [&#8230;] Os signos, argumentou ele, &#8216;s\u00e3o membros de um sistema e definidos em rela\u00e7\u00e3o a outros membros daquele sistema'&#8221;<\/em> (p. 58). O fil\u00f3sofo, enf\u00e1tica e revolucionariamente, argumentou que <em>&#8220;os significantes devem estar organizados em um &#8216;sistema de diferen\u00e7a'&#8221;<\/em> para produzir sentido, pois <em>&#8220;\u00e9 a diferen\u00e7a entre os significantes que significa&#8221; <\/em>(p. 59) &#8211; logo, a retomada ao signo n\u00e3o se refere a sua <em>mimesis<\/em>, mas a seu car\u00e1ter social\/cultural.<\/p>\n<p>\u00c9 a\u00ed que a teoria construtivista pesa em seu pensamento, quando ele localiza o signo (e o sentido) \u00e0 hist\u00f3ria: <em>&#8220;Os conceitos (significados) aos quais elas [as palavras] se referem tamb\u00e9m se modificam, historicamente, e toda transforma\u00e7\u00e3o altera o mapa conceitual da cultura, levando diferentes culturas, em distintos momentos hist\u00f3ricos, a classificar e pensar sobre o mundo de maneira diversa&#8221;<\/em> (p. 59). Ou seja, n\u00e3o h\u00e1 como sustentar o significante e o significado sem compreender o processo hist\u00f3rico e cultural nos quais eles est\u00e3o concebidos. Isso quebra <em>&#8220;qualquer v\u00ednculo natural e inevit\u00e1vel&#8221;<\/em> entre ambos, abrindo assim <em>&#8220;a representa\u00e7\u00e3o\u00a0para o constante &#8216;jogo&#8217; de deslizamento do sentido, para a constante produ\u00e7\u00e3o de sentidos, novas interpreta\u00e7\u00f5es&#8221;<\/em> (p. 60).<\/p>\n<blockquote><p>O sentido deve ser ativamente &#8216;lido&#8217; ou &#8216;interpretado&#8217;. Consequentemente, h\u00e1 uma imprecis\u00e3o necess\u00e1ria e inevit\u00e1vel sobre a linguagem. O sentido que n\u00f3s captamos, como espectadores, leitores ou p\u00fablico, nunca \u00e9 exatamente o sentido que foi dado pelo interlocutor, escritor ou pelos outros espectadores. E, uma vez que, para dizer algo relevante, n\u00f3s devemos &#8216;entrar na linguagem&#8217;, onde todos os tipos de sentidos que nos antecedem, que seria fazer uma triagem de todos os outros sentidos ocultos que podem modificar ou distorcer o que n\u00f3s queremos dizer. [&#8230;] Assim, a interpreta\u00e7\u00e3o torna-se um aspecto essencial do processo pelo qual o sentido \u00e9 dado e tomado. O leitor \u00e9 t\u00e3o importante quanto o escritor na produ\u00e7\u00e3o do sentido. <strong>Todo significante dado ou codificado com significado tem que ser significativamente interpretado ou decodificado pelo receptor<\/strong> (Hall, 1980). Signos que n\u00e3o tenham sido inteligivelmente recebidos ou interpretados n\u00e3o s\u00e3o, em nenhum sentido \u00fatil, &#8220;significativos&#8221; (p. 60-61).<\/p><\/blockquote>\n<p>Um dos termos &#8211; conceitos &#8211; importantes de Saussure \u00e9 o que ele chamou de <strong><em>langue<\/em><\/strong> (ou sistema de linguagens), que \u00e9 basicamente a estrutura regrada que nos possibilita formar senten\u00e7as socialmente compreens\u00edveis. Em complemento \u00e0 <em>langue<\/em>, h\u00e1 a <strong><em>parole<\/em><\/strong>, reconhecida como <em>&#8220;atos particulares de fala, escrita ou desenho que [&#8230;] s\u00e3o produzidos por um interlocutor ou escritor real&#8221;<\/em>. Em suma, a partir de Culler (1976), Hall explica:\u00a0<em>&#8220;A langue \u00e9 o sistema da linguagem, a linguagem como um sistema de formas, enquanto a parole \u00e9 a fala [ou escrita] real, os atos de fala que s\u00f3 s\u00e3o poss\u00edveis pela linguagem&#8221;<\/em> (p. 61). Ou seja, o primeiro seria a base (cultural) na qual o segundo pode operar a partir de performances individuais.<\/p>\n<p>Nosso autor destaca que, para Saussure, a <em>langue<\/em>, por se tratar de um sistema razoavelmente fechado\/limitado de regras e c\u00f3digos, poderia ser estudada cientificamente. J\u00e1 a <em>parole<\/em>, por mais individual que seja (ela realmente \u00e9 lida como a fala\/linguagem de cada um de n\u00f3s), precisa da langue para se sustentar:\u00a0<em>&#8220;Cada afirma\u00e7\u00e3o autoral s\u00f3 se torna poss\u00edvel porque o &#8216;autor&#8217; compartilha com outros usu\u00e1rios da linguagem as regras e c\u00f3digos comuns do sistema &#8211; a langue -, que permite que eles se comuniquem um com o outro significantemente&#8221;<\/em> (p. 62). Essa argumenta\u00e7\u00e3o \u00e9 importante para fazer coro com o que j\u00e1 vimos anteriormente, sempre lembrando que 1) nada \u00e9 natural e 2) tudo se constr\u00f3i em sociedade, e n\u00e3o no v\u00e1cuo.<\/p>\n<blockquote><p><strong>O grande feito de Saussure foi nos for\u00e7ar a prestar especial aten\u00e7\u00e3o na linguagem em si, como um fato social, no processo de representa\u00e7\u00e3o em si, em como a linguagem realmente funciona e no papel que desempenha na produ\u00e7\u00e3o do sentido. Ao fazer isso, Saussure salvou a linguagem do status de mero meio transparente entre coisas e sentido. Ele mostrou, em vez disso, que a representa\u00e7\u00e3o \u00e9 uma pr\u00e1tica<\/strong>. No entanto, em seu pr\u00f3prio trabalho, Saussure tendeu a focar, quase exclusivamente, nos dois aspectos do signo &#8211; significante e significado. Deu pouca ou nenhuma aten\u00e7\u00e3o a como essa rela\u00e7\u00e3o entre significante \/ significado poderia servir ao prop\u00f3sito do que n\u00f3s previamente chamamos de refer\u00eancia &#8211; ou seja, nos referindo ao mundo das coisas, pessoas e eventos que est\u00e3o fora da linguagem, no mundo &#8216;real&#8217;. (p. 63)<\/p><\/blockquote>\n<p>Ainda que seu trabalho tenha sido important\u00edssimo para as Ci\u00eancias Sociais como um todo, a obsess\u00e3o funcionalista pelo seu objeto de pesquisa o cegou de levar em considera\u00e7\u00e3o as <em>&#8220;caracter\u00edsticas mais interativas e dial\u00f3gicas da linguagem &#8211; como \u00e9 realmente usada, como funciona em situa\u00e7\u00f5es reais, no di\u00e1logo entre diferentes tipos de locutores&#8221;<\/em> (p. 64). Hall aponta que &#8220;te\u00f3ricos culturais posteriores aprenderam com o &#8216;estruturalismo&#8217; de Saussure, mas abandonaram sua premissa cient\u00edfica&#8221;, explicando que: <em>&#8220;Como por vezes acontece, o sonho &#8216;cient\u00edfico&#8217; que residia por tr\u00e1s do impulso estruturalista do seu trabalho (embora influente em nos alertar para certos aspectos de como a linguagem funciona) provou ser ilus\u00f3rio. A linguagem n\u00e3o \u00e9 um objeto que possa ser estudado com a precis\u00e3o de uma ci\u00eancia&#8221;<\/em> (p. 64).<\/p>\n<p>E continua: <em>&#8220;A linguagem permanece governada por regras, mas n\u00e3o \u00e9 um sistema &#8216;fechado&#8217; que pode ser reduzido aos seus elementos formais. Uma vez que est\u00e1 constantemente mudando, ela \u00e9, por defini\u00e7\u00e3o, um conceito aberto. O sentido continua sendo produzido pela linguagem em formas que nunca podem ser previstas de antem\u00e3o e o seu deslizamento, como n\u00f3s descrevemos acima, n\u00e3o pode ser contido&#8221;<\/em> (p. 64). Diante dessa cr\u00edtica t\u00e3o contundente, portanto, como se sobressai o legado de Saussure? O modo pelo qual ele deu aten\u00e7\u00e3o, pioneiramente, ao processo como o significante (c\u00f3digo de linguagens) associa significados (conceitos mentais) produz signos lingu\u00edsticos que se traduzem em sentidos referentes ao &#8220;mundo real&#8221;.<\/p>\n<h4><strong>3. Da linguagem \u00e0 cultura: da lingu\u00edstica \u00e0 semi\u00f3tica<\/strong><\/h4>\n<p>O legado de Saussure \u00e9 justamente o respons\u00e1vel pela funda\u00e7\u00e3o da semi\u00f3tica. Mat\u00e9ria extremamente comum (e temida) nos cursos de Publicidade e Propaganda, continua t\u00e3o relevante talvez por estarmos vivendo cada vez mais numa sociedade hiper-visual. Nessa terceira parte do texto, Hall apresenta &#8211; sem entrar em muitos detalhes, por estar menos interessado na po\u00e9tica e mais interessado nos efeitos de sentido &#8211; como podemos compreender a disciplina. Para aproximar o leitor do conte\u00fado, utiliza dois exemplos simples que explicam bem os conceitos: a linguagem da moda e o mito de Roland Barthes &#8211; o primeiro, num localizado principalmente num contexto da sociedade do consumo; e, o segundo, pol\u00edtico-cultural.<\/p>\n<blockquote><p><strong>Na abordagem semi\u00f3tica, n\u00e3o apenas palavras e imagens, mas os pr\u00f3prios objetos podem funcionar como significantes na produ\u00e7\u00e3o do sentido<\/strong>. Roupas, por exemplo, podem ter uma fun\u00e7\u00e3o f\u00edsica simples &#8211; cobrir e proteger o corpo do clima. Contudo, tamb\u00e9m se apresentam como signos. Elas constroem significados e carregam uma mensagem (p.68).<\/p><\/blockquote>\n<p>Ao abordar a &#8220;linguagem da moda&#8221;, \u00e9 importante ter em mente que ele se refere a todo o espectro cultural de como n\u00f3s, em sociedade, compreendemos nosso vestu\u00e1rio &#8211; n\u00e3o se trata apenas do mercado da moda. Lembrando que os signos s\u00e3o os produtos da jun\u00e7\u00e3o de significantes com significados, ele aponta que <em>&#8220;o c\u00f3digo da moda nas culturas consumidoras ocidentais [&#8230;] correlacionam tipos ou combina\u00e7\u00f5es particulares de roupas com certos conceitos&#8221;<\/em>, denotando \u00e0s roupas categorias de eleg\u00e2ncia, formalidade, casualidade, etc. Logo, as roupas s\u00e3o significantes que, convertidas em signos, podem ser lidos como uma linguagem &#8211; e, no contexto da moda, <em>&#8220;s\u00e3o arranjados em certa sequ\u00eancia, em determinadas rela\u00e7\u00f5es uns com os outros&#8221;<\/em> (p. 69-70).<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignright size-full wp-image-4266\" src=\"https:\/\/insightee.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/skynews-royal-wedding-past-dresses_4314853.jpg\" alt=\"\" width=\"1096\" height=\"616\" srcset=\"https:\/\/insightee.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/skynews-royal-wedding-past-dresses_4314853.jpg 1096w, https:\/\/insightee.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/skynews-royal-wedding-past-dresses_4314853-300x169.jpg 300w, https:\/\/insightee.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/skynews-royal-wedding-past-dresses_4314853-768x432.jpg 768w, https:\/\/insightee.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/skynews-royal-wedding-past-dresses_4314853-1024x576.jpg 1024w\" sizes=\"auto, (max-width: 1096px) 100vw, 1096px\" \/><\/p>\n<p>Talvez fique ainda mais f\u00e1cil de entender se levarmos em considera\u00e7\u00e3o os vestidos de casamento. Todo o ritual em torno do casamento \u00e9 extremamente simb\u00f3lico, mas fa\u00e7amos um recorte apenas na vestimenta. Na pr\u00e1tica, a roupa que a mulher usa \u00e9 apenas um vestido de colora\u00e7\u00e3o branca. Essa interpreta\u00e7\u00e3o Hall explica como denotativa, &#8220;o n\u00edvel simples, b\u00e1sico, descritivo, em que o consenso \u00e9 difundido e a maioria das pessoas concordaria no significado&#8221;. No entanto, ele \u00e9 branco por um motivo: carrega um sentimento de pureza, angelical, etc. \u00c0 nossa primeira leitura (um vestido branco), acrescenta-se um sentido mais amplo: <em>&#8220;[A linguagem da moda]\u00a0os conecta a sentidos e temas mais abrangentes, ligando-os ao que n\u00f3s chamaremos de campos sem\u00e2nticos mais vastos de nossa cultura&#8221;<\/em> (p. 71).<\/p>\n<blockquote><p><strong>O argumento fundamental por tr\u00e1s da abordagem semi\u00f3tica \u00e9 que, uma vez que todos os objetos culturais expressam sentido, e todas as pr\u00e1ticas culturais dependem do sentido, eles devem fazer uso dos signos<\/strong>; e na medida em que fazem, devem funcionar como a linguagem funciona e ser suscet\u00edveis a uma an\u00e1lise que, basicamente, faz uso dos conceitos lingu\u00edsticos de Saussure (ou seja, a distin\u00e7\u00e3o entre significante\/significado e langue\/parole, sua ideia de c\u00f3digos e estruturas subjacentes e a natureza arbitr\u00e1ria do signo) (p. 67).<\/p><\/blockquote>\n<p>O segundo exemplo que Hall utiliza para explicar a semi\u00f3tica provavelmente j\u00e1 \u00e9 de conhecimento a qualquer pessoa que teve uma aula sequer de semi\u00f3tica (que n\u00e3o foi o meu caso): o mito de Barthes. Num dos ensaios mais famosos do linguista, ele escreve sobre uma capa de revista francesa a qual foi apresentado, que continha um adolescente negro fazendo contin\u00eancia para a bandeira francesa (\u00e0 direita). A primeira interpreta\u00e7\u00e3o que fazemos, denotativa, \u00e9 justamente esta que escrevi &#8211; no entanto, semioticamente, \u00e9 poss\u00edvel (e compreens\u00edvel) fazer uma leitura muito mais densa do que vemos na capa da revista, conhecendo o hist\u00f3rico de coloniza\u00e7\u00e3o dos povos africanos &#8211; tamb\u00e9m em grande parte &#8211; pela Fran\u00e7a.<\/p>\n<p><em><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignright size-medium wp-image-4242\" src=\"https:\/\/insightee.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/paris-match-222x300.jpg\" alt=\"\" width=\"222\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/insightee.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/paris-match-222x300.jpg 222w, https:\/\/insightee.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/paris-match-768x1039.jpg 768w, https:\/\/insightee.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/paris-match-757x1024.jpg 757w, https:\/\/insightee.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/paris-match.jpg 924w\" sizes=\"auto, (max-width: 222px) 100vw, 222px\" \/>&#8220;O primeiro significado completo funciona como significante no segundo est\u00e1gio do processo de representa\u00e7\u00e3o e, quando ligado a um tema mais amplo pelo leitor, produz uma segunda mensagem, ou significado, mais elaborada e ideologicamente enquadrada&#8221;<\/em>, explica Hall. Ou seja, \u00e9 o primeiro significado (o signo de uma pessoa, um jovem negro, na capa de uma revista francesa, com roupas militares), que fundamenta a segunda interpreta\u00e7\u00e3o &#8211; o militarismo\/colonialismo franc\u00eas sob povos africanos. <em>&#8220;Barthes d\u00e1 a esse segundo conceito ou tema um nome: ele o chama de &#8216;uma mistura a prop\u00f3sito do &#8216;imperialismo franc\u00eas&#8217; e do &#8216;militarismo&#8217;. Isto, diz ele, adiciona uma mensagem sobre o colonialismo franc\u00eas e seus fi\u00e9is soldados filhos negros. Barthes chama esse segundo n\u00edvel de significa\u00e7\u00e3o de mito&#8221;<\/em> (p. 72-73).<\/p>\n<blockquote><p>Seja l\u00e1 o que pense sobre a &#8220;mensagem&#8221; real que Barthes ressalta, para uma an\u00e1lise semi\u00f3tica ideal voc\u00ea deve ser capaz de delinear precisamente os diferentes passos pelos quais esse sentido mais amplo foi produzido. Barthes argumenta que, aqui, a representa\u00e7\u00e3o acontece por dois processos independentes, por\u00e9m ligados. <strong>No primeiro, os significantes (os elementos da imagem) e os significados (os conceitos &#8211; soldado, bandeira e assim por diante) se unem para formar um signo com uma simples mensagem denotada: um soldado negro est\u00e1 saudando a bandeira francesa. Em um segundo est\u00e1gio, essa mensagem, ou signo completo, \u00e9 ligada a outro conjunto de significados &#8211; um conte\u00fado amplo e ideol\u00f3gico sobre o colonialismo franc\u00eas<\/strong> (p. 73).<\/p><\/blockquote>\n<h4><strong>4. Discurso, poder e o sujeito<\/strong><\/h4>\n<p>Embora a semi\u00f3tica tenha sido &#8211; e continue sendo &#8211; extremamente importante, o sentido jamais pode ser fixado, ou seja <em>&#8220;interpreta\u00e7\u00f5es nunca produzem um momento final de absoluta verdade&#8221;<\/em>. Hall recorre mais uma vez a Derrida para argumentar que a diferen\u00e7a &#8220;nunca pode ser totalmente capturada por um sistema bin\u00e1rio&#8221;, o que faz com que <em>&#8220;qualquer no\u00e7\u00e3o de sentido final [seja] sempre infinitamente descartada, adiada&#8221;<\/em> (p. 77). \u00c9 aqui que entra, portanto, Michel Foucault, um para pensarmos a representa\u00e7\u00e3o sob outra perspectiva para al\u00e9m do seu car\u00e1ter po\u00e9tico &#8211;\u00a0<em>&#8220;sublinhando tr\u00eas de suas principais ideias: seu conceito de discurso, o problema do poder e conhecimento, a quest\u00e3o do sujeito&#8221;<\/em> (p. 79).<\/p>\n<blockquote><p>Na abordagem semi\u00f3tica, a representa\u00e7\u00e3o foi entendida com base na forma como as palavras funcionam como signos dentro da linguagem. Contudo, em primeiro lugar temos que, em uma cultura, o sentido frequentemente depende de unidades maiores de an\u00e1lise [&#8230;]. A semi\u00f3tica parecia confinar o processo de representa\u00e7\u00e3o \u00e0 linguagem, e trat\u00e1-la como um sistema fechado, bastante est\u00e1tico. Desenvolvimentos posteriores se tornaram mais preocupados com a representa\u00e7\u00e3o como uma fonte para a produ\u00e7\u00e3o do entendimento social &#8211; um sistema mais aberto, conectado de maneira mais \u00edntima \u00e0s pr\u00e1ticas sociais e \u00e0s quest\u00f5es de poder. [&#8230;] <strong>Mesmo que a linguagem, de algum jeito, &#8216;fale sobre n\u00f3s&#8217; (como Saussure tendia a argumentar), tamb\u00e9m \u00e9 importante notar que em certos momentos hist\u00f3ricos algumas pessoas t\u00eam mais poder para falar sobre determinados assuntos do que outros<\/strong> [&#8230;]. Modelos de representa\u00e7\u00e3o, argumentaram esses cr\u00edticos, devem focar nesses aspectos mais amplos de conhecimento e poder (p. 77-78).<\/p><\/blockquote>\n<p>Uma das mudan\u00e7as mais significativas (e simb\u00f3licas, de certa forma) que Foucault traz, no contexto da representa\u00e7\u00e3o, \u00e9 a troca do termo &#8220;linguagem&#8221; para o termo &#8220;discurso&#8221;. Pode parecer algo simples, mas \u00e9 bastante valioso no pensamento do fil\u00f3sofo: <em>&#8220;o que interessava a ele eram as regras e pr\u00e1ticas que produziam pronunciamentos com sentido e os discursos regulados em diferentes per\u00edodos hist\u00f3ricos&#8221;<\/em> (p. 80). Ou seja, para ele, a produ\u00e7\u00e3o do sentido pela linguagem &#8211; enquanto <strong>discurso<\/strong> &#8211; <em>&#8220;produz os objetos do nosso conhecimento, governa a forma com que o assunto pode ser significativamente falado e debatido, e tamb\u00e9m influencia como ideias s\u00e3o postas em pr\u00e1tica e usadas para regular a conduta dos outros&#8221;<\/em> (p. 80).<\/p>\n<p>J\u00e1 fica expl\u00edcito aqui como &#8211; sob qual perspectiva &#8211; o autor pretende trabalhar representa\u00e7\u00e3o, a partir do conceito de discurso, levando em considera\u00e7\u00e3o normas de conduta e campos institucionais da sociedade: <em>&#8220;essa ideia de que coisas e a\u00e7\u00f5es f\u00edsicas existem, mas somente ganham sentido e se tornam objetos de conhecimento dentro do discurso est\u00e1 no cora\u00e7\u00e3o da teoria construtivista sobre o sentido e a representa\u00e7\u00e3o&#8221;<\/em>. Pode parecer confuso, mas o que ele quer dizer \u00e9 que, no jogo do sentido (que \u00e9 o mesmo da cultura e da representa\u00e7\u00e3o), as coisas s\u00f3 existem a partir do discurso. Ou seja, <em>&#8220;\u00e9 o discurso &#8211; n\u00e3o as coisas por elas mesmas &#8211; que produz o conhecimento&#8221;<\/em> (p. 83).<\/p>\n<blockquote><p>A ideia de que &#8216;o discurso produz os objetos do conhecimento&#8217; e de que nada que tem sentido existe fora dele \u00e9, \u00e0 primeira vista, uma proposi\u00e7\u00e3o desconcertante, que parece correr contra o cerne do pensamento comum. [&#8230;] <strong>O que realmente argumenta \u00e9 que &#8216;nada tem nenhum sentido fora do discurso&#8217; (Foucault, 2012). Como Laclau e Mouffe colocaram, &#8216;n\u00f3s usamos [o termo discurso] para enfatizar o fato de que toda configura\u00e7\u00e3o social tem sentido&#8217; (1990: 100)<\/strong>. O conceito de discurso n\u00e3o \u00e9 sobre se as coisas existem, mas sobre de onde vem o sentido das coisas (p. 81).<\/p><\/blockquote>\n<p>De certo modo, poderia-se dizer que Foucault historiciza a linguagem, elevando-a ao discurso e complexificando-a quanto \u00e0 produ\u00e7\u00e3o de conhecimento e ao regime da verdade (em compara\u00e7\u00e3o \u00e0 &#8220;n\u00e3o-historicidade&#8221; da semi\u00f3tica). <em>&#8220;Ele se concentrou na rela\u00e7\u00e3o entre conhecimento e poder, e em como este funcionava dentro do que o fil\u00f3sofo chamou de aparato institucional e suas tecnologias (t\u00e9cnicas)&#8221;<\/em>, explica Hall. Ao enxergar <em>&#8220;o conhecimento como inexoravelmente envolvido em rela\u00e7\u00f5es de poder porque este sempre \u00e9 aplicado \u00e0 regula\u00e7\u00e3o da conduta social na pr\u00e1tica (ou seja, a &#8216;corpo&#8217; particulares)&#8221;<\/em>, marcou um desenvolvimento significativo na abordagem construtivista recuperando <em>&#8220;a representa\u00e7\u00e3o das garras de uma teoria puramente formal e deu a ela um contexto operacional hist\u00f3rico, pr\u00e1tico e &#8216;global'&#8221;<\/em> (p. 85).<\/p>\n<p>A perspectiva discursiva em sua contextualiza\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica se assemelha \u00e0 argumenta\u00e7\u00e3o marxista na qual <em>&#8220;as ideias refletiam a base econ\u00f4mica da sociedade e, ent\u00e3o, as &#8216;ideias em vigor&#8217; eram aquelas da classe dominante, que governa a economia capitalista; assim, o pensamento correspondia aos interesses dos dominadores&#8221;<\/em>. Hall explica, entretanto, que Foucault se aproximava mais ao pensamento de Gramsci, uma vez que a teoria marxista cl\u00e1ssica de ideologia <em>&#8220;tendia a reduzir toda a rela\u00e7\u00e3o entre conhecimento e poder \u00e0 quest\u00e3o do poder da classe e seus interesses&#8221;<\/em>. Para eles,\u00a0<em>&#8220;grupos sociais particulares est\u00e3o em conflito de diversas formas, incluindo ideologicamente, para ganhar o consenso dos outros grupos e alcan\u00e7ar um tipo de ascend\u00eancia sobre eles, na pr\u00e1tica e no pensamento&#8221;<\/em> (p. 87).<\/p>\n<p>A no\u00e7\u00e3o de discurso em Foucault est\u00e1 muito associada tamb\u00e9m \u00e0s suas outras concep\u00e7\u00f5es de poder, conhecimento e verdade, por isso o livro tamb\u00e9m aborda &#8211; t\u00edmida, mas suficientemente &#8211; essas outras quest\u00f5es. Hall explica que o conhecimento \u00e9 uma forma de poder circunstancial, cuja efetividade \u00e9 mais importante do que sua veracidade.\u00a0<em>&#8220;O conhecimento n\u00e3o opera no v\u00e1cuo. Ele \u00e9 posto ao trabalho, por certas tecnologias e estrat\u00e9gias de aplica\u00e7\u00e3o, em situa\u00e7\u00f5es espec\u00edficas, contextos hist\u00f3ricos e regimes institucionais&#8221;<\/em> (p. 89), explica. Foucault, para quem n\u00e3o conhece, desenvolvia trabalhos em torno de institui\u00e7\u00f5es onde o poder era uma quest\u00e3o central, como escola, pris\u00f5es e hosp\u00edcios, por isso sua preocupa\u00e7\u00e3o com &#8220;regimes de verdade&#8221;.<\/p>\n<blockquote><p><strong>A verdade n\u00e3o existe fora do poder ou sem poder (&#8230;) A verdade \u00e9 deste mundo; ela \u00e9 produzida nele devido a m\u00faltiplas coer\u00e7\u00f5es e nele produz efeitos regulamentados de poder. Cada sociedade tem seu regime de verdade, sua &#8216;pol\u00edtica geral&#8217; de verdade<\/strong>: isto \u00e9, os tipos de discurso que ela acolhe e faz funcionar como verdadeiros; os mecanismos e as inst\u00e2ncias que permitem distinguir os enunciados verdadeiros dos falsos, a maneira como se sancionam uns e outros; as t\u00e9cnicas e os procedimentos que s\u00e3o valorizados para a obten\u00e7\u00e3o da verdade; o estatuto daqueles que t\u00eam o encargo de dizer o que funciona como verdadeiro (Foucault, 1984: 10)<\/p><\/blockquote>\n<p>Al\u00e9m de historicizar a linguagem e, consequentemente, pensar o discurso enquanto disputa de sentido, Foucault tamb\u00e9m foi respons\u00e1vel por descentralizar o poder &#8211; muitas vezes interpretado de forma manique\u00edsta.\u00a0<em>&#8220;Rela\u00e7\u00f5es de poder permeiam todos os n\u00edveis da exist\u00eancia social e podem, portanto, ser encontradas operando em todos os campos da vida social &#8211; nas esferas privadas da fam\u00edlia e da sexualidade, tanto quanto nas esferas p\u00fablicas da pol\u00edtica, da economia e das leis&#8221;<\/em>, explica Hall, parafraseando o autor. Para ele(s), o poder circula &#8211; \u00e9 implantado e exercido &#8211; como em uma rede que penetra todo o corpo social, <em>&#8220;atravessando e produzindo coisas, induzindo ao prazer, a formas do conhecimento, produzindo discurso&#8221;<\/em> (p. 90).<\/p>\n<p>\u00c9 nesse contexto que Foucault conceitua &#8220;rituais meticulosos&#8221; ou a &#8220;microf\u00edsica do poder&#8221; (este \u00faltimo bastante popular at\u00e9 para al\u00e9m da academia), que seria basicamente &#8211; muito basicamente! &#8211; &#8220;os v\u00e1rios circuitos localizados, t\u00e1ticas, mecanismos e efeitos pelos quais o poder circula&#8221;. Ou seja, ele redireciona a fixa\u00e7\u00e3o pela estrutura (simbolicamente, na figura do Estado, da lei, da classe privilegiada, etc.) detentora de grandes poderes para um olhar muito mais complexo. Essas rela\u00e7\u00f5es de poder <em>&#8220;conectam a maneira pela qual o poder opera de fato, do ch\u00e3o \u00e0s grandes pir\u00e2mides de poder, por meio do que ele chama de movimento capilar (vasos capilares s\u00e3o aqueles que ajudam a troca de oxig\u00eanio entre sangue e os tecidos de nosso corpo)&#8221;\u00a0<\/em>(p. 90), explica Hall.<\/p>\n<p>Essa perspectiva &#8220;revolucion\u00e1ria&#8221; de Foucault provocou uma ruptura muito representativa. Marxistas cl\u00e1ssicos acusam-no de ser muito &#8220;p\u00f3s-moderno&#8221;, responsabilizando-o pela invisibiliza\u00e7\u00e3o da consci\u00eancia de classe.\u00a0Essa \u00e9 uma leitura rasa (e quase rancorosa, eu acrescentaria) do argumento do fil\u00f3sofo, conforme Hall tamb\u00e9m se prop\u00f5e a explicar: <em>&#8220;[n\u00e3o \u00e9 que]\u00a0o poder nesses n\u00edveis mais baixos meramente reflete ou &#8216;reproduz, no n\u00edvel de indiv\u00edduos, corpos, gestos e comportamentos, a forma geral da lei ou do governo&#8217; (Foucault, 2015)&#8221;<\/em>, mas porque essa abordagem <em>&#8220;&#8216;enra\u00edza [o poder] nas formas de comportamento, nos corpos e nas rela\u00e7\u00f5es locais de poder que n\u00e3o deveriam, de forma alguma, ser vistas como uma simples proje\u00e7\u00e3o de um poder central&#8217; (Foucault, 1980: 201)&#8221;<\/em> (p. 91).<\/p>\n<blockquote><p>Embora sua obra seja claramente produzida na esteira da &#8216;virada da linguagem&#8217; e profundamente influenciada por ela, um marco da abordagem construtivista da representa\u00e7\u00e3o, a defini\u00e7\u00e3o de discurso estabelecida por Foucault \u00e9 bem mais ampla que a de linguagem. Ela inclui v\u00e1rios outros elementos da pr\u00e1tica e da regula\u00e7\u00e3o institucional que a abordagem de Saussure, com seu foco lingu\u00edstico, excluiu. <strong>Foucault \u00e9 sempre mais historicizante, considerando formas de poder\/conhecimento como enraizadas em contextos e hist\u00f3rias particulares. Acima de tudo, para Foucault, a produ\u00e7\u00e3o do conhecimento \u00e9 sempre atravessada por quest\u00f5es de poder e do corpo<\/strong>; e isso expande enormemente o escopo do que est\u00e1 envolvido na representa\u00e7\u00e3o (p. 93).<\/p><\/blockquote>\n<h4><strong>5. Onde est\u00e1 o &#8220;sujeito&#8221;?<\/strong><\/h4>\n<p>O \u00faltimo cap\u00edtulo (antes do resumo) do texto aborda criticamente a posi\u00e7\u00e3o do sujeito principalmente no pensamento de Foucault, j\u00e1 que Saussure se absteve de falar sobre os indiv\u00edduos &#8211; vale lembrar que o foco de sua &#8220;ci\u00eancia&#8221; \u00e9 a langue, n\u00e3o a parole. Hall traz que o fil\u00f3sofo trabalha a quest\u00e3o do sujeito em seus trabalhos mais avan\u00e7ados, ainda que de maneira a romper com uma ideia ilus\u00f3ria de sujeito totalmente dotado de consci\u00eancia\/n\u00facleo de si mesmo &#8211; para ele, o sujeito \u00e9 produzido (e s\u00f3 existe) no discurso. <em>&#8220;\u00c9 o discurso, n\u00e3o os sujeitos que o falam, que produz o conhecimento. Sujeitos podem produzir textos particulares, mas eles est\u00e3o operando dentro dos limites da episteme, da forma\u00e7\u00e3o discursiva, do regime da verdade, de uma cultura e per\u00edodo particulares&#8221;<\/em> (p. 99), explica.<\/p>\n<blockquote><p>O &#8216;sujeito&#8217; de Foucault parece ser produzido por meio do discurso em dois sentidos ou lugares diferentes. Primeiro, o pr\u00f3prio discurso produz &#8216;sujeitos&#8217; &#8211; figuras que personificam formas particulares de conhecimento que o discurso produz. Esses sujeitos t\u00eam os atributos que poder\u00edamos esperar, como definidos pelo discurso: o homem louco, a mulher hist\u00e9rica, o homossexual, o criminoso individualizado, e assim por diante. Essas figuras s\u00e3o espec\u00edficas para regimes discursivos e per\u00edodos hist\u00f3ricos determinados. O discurso tamb\u00e9m produz um lugar para o sujeito (ou seja, o leitor ou espectador, que tamb\u00e9m est\u00e1 &#8216;sujeito ao&#8217; discurso), onde seus significados e entendimentos espec\u00edficos fazem sentido. <strong>N\u00e3o \u00e9 inevit\u00e1vel, nesse sentido, que todos os indiv\u00edduos em um dado per\u00edodo se tornem sujeitos de um discurso em especial, portadores de seu poder\/conhecimento. Mas para que eles &#8211; n\u00f3s &#8211; assim fa\u00e7am\/fa\u00e7amos, \u00e9 preciso se\/nos colocar na posi\u00e7\u00e3o da qual o discurso faz mais sentido, virando ent\u00e3o seus &#8216;sujeitos&#8217; ao &#8216;sujeitar&#8217; n\u00f3s mesmos aos seus significados, poder e regula\u00e7\u00e3o. Todos os discursos, assim, constroem posi\u00e7\u00f5es de sujeito, das quais, sozinhos, eles fazem sentido<\/strong>. (p. 100)<\/p><\/blockquote>\n<p><a href=\"https:\/\/insightee.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/lasmeninas.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignright size-medium wp-image-4262\" src=\"https:\/\/insightee.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/lasmeninas-260x300.jpg\" alt=\"\" width=\"260\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/insightee.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/lasmeninas-260x300.jpg 260w, https:\/\/insightee.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/lasmeninas-768x885.jpg 768w, https:\/\/insightee.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/lasmeninas.jpg 889w\" sizes=\"auto, (max-width: 260px) 100vw, 260px\" \/><\/a>Para explicar a complexidade do sujeito (e da representa\u00e7\u00e3o em sentido mais amplo) no pensamento de Foucault, Hall traz a discuss\u00e3o em torno da pintura <em>Las Meninas<\/em>, de Diego Vel\u00e1zquez &#8211; sobre a qual o fil\u00f3sofo disserta na sua obra <em>As palavras e as coisas<\/em> (1999). \u00c9 uma obra bem complexa, que merece um tempo de deslumbramento para tentar entender o que est\u00e1 acontecendo. <em>&#8220;A representa\u00e7\u00e3o e o sujeito s\u00e3o as mensagens por tr\u00e1s da pintura &#8211; o que ela quer dizer, seu subtexto [&#8230;] \u00c9 t\u00e3o constru\u00edda em torno daquilo que voc\u00ea n\u00e3o pode ver, quanto daquilo que pode observar&#8221;<\/em>, explica. Segundo Foucault, o sentido da imagem \u00e9 produzido <em>&#8220;por meio dessa complexa intera\u00e7\u00e3o entre presen\u00e7a (o que voc\u00ea v\u00ea, o vis\u00edvel) e aus\u00eancia (o que voc\u00ea n\u00e3o pode ver, o que est\u00e1 deslocado no quadro)&#8221;<\/em> (p. 105).<\/p>\n<p>\u00c9 uma quest\u00e3o de perspectiva: os autores apontam que h\u00e1 dois &#8220;centros&#8221; na pintura &#8211; a menina (ao meio) e o casal real (que n\u00e3o aparece explicitamente na obra a n\u00e3o ser no reflexo do espelho, mas cuja encena\u00e7\u00e3o nos permite concluir sua presen\u00e7a). Esse jogo de aten\u00e7\u00e3o suspensa sempre adia o sentido final, uma vez que <em>&#8220;n\u00f3s tomamos as posi\u00e7\u00f5es indicadas pelo discurso, nos identificamos com elas, sujeitamos n\u00f3s mesmos aos seus sentidos e nos tornamos &#8216;sujeitos'&#8221;<\/em> (p. 106). A vis\u00e3o radical de Foucault argumenta que \u00e9 o sujeito que sempre h\u00e1 de completar o sentido, pois <em>&#8220;o\u00a0discurso produz uma posi\u00e7\u00e3o de sujeito para o espectador-sujeito&#8221;<\/em>.<\/p>\n<blockquote><p>Para a pintura funcionar, o espectador, quem quer que ele ou ela seja, deve primeiro se sujeitar ao discurso dela e, dessa forma, tornar-se o espectador ideal da pintura, o produtor de seus sentidos &#8211; seu &#8216;sujeito&#8217;. <strong>Isso \u00e9 o que significa quando \u00e9 dito que o discurso constr\u00f3i o espectador como um sujeito &#8211; pelo que queremos dizer que ele constr\u00f3i um lugar para o sujeito-espectador que est\u00e1 olhando e produzindo um sentido para a cena<\/strong>. [&#8230;] A representa\u00e7\u00e3o, portanto, ocorre a partir de pelo menos tr\u00eas posi\u00e7\u00f5es na pintura. A primeira somos todos n\u00f3s, o espectador, cujo &#8220;olhar&#8221; coloca juntos e unifica os diferentes elementos e rela\u00e7\u00f5es na imagem em um sentido geral. Esse sujeito deve estar l\u00e1 para a pintura fazer sentido, mas ele\/ela n\u00e3o est\u00e1 representado na tela. Em seguida, h\u00e1 o pintor que retratou a cena. Ele est\u00e1 &#8220;presente&#8221; em dois lugares de uma vez, uma vez que deve ter sentado onde n\u00f3s estamos agora para pintar mas, ent\u00e3o, colocou-se (representou a si pr\u00f3prio na) na imagem olhando para tr\u00e1s, em dire\u00e7\u00e3o \u00e0quele ponto de vista onde n\u00f3s, espectadores, tomamos seu lugar (p. 107).<\/p><\/blockquote>\n<h4><strong>6. Conclus\u00e3o: representa\u00e7\u00e3o, sentido e linguagem reconsiderados<\/strong><\/h4>\n<p>Na conclus\u00e3o do texto, Hall faz um resum(\u00e3)o de tudo que foi apresentado\/discutido, come\u00e7ando pela defini\u00e7\u00e3o mais simples de representa\u00e7\u00e3o: <em>&#8220;trata-se do processo pelo qual membros de uma cultura usam a linguagem (amplamente definida como qualquer sistema que emprega signos, qualquer sistema significante) para produzir sentido&#8221;<\/em>. Essa concep\u00e7\u00e3o j\u00e1 descarta, de certa forma, a teoria reflexiva, pois somos n\u00f3s que atribu\u00edmos sentido \u00e0s coisas. E se o sentido \u00e9 atribu\u00eddo pela sociedade, conforme mudan\u00e7as ocorrem, eles tamb\u00e9m mudar\u00e3o: <em>&#8220;uma ideia importante sobre representa\u00e7\u00e3o \u00e9 a aceita\u00e7\u00e3o de um grau de relativismo cultural entre uma e outra cultura, certa falta de equival\u00eancia e a necessidade de tradu\u00e7\u00e3o quando nos movemos de um universo mental ou conceitual de uma cultura para outro&#8221; <\/em>(p. 108).<\/p>\n<p>Essa abordagem construtivista, defendida pelo autor, aponta tr\u00eas &#8220;ordens&#8221; diferentes que envolvem o jogo da representa\u00e7\u00e3o: o mundo das coisas\/pessoas\/eventos\/experi\u00eancias (o mundo f\u00edsico); o mundo conceitual (nossos mapas mentais); e os signos, arranjados nas linguagens, que comunicam esses conceitos. A constru\u00e7\u00e3o de sentido atrav\u00e9s da representa\u00e7\u00e3o s\u00f3 se faz poss\u00edvel atrav\u00e9s do ciclo de codifica\u00e7\u00e3o e decodifica\u00e7\u00e3o dos significados, no entanto, conforme chama a aten\u00e7\u00e3o: <em>&#8220;por estarem os sentidos sempre mudando e nos escapando, os c\u00f3digos operam mais como conven\u00e7\u00f5es sociais do que como leis fixas ou regras inquebr\u00e1veis&#8221;<\/em>, ou seja, os c\u00f3digos &#8211; e os sentidos &#8211; de uma cultura est\u00e3o sempre em constante disputa.<\/p>\n<p><em>&#8220;N\u00f3s olhamos para duas vers\u00f5es do construtivismo: aquela que se concentrou em como linguagem e significa\u00e7\u00e3o (o uso de signos na linguagem) funcionam para produzir sentidos, que depois de Saussure e Barthes n\u00f3s chamamos de semi\u00f3tica; e aquela, seguindo Foucault, que se concentrou em como o discurso e as pr\u00e1ticas discursivas produzem conhecimento&#8221;<\/em>, relembra Hall. A semi\u00f3tica destaca a import\u00e2ncia do significante e do significado (langue e parole), demarcando sobretudo a diferen\u00e7a e estabelecendo oposi\u00e7\u00f5es bin\u00e1rias para a produ\u00e7\u00e3o do sentido. J\u00e1 a abordagem discursiva leva mais em considera\u00e7\u00e3o o poder e o conhecimento em voga, que atuam sob regimes de verdade e cujo discurso produz os sujeitos definindo tamb\u00e9m suas posi\u00e7\u00f5es (de onde o conhecimento procede).<\/p>\n<p>Hall finaliza o texto ratificando que n\u00e3o defende uma teoria em subjugamento da outra, reiterando que tanto a semi\u00f3tica de Saussure e Barthes t\u00eam muito a colaborar assim como os pensamentos de Foucault tamb\u00e9m s\u00e3o extremamente importantes para o contexto da representa\u00e7\u00e3o. <em>&#8220;O que n\u00f3s oferecemos aqui \u00e9, esperamos, um balan\u00e7o relativamente claro, embora experimental, de um conjunto de ideias complexas de um projeto n\u00e3o acabado&#8221;<\/em> (p. 111), explica. O segundo texto da obra, &#8220;O espet\u00e1culo do outro&#8221;, \u00e9 onde ele promete aplicar tudo que foi passado at\u00e9 aqui de maneira pr\u00e1tica, colocando em pr\u00e1tica a teoria mas n\u00e3o tomando-as como completamente verdadeiras.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em mar\u00e7o de 2017 publiquei aqui no blog a primeira parte do que prometi que seria uma s\u00e9rie de tr\u00eas posts sobre o livro &#8220;Cultura e Representa\u00e7\u00e3o&#8221; (Stuart Hall, 2016), organizado pela Editora PUC-Rio. A obra traz tr\u00eas textos independentes (produzidos originalmente para diferentes publica\u00e7\u00f5es), por\u00e9m complementares: a Apresenta\u00e7\u00e3o (introdu\u00e7\u00e3o da colet\u00e2nea\u00a0Representation: Cultural Representation and [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":4259,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[132],"tags":[107,244,246,186,245,187],"class_list":["post-4131","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-livros","tag-cultura","tag-ferdinand-saussure","tag-michel-foucault","tag-representacao","tag-semiotica","tag-stuart-hall"],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v27.5 - https:\/\/yoast.com\/product\/yoast-seo-wordpress\/ -->\n<title>O papel da representa\u00e7\u00e3o \u2013 em Cultura e representa\u00e7\u00e3o, de Stuart Hall &#8211; insightee<\/title>\n<meta name=\"description\" content=\"Segundo post sobre o livro &quot;Cultura e Representa\u00e7\u00e3o&quot;, de Stuart Hall: O papel da representa\u00e7\u00e3o. Um resumo das teorias de Saussure, Barthes e Foucault.\" \/>\n<meta name=\"robots\" content=\"index, follow, max-snippet:-1, max-image-preview:large, max-video-preview:-1\" \/>\n<link rel=\"canonical\" href=\"https:\/\/insightee.com.br\/blog\/o-papel-da-representacao-em-cultura-e-representacao-de-stuart-hall\/\" \/>\n<meta property=\"og:locale\" content=\"pt_BR\" \/>\n<meta property=\"og:type\" content=\"article\" \/>\n<meta property=\"og:title\" content=\"O papel da representa\u00e7\u00e3o \u2013 em Cultura e representa\u00e7\u00e3o, de Stuart Hall &#8211; insightee\" \/>\n<meta property=\"og:description\" content=\"Segundo post sobre o livro &quot;Cultura e Representa\u00e7\u00e3o&quot;, de Stuart Hall: O papel da representa\u00e7\u00e3o. Um resumo das teorias de Saussure, Barthes e Foucault.\" \/>\n<meta property=\"og:url\" content=\"https:\/\/insightee.com.br\/blog\/o-papel-da-representacao-em-cultura-e-representacao-de-stuart-hall\/\" \/>\n<meta property=\"og:site_name\" content=\"insightee\" \/>\n<meta property=\"article:publisher\" content=\"https:\/\/www.facebook.com\/pedrormeirelles\" \/>\n<meta property=\"article:author\" content=\"https:\/\/www.facebook.com\/pedrormeirelles\" \/>\n<meta property=\"article:published_time\" content=\"2018-11-01T00:39:12+00:00\" \/>\n<meta property=\"article:modified_time\" content=\"2018-11-01T00:52:20+00:00\" \/>\n<meta property=\"og:image\" content=\"https:\/\/insightee.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/attendant-the-1993-001-stuart-hall-on-the-set.jpg\" \/>\n\t<meta property=\"og:image:width\" content=\"1000\" \/>\n\t<meta property=\"og:image:height\" content=\"666\" \/>\n\t<meta property=\"og:image:type\" content=\"image\/jpeg\" \/>\n<meta name=\"author\" content=\"Pedro Meirelles\" \/>\n<meta name=\"twitter:card\" content=\"summary_large_image\" \/>\n<meta name=\"twitter:creator\" content=\"@https:\/\/twitter.com\/peumeirelles\" \/>\n<meta name=\"twitter:site\" content=\"@peumeirelles\" \/>\n<meta name=\"twitter:label1\" content=\"Escrito por\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:data1\" content=\"Pedro Meirelles\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:label2\" content=\"Est. tempo de leitura\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:data2\" content=\"35 minutos\" \/>\n<script type=\"application\/ld+json\" class=\"yoast-schema-graph\">{\"@context\":\"https:\\\/\\\/schema.org\",\"@graph\":[{\"@type\":\"Article\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/insightee.com.br\\\/blog\\\/o-papel-da-representacao-em-cultura-e-representacao-de-stuart-hall\\\/#article\",\"isPartOf\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/insightee.com.br\\\/blog\\\/o-papel-da-representacao-em-cultura-e-representacao-de-stuart-hall\\\/\"},\"author\":{\"name\":\"Pedro Meirelles\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/insightee.com.br\\\/blog\\\/#\\\/schema\\\/person\\\/25bb944f37e66a0298f607979c5b0a22\"},\"headline\":\"O papel da representa\u00e7\u00e3o \u2013 em Cultura e representa\u00e7\u00e3o, de Stuart Hall\",\"datePublished\":\"2018-11-01T00:39:12+00:00\",\"dateModified\":\"2018-11-01T00:52:20+00:00\",\"mainEntityOfPage\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/insightee.com.br\\\/blog\\\/o-papel-da-representacao-em-cultura-e-representacao-de-stuart-hall\\\/\"},\"wordCount\":7048,\"commentCount\":3,\"image\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/insightee.com.br\\\/blog\\\/o-papel-da-representacao-em-cultura-e-representacao-de-stuart-hall\\\/#primaryimage\"},\"thumbnailUrl\":\"https:\\\/\\\/insightee.com.br\\\/blog\\\/wp-content\\\/uploads\\\/2018\\\/10\\\/attendant-the-1993-001-stuart-hall-on-the-set.jpg\",\"keywords\":[\"cultura\",\"ferdinand saussure\",\"michel foucault\",\"representa\u00e7\u00e3o\",\"semi\u00f3tica\",\"stuart hall\"],\"articleSection\":[\"Livros\"],\"inLanguage\":\"pt-BR\",\"potentialAction\":[{\"@type\":\"CommentAction\",\"name\":\"Comment\",\"target\":[\"https:\\\/\\\/insightee.com.br\\\/blog\\\/o-papel-da-representacao-em-cultura-e-representacao-de-stuart-hall\\\/#respond\"]}]},{\"@type\":\"WebPage\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/insightee.com.br\\\/blog\\\/o-papel-da-representacao-em-cultura-e-representacao-de-stuart-hall\\\/\",\"url\":\"https:\\\/\\\/insightee.com.br\\\/blog\\\/o-papel-da-representacao-em-cultura-e-representacao-de-stuart-hall\\\/\",\"name\":\"O papel da representa\u00e7\u00e3o \u2013 em Cultura e representa\u00e7\u00e3o, de Stuart Hall &#8211; insightee\",\"isPartOf\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/insightee.com.br\\\/blog\\\/#website\"},\"primaryImageOfPage\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/insightee.com.br\\\/blog\\\/o-papel-da-representacao-em-cultura-e-representacao-de-stuart-hall\\\/#primaryimage\"},\"image\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/insightee.com.br\\\/blog\\\/o-papel-da-representacao-em-cultura-e-representacao-de-stuart-hall\\\/#primaryimage\"},\"thumbnailUrl\":\"https:\\\/\\\/insightee.com.br\\\/blog\\\/wp-content\\\/uploads\\\/2018\\\/10\\\/attendant-the-1993-001-stuart-hall-on-the-set.jpg\",\"datePublished\":\"2018-11-01T00:39:12+00:00\",\"dateModified\":\"2018-11-01T00:52:20+00:00\",\"author\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/insightee.com.br\\\/blog\\\/#\\\/schema\\\/person\\\/25bb944f37e66a0298f607979c5b0a22\"},\"description\":\"Segundo post sobre o livro \\\"Cultura e Representa\u00e7\u00e3o\\\", de Stuart Hall: O papel da representa\u00e7\u00e3o. Um resumo das teorias de Saussure, Barthes e Foucault.\",\"breadcrumb\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/insightee.com.br\\\/blog\\\/o-papel-da-representacao-em-cultura-e-representacao-de-stuart-hall\\\/#breadcrumb\"},\"inLanguage\":\"pt-BR\",\"potentialAction\":[{\"@type\":\"ReadAction\",\"target\":[\"https:\\\/\\\/insightee.com.br\\\/blog\\\/o-papel-da-representacao-em-cultura-e-representacao-de-stuart-hall\\\/\"]}]},{\"@type\":\"ImageObject\",\"inLanguage\":\"pt-BR\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/insightee.com.br\\\/blog\\\/o-papel-da-representacao-em-cultura-e-representacao-de-stuart-hall\\\/#primaryimage\",\"url\":\"https:\\\/\\\/insightee.com.br\\\/blog\\\/wp-content\\\/uploads\\\/2018\\\/10\\\/attendant-the-1993-001-stuart-hall-on-the-set.jpg\",\"contentUrl\":\"https:\\\/\\\/insightee.com.br\\\/blog\\\/wp-content\\\/uploads\\\/2018\\\/10\\\/attendant-the-1993-001-stuart-hall-on-the-set.jpg\",\"width\":1000,\"height\":666},{\"@type\":\"BreadcrumbList\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/insightee.com.br\\\/blog\\\/o-papel-da-representacao-em-cultura-e-representacao-de-stuart-hall\\\/#breadcrumb\",\"itemListElement\":[{\"@type\":\"ListItem\",\"position\":1,\"name\":\"In\u00edcio\",\"item\":\"https:\\\/\\\/insightee.com.br\\\/blog\\\/\"},{\"@type\":\"ListItem\",\"position\":2,\"name\":\"O papel da representa\u00e7\u00e3o \u2013 em Cultura e representa\u00e7\u00e3o, de Stuart Hall\"}]},{\"@type\":\"WebSite\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/insightee.com.br\\\/blog\\\/#website\",\"url\":\"https:\\\/\\\/insightee.com.br\\\/blog\\\/\",\"name\":\"insightee\",\"description\":\"\u00e0 procura do insight perfeito\",\"potentialAction\":[{\"@type\":\"SearchAction\",\"target\":{\"@type\":\"EntryPoint\",\"urlTemplate\":\"https:\\\/\\\/insightee.com.br\\\/blog\\\/?s={search_term_string}\"},\"query-input\":{\"@type\":\"PropertyValueSpecification\",\"valueRequired\":true,\"valueName\":\"search_term_string\"}}],\"inLanguage\":\"pt-BR\"},{\"@type\":\"Person\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/insightee.com.br\\\/blog\\\/#\\\/schema\\\/person\\\/25bb944f37e66a0298f607979c5b0a22\",\"name\":\"Pedro Meirelles\",\"image\":{\"@type\":\"ImageObject\",\"inLanguage\":\"pt-BR\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/secure.gravatar.com\\\/avatar\\\/65e627ac6c71e8afcd40409c252c043555caf5da4f58ba46ab903227744c24fd?s=96&d=mm&r=g\",\"url\":\"https:\\\/\\\/secure.gravatar.com\\\/avatar\\\/65e627ac6c71e8afcd40409c252c043555caf5da4f58ba46ab903227744c24fd?s=96&d=mm&r=g\",\"contentUrl\":\"https:\\\/\\\/secure.gravatar.com\\\/avatar\\\/65e627ac6c71e8afcd40409c252c043555caf5da4f58ba46ab903227744c24fd?s=96&d=mm&r=g\",\"caption\":\"Pedro Meirelles\"},\"description\":\"Mestrando em Cultura e Territorialidades pela Universidade Federal Fluminense, formado em Estudos de M\u00eddia pela mesma institui\u00e7\u00e3o. Interessado em pesquisa digital, m\u00e9todos digitais, an\u00e1lise de dados, cultura, sociedade e Nordeste. Pesquisador no Instituto Brasileiro de Pesquisa e An\u00e1lise de Dados. (+)\",\"sameAs\":[\"https:\\\/\\\/www.facebook.com\\\/pedrormeirelles\",\"http:\\\/\\\/instagram.com\\\/seekpedro\",\"https:\\\/\\\/www.linkedin.com\\\/in\\\/meirellespedro\",\"https:\\\/\\\/x.com\\\/https:\\\/\\\/twitter.com\\\/peumeirelles\"],\"url\":\"https:\\\/\\\/insightee.com.br\\\/blog\\\/author\\\/pedro-meirelles\\\/\"}]}<\/script>\n<!-- \/ Yoast SEO plugin. -->","yoast_head_json":{"title":"O papel da representa\u00e7\u00e3o \u2013 em Cultura e representa\u00e7\u00e3o, de Stuart Hall &#8211; insightee","description":"Segundo post sobre o livro \"Cultura e Representa\u00e7\u00e3o\", de Stuart Hall: O papel da representa\u00e7\u00e3o. Um resumo das teorias de Saussure, Barthes e Foucault.","robots":{"index":"index","follow":"follow","max-snippet":"max-snippet:-1","max-image-preview":"max-image-preview:large","max-video-preview":"max-video-preview:-1"},"canonical":"https:\/\/insightee.com.br\/blog\/o-papel-da-representacao-em-cultura-e-representacao-de-stuart-hall\/","og_locale":"pt_BR","og_type":"article","og_title":"O papel da representa\u00e7\u00e3o \u2013 em Cultura e representa\u00e7\u00e3o, de Stuart Hall &#8211; insightee","og_description":"Segundo post sobre o livro \"Cultura e Representa\u00e7\u00e3o\", de Stuart Hall: O papel da representa\u00e7\u00e3o. Um resumo das teorias de Saussure, Barthes e Foucault.","og_url":"https:\/\/insightee.com.br\/blog\/o-papel-da-representacao-em-cultura-e-representacao-de-stuart-hall\/","og_site_name":"insightee","article_publisher":"https:\/\/www.facebook.com\/pedrormeirelles","article_author":"https:\/\/www.facebook.com\/pedrormeirelles","article_published_time":"2018-11-01T00:39:12+00:00","article_modified_time":"2018-11-01T00:52:20+00:00","og_image":[{"width":1000,"height":666,"url":"https:\/\/insightee.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/attendant-the-1993-001-stuart-hall-on-the-set.jpg","type":"image\/jpeg"}],"author":"Pedro Meirelles","twitter_card":"summary_large_image","twitter_creator":"@https:\/\/twitter.com\/peumeirelles","twitter_site":"@peumeirelles","twitter_misc":{"Escrito por":"Pedro Meirelles","Est. tempo de leitura":"35 minutos"},"schema":{"@context":"https:\/\/schema.org","@graph":[{"@type":"Article","@id":"https:\/\/insightee.com.br\/blog\/o-papel-da-representacao-em-cultura-e-representacao-de-stuart-hall\/#article","isPartOf":{"@id":"https:\/\/insightee.com.br\/blog\/o-papel-da-representacao-em-cultura-e-representacao-de-stuart-hall\/"},"author":{"name":"Pedro Meirelles","@id":"https:\/\/insightee.com.br\/blog\/#\/schema\/person\/25bb944f37e66a0298f607979c5b0a22"},"headline":"O papel da representa\u00e7\u00e3o \u2013 em Cultura e representa\u00e7\u00e3o, de Stuart Hall","datePublished":"2018-11-01T00:39:12+00:00","dateModified":"2018-11-01T00:52:20+00:00","mainEntityOfPage":{"@id":"https:\/\/insightee.com.br\/blog\/o-papel-da-representacao-em-cultura-e-representacao-de-stuart-hall\/"},"wordCount":7048,"commentCount":3,"image":{"@id":"https:\/\/insightee.com.br\/blog\/o-papel-da-representacao-em-cultura-e-representacao-de-stuart-hall\/#primaryimage"},"thumbnailUrl":"https:\/\/insightee.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/attendant-the-1993-001-stuart-hall-on-the-set.jpg","keywords":["cultura","ferdinand saussure","michel foucault","representa\u00e7\u00e3o","semi\u00f3tica","stuart hall"],"articleSection":["Livros"],"inLanguage":"pt-BR","potentialAction":[{"@type":"CommentAction","name":"Comment","target":["https:\/\/insightee.com.br\/blog\/o-papel-da-representacao-em-cultura-e-representacao-de-stuart-hall\/#respond"]}]},{"@type":"WebPage","@id":"https:\/\/insightee.com.br\/blog\/o-papel-da-representacao-em-cultura-e-representacao-de-stuart-hall\/","url":"https:\/\/insightee.com.br\/blog\/o-papel-da-representacao-em-cultura-e-representacao-de-stuart-hall\/","name":"O papel da representa\u00e7\u00e3o \u2013 em Cultura e representa\u00e7\u00e3o, de Stuart Hall &#8211; insightee","isPartOf":{"@id":"https:\/\/insightee.com.br\/blog\/#website"},"primaryImageOfPage":{"@id":"https:\/\/insightee.com.br\/blog\/o-papel-da-representacao-em-cultura-e-representacao-de-stuart-hall\/#primaryimage"},"image":{"@id":"https:\/\/insightee.com.br\/blog\/o-papel-da-representacao-em-cultura-e-representacao-de-stuart-hall\/#primaryimage"},"thumbnailUrl":"https:\/\/insightee.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/attendant-the-1993-001-stuart-hall-on-the-set.jpg","datePublished":"2018-11-01T00:39:12+00:00","dateModified":"2018-11-01T00:52:20+00:00","author":{"@id":"https:\/\/insightee.com.br\/blog\/#\/schema\/person\/25bb944f37e66a0298f607979c5b0a22"},"description":"Segundo post sobre o livro \"Cultura e Representa\u00e7\u00e3o\", de Stuart Hall: O papel da representa\u00e7\u00e3o. Um resumo das teorias de Saussure, Barthes e Foucault.","breadcrumb":{"@id":"https:\/\/insightee.com.br\/blog\/o-papel-da-representacao-em-cultura-e-representacao-de-stuart-hall\/#breadcrumb"},"inLanguage":"pt-BR","potentialAction":[{"@type":"ReadAction","target":["https:\/\/insightee.com.br\/blog\/o-papel-da-representacao-em-cultura-e-representacao-de-stuart-hall\/"]}]},{"@type":"ImageObject","inLanguage":"pt-BR","@id":"https:\/\/insightee.com.br\/blog\/o-papel-da-representacao-em-cultura-e-representacao-de-stuart-hall\/#primaryimage","url":"https:\/\/insightee.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/attendant-the-1993-001-stuart-hall-on-the-set.jpg","contentUrl":"https:\/\/insightee.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/attendant-the-1993-001-stuart-hall-on-the-set.jpg","width":1000,"height":666},{"@type":"BreadcrumbList","@id":"https:\/\/insightee.com.br\/blog\/o-papel-da-representacao-em-cultura-e-representacao-de-stuart-hall\/#breadcrumb","itemListElement":[{"@type":"ListItem","position":1,"name":"In\u00edcio","item":"https:\/\/insightee.com.br\/blog\/"},{"@type":"ListItem","position":2,"name":"O papel da representa\u00e7\u00e3o \u2013 em Cultura e representa\u00e7\u00e3o, de Stuart Hall"}]},{"@type":"WebSite","@id":"https:\/\/insightee.com.br\/blog\/#website","url":"https:\/\/insightee.com.br\/blog\/","name":"insightee","description":"\u00e0 procura do insight perfeito","potentialAction":[{"@type":"SearchAction","target":{"@type":"EntryPoint","urlTemplate":"https:\/\/insightee.com.br\/blog\/?s={search_term_string}"},"query-input":{"@type":"PropertyValueSpecification","valueRequired":true,"valueName":"search_term_string"}}],"inLanguage":"pt-BR"},{"@type":"Person","@id":"https:\/\/insightee.com.br\/blog\/#\/schema\/person\/25bb944f37e66a0298f607979c5b0a22","name":"Pedro Meirelles","image":{"@type":"ImageObject","inLanguage":"pt-BR","@id":"https:\/\/secure.gravatar.com\/avatar\/65e627ac6c71e8afcd40409c252c043555caf5da4f58ba46ab903227744c24fd?s=96&d=mm&r=g","url":"https:\/\/secure.gravatar.com\/avatar\/65e627ac6c71e8afcd40409c252c043555caf5da4f58ba46ab903227744c24fd?s=96&d=mm&r=g","contentUrl":"https:\/\/secure.gravatar.com\/avatar\/65e627ac6c71e8afcd40409c252c043555caf5da4f58ba46ab903227744c24fd?s=96&d=mm&r=g","caption":"Pedro Meirelles"},"description":"Mestrando em Cultura e Territorialidades pela Universidade Federal Fluminense, formado em Estudos de M\u00eddia pela mesma institui\u00e7\u00e3o. Interessado em pesquisa digital, m\u00e9todos digitais, an\u00e1lise de dados, cultura, sociedade e Nordeste. Pesquisador no Instituto Brasileiro de Pesquisa e An\u00e1lise de Dados. (+)","sameAs":["https:\/\/www.facebook.com\/pedrormeirelles","http:\/\/instagram.com\/seekpedro","https:\/\/www.linkedin.com\/in\/meirellespedro","https:\/\/x.com\/https:\/\/twitter.com\/peumeirelles"],"url":"https:\/\/insightee.com.br\/blog\/author\/pedro-meirelles\/"}]}},"views":28453,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/insightee.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4131","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/insightee.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/insightee.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/insightee.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/insightee.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=4131"}],"version-history":[{"count":44,"href":"https:\/\/insightee.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4131\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":4267,"href":"https:\/\/insightee.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4131\/revisions\/4267"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/insightee.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media\/4259"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/insightee.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=4131"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/insightee.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=4131"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/insightee.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=4131"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}