{"id":3841,"date":"2018-01-04T14:12:43","date_gmt":"2018-01-04T16:12:43","guid":{"rendered":"http:\/\/insightee.com.br\/blog\/?p=3841"},"modified":"2018-01-04T14:12:43","modified_gmt":"2018-01-04T16:12:43","slug":"o-que-faz-ser-nordestino-no-facebook","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/insightee.com.br\/blog\/o-que-faz-ser-nordestino-no-facebook\/","title":{"rendered":"O que faz ser nordestino no Facebook?"},"content":{"rendered":"<p>No dia 19 de dezembro de 2017, depois de quatro longos anos, apresentei no bloco A do campus Gragoat\u00e1 da Universidade Federal Fluminense o meu trabalho de conclus\u00e3o de curso na gradua\u00e7\u00e3o em <a href=\"http:\/\/www.midia.uff.br\">Estudos de M\u00eddia<\/a>. Com um misto de imensa gratid\u00e3o e desconcertante despedida, defendi a minha monografia,\u00a0<em>&#8220;O que fazer ser Nordestino no Facebook: Escolhas da constru\u00e7\u00e3o identit\u00e1ria nos sites de redes sociais&#8221;<\/em>,\u00a0frente \u00e0 melhor banca que poderia ter escolhido para fechar esse ciclo com chave de ouro.<\/p>\n<p>Quem me acompanha no Twitter <a href=\"https:\/\/twitter.com\/search?q=from%3A%40seekpedro%20tcc&amp;src=typd\">sabe que n\u00e3o foi uma jornada f\u00e1cil<\/a> &#8211; e nem r\u00e1pida, j\u00e1 que comecei a confabular a ideia para esse trabalho ainda no primeiro semestre de 2016. Com alguns trope\u00e7os (burocr\u00e1ticos e da vida mesmo) no caminho, a verdade \u00e9 que eu s\u00f3 sentei para realmente escrever os cap\u00edtulos no segundo semestre de 2017 &#8211; escrevendo o segundo e terceiro cap\u00edtulo s\u00f3 em novembro, ou seja, em apenas algumas semanas. A minha sorte \u00e9 que, embora tenha deixado a produ\u00e7\u00e3o para a \u00faltima hora, j\u00e1 tinha lido e catalogado a grande maioria das minhas refer\u00eancias meses antes.<\/p>\n<p>Como comentei no Twitter, o sufoco para finalizar esse trabalho n\u00e3o se deu por falta de aptid\u00e3o pelo tema, mas apenas pela irresponsabilidade cronol\u00f3gica das minhas obriga\u00e7\u00f5es. Garanto, no entanto, que foi o meu entusiasmo pelo tema &#8211; e pela ideia em geral &#8211; que me forneceu o combust\u00edvel necess\u00e1rio para escrever mais de 60 p\u00e1ginas apenas em duas\/tr\u00eas semanas. Poder levantar a discuss\u00e3o sobre identidade, cultura, representa\u00e7\u00e3o, Nordeste, autoapresenta\u00e7\u00e3o, performance e sites de redes sociais em um \u00fanico trabalho fez com que a escrita sa\u00edsse com suor, mas com um imenso sorriso no rosto.<\/p>\n<p>Embora o tema &#8211; ou melhor, os temas &#8211; possam parecer \u00f3bvios para a minha pessoa, n\u00e3o foi f\u00e1cil chegar nele(s). No quinto per\u00edodo, quando fiz a disciplina Metodologia de Pesquisa, foi realmente quando tive que colocar no papel as ideias que tive durante os tr\u00eas anos de gradua\u00e7\u00e3o para elaborar um anteprojeto. Revirei minhas anota\u00e7\u00f5es, as disciplinas que fiz, tweets que publiquei&#8230; E cheguei \u00e0 conclus\u00e3o que queria falar de identidade e sites de redes sociais, s\u00f3 faltava um meio termo. Felizmente no mesmo per\u00edodo tinha feito um trabalho sobre a <a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/br4sileirissimos\/?ref=br_rs\">Brasileir\u00edssimos<\/a> que me orientou por onde deveria seguir, at\u00e9 que cheguei \u00e0 <a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/n0rdestinos\/\">Nordestinos<\/a>.<\/p>\n<p>A ideia inicial (do anteprojeto) era fazer uma an\u00e1lise da representa\u00e7\u00e3o do Nordeste nessa p\u00e1gina, mas descartei eventualmente essa proposta porque queria focar mais em identidade e menos em representa\u00e7\u00e3o\/an\u00e1lise do discurso (embora seja tudo muito imbricado). Isso porque era uma quest\u00e3o que me atravessava diretamente (sa\u00ed de Aracaju com 17 anos para S\u00e3o Paulo e depois Rio de Janeiro, ent\u00e3o a identidade nordestina era &#8220;percebida&#8221; pelos outros de forma constante na minha vida no Sudeste) e tamb\u00e9m devido \u00e0 minha afilia\u00e7\u00e3o te\u00f3rica com a discuss\u00e3o sobre identidade &#8211; e n\u00e3o tanto com an\u00e1lise do discurso (muito relevante para avaliar o conte\u00fado de uma p\u00e1gina), por exemplo.<\/p>\n<p>Antes de come\u00e7ar a escrever o trabalho, meu orientador &#8211; Prof. Dr. Marildo Nercolini &#8211; orientou que eu produzisse, sem me preocupar com a burocracia das refer\u00eancias, um texto sobre o que eu tinha em mente. Deveria ter somente duas p\u00e1ginas, mas acabei escrevendo sete. Com o entusiasmo, cheguei a produzir um artigo para o\u00a0XIII ENECULT &#8211; Encontro de Estudos Multidisciplinares em Cultura, que infelizmente n\u00e3o foi aceito. Fiquei bastante abatido na \u00e9poca, porque era uma das minhas metas de 2017, mas concordei com todos os apontamentos do avaliador. Embora tivesse uma boa base te\u00f3rica, partiu de um texto na primeira pessoa e faltou uma an\u00e1lise mais densa.<\/p>\n<p>Confesso que me desanimou um pouco, e talvez tenha sido esse o motivo pelo qual demorei tanto para come\u00e7ar a escrever o TCC. Fui negado em maio, escrevi o primeiro cap\u00edtulo em julho e fui revisar s\u00f3 em setembro. Felizmente meu orientador n\u00e3o me abandou em nenhum momento e me deu todo o apoio necess\u00e1rio para que eu terminasse o trabalho em tempo recorde. E, finalmente, depois de tantos altos e baixos, consegui produzir algo do qual me orgulho muito e fiquei bastante feliz com o resultado. Independente da avalia\u00e7\u00e3o da banca, estava satisfeito com o meu trabalho. Sem mais delongas, portanto, compartilho aqui &#8211; para quem tiver interesse &#8211; a minha monografia:<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/www.slideshare.net\/slideshow\/embed_code\/key\/1GsoSgeN4BgWf7\" width=\"479\" height=\"511\" frameborder=\"0\" marginwidth=\"0\" marginheight=\"0\" scrolling=\"no\" style=\"border:1px solid #CCC; border-width:1px; margin-bottom:5px; max-width: 100%;\" allowfullscreen> <\/iframe> <\/p>\n<div style=\"margin-bottom:5px\"> <strong> <a href=\"https:\/\/www.slideshare.net\/PedroMeirelles5\/o-que-faz-ser-nordestino-no-facebook-escolhas-da-construo-identitria-nos-sites-de-redes-sociais\" title=\"O que faz ser nordestino no Facebook: Escolhas da constru\u00e7\u00e3o identit\u00e1ria nos sites de redes sociais\" target=\"_blank\">O que faz ser nordestino no Facebook: Escolhas da constru\u00e7\u00e3o identit\u00e1ria nos sites de redes sociais<\/a> <\/strong> from <strong><a href=\"https:\/\/www.slideshare.net\/PedroMeirelles5\" target=\"_blank\">Pedro Meirelles<\/a><\/strong> <\/div>\n<p>Talvez eu deva come\u00e7ar explicando pelo t\u00edtulo, que n\u00e3o foi bem aceito pela banca. A minha ideia inicial era seguir pelo \u00f3bvio &#8220;A identidade nordestina no Facebook&#8221;, mas n\u00e3o consegui encontrar um subt\u00edtulo que n\u00e3o repetisse a mesma ideia do t\u00edtulo, complementando-o &#8211; como deveria ser. Foi somente nos \u00faltimos dias de produ\u00e7\u00e3o que me veio o t\u00edtulo final, no qual a proposta \u00e9 fazer uma refer\u00eancia direta ao livro <em>&#8220;O que fazer ser nordestino: identidades sociais, interesses e o &#8216;esc\u00e2ndalo&#8217; Erundina&#8221;<\/em>, escrito por Maura Penna na d\u00e9cada de 90 e uma das principais refer\u00eancias bibliogr\u00e1ficas no meu trabalho. Reconhe\u00e7o, entretanto, que pode soar estranho para quem n\u00e3o conhece a obra &#8211; a grande maioria das pessoas.<\/p>\n<p>Fora isso, o trabalho foi muito bem aceito pela banca que apontou apenas algumas (v\u00e1rias, na verdade: eu falei por 20 minutos e elas falaram por 2\/3 horas) considera\u00e7\u00f5es de corre\u00e7\u00e3o e\/ou melhorias. Em suma, a proposta do TCC era responder \u00e0 pergunta: por que as pessoas optam por acionar a identidade nordestina nos sites de redes sociais? Para isso, estruturei da seguinte forma: no primeiro cap\u00edtulo, fiz um levantamento hist\u00f3rico-bibliogr\u00e1fico de como &#8220;surge&#8221; o Nordeste e o nordestino; em seguida, dedico todo o segundo cap\u00edtulo \u00e0 discuss\u00e3o sobre identidade, sob diferentes perspectivas: nacionais, regionais, fragmentadas e, finalmente, nos sites de redes sociais; finalizo o trabalho com as respostas ao question\u00e1rio que apliquei com usu\u00e1rios do Nordeste.<\/p>\n<p>Fiquei muito feliz que, nesta \u00faltima etapa, encontrei uma solu\u00e7\u00e3o metodol\u00f3gica utilizando a an\u00e1lise de redes. Explico: a minha pergunta principal parte do pressuposto de que h\u00e1 pessoas que acionam essa identidade nos sites de redes sociais, ent\u00e3o, como posso encontr\u00e1-las? Poderia optar por simplesmente selecionar alguns amigos meus e pedir que respondessem ao question\u00e1rio, mas achei que a an\u00e1lise de redes me ofereceria um crit\u00e9rio &#8220;cient\u00edfico&#8221; muito mais v\u00e1lido. <a href=\"https:\/\/insightee.com.br\/blog\/mapeando-o-nordeste-no-facebook-primeiros-apontamentos-com-analise-de-redes-sociais\/\">Aquele trabalho que publiquei aqui no post alguns meses atr\u00e1s, do mapeamento do Nordeste no Facebook<\/a>, portanto, serviu como base para que eu encontrasse as p\u00e1ginas mais &#8220;influentes&#8221; no contexto da minha pesquisa &#8211; a identidade nordestina. Com essa lista em m\u00e3os, utilizei como requisito b\u00e1sico para encontrar usu\u00e1rios aptos a responder o question\u00e1rio.<\/p>\n<p>Enfim, consegui colocar identidade, cultura, representa\u00e7\u00e3o, Nordeste, sites de redes sociais, autoapresenta\u00e7\u00e3o e an\u00e1lise de redes (que <a href=\"https:\/\/insightee.com.br\/blog\/a-minha-saga-com-redes-sociais-ou-por-que-e-importante-compreende-las\/\">por tanto tempo fugi<\/a>) num mesmo trabalho &#8211; e, portanto, repito: n\u00e3o poderia estar mais feliz com o resultado. A vers\u00e3o que trago acima j\u00e1 \u00e9 corrigida ap\u00f3s os apontamentos da banca, na medida do poss\u00edvel. Algumas considera\u00e7\u00f5es mais complexas (e foram muitas, o que me deixou muito animado) eu anotei como ideia para levar ao mestrado, a nova meta de 2018. Acho importante reconhecer, inclusive, uma limita\u00e7\u00e3o do projeto: o question\u00e1rio em vez da entrevista, o que &#8220;limitou&#8221; as respostas dos informantes para averiguar com mais afinco a especificidade dessa constru\u00e7\u00e3o identit\u00e1ria nos sites de redes sociais, como apontou Prof. Dra. Beatriz Polivanov.<\/p>\n<p>Para finalizar, reconhe\u00e7o que n\u00e3o apenas a quest\u00e3o sob a vi\u00e9s dos sites de redes sociais pode ser um campo muito interessante a ser explorado num programa de p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o em comunica\u00e7\u00e3o, mas diversas outras quest\u00f5es como\u00a0estigma, preconceito, estere\u00f3tipo, disputa, orgulho e di\u00e1spora. Dentre as falas da banca, uma das que mais me marcou foi da Prof. Dra. Ana L\u00facia Enne: \u00e9 dif\u00edcil deslocar a identidade quando se ancora na natureza (como \u00e1libi clim\u00e1tico comumente associado ao Norte), pois o significante \u00e9 muito poderoso, o que dificulta destruir o estere\u00f3tipo. Mais dif\u00edcil do que mexer no significado, portanto, \u00e9 disputar o significante. Sobre isso, compartilho o que escrevi nas considera\u00e7\u00f5es finais ap\u00f3s essa considera\u00e7\u00e3o na defesa:<\/p>\n<blockquote><p>Nascido em Salvador, parti para Aracaju com apenas 5 anos e deixei a capital somente aos 17, quando fui para S\u00e3o Paulo e depois para o Rio de Janeiro fazer faculdade. Como qualquer pessoa que sai do Nordeste em dira\u00e7\u00e3o ao Sul, tive que lidar em algum (ou alguns momentos) com a diferencia\u00e7\u00e3o do \u201coutro\u201d, geralmente facilitada pelo conflito de sotaques. Desde ent\u00e3o, a classifica\u00e7\u00e3o \u201cnordestino\u201d atribu\u00edda a mim \u2013 e a outros milh\u00f5es \u2013 sempre foi uma quest\u00e3o que me intrigava. Com as leituras que fiz no curso, a reflex\u00e3o de anos ficou ainda mais complexa e, de certa forma, at\u00e9 mais complicada.<\/p>\n<p>Essa dificuldade de lidar com a quest\u00e3o da autoatribui\u00e7\u00e3o nordestina pairou toda a escrita deste trabalho, uma vez que as reflex\u00f5es sobre o \u201cser nordestino\u201d ap\u00f3s a minha migra\u00e7\u00e3o j\u00e1 trazia uma leitura da identidade nordestina como representada nas obras de arte, como uma condi\u00e7\u00e3o de sofrimento e adversidades. Se o texto parece impessoal, \u00e9 somente devido a essa ang\u00fastia que ainda me agonia. Ao tentar fugir do estere\u00f3tipo, acabo negando-o e, ao mesmo tempo, legitimando-o. Afinal, \u201csou\u201d nordestino, mas nunca passei por dificuldades (estruturais) na vida. Ser\u00e1 que, ent\u00e3o, poderia me identificar enquanto nordestino? Depois de tudo isso, acredito que sim.<\/p><\/blockquote>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No dia 19 de dezembro de 2017, depois de quatro longos anos, apresentei no bloco A do campus Gragoat\u00e1 da Universidade Federal Fluminense o meu trabalho de conclus\u00e3o de curso na gradua\u00e7\u00e3o em Estudos de M\u00eddia. 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