{"id":3353,"date":"2017-04-24T15:58:14","date_gmt":"2017-04-24T18:58:14","guid":{"rendered":"http:\/\/insightee.com.br\/blog\/?p=3353"},"modified":"2017-04-24T15:58:14","modified_gmt":"2017-04-24T18:58:14","slug":"a-minha-saga-com-redes-sociais-ou-por-que-e-importante-compreende-las","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/insightee.com.br\/blog\/a-minha-saga-com-redes-sociais-ou-por-que-e-importante-compreende-las\/","title":{"rendered":"A minha saga com redes sociais (ou por que \u00e9 importante compreend\u00ea-las)"},"content":{"rendered":"<p>Eu sempre tive certo receio em me aprofundar nos conceitos de an\u00e1lise de redes sociais pelo simples motivo que achava que era tecnol\u00f3gico demais para algu\u00e9m que valoriza tanto as humanidades. No \u00faltimo ano, entretanto, principalmente a partir do momento que comecei a trabalhar no IBPAD, tenho buscado rever esse preconceito para estar mais aberto \u00e0s possibilidades e metodologias de pesquisa do universo digital. Nas \u00faltimas semanas, alguns acontecimentos pontuais me colocaram frente a frente com o tema, para que eu superasse de vez meu preconceito e aproveitasse devidamente as riquezas desse m\u00e9todo de pesquisa.<\/p>\n<p>Tudo\u00a0come\u00e7ou quando li pela primeira vez o artigo <a href=\"http:\/\/revistaseletronicas.pucrs.br\/ojs\/index.php\/revistafamecos\/article\/view\/5309\/3879\">&#8220;Diga-me com quem falas e dir-te-ei quem \u00e9s: a conversa\u00e7\u00e3o mediada pelo computador e as redes sociais na internet&#8221;<\/a>, da Raquel Recuero, para uma aula da gradua\u00e7\u00e3o. N\u00e3o \u00e9 o meu primeiro contato com seu trabalho &#8211; j\u00e1 fiz at\u00e9 um <a href=\"https:\/\/insightee.com.br\/blog\/notas-sobre-o-capital-social-em-rede-de-raquel-recuero\/\">post sobre\u00a0um de seus mais famosos artigos sobre sites de redes sociais e capital social<\/a>. Muitas das ideias que ela apresenta no primeiro, de 2009, s\u00e3o atualizadas e &#8220;melhoradas&#8221; no segundo texto, de 2012. No entanto, foi interessante conhecer essa publica\u00e7\u00e3o mais antiga para compreender um pouco do contexto sobre os estudos de sites de redes sociais no Brasil, que t\u00eam hoje a autora como a principal refer\u00eancia acad\u00eamica sobre o assunto. Ou seja, se voc\u00ea vai fazer algum trabalho na gradua\u00e7\u00e3o sobre m\u00eddias sociais, quase obrigatoriamente passar\u00e1 por algum texto da professora.<\/p>\n<p>Depois do lan\u00e7amento do\u00a0livro <a href=\"http:\/\/www.pontomidia.com.br\/raquel\/redes-sociais-na-internet.html\">&#8220;Redes Sociais na internet&#8221;<\/a>, em 2009,\u00a0a obra tornou-se a principal fonte de refer\u00eancia e conhecimento sobre o assunto no Brasil. Poucos anos depois, em 2011, o aclamado <a href=\"http:\/\/www.raquelrecuero.com\/metodos-de-pesquisa-para-internet.html\">&#8220;M\u00e9todos de pesquisa para a internet&#8221;<\/a>, em co-autoria com Adriana Amaral e Suely Fragoso, tamb\u00e9m virou refer\u00eancia &#8211; e aqui \u00e9 preciso elogiar a excel\u00eancia de pesquisa e estudos da Unisinos, universidade com um dos mais preparados polos de estudos sobre novas m\u00eddias no Brasil. A consolida\u00e7\u00e3o do seu nome na academia, gra\u00e7as ao seu excelente trabalho, ocasionou numa import\u00e2ncia e relevante\u00a0discuss\u00e3o sobre os aspectos (tamb\u00e9m ligado a quest\u00f5es de nomenclatura) das conhecidas &#8220;redes sociais&#8221;.\u00a0Desde ent\u00e3o, h\u00e1 uma preocupa\u00e7\u00e3o &#8211; pelo menos da academia, cen\u00e1rio ainda embrion\u00e1rio no mercado &#8211; de passar por essas discuss\u00f5es sobre redes sociais na internet.<\/p>\n<p>E eu entendo isso. A pr\u00f3pria populariza\u00e7\u00e3o e consolida\u00e7\u00e3o da nomenclatura &#8220;redes sociais&#8221; para atribuir plataformas como Facebook, Instagram, Twitter e at\u00e9 o finado Orkut, exige uma criteriosidade acad\u00eamica para colocar as coisas (conceitos, defini\u00e7\u00f5es, etc.) em seus devidos lugares. Gosto muito &#8211; e j\u00e1 citei isso aqui no blog v\u00e1rias vezes &#8211; do trabalho de Beatriz Polivanov no livro (e sua anterior tese de doutorado) <a href=\"http:\/\/editoramultifoco.com.br\/loja\/product\/dinamicas-identitarias\/\">&#8220;Din\u00e2micas identit\u00e1rias em sites de redes sociais&#8221;<\/a>, no qual ela faz um apanhado bibliogr\u00e1fico para contextualizar dois grupos (ou duas correntes) que ela enxerga como tendo relev\u00e2ncia nos atuais estudos sobre internet e cibercultura no Brasil.<\/p>\n<blockquote><p>H\u00e1 uma tens\u00e3o entre os estudiosos que pensam esse fen\u00f4meno [dos sites de redes sociais] sob dois olhares bastante distintos, quais sejam: aquele que defende a ideia de que estaria ocorrendo nesses lugares uma <strong>problem\u00e1tica superexposi\u00e7\u00e3o dos sujeitos<\/strong>, de suas intimidades, relacionadas \u00e0 l\u00f3gica das sociedades de espet\u00e1culo (DEBORD, 2003) da hipervisibilidade e vigil\u00e2ncia constante; e uma segunda perspectiva, \u00e0 qual me afilio, que se interessa pela discuss\u00e3o sobre como se d\u00e3o os <strong>processos de constru\u00e7\u00e3o identit\u00e1ria nesses sites e de intera\u00e7\u00e3o entre os atores sociais<\/strong>, que formam la\u00e7os sociais entre si, focando primordialmente os modos atrav\u00e9s dos quais se d\u00e1 essa constru\u00e7\u00e3o e a rela\u00e7\u00e3o do eu com o outro. (POLIVANOV, 2012, pg. 30\/31)<\/p><\/blockquote>\n<p>Segundo ela, o primeiro grupo seria composto por autores como Paula Sib\u00edlia (show do eu), Eug\u00eanio Trivinho (melancolia do \u00fanico), C\u00edntia Dal (apareSer), Lauren Colvara (ilus\u00e3o da sociabilidade) e Fernanda Bruno (autovigil\u00e2ncia). O segundo grupo tamb\u00e9m se preocupa com quest\u00f5es mais amplas, como identidade e sociabilidade, por\u00e9m sob outras perspectivas:\u00a0<em>&#8220;discutindo as diversas estrat\u00e9gias e modos atrav\u00e9s dos quais os interagentes constroem seus perfis nos SRSs, como o gerenciamento da impress\u00e3o (impression management) e performance da amizade (friendship performance)&#8221;<\/em> (POLIVANOV, 2012, pg. 31), dentre outros aspectos. Neste grupo, encontram-se danah boyd e Nicole Ellison, Daniel Miller, Judith Donath,\u00a0Artur Matuck e Arthur Meucci, Alan Mocellim, Sonia Livingstone, apenas para citar alguns.<\/p>\n<p>O que acontece: nessa segunda &#8220;corrente&#8221;, a qual tenho mais simpatia, as duas tem\u00e1ticas-pilares s\u00e3o intera\u00e7\u00e3o e identidade (perceba como performance se encaixa no meio, por isso n\u00e3o a destaquei). Como, na faculdade, fui um aluno que desenvolveu muito interesse pelas quest\u00f5es de identidade (e, \u00f3bvio, por consequ\u00eancia, representa\u00e7\u00e3o e performance), sempre fiquei um pouco incomodado com a relev\u00e2ncia dada \u00e0 estrutura dos sites de redes sociais (e suas intera\u00e7\u00f5es) a partir principalmente do trabalho de Raquel Recuero. Isso porque, como citei anteriormente, seu trabalho se tornou a principal refer\u00eancia no Brasil. E aqui eu enfatizo que n\u00e3o quero <strong>DE FORMA ALGUMA<\/strong> menosprezar seu conhecimento enquanto pesquisadora. \u00c9 simplesmente uma quest\u00e3o &#8211; literalmente, talvez &#8211; de gosto.<\/p>\n<p>Porque uma coisa que os professores n\u00e3o te explicam na faculdade \u00e9 que a verdade que eles pregam na aula n\u00e3o \u00e9 absoluta, mas bem delimitada e extremamente contextualizada &#8211; principalmente (e deixo uma brecha em aberto porque n\u00e3o tenho experi\u00eancia pra falar de exatas) nas humanidades. Ou seja, a partir do momento que voc\u00ea escolhe uma disciplina, voc\u00ea est\u00e1 aceitando tomar como refer\u00eancia conceitos, teorias e autores que dialogam entre si sobre determinada tem\u00e1tica &#8211; n\u00e3o quer dizer que voc\u00ea tenha que aceitar, pode (e at\u00e9 deve) contestar algumas coisas, mas \u00e9 daquele referencial que voc\u00ea deve partir seguindo adiante. \u00c9 um pouco do que a pr\u00f3pria Beatriz Polivanov faz em seu livro, a partir do levantamento que citei.<\/p>\n<p>A minha quest\u00e3o \u00e9: uma vez\u00a0que Recuero tornou-se o principal nome associado \u00e0 pesquisa de\/em sites de redes sociais no Brasil, consolidou-se um foco muito grande nas quest\u00f5es interacionais dos ambientes de sociabilidade digital. N\u00e3o que isso esteja errado ou n\u00e3o seja assim tamb\u00e9m l\u00e1 fora &#8211; a pr\u00f3pria defini\u00e7\u00e3o inicial, de 2007, e mundialmente conhecida de danah boyd e Nicole Ellison alertam para os aspectos estruturais das redes: &#8220;aqueles sistemas que permitem:\u00a0i) a constru\u00e7\u00e3o de uma persona atrav\u00e9s de um perfil ou p\u00e1gina pessoal; ii) a intera\u00e7\u00e3o atrav\u00e9s de coment\u00e1rios e iii) a exposi\u00e7\u00e3o p\u00fablica da rede social de cada ator&#8221; (RECUERO, 2009). Na <a href=\"http:\/\/tarciziosilva.com.br\/blog\/quatro-aspectos-dos-sites-de-redes-sociais\/\">atualiza\u00e7\u00e3o da defini\u00e7\u00e3o<\/a>, em 2011, ainda havia bastante foco nos aspectos estruturais:\u00a0cria\u00e7\u00e3o de um perfil p\u00fablico ou semi-p\u00fablico, lista de amigos (rede de contatos), produ\u00e7\u00e3o de conte\u00fado e <em>stream based updates<\/em>.<\/p>\n<blockquote><p>Recuero destaca que os dois grandes elementos que constituem as redes sociais seriam: 1) os atores, ou seja, as pessoas envolvidas na rede em quest\u00e3o e 2) as conex\u00f5es, constitu\u00eddas pelos la\u00e7os sociais \u201cque, por sua vez, s\u00e3o formados atrav\u00e9s da intera\u00e7\u00e3o social entre os atores\u201d. A autora ressalta que as conex\u00f5es em uma rede s\u00e3o, de certo modo, \u201co principal foco do estudo das redes sociais, pois \u00e9 sua varia\u00e7\u00e3o que altera as estruturas desses grupos\u201d (2009, p. 30) e que a maneira de analisar e entender essas conex\u00f5es \u00e9 prestando aten\u00e7\u00e3o aos rastros que s\u00e3o deixa- dos nos SRSs, isto \u00e9, \u00e0s mensagens, por exemplo, que s\u00e3o deixadas pelos atores sociais nesses lugares (e que na maioria das vezes n\u00e3o s\u00e3o apagadas), sendo que essas mensagens devem ser entendidas neste ponto como qualquer tipo de material que \u00e9 compartilhado e comunicado numa intera\u00e7\u00e3o social, e n\u00e3o apenas no sentido das mensagens textuais que s\u00e3o deixadas nos sites, como os scraps (recados) no Orkut. (POLIVANOV, 2014, pg. 36)<\/p><\/blockquote>\n<p>Tanto no artigo em quest\u00e3o quanto nesse resumo feito por Polivanov \u00e9 poss\u00edvel perceber o valor que a autora d\u00e1 \u00e0s quest\u00f5es interacionais dos sites de redes sociais. E eu finalmente pude compreender o motivo gra\u00e7as a uma nota de rodap\u00e9 do artigo: sua forma\u00e7\u00e3o inicial \u00e9 em Letras. Ou seja, \u00e9 absolutamente compreens\u00edvel a sua preocupa\u00e7\u00e3o em lidar, compreender, analisar e estudar os aspectos relacionados \u00e0 conversa\u00e7\u00e3o (intera\u00e7\u00f5es) nos sites de redes sociais. No pr\u00f3prio artigo em quest\u00e3o ela traz metodologias relacionadas \u00e0 disciplina da An\u00e1lise da Conversa\u00e7\u00e3o cujo &#8220;foco era na compreens\u00e3o da estrutura da comunica\u00e7\u00e3o estabelecida entre os atores sociais durante o processo de constru\u00e7\u00e3o de um discurso&#8221; (RECUERO, 2009, pg. 119). Percebe como as coisas se encaixam?<\/p>\n<p>O meu problema com a ARS, portanto, talvez fosse bem mais uma esp\u00e9cie de &#8220;recalque&#8221; inocente\u00a0do que uma cr\u00edtica embasada de fato. Apenas porque, como algu\u00e9m mais interessado nas quest\u00f5es de identidade, performance e representa\u00e7\u00e3o, via na populariza\u00e7\u00e3o dessa metodologia de pesquisa certo esquecimento desses aspectos. O que, na pr\u00e1tica, \u00e9 um mito. A pr\u00f3pria Raquel Recuero escreveu o cap\u00edtulo <em>&#8220;M\u00e9todos mistos: combinando etnografia e an\u00e1lise de redes sociais em estudos de m\u00eddia social&#8221;<\/em> para o livro <a href=\"https:\/\/insightee.com.br\/blog\/etnografia-e-consumo-midiatico-novas-tendencias-e-desafios-metodologicos\/\">Etnografia e consumo midi\u00e1tico<\/a>, onde prop\u00f5e possibilidades de mesclas dessas abordagens. Enfim, o meu preconceito n\u00e3o passava disso: um preconceito. E eu dei a cara \u00e0 tapa quando, num segundo momento, tive acesso ao curso online de An\u00e1lise de Redes Sociais do IBPAD.<\/p>\n<p>Ser\u00e1 lan\u00e7ado em meados de maio, mas tive acesso como usu\u00e1rio beta para testar algumas funcionalidades. \u00c9 o segundo curso online do instituto, que j\u00e1 tem dispon\u00edvel o\u00a0<a href=\"http:\/\/www.ibpad.com.br\/produto\/etnografia-em-midias-sociais-online\/\">Etnografia em M\u00eddias Sociais<\/a> e est\u00e1 produzindo outros dois de m\u00e9tricas e monitoramento. No mercado brasileiro, o IBPAD tem sido uma das principais vozes &#8211; talvez a principal &#8211; a promover a import\u00e2ncia da an\u00e1lise de redes. Isso porque tem em sua ess\u00eancia uma rela\u00e7\u00e3o bastante \u00edntima com o conhecimento cient\u00edfico,\u00a0sendo parceiros de Universidades e centros de pesquisa, <em>&#8220;pois acreditamos que a academia \u00e9 fundamental para endossar e colaborar com o desenvolvimento das metodologias de trabalho e ensino do Instituto&#8221;<\/em>.\u00a0Com <a href=\"http:\/\/www.ibpad.com.br\/publicacoes\/whitepapers\/iniciacao-a-redes-conceitos-essenciais-e-principais-ideias\/\">guias<\/a>, <a href=\"https:\/\/www.slideshare.net\/IBPAD\/instalao-do-gephi-091\">tutoriais<\/a>, <a href=\"http:\/\/www.ibpad.com.br\/publicacoes\/livro\/monitoramento-e-pesquisa-em-midias-sociais-metodologias-aplicacoes-e-inovacoes\/\">cap\u00edtulos de livro<\/a> e <a href=\"http:\/\/www.ibpad.com.br\/blog\/\">diversas outras produ\u00e7\u00f5es<\/a>, o curso v\u00eam como a cereja do bolo.<\/p>\n<p>E ele veio no melhor momento poss\u00edvel. Eu, que j\u00e1 havia sido ativado pela recente leitura do artigo sobre conversa\u00e7\u00e3o online, estava mais do que aberto a debater sobre o assunto. A primeira coisa que o conte\u00fado me ofereceu, portanto, foi a quebra do meu preconceito e da percep\u00e7\u00e3o de que o tema era demasiadamente tecnol\u00f3gico e pouco humano para o meu gosto. Isso porque quase todo o primeiro m\u00f3dulo \u00e9 dedicado a uma contextualiza\u00e7\u00e3o te\u00f3rica e hist\u00f3rica da teoria de redes, muito anterior \u00e0 an\u00e1lise de redes sociais para internet que conhecemos hoje.\u00a0Para se ter uma ideia, o debate sobre redes engloba diferentes disciplinas como F\u00edsica, Biologia, Psicologia, Administra\u00e7\u00e3o, Geografia, Sociologia e Antropologia.<\/p>\n<blockquote><p>&#8220;Todos estes exemplos v\u00eam de ci\u00eancias e disciplinas diferentes, com referenciais te\u00f3ricos e objetivos bem variados. O que eles t\u00eam em comum? Todos eles v\u00eam a rede como artif\u00edcio cognitivo e cient\u00edfico que permite entender\u00a0proximidades, similaridades, diferen\u00e7as, conjuntos e processos de um modo muito particular.\u00a0A rede transforma a complexidade em algo manej\u00e1vel cognitivamente e permite represent\u00e1-la em visualiza\u00e7\u00f5es quase intuitivas.&#8221;<\/p>\n<p>Tarc\u00edzio Silva<\/p><\/blockquote>\n<p>Embora o curso entre em diversos exemplos dessa diversidades dos estudos de redes (justamente para mostrar a sua relev\u00e2ncia enquanto conhecimento cient\u00edfico), n\u00e3o vou me estender muito sobre esse aspecto &#8211; at\u00e9 porque n\u00e3o tenho repert\u00f3rio para tal. Chamo \u00e0 aten\u00e7\u00e3o, apenas, que \u00e9 o foco do nome da disciplina e tamb\u00e9m o foco da minha quebra de preconceito, para as redes sociais. Este fen\u00f4meno \u00e9 muito anterior ao que conhecemos hoje como redes sociais (ou m\u00eddias sociais),\u00a0datando desde o in\u00edcio do s\u00e9culo 20, com estudos do soci\u00f3logo Georg Simmel &#8211; apenas um dos v\u00e1rios pensadores, dentre economistas, psic\u00f3logos, dentre outros. E \u00e9 compreens\u00edvel que seja uma preocupa\u00e7\u00e3o de pensadores do s\u00e9culo 20, momento hist\u00f3rico onde as rela\u00e7\u00f5es humanas mais se entrela\u00e7aram intensamente.<\/p>\n<p>O primeiro estudioso a de fato publicar algum projeto de pesquisa sobre redes foi Jacob Moreno, com o experimento Dining Table. Mas o trabalho mais famoso e que mais me chamou aten\u00e7\u00e3o foi o do conhecido Stanley Milgram, na d\u00e9cada de 60, sobre a ideia de mundo pequeno. Foi nesse projeto que surgiu a famosa\u00a0Teoria dos seis graus de separa\u00e7\u00e3o, argumentando que <a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Teoria_dos_seis_graus_de_separa%C3%A7%C3%A3o\">&#8220;no mundo, s\u00e3o necess\u00e1rios no m\u00e1ximo seis la\u00e7os de amizade para que duas pessoas quaisquer estejam ligadas&#8221;<\/a>. \u00c9 evidente que podemos complexificar essa teoria e tensionar, por exemplo, que o estudo foi feito nos Estados Unidos, um dos pa\u00edses com maior fluxo de conex\u00f5es (f\u00edsicas ou tecnol\u00f3gicas) do mundo. De qualquer forma, o que me interessa aqui n\u00e3o \u00e9 a acuracidade da metodologia, mas a simples de ideia que estamos h\u00e1 de\u00b4cadas nos tornando cada vez mais conectados.<\/p>\n<p>O Facebook, o maior site de rede social do mundo atualmente, tamb\u00e9m j\u00e1 fez uma pesquisa parecida. Em 2015, atribu\u00edram\u00a05 graus de separa\u00e7\u00e3o para todos os usu\u00e1rios da plataforma e 4 para apenas pessoas dos Estados Unidos. No ano passado, esse n\u00famero diminuiu: agora s\u00e3o apenas cerca de <a href=\"https:\/\/research.fb.com\/three-and-a-half-degrees-of-separation\/\">3.57 passos<\/a> entre\u00a0todas as pessoas do mundo no site. Eu n\u00e3o sei para voc\u00ea, mas, para mim, parece-me um n\u00famero bastante significativo. Embora o argumento da hiperconex\u00e3o (n\u00e3o apenas entre atores, mas tamb\u00e9m para o mundo online) seja praticamente un\u00e2nime e predominante, tudo isso me fez pensar o quanto &#8211; de fato &#8211; estamos conectados. E o quanto essas conex\u00f5es, embora boa parte sejam &#8220;sustentadas&#8221; pela plataforma, s\u00e3o frutos de rastros sociais digitais &#8211; ou seja, em algum momento, houve interven\u00e7\u00e3o humana.<\/p>\n<p>Se o cen\u00e1rio de Jacob Moreno e Stanley Milgram j\u00e1 eram suficientes para tentar compreender as redes sociais daquela \u00e9poca, o atual contexto da internet &#8211; principalmente com as m\u00eddias sociais &#8211; fornece um campo de pesquisa extenso e riqu\u00edssimo para se analisar, cognitivamente, como as pessoas se articulam online. Com a libera\u00e7\u00e3o do chamado &#8220;p\u00f3lo de emiss\u00e3o&#8221; (argumento de Andr\u00e9 Lemos), viramos todos, com a web 2.0, m\u00eddia. Somos n\u00f3s quem fazemos a internet ser o que ela \u00e9 hoje. As plataformas s\u00e3o importantes, podem coagir certa maneira de atua\u00e7\u00e3o ou serem apropriadas conforme releitura dos usu\u00e1rios, mas s\u00e3o estes que justamente produzem e consomem o que vivemos nos dias de hoje. Faz mais do que sentido, portanto, sermos capazes de compreender, analisar e estudar esses fen\u00f4menos sint\u00e1xicos.<\/p>\n<p>Antes de finalizar, deixo um adendo: essa revolu\u00e7\u00e3o da web 2.0 n\u00e3o &#8211; de forma alguma! &#8211; diminuiu a centralidade, relev\u00e2ncia e influ\u00eancia de certos centros de informa\u00e7\u00e3o anteriores a ela. O que percebemos hoje \u00e9 que, na internet, temos hubs interacionais e informacionais, ou seja, atores com grande poder de propaga\u00e7\u00e3o em um grupo &#8211; mas cuja soberanidade n\u00e3o \u00e9 mais fixa ou \u00fanica, disputando aten\u00e7\u00e3o com outros grandes e outros menores atores. Para essa discuss\u00e3o, vale a pena dar uma olhada no artigo que j\u00e1 resenhei aqui no blog de Raquel Recuero e no artigo <a href=\"https:\/\/revistas.pucsp.br\/index.php\/galaxia\/article\/view\/5336\">&#8220;A for\u00e7a dos &#8216;la\u00e7os fracos&#8217; de Mark Granovetter no ambiente do ciberespa\u00e7o&#8221;<\/a>, de Dora Kaufman. Granovetter foi outro grande estudioso que contribuiu e hoje influencia bastante do debate sobre an\u00e1lise de redes sociais na internet.<\/p>\n<p>Enfim, j\u00e1 \u00e9 muito evidente para mim o valor de, principalmente na sociedade em que vivemos hoje, compreender alguns conceitos b\u00e1sicos sobre redes. Sendo algu\u00e9m que trabalha com internet, ainda mais; sendo algu\u00e9m que tem interesse por pesquisa acad\u00eamica, mais um pouco; sendo algu\u00e9m que aspira fazer pesquisa acad\u00eamica na internet com foco em m\u00eddias sociais, ent\u00e3o&#8230; Deixo o documento abaixo,\u00a0<a href=\"https:\/\/sites.google.com\/a\/binghamton.edu\/netscied\/teaching-learning\/network-concepts\">Network Literacy: Essential Concepts and Core Ideas<\/a>, produzido pelo\u00a0NetSciEd \u2013 Network Science Education e traduzido em portugu\u00eas pelo Instituto Brasileiro de Pesquisa e An\u00e1lise de Dados para concluir o meu argumento. Se estiver com pregui\u00e7a, pode pular para a p\u00e1gina 3 &#8211; j\u00e1 ser\u00e1 o suficiente para compreender o valor das redes atualmente.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><iframe loading=\"lazy\" style=\"border: 1px solid #CCC; border-width: 1px; margin-bottom: 5px; max-width: 100%;\" src=\"\/\/www.slideshare.net\/slideshow\/embed_code\/key\/xSxGUVU8tGqICf\" width=\"668\" height=\"714\" frameborder=\"0\" marginwidth=\"0\" marginheight=\"0\" scrolling=\"no\" allowfullscreen=\"allowfullscreen\"> <\/iframe><\/p>\n<p><strong>Refer\u00eancias bibliogr\u00e1ficas<\/strong><\/p>\n<p>POLIVANOV, Beatriz. Din\u00e2micas identit\u00e1rias em sites de redes sociais: Estudo com participantes de cenas de m\u00fasica eletr\u00f4nica no Facebook. Rio de Janeiro, 2014.<\/p>\n<p>RECUERO, Raquel.\u00a0Diga-me com quem falas e dir-te-ei quem \u00e9s: a conversa\u00e7\u00e3o mediada pelo computador e as redes sociais na internet. Revista Famecos. Porto Alegre, 2009.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Eu sempre tive certo receio em me aprofundar nos conceitos de an\u00e1lise de redes sociais pelo simples motivo que achava que era tecnol\u00f3gico demais para algu\u00e9m que valoriza tanto as humanidades. No \u00faltimo ano, entretanto, principalmente a partir do momento que comecei a trabalhar no IBPAD, tenho buscado rever esse preconceito para estar mais aberto [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":3373,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[10],"tags":[],"class_list":["post-3353","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-opiniao"],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v27.3 - https:\/\/yoast.com\/product\/yoast-seo-wordpress\/ -->\n<title>A minha saga com redes sociais (ou por que \u00e9 importante compreend\u00ea-las) &#8211; insightee<\/title>\n<meta name=\"description\" content=\"Observar o mundo e, principalmente, as rela\u00e7\u00f5es sociais em rede(s) \u00e9 uma das realidades mais congruentes com a sociedade contempor\u00e2nea.\" \/>\n<meta name=\"robots\" content=\"index, follow, max-snippet:-1, max-image-preview:large, max-video-preview:-1\" \/>\n<link rel=\"canonical\" href=\"https:\/\/insightee.com.br\/blog\/a-minha-saga-com-redes-sociais-ou-por-que-e-importante-compreende-las\/\" \/>\n<meta property=\"og:locale\" content=\"pt_BR\" \/>\n<meta property=\"og:type\" content=\"article\" \/>\n<meta property=\"og:title\" content=\"A minha saga com redes sociais (ou por que \u00e9 importante compreend\u00ea-las) &#8211; 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