{"id":2473,"date":"2016-11-02T17:18:58","date_gmt":"2016-11-02T19:18:58","guid":{"rendered":"http:\/\/insightee.com.br\/blog\/?p=2473"},"modified":"2016-12-27T16:22:15","modified_gmt":"2016-12-27T18:22:15","slug":"etnografia-e-consumo-midiatico-novas-tendencias-e-desafios-metodologicos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/insightee.com.br\/blog\/etnografia-e-consumo-midiatico-novas-tendencias-e-desafios-metodologicos\/","title":{"rendered":"Etnografia e consumo midi\u00e1tico: novas tend\u00eancias e desafios metodol\u00f3gicos"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"http:\/\/www.e-papers.com.br\/produtos.asp?codigo_produto=2780&amp;promo=121\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignright size-medium wp-image-2479\" src=\"https:\/\/insightee.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2016\/11\/etnografia-consumo-209x300.png\" alt=\"etnografia-consumo\" width=\"209\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/insightee.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2016\/11\/etnografia-consumo-209x300.png 209w, https:\/\/insightee.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2016\/11\/etnografia-consumo.png 418w\" sizes=\"auto, (max-width: 209px) 100vw, 209px\" \/><\/a>Foi lan\u00e7ado na semana passada, dia 25 de outubro, o livro <a href=\"http:\/\/www.e-papers.com.br\/produtos.asp?codigo_produto=2780&amp;promo=121\" target=\"_blank\"><strong>&#8220;Etnografia e consumo midi\u00e1tico: novas tend\u00eancias e desafios metodol\u00f3gicos&#8221;<\/strong><\/a>, organizado por Carla Barros e Bruno Campanella, ambos professores\u00a0do PPGCOM e do Departamento de Estudos Culturais e M\u00eddia da Universidade Federal Fluminense. A colet\u00e2nea re\u00fane textos de palestrantes que participaram, em setembro de 2015, do\u00a0<a href=\"https:\/\/seminarioiecm.wordpress.com\/\" target=\"_blank\">Semin\u00e1rio Internacional Etnografia e Consumo Midi\u00e1tico: Novas Tend\u00eancias e Desafios Metodol\u00f3gicos<\/a>, e\u00a0de outros autores com reconhecido interesse em discuss\u00f5es metodol\u00f3gicas relacionadas \u00e0 pesquisa contempor\u00e2nea de consumo midi\u00e1tico &#8211; dando, assim, continuidade aos debates iniciados naquele momento e expandindo algumas quest\u00f5es importantes ainda n\u00e3o trabalhadas.<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Os textos apresentados na presente colet\u00e2nea s\u00e3o atravessados por reflex\u00f5es acerca dessa crescente complexifica\u00e7\u00e3o das pr\u00e1ticas de consumo midi\u00e1tico, assim como das formas de estud\u00e1-lo que tomam como ponto de partida as abordagens etnogr\u00e1ficas. [&#8230;]\u00a0Com o objetivo de enriquecer ainda mais o debate, a colet\u00e2nea tamb\u00e9m traz propostas de abordagens metodol\u00f3gicas alternativas capazes de complementar a etnografia. Em suma, o livro busca lan\u00e7ar luz sobre os desafios, oportunidades e dificuldades da abordagem etnogr\u00e1fica na pesquisa dos meios de comunica\u00e7\u00e3o, em especial a internet.&#8221;<\/p>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">As minhas motiva\u00e7\u00f5es para adquirir o livro foram tr\u00eas: 1) a organiza\u00e7\u00e3o realizada por dois professores cujo trabalho eu admiro muito <del>(e gostaria que eles dessem mais aula para a gradua\u00e7\u00e3o, caso venham a ler este post)<\/del>; 2) o assunto etnografia para pesquisa na internet (e em m\u00eddias ou sites de redes sociais), um <a href=\"https:\/\/insightee.com.br\/blog\/o-que-aprendi-no-curso-etnografia-em-midias-sociais-do-ibpad\/\" target=\"_blank\">debate que muito me interessa<\/a> tanto acad\u00eamica quanto profissionalmente; e, 3) a colabora\u00e7\u00e3o de Christine Hine, autora que conheci recentemente e que preciso ler mais, de Raquel Recuero, que fez uma proposta interessante para o cap\u00edtulo que desenvolveu, e de Beatriz Polivanov, tamb\u00e9m professora do Departamento de Estudos Culturais e M\u00eddias (curso de Estudos de M\u00eddia) cuja pesquisa eu <a href=\"https:\/\/insightee.com.br\/blog\/?s=polivanov&amp;submit=Pesquisar\" target=\"_blank\">j\u00e1 citei aqui no blog<\/a> algumas vezes, com Deborah Santos. Para minha felicidade, ainda fui positivamente surpreendido por textos bem interessantes de outros autores\/pesquisadores que n\u00e3o conhecia, superando as minhas expectativas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A come\u00e7ar pela <strong>Introdu\u00e7\u00e3o<\/strong> escrita pelos organizadores do livro, onde eles reconhecem as transforma\u00e7\u00f5es sociais e tecnol\u00f3gicas que <em>&#8220;criaram oportunidades e desafios na pesquisa da articula\u00e7\u00e3o entre meios de comunica\u00e7\u00e3o e cultura&#8221;<\/em>, para ent\u00e3o desenvolver uma breve &#8211; e importante, principalmente para leitores pouco habituados com as discuss\u00f5es da abordagem etnogr\u00e1fica para a internet, como eu &#8211; historiciza\u00e7\u00e3o do fen\u00f4meno do consumo midi\u00e1tico (&#8220;enquanto um sistema de valores&#8221;) e, principalmente, da constitui\u00e7\u00e3o da etnografia na disciplina antropol\u00f3gica. Nesse contexto, ainda elucida a &#8220;evolu\u00e7\u00e3o&#8221; dos estudos de comunica\u00e7\u00e3o mediada por novas tecnologias, posicionando-se criticamente a algumas leituras que, sob uma nova perspectiva, aparenta ser um pouco inadequada. Ainda assim, abrindo terreno para as contribui\u00e7\u00f5es (e discuss\u00f5es) dos colaboradores, reitera:<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;N\u00e3o se compartilha a mesma concep\u00e7\u00e3o do que seja a pesquisa realizada no \u00e2mbito da internet. Enquanto que para alguns autores a etnografia aparece como uma conjun\u00e7\u00e3o de t\u00e9cnicas espec\u00edficas \u2013 primordialmente, a observa\u00e7\u00e3o participante com a entrevista em profundidade \u2013 para outros ela n\u00e3o pode ser reduzida a um conjunto de t\u00e9cnicas, pois sua import\u00e2ncia reside no fato de ela ser propriamente uma abordagem. A proposi\u00e7\u00e3o de polissemia nas mensagens midi\u00e1ticas encontrada nos estudos de recep\u00e7\u00e3o, especificamente, facilitou uma maior ades\u00e3o \u00e0s pesquisas de abordagem etnogr\u00e1fica. No entanto, nem todas as pesquisas autointituladas como de \u201crecep\u00e7\u00e3o\u201d atendiam aos princ\u00edpios da etnografia, como a imers\u00e3o prolongada em campo e a compreens\u00e3o do contexto sociocultural mais amplo no qual as pr\u00e1ticas midi\u00e1ticas estavam inseridas.&#8221;<\/p>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">No cap\u00edtulo <strong>&#8220;Estrat\u00e9gias para etnografia da internet em estudos de m\u00eddia&#8221;<\/strong>, Christine Hine apresenta algumas estrat\u00e9gias para a condu\u00e7\u00e3o de estudos etnogr\u00e1ficos da m\u00eddia na era digital. Para isso, ela introduz os novos contextos de formas de sociabilidade na internet (relacionando com a &#8220;prolifera\u00e7\u00e3o de rastros do consumo midi\u00e1tico&#8221;) e retoma a discuss\u00e3o das fronteiras entre o on-line e o off-line, tanto sob a perspectiva do usu\u00e1rios quanto sob a perspectiva dos etn\u00f3grafos &#8211; e, consequentemente, seus desafios. Antes de entrar nessas quest\u00f5es, acho interessante compartilhar algumas considera\u00e7\u00f5es feitas pela autora sobre o papel do etn\u00f3grafo, principalmente levando em conta aqueles &#8220;novatos&#8221; na \u00e1rea:<\/p>\n<ul>\n<li style=\"text-align: justify;\">&#8220;[O etn\u00f3grafo] procura alcan\u00e7ar um profundo engajamento com os detalhes confusos contidos naquilo que as pessoas realmente fazem com a m\u00eddia na pr\u00e1tica&#8221;;<\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\">&#8220;seus interesses v\u00e3o al\u00e9m de momentos de engajamento entre pessoas pr\u00e9-selecionadas individualmente e textos midi\u00e1ticos espec\u00edficos&#8221;;<\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\">&#8220;o significado reside n\u00e3o no texto propriamente dito, mas em uma gama de rela\u00e7\u00f5es sociais\u00a0que antecedem e, ao mesmo tempo, resultam daqueles momentos de engajamento com o texto&#8221;.<\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify;\">Feita essa introdu\u00e7\u00e3o do contexto e da pesquisa\/do pesquisador, ela apresenta o que chama de qualidades da internet nos dias atuais para discutir\u00a0<em>&#8220;tr\u00eas tipos de estrat\u00e9gias que ajudam um etn\u00f3grafo a lidar com essas qualidades: abordagens m\u00f3veis, multilocalizadas e conectivas ao campo; mapeamento, visualiza\u00e7\u00e3o e associa\u00e7\u00e3o; e uso dos insights autoetnogr\u00e1ficos a fim de maximizar a compreens\u00e3o da internet como um fen\u00f4meno sensorial&#8221;<\/em>. Antes, no entanto, ela apresenta uma discuss\u00e3o conhecida de seu trabalho, sobre a internet incorporada, corporificada, cotidiana (embedded, embodied and everyday) &#8211; na qual argumenta que n\u00e3o falamos mais em &#8220;ficar on-line&#8221;, mas vivemos online, incorporamos a internet em <em>&#8220;em m\u00faltiplas estruturas de constru\u00e7\u00e3o de significado&#8221;<\/em>. Diz ela:<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Qualquer fragmento individual dos dados derivados da internet \u00e9, por isso, pass\u00edvel de ser interpretado de uma s\u00e9rie de formas, dependendo dos contextos em que se incorpora e adquire significado [&#8230;]. Isso apresenta desafios metodol\u00f3gicos significativos para um etn\u00f3grafo que deseja descobrir o significado de determinado aspecto da internet para um grupo espec\u00edfico de pessoas. Podemos come\u00e7ar com um foco particular ou uma quest\u00e3o intrigante em mente, mas a imprevisibilidade e car\u00e1ter escorregadio dessa internet incorporada, corporificada e cotidiana torna muito dif\u00edcil resolver onde ir para encontrar as respostas e como trazer quest\u00f5es interessantes \u00e0 luz.&#8221;<\/p>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">Hine argumenta que, para que o etn\u00f3grafo\u00a0<em>&#8220;desenvolva insights e teste teorias em desenvolvimento atrav\u00e9s da intera\u00e7\u00e3o&#8221;<\/em>, seu trabalho n\u00e3o deve ser distante, como um observador que apenas coleta e processa dados de ambientes virtuais, mas participante e engajado com seu foco de pesquisa. <em>&#8220;Ser ativo no ambiente permite que o etn\u00f3grafo aprenda com a imers\u00e3o e o questionamento criterioso que encoraja as pessoas a refletirem, em voz alta, sobre suas experi\u00eancias&#8221;<\/em>, argumenta. \u00c0 diante, apresenta como as caracter\u00edsticas da internet nos dias atuais pode ser apropriada estrategicamente por pesquisadores para dar conta dos desafios e oportunidades que s\u00e3o enfrentados no trabalho etnogr\u00e1fico. Pensando a &#8220;volatilidade&#8221; dos grupos sociais online, a massividade de dados \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o e os processos sensoriais da internet, ela apresenta as seguintes perspectivas:<\/p>\n<ul>\n<li style=\"text-align: justify;\"><strong>Multilocalizada, m\u00f3vel e conectiva:<\/strong>\u00a0o campo de pesquisa \u00e9 uma constru\u00e7\u00e3o arbitr\u00e1ria, pr\u00e9-existente, <em>&#8220;constru\u00eddo a partir de uma rede complexa e contingente de interconex\u00f5es poss\u00edveis entre diferentes localidades, e estendida em diversas m\u00eddias e formas de intera\u00e7\u00e3o&#8221;<\/em>; logo, <em>&#8220;podemos esperar que o etn\u00f3grafo aceite a responsabilidade por construir um estudo que se encaixe em um conjunto particular de interesses estrat\u00e9gicos [para pensar novas comunidades virtuais].&#8221;<\/em><\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\"><strong>Mapeando, visualizando e associando:<\/strong>\u00a0uma das principais dificuldades enfrentadas pela etnografia na internet \u00e9 a abund\u00e2ncia de dados; al\u00e9m de delimitar os estudos numa localidade e num per\u00edodo de tempo espec\u00edficos, a autora prop\u00f5e defende que <em>&#8220;uma visualiza\u00e7\u00e3o ou mapeamento de atividades on-line pode ser muito \u00fatil no direcionamento da aten\u00e7\u00e3o do etn\u00f3grafo para locais de interesse, utilizando t\u00e9cnicas de associa\u00e7\u00e3o para realizar a &#8216;topografia de campo&#8217; antes de decidir no que focar em profundidade&#8221;<\/em>.<\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\"><strong>Percebendo, sentindo e refletindo:<\/strong>\u00a0uma vez que a experi\u00eancia da internet \u00e9 um processo bastante individual, o etn\u00f3grafo precisa reconhecer as limita\u00e7\u00f5es subjetivas da compreens\u00e3o das diferentes experi\u00eancias dos indiv\u00edduos, no entanto, \u00e9 poss\u00edvel <em>&#8220;tirar vantagem da nossa imers\u00e3o no campo para refletir sobre o que cont\u00e9m e o que possibilita seus movimentos particulares e suas formas de compreens\u00e3o&#8221;<\/em>, enfrentando <em>&#8220;qualquer tend\u00eancia residual que tenhamos para tratar o campo como se simplesmente o tiv\u00e9ssemos encontrado e descrito como ele era&#8221;<\/em>.<\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na conclus\u00e3o, admite (e reitera) as dificuldades e os desafios que a pr\u00e1tica etnogr\u00e1fica enfrenta e continuar\u00e1 enfrentando com o desenvolvimento das novas tecnologias. Afirma que <em>&#8220;n\u00e3o ser\u00e1 imposs\u00edvel,\u00a0mas envolver\u00e1 um esfor\u00e7o maior na obten\u00e7\u00e3o de dados, construindo e desenvolvendo rela\u00e7\u00f5es de confian\u00e7a com os participantes-chave a partir de pr\u00e1ticas reminiscentes das etnografias dos tempos pr\u00e9-internet&#8221;<\/em>. Nesse sentido, compreende que <em>&#8220;novas formas de etnografia realizadas tecnologicamente ir\u00e3o inevitavelmente continuar a emergir mas, espero, continuar\u00e3o em di\u00e1logo com os princ\u00edpios estabelecidos do etn\u00f3grafo como uma forma de produ\u00e7\u00e3o de conhecimento aprofundada, imersiva e criticamente engajada&#8221;<\/em>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O cap\u00edtulo <strong>&#8220;M\u00e9todos mistos: combinando etnografia e an\u00e1lise de redes sociais em estudos de m\u00eddia social&#8221;<\/strong>, de Raquel Recuero,\u00a0\u00e9 bem interessante pois discute a aproxima\u00e7\u00e3o (ou melhor, combina\u00e7\u00e3o) de duas abordagens essencialmente distintas para o estudo de objetos decorrentes de m\u00eddias sociais, levantando tamb\u00e9m as vantagens e desvantagens desses m\u00e9todos mistos. Ao introduzir a an\u00e1lise de redes sociais (ARS), a autora destaca a populariza\u00e7\u00e3o dessa abordagem no campo dos estudos de cibercultura no Brasil e a justifica pela facilidade de acesso aos dados e pelo pr\u00f3prio car\u00e1ter estrutural prol\u00edfico dos sites de redes sociais, o que favorece uma abordagem na qual as rela\u00e7\u00f5es interacionais dos atores entre si e com a plataforma s\u00e3o o centro da an\u00e1lise. Explica:<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;A an\u00e1lise de redes sociais \u00e9 uma perspectiva cujo foco pode ser compreendi- do como te\u00f3rico e metodol\u00f3gico (Wasserman e Faust, 1994). Enquanto a ARS busca estudar os padr\u00f5es das intera\u00e7\u00f5es e la\u00e7os sociais (Wellman, 2001), ela tamb\u00e9m busca modos de medir esses padr\u00f5es (Degenne e Fors\u00e9, 1999) e visualiz\u00e1-los (Freeman, 2001). [&#8230;]\u00a0Desse modo, a an\u00e1lise de redes sociais constitui-se em uma abordagem relacional, cujo foco \u00e9 constru\u00eddo nas rela\u00e7\u00f5es entre os atores, na sua medida e explora\u00e7\u00e3o estrutural, a partir de perspectivas interdisciplinares.&#8221;<\/p>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">Destrinchando as ra\u00edzes e premissas b\u00e1sicas da ARS, ela passa rapidamente por algumas quest\u00f5es &#8211; e aspectos &#8211; importantes desse m\u00e9todo de an\u00e1lise: <em>&#8220;O grafo \u00e9 uma representa\u00e7\u00e3o das rela\u00e7\u00f5es e da estrutura da rede, que \u00e9 constru\u00eddo atrav\u00e9s de algoritmos espec\u00edficos e em cima de dados obtidos em campo&#8221;<\/em>. Ela explica que, para que seja feita as visualiza\u00e7\u00f5es das estruturas que auxilia a percep\u00e7\u00e3o visual das rela\u00e7\u00f5es entre os atores, h\u00e1 a aplica\u00e7\u00e3o de alguns c\u00e1lculos matem\u00e1ticos (m\u00e9tricas de n\u00f3 e m\u00e9tricas de rede) para avaliar a centralidade dos atores na rede e a estrutura da rede em geral. Nesse contexto, citando Linton C. Freeman, ela destaca quatro elementos que devem aparecer em conjunto na organiza\u00e7\u00e3o da an\u00e1lise estrutural: a intui\u00e7\u00e3o estrutural, ou seja, focada nos la\u00e7os que conectam os atores;\u00a0a constru\u00e7\u00e3o sobre dados emp\u00edricos coletados de modo sistem\u00e1tico;\u00a0a base\u00a0em gr\u00e1ficos e imagens que representam os dados da pesquisa;\u00a0e a utiliza\u00e7\u00e3o de modelos computacionais ou matem\u00e1ticos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o entrarei em detalhes sobre o que a autora discorre sobre a etnografia virtual porque acredito que a introdu\u00e7\u00e3o do cap\u00edtulo de Hine j\u00e1 ilustra muito bem como ocorre, quais s\u00e3o as premissas, dificuldades e vantagens da abordagem etnogr\u00e1fica na internet. Destaco, no entanto, a cita\u00e7\u00e3o de Gemma Edwards apresentada pela autora, na qual ela explica que as abordagens quantitativas\u00a0<em>&#8220;mapeiam e medem as redes atrav\u00e9s da simplifica\u00e7\u00e3o das rela\u00e7\u00f5es sociais em dados num\u00e9ricos, onde os la\u00e7os s\u00e3o ausentes ou presentes&#8221;<\/em>, enquanto as abordagens qualitativas\u00a0<em>&#8220;permitem aos analistas considerar elementos relativos \u00e0 constru\u00e7\u00e3o, reprodu\u00e7\u00e3o, variabilidade e din\u00e2micas dos la\u00e7os sociais complexos&#8221;<\/em>. Chegamos, ent\u00e3o, \u00e0 ideia principal de Recuero:<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;A ideia \u00e9 trabalhar com perspectivas metodol\u00f3gicas distintas, tanto quantitativas quanto qualitativas, combinadas de modo a dar conta de um determinado problema de pesquisa. M\u00e9todos qualitativos, grosso modo, tendem a focar mais em palavras como elementos descritivos, enquanto os quantitativos, em n\u00fameros; bem como pesquisas mais qualitativas focam perguntas mais abertas, pesquisas quantitativas focam quest\u00f5es fechadas; al\u00e9m disso, pesquisas qualitativas tendem a focar na interpreta\u00e7\u00e3o dos dados coletados, geralmente no ambiente dos participantes, enquanto as quantitativas tendem a focar em medidas, vari\u00e1veis e procedimentos num\u00e9ricos (Creswell, 2014, p. 12). [&#8230;] Os m\u00e9todos mistos, por outro lado, constituem &#8216;uma abordagem para a pesquisa envolvendo a coleta de dados qualitativa e quantitativa, integrando as duas formas de dados e usando desenhos de pesquisa que possam envolver quest\u00f5es filos\u00f3ficas e abordagens mais te\u00f3ricas&#8217; (Creswell, 2014, p. 4).&#8221;<\/p>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para compor sua proposta, a autora apresente algumas quest\u00f5es importantes de aplica\u00e7\u00e3o e alguns exemplos de objetos que se encaixem num contexto de pesquisa adequada aos m\u00e9todos mistos. Para tanto, esses objetos precisam ter: quest\u00f5es de pesquisa relacionais (an\u00e1lise de estrutura das conex\u00f5es da rede + componente cultural dentro da estrutura); dados pass\u00edveis de coleta\/captura para an\u00e1lise de rede de forma manual ou autom\u00e1tica; quest\u00f5es apropriadas para atender a objetivos da ARS e da etnografia. <em>&#8220;Enquanto a an\u00e1lise de redes se ocuparia com a estrutura do grupo, a etnografia focaria as pr\u00e1ticas culturais emergentes dessa estrutura&#8221;<\/em>, explica, trazendo como exemplos: grupos sociais determinados e suas intera\u00e7\u00f5es on-line, grupos sociais constitu\u00eddos diante de discursos\/conversa\u00e7\u00f5es espec\u00edficas e estudos sobre informa\u00e7\u00e3o e difus\u00e3o de pr\u00e1ticas culturais. Em seguida, ela apresenta alguns\u00a0modelos mais comuns de uso de m\u00e9todos mistos, elencados:<\/p>\n<ul>\n<li style=\"text-align: justify;\"><strong>M\u00e9todos mistos convergentes e paralelos:<\/strong>\u00a0<em>&#8220;os dados s\u00e3o coletados de modo qualitativo e quantitativo geralmente ao mesmo tempo e convergem ou s\u00e3o misturados na an\u00e1lise&#8221;<\/em>; o objetivo \u00e9 a complementariedade dos dados para a an\u00e1lise.<\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\"><strong>M\u00e9todos mistos explanat\u00f3rios sequenciais:<\/strong>\u00a0<em>&#8220;h\u00e1 primeiro a condu\u00e7\u00e3o de uma pesquisa quantitativa, cujos resultados servem de base para uma pesquisa qualitativa&#8221;<\/em>; o trabalho qualitativo expande e aprofunda as quest\u00f5es do trabalho quantitativo.<\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\"><strong>M\u00e9todos mistos explorat\u00f3rios e sequenciais:<\/strong>\u00a0<em>&#8220;a abordagem qualitativa vem primeiro e, nessa primeira fase, s\u00e3o constitu\u00eddos elementos que servem de base para a abordagem quantitativa posterior&#8221;<\/em>; \u00fatil quando as vari\u00e1reis mais importantes para an\u00e1lise s\u00e3o desconhecidas.<\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nas considera\u00e7\u00f5es finais, Recuero ratifica que, dentre os benef\u00edcios da ado\u00e7\u00e3o de m\u00e9todos mistos, &#8220;est\u00e1 primeiramente a complementariedade dos dados e das an\u00e1lises e a possibilidade de explorar fen\u00f4menos mais complexos do que com apenas um dos m\u00e9todos&#8221;. E complementa:<em> &#8220;Em termos de m\u00eddia social, onde os dados s\u00e3o bastante distanciados dos grupos sociais, a combina\u00e7\u00e3o desses m\u00e9todos pode ser extremamente vantajosa, justamente por permitir compreender o fen\u00f4meno em sua abordagem mais ampla&#8221;<\/em>. No entanto, a autora faz quest\u00e3o de pontuar alguns desafios importantes para o pesquisador: o uso m\u00fatuo e compreens\u00edvel de ambas abordagens de forma coerente\/coesa, a discuss\u00e3o de limita\u00e7\u00f5es e vantagens da coleta de dados e as quest\u00f5es \u00e9ticas da pesquisa em canais supostamente p\u00fablicos.<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;A ARS d\u00e1 \u00e0 etnografia uma possibilidade de mais abrang\u00eancia e maior fundamenta\u00e7\u00e3o em dados, ao mesmo tempo que lhe rouba parte da subjetividade que lhe \u00e9 caracter\u00edstica. J\u00e1 a etnografia, por sua vez, complementa a ARS com uma vis\u00e3o contextual, mas pode tamb\u00e9m lhe conferir um car\u00e1ter subjetivo e interpretativo que pode trazer uma certa instabilidade ao estudo quantitativo. [&#8230;] Assim, os dados de uma devem servir \u00e0 outra e devem ser ambos compreendidos em sua totalidade pelo pesquisador. A perspectiva de m\u00e9todos mistos \u00e9 uma combina\u00e7\u00e3o do desenho metodol\u00f3gico, onde o pesquisador precisa compreender ambos e n\u00e3o apenas utilizar um m\u00e9todo como suporte e outro apenas para agregar os dados sem analis\u00e1-los.&#8221;<\/p>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para finalizar, trago alguns apontamentos do cap\u00edtulo <strong>&#8220;T\u00e9rminos de relacionamentos e Facebook: desafios da pesquisa etnogr\u00e1fica em sites de redes sociais&#8221;<\/strong>, escrito por Beatriz Polivanov e Deborah Santos. Gostei muito do cap\u00edtulo porque ele dialoga com os outros dois supracitados, principalmente (por quest\u00f5es \u00f3bvias) com o de Hine, ainda que haja uma &#8220;men\u00e7\u00e3o honrosa&#8221; a proposta de Recuero, l\u00e1 no final do texto, n\u00e3o descartam que <em>&#8220;abordagens mistas, que lidam com grandes e \u201cpequenos\u201d dados, possam ser enriquecedoras&#8221;<\/em>. Para al\u00e9m disso, gostei muito da contribui\u00e7\u00e3o das autoras porque h\u00e1 fundamenta\u00e7\u00e3o te\u00f3rica, discuss\u00e3o metodol\u00f3gica e &#8211; principalmente &#8211; inquieta\u00e7\u00f5es emp\u00edricas de uma pesquisa ainda em andamento. Ao final, elas apresentam cinco eixos que esperam servir como &#8220;pequenos guias norteadores&#8221; para outras pesquisas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Uma vez que o objetivo das autoras \u00e9 <em>&#8220;chamar aten\u00e7\u00e3o para desafios espec\u00edficos&#8221;<\/em> de sua pesquisa, n\u00e3o entrarei a fundo na fundamenta\u00e7\u00e3o te\u00f3rica (muito bem) apresentada no texto &#8211; embora recomende veemente a todos interessados na discuss\u00e3o sobre as diferentes etnografias (&#8220;tradicional&#8221; e virtual) e constru\u00e7\u00e3o de identidade on-line que assim o fa\u00e7am. Trago, portanto, apenas os\u00a0cinco eixos de desafios metodol\u00f3gicos que t\u00eam tensionado a atua\u00e7\u00e3o das pesquisadoras no estudo sobre <em>&#8220;sujeitos que passaram por um final de relacionamento amoroso e como essa sua performance de si se d\u00e1 no Facebook em um momento p\u00f3s-t\u00e9rmino&#8221;<\/em>, discutindo se h\u00e1 altera\u00e7\u00e3o em suas performances e quais tipos de narrativas s\u00e3o acionadas para se adequar a imperativo da felicidade.<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Entendemos, assim, que, de um modo geral, busca-se manter certa coer\u00eancia expressiva entre os selves off-line e nos sites de redes sociais. Isto \u00e9, nesses ambientes \u2013 e em especial no Facebook, nosso objeto de estudo \u2013 os atores sociais tendem a querer mostrar tra\u00e7os identit\u00e1rios que consideram \u201creais\u201d, como nome, local onde trabalham\/estudam, gostos relacionados \u00e0 ind\u00fastria cultural, pessoas com as quais se relacionam, locais que frequen- tam etc., ainda que possa haver rupturas e desencaixes nessa constru\u00e7\u00e3o por uma s\u00e9rie de raz\u00f5es (intencionais ou n\u00e3o).&#8221;<\/p>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">Embora eu tenha optado por atropelar as discuss\u00f5es te\u00f3ricas que precedem a discuss\u00e3o metodol\u00f3gica (apenas por motivos pr\u00e1ticos), acho importante lembrar que alguns dos &#8220;problemas&#8221; levantados pelas autoras est\u00e3o em total conson\u00e2ncia com aspectos espec\u00edficos da problematiza\u00e7\u00e3o da etnografia (virtual), da identidade on-line, etc. &#8211; ou seja, de certa forma, essas quest\u00f5es atravessar\u00e3o os desafios metodol\u00f3gicos da pesquisa em sites de redes sociais apresentados a seguir:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">a) <strong>Investiga\u00e7\u00e3o sobre indiv\u00edduos e\/ou casais<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Um dos motivos pelo qual me interesso bastante pelo trabalho de Polivanov \u00e9 que suas pesquisas geralmente focam em aspectos identit\u00e1rios &#8220;isolados&#8221;, como seu trabalho com\u00a0<a href=\"http:\/\/editoramultifoco.com.br\/loja\/product\/dinamicas-identitarias\/\" target=\"_blank\">participantes de cenas de m\u00fasica eletr\u00f4nica no Facebook<\/a>. Isso foge um pouco da pr\u00e1tica comum da etnografia para internet (e m\u00eddias sociais) de estudar grupos ou comunidades espec\u00edficas &#8211; como ela reitera, no atual trabalho &#8220;estamos mais interessadas, em nossa pesquisa, em conhecer em profundidade experi\u00eancias particulares do que em estudar as din\u00e2micas de um grupo ou um n\u00famero maior de casos&#8221;. Entretanto, isso se torna um problema prim\u00e1rio \u00e0 pesquisa uma vez que precisa-se fazer um recorte e delimitar o campo do objeto de estudo. <em>&#8220;Mas como selecion\u00e1-los?&#8221;<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">b) <strong>Escolha e interpela\u00e7\u00e3o dos sujeitos de pesquisa<\/strong><\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;A partir de um processo de conversas informais \u2013 on e off-line \u2013 com conhecidos de nossas redes de contatos e a partir da t\u00e9cnica da &#8216;bola de neve&#8217; (Weiss, 1994), conseguimos sugest\u00f5es de poss\u00edveis informantes que atendessem nossos crit\u00e9rios. Para al\u00e9m daqueles que fizessem parte de nossas redes, a escolha da parte da amostra de \u201cdesconhecidos\u201d foi feita a partir da procura de grupos tem\u00e1ticos, conforme apontado acima, focando desse modo nosso olhar a pessoas que atravessaram algum conflito amoroso e usaram (usam) a rede e o suporte (semi)p\u00fablico para lidar com situa\u00e7\u00f5es dessa natureza, sendo nosso interesse conhecer como se d\u00e1 essa rela\u00e7\u00e3o de \u201cdesabafo\u201d entre o sujeito e a plataforma, no caso, o Facebook.&#8221;<\/p>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">c) <strong>Grau de inser\u00e7\u00e3o do(a) pesquisador(a)<\/strong><\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Aqui valeria a pena nos perguntar at\u00e9 que ponto esse tipo de aproxima\u00e7\u00e3o, sem aviso aos informantes de que est\u00e3o sendo observados, \u00e9 eticamente correta. Al\u00e9m disso, seria apenas a observa\u00e7\u00e3o, participante ou n\u00e3o, suficiente para entender as din\u00e2micas e discursos dos sujeitos ou necessariamente de- vem ser realizadas entrevistas? [&#8230;]\u00a0Nossa proposta metodol\u00f3gica entende que somente a observa\u00e7\u00e3o dos sujeitos analisados n\u00e3o seria suficiente para responder as quest\u00f5es de pesquisa, sendo necess\u00e1ria uma aproxima\u00e7\u00e3o direta e privada (ainda que virtual) com os mesmos que outorgue integralidade \u00e0 pesquisa. Para isso \u00e9 nosso prop\u00f3sito entrar em contato com cada um dos sujeitos escolhidos como amostra e realizar entrevistas, tanto on quanto off-line com eles, que complementem os dados obtidos na etapa de observa\u00e7\u00e3o, tentando fugir assim dessa posi\u00e7\u00e3o um tanto voyeur\u00edstica e procurando vias diferentes de acesso \u00e0 informa\u00e7\u00e3o.&#8221;<\/p>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">d) <strong>Recorte temporal da pesquisa e da coleta de dados<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Esse item \u00e9 bem interessante porque elas tratam duas quest\u00f5es: primeiro, a problem\u00e1tica de delimita\u00e7\u00e3o de tempo de uma pesquisa emp\u00edrica. Em resposta, defendem que <em>&#8220;a observa\u00e7\u00e3o sistem\u00e1tica dos acontecimentos e a coleta de dados deve ocorrer at\u00e9 atingir determinado ponto de satura\u00e7\u00e3o, isto \u00e9, at\u00e9 que n\u00e3o seja poss\u00edvel \u2013 seja por um limite de tempo, verba ou do pr\u00f3prio corpus \u2013 obter dados categoricamente novos&#8221;<\/em>. Segundo, porque, citando Markham, as autoras &#8220;desmitificam&#8221; o v\u00e9u de imparcialidade do etn\u00f3grafo, explicando que <em>\u201cos pesquisadores sempre interferiram no contexto de algum modo enquanto conduzem suas pesquisas\u201d<\/em> e que <em>&#8220;em diferentes medidas, as no\u00e7\u00f5es de sujeito\/objeto, pesquisador\/pesquisado n\u00e3o devem ser tomadas como inst\u00e2ncias separadas, mas ao contr\u00e1rio, como afeta\u00e7\u00f5es m\u00fatuas&#8221;<\/em>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">e) <strong>Pesquisa de campo ou campos de pesquisa no Facebook<\/strong><\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Cabe, assim, a cada pesquisador(a) determinar o recorte do corpus que ir\u00e1 analisar e que ferramentas ir\u00e1 utilizar para tal. Em nosso percurso at\u00e9 o momento temos optado por dar especial aten\u00e7\u00e3o aos campos da se\u00e7\u00e3o \u201cSobre\u201d e das postagens diversas feitas pelos sujeitos em suas linhas do tempo, buscando analis\u00e1-las n\u00e3o em grupos definidos quanto ao seu tipo de linguagem, mas sim enquanto unidades materiais-discursivas multissemi\u00f3ticas que devem ser entendidas principalmente a partir do momento e da intencionalidade de publica\u00e7\u00e3o, elementos que s\u00f3 podemos investigar a partir da realiza\u00e7\u00e3o de entrevistas direcionadas.&#8221;<\/p>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">A ideia de Polivanov e Santos foi justamente trazer alguns desafios e quest\u00f5es (tanto te\u00f3ricas quando metodol\u00f3gicas) que t\u00eam atravessado seu trabalho de pesquisa no Facebook. Ao final, n\u00e3o apresentam solu\u00e7\u00f5es, mas <em>&#8220;inquieta\u00e7\u00f5es ainda em pleno processo de digest\u00e3o&#8221;<\/em>, o que considerei extremamente po\u00e9tico, coerente e justo por parte das autoras. Essa \u00e9 a ideia do livro, levantar tens\u00f5es e tentar travar um di\u00e1logo com acad\u00eamicos, estudiosos e pesquisadores de forma geral sobre o espa\u00e7o multidisciplinar que \u00e9 a internet corporificada. Ainda h\u00e1\u00a0cap\u00edtulos enriquecedores de Jair de Souza Ramos, sobre\u00a0o modo como as discuss\u00f5es te\u00f3ricas podem orientar a observa\u00e7\u00e3o e a an\u00e1lise para etn\u00f3grafos, e de Laura Graziela Gomes, a pesquisa pr\u00f3pria do meio digital (cibercultura).<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Foi lan\u00e7ado na semana passada, dia 25 de outubro, o livro &#8220;Etnografia e consumo midi\u00e1tico: novas tend\u00eancias e desafios metodol\u00f3gicos&#8221;, organizado por Carla Barros e Bruno Campanella, ambos professores\u00a0do PPGCOM e do Departamento de Estudos Culturais e M\u00eddia da Universidade Federal Fluminense. 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