{"id":2451,"date":"2016-10-12T22:02:29","date_gmt":"2016-10-13T01:02:29","guid":{"rendered":"http:\/\/insightee.com.br\/blog\/?p=2451"},"modified":"2016-12-25T12:00:08","modified_gmt":"2016-12-25T14:00:08","slug":"be-right-back-a-narrativa-do-eu-e-a-coerencia-expressiva-no-episodio-de-black-mirror","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/insightee.com.br\/blog\/be-right-back-a-narrativa-do-eu-e-a-coerencia-expressiva-no-episodio-de-black-mirror\/","title":{"rendered":"Be Right Back: a narrativa do &#8220;eu&#8221; e a coer\u00eancia expressiva no epis\u00f3dio de Black Mirror"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">Este \u00e9 um post que estava engavetado h\u00e1 meses. Prova disso \u00e9 que tenho, no meu quarto, um quadro branco onde mantenho minhas tarefas, aspira\u00e7\u00f5es e inspira\u00e7\u00f5es; hoje, quando tentei\u00a0apagar &#8220;post Black Mirror e coer\u00eancia expressiva&#8221;, uma mancha deixou uma marca como se me dissesse para n\u00e3o adiar tanto assim as minhas ideias que precisam ser desenvolvidas na pr\u00e1tica. Portanto, antes tarde do que nunca, compartilho aqui no blog v\u00e1rias das inquieta\u00e7\u00f5es que me fisgaram quando assisti \u00e0 s\u00e9rie Black Mirror &#8211; mais especificamente, ao epis\u00f3dio &#8220;Be Right Back&#8221;, da segunda temporada &#8211; e por que ele me remeteu tanto \u00e0 ideia de coer\u00eancia expressiva, desenvolvidos por Polivanov e S\u00e1 (2012). Antes de entrar nos detalhes da hist\u00f3ria e como relacionei com esse conceito, precisamos falar de Black Mirror.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nas palavras da Wikip\u00e9dia: <em>&#8220;Black Mirror \u00e9 uma s\u00e9rie de televis\u00e3o brit\u00e2nica antol\u00f3gica criada por Charlie Brooker, que apresenta fic\u00e7\u00e3o especulativa com temas sombrios e \u00e0s vezes sat\u00edricos que examinam a sociedade moderna, especialmente no que diz respeito \u00e0s consequ\u00eancias imprevistas das novas tecnologias&#8221;<\/em>. Nas minhas palavras, \u00e9 uma s\u00e9rie enxuta &#8211; s\u00e3o apenas duas temporadas com tr\u00eas epis\u00f3dios cada, e um especial de Natal &#8211; que traz uma hist\u00f3ria diferente (com elenco, cenografia, tudo diferente) em\u00a0cada epis\u00f3dio. Os temas perpassam discuss\u00f5es acerca de\u00a0pol\u00edtica, moral, sociedade do espet\u00e1culo, mem\u00f3ria, morte, tecnologia e a nossa rela\u00e7\u00e3o com as m\u00eddias em geral. Mesmo que n\u00e3o a conhe\u00e7a, talvez tenha ouvido falar que a terceira temporada estreia no dia 21 de outubro deste ano na Netflix &#8211; provavelmente um dos principais motivos que me coagiu a tirar esse post da gaveta. N\u00e3o serei aquela pessoa que insistir\u00e1 que voc\u00ea assista \u00e0 s\u00e9rie, mas recomendo muito, principalmente para profissionais, pesquisadores e pensadores das \u00e1reas de comunica\u00e7\u00e3o, tecnologia, pol\u00edtica e m\u00eddias.<\/p>\n<figure id=\"attachment_2459\" aria-describedby=\"caption-attachment-2459\" style=\"width: 720px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-large wp-image-2459\" src=\"https:\/\/insightee.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2016\/10\/capa-blackmirror-1024x573.png\" alt=\"Imagem: Netflix\" width=\"720\" height=\"403\" srcset=\"https:\/\/insightee.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2016\/10\/capa-blackmirror-1024x573.png 1024w, https:\/\/insightee.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2016\/10\/capa-blackmirror-300x168.png 300w, https:\/\/insightee.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2016\/10\/capa-blackmirror-768x430.png 768w, https:\/\/insightee.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2016\/10\/capa-blackmirror-1170x656.png 1170w, https:\/\/insightee.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2016\/10\/capa-blackmirror.png 1173w\" sizes=\"auto, (max-width: 720px) 100vw, 720px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-2459\" class=\"wp-caption-text\">Imagem: Netflix<\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como j\u00e1 mencionei, embora todos os epis\u00f3dios tenham mexido muito com a minha cabe\u00e7a (esse \u00e9 o objetivo), o epis\u00f3dio que quero abordar aqui \u00e9 o primeiro da segunda temporada, intitulado &#8220;Be Right Back&#8221; (Volto J\u00e1, em tradu\u00e7\u00e3o livre). A hist\u00f3ria \u00e9 a seguinte (com ajuda do <a href=\"http:\/\/www.imdb.com\/title\/tt2290780\/plotsummary?ref_=tt_ov_pl\" target=\"_blank\">imdb<\/a>): Martha e Ash s\u00e3o um casal de apaixonados que decidem\u00a0morar juntos numa casa do interior.\u00a0Um dia depois da mudan\u00e7a, ao devolver a van alugada para tal, Ash se envolve num acidente de carro fatal. No funeral, uma amiga de Martha recomenda um servi\u00e7o novo que ajuda pessoas em luto a lidar melhor com a situa\u00e7\u00e3o, criando um Ash &#8220;virtual&#8221; que se comunica com ela atrav\u00e9s de informa\u00e7\u00f5es (dados) obtidos de m\u00eddias sociais e da internet como um todo. Ela n\u00e3o aceita bem a indica\u00e7\u00e3o da amiga, mas esta acaba a inscrevendo no servi\u00e7o mesmo assim &#8211; o que s\u00f3 descobre quando recebe um e-mail do &#8220;novo&#8221; Ash.\u00a0A partir da\u00ed, ela come\u00e7a a ter v\u00e1rios embates pessoais e morais sobre (n\u00e3o manter) essa rela\u00e7\u00e3o com esse personagem, e a trama se desenvolve justamente nesses conflitos internos. Podemos seguir daqui.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Dada essa introdu\u00e7\u00e3o, pretendo apresentar quase que cronologicamente &#8211; por\u00e9m de forma bem aleat\u00f3ria, arbitr\u00e1ria &#8211; &#8211; algumas quest\u00f5es que o epis\u00f3dio levanta. A primeira &#8220;problem\u00e1tica&#8221; sobre a qual precisamos nos debru\u00e7ar \u00e9 a quest\u00e3o da hiper-visibilidade e superexposi\u00e7\u00e3o. Aqui, entretanto, n\u00e3o enxergo essa quest\u00e3o de modo conservador como v\u00e1rios estudos sobre privacidade, vigil\u00e2ncia e narcisismo tem tratado este assunto &#8211; embora tenha esta linha de pensamento como importante para reflex\u00e3o, acredito humildemente que parte de um ju\u00edzo de valor um pouco ultrapassado que precisa, para avan\u00e7o do debate, ser superado; recomendo, neste sentido, o subitem<em>&#8220;Os discursos sobre a superexposi\u00e7\u00e3o do eu e a era da vigil\u00e2ncia&#8221;<\/em>, do primeiro cap\u00edtulo do livro <a href=\"http:\/\/editoramultifoco.com.br\/loja\/product\/dinamicas-identitarias\/\" target=\"_blank\">Din\u00e2micas identit\u00e1rias em sites de redes sociais<\/a>, da Prof. Dra. Beatriz Polivanov, no qual ela revisa essas discuss\u00f5es e prop\u00f5e uma brecha na para seguirmos em frente. Ainda assim, mesmo que o debate fosse trazido para discuss\u00e3o, eu argumentaria que, pros fins da hist\u00f3ria, essa superexposi\u00e7\u00e3o acabou sendo bom para o personagem.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Explico: o &#8220;novo&#8221; Ash, sint\u00e9tico, passa por um processo de <em>machine learning<\/em>. Para que ele se torne o Ash que Martha, sua esposa, consiga identific\u00e1-lo como seu antigo marido, o servi\u00e7o no qual sua amiga a inscreve consome todo tipo de conte\u00fado que o &#8220;verdadeiro&#8221; Ash j\u00e1 publicou online &#8211; n\u00e3o apenas em m\u00eddias sociais, mas tamb\u00e9m em e-mail, mensagens instant\u00e2neas, etc. Cada rastro social digital que ele tenha deixado enquanto vivo se transforma em fonte de alimento para que o rob\u00f4 (se \u00e9 que posso utilizar esse termo tecnicamente estigmatizado) simule &#8211; e aqui reitero a no\u00e7\u00e3o de reproduzir &#8211; quem ele era antes. Isso exp\u00f5e a import\u00e2ncia de que ele tenha, ainda vivo, criado uma identidade (performance, ou narrativa, como prefiro) de quem ele era no ciberespa\u00e7o. E, por mais importante que essa constru\u00e7\u00e3o do eu enquanto conflito interno seja importante psicologicamente falando, argumento que ainda mais importante \u00e9 o fato de, para al\u00e9m de se construir, narrar a sua constru\u00e7\u00e3o. A identidade que ele criou para si quando era vivo, para que se tornasse &#8220;completa&#8221;, necessitava da intera\u00e7\u00e3o com o outro &#8211; ou seja, precisava ser narrada.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Acho importante tocar nessa quest\u00e3o porque \u00e9 algo que me parece essencial \u00e0 discuss\u00e3o\u00a0da constru\u00e7\u00e3o de si, como v\u00e3o argumentar diversos autores como Hall, Pollak e Bourdieu &#8211; a identidade \u00e9 constru\u00edda no discurso, na linguagem. Na minha humilde opini\u00e3o, os trabalhos apresentados sobre a constru\u00e7\u00e3o do eu no ciberespa\u00e7o parecem ter superado muito f\u00e1cil essa ideia e se ancoram demais (justificadamente) nos conceitos apresentados por Goffman. A meu ver, o sistema de interpreta\u00e7\u00e3o e comunica\u00e7\u00e3o \u00e9 um s\u00f3, o que muda nesse (novo) contexto \u00e9 apenas as plataformas e dispositivos de narra\u00e7\u00e3o. No entanto, vou segurar esse argumento aqui para que o post n\u00e3o se torne muito grande e complexo (e porque \u00e9 debate pra cacife grande), quando a proposta que pretendo trazer para discuss\u00e3o aqui \u00e9 outra: a ideia de coer\u00eancia expressiva. Isso quer dizer que, para al\u00e9m de atuar nesses instrumentos e dispositivos de narra\u00e7\u00e3o para compor a sua identidade, o sujeito depende do outro para se constituir. Eu crio minha narrativa atrav\u00e9s das constru\u00e7\u00f5es sociais e culturais que me atravessam mas projeto sempre minha hist\u00f3ria no outro.<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 este processo que chamamos de <strong>coer\u00eancia expressiva<\/strong> dos atores nas redes sociais. E com esta express\u00e3o, interessa-nos demarcar este processo, intensamente complexo, prec\u00e1rio, inacabado, de ajuste da \u201cimagem\u201d pr\u00f3pria aos significados que se quer expressar para o outro, e que \u00e9 muito fortemente ancorado na utiliza\u00e7\u00e3o de bens culturais-midi\u00e1ticos, tais como letras de m\u00fasicas, filmes, clipes, etc., utilizados a partir da avalia\u00e7\u00e3o pelos atores de sua adequa\u00e7\u00e3o ao que querem expressar, traduzir, apresentar e comunicar nos sites. Processo que se d\u00e1 em tens\u00e3o, sujeito a ru\u00eddos, uma vez que sempre atravessado pela rela\u00e7\u00e3o com os outros atores da rede s\u00f3cio-t\u00e9cnica na qual o usu\u00e1rio se insere. O que nos permite sugerir, talvez, uma ilus\u00e3o da coer\u00eancia expressiva, \u00e0 maneira como Bourdieu fala da ilus\u00e3o biogr\u00e1fica, a fim de desconstruir qualquer suposi\u00e7\u00e3o de estabilidade, controle ou de concretude do sujeito como resultado do processo. (S\u00e1 e Polivanov, 2012)<\/p>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">Da primeira vez que assisti ao epis\u00f3dio, este foi o aspecto que mais me chamou a aten\u00e7\u00e3o. Um dos maiores embates e conflitos internos pelo qual a personagem principal, Martha, passa, \u00e9 nessa quest\u00e3o de ter, naquele rob\u00f4, uma narrativa reflexivamente constru\u00edda que emula quem seu marido um dia foi. Desde o primeiro contato entre os dois, quando ela recebe o e-mail desse ser virtual e se disp\u00f5e a respond\u00ea-lo, o elo que eles criam se d\u00e1 pelo fato que a m\u00e1quina tenha processado as informa\u00e7\u00f5es e aprendido a simular o que Ash falaria. E isso, esse conforto que ela constr\u00f3i conforme eles v\u00e3o se comunicando, \u00e9 possibilitado apenas pelo modo como ele se apresentava online. Para al\u00e9m disso, refor\u00e7o o fato de que essa narrativa que ele construiu enquanto vivo no ciberespa\u00e7o era constru\u00edda num sentido de auto-reflexividade que tamb\u00e9m supera, em certos pontos, o argumento da exposi\u00e7\u00e3o descontrolada ou desenfreada no ambiente das m\u00eddias (e sites de redes) sociais. Quando ela se depara com a vers\u00e3o material do &#8220;computador&#8221;, o elogio que ela faz \u00e0 sua apar\u00eancia e a resposta que ele d\u00e1 (&#8220;as fotos costumam ser boas&#8221;) ratifica o processo meticuloso pelo qual a narrativa mediada por computadores\u00a0tem nos submetido durante os anos.<\/p>\n<figure id=\"attachment_2467\" aria-describedby=\"caption-attachment-2467\" style=\"width: 720px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-large wp-image-2467\" src=\"https:\/\/insightee.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2016\/10\/blackmirror-thatshim-1024x570.png\" alt=\"Imagem: Netflix\" width=\"720\" height=\"401\" srcset=\"https:\/\/insightee.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2016\/10\/blackmirror-thatshim-1024x570.png 1024w, https:\/\/insightee.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2016\/10\/blackmirror-thatshim-300x167.png 300w, https:\/\/insightee.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2016\/10\/blackmirror-thatshim-768x428.png 768w, https:\/\/insightee.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2016\/10\/blackmirror-thatshim-1170x653.png 1170w, https:\/\/insightee.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2016\/10\/blackmirror-thatshim.png 1173w\" sizes=\"auto, (max-width: 720px) 100vw, 720px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-2467\" class=\"wp-caption-text\">Imagem: Netflix<\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ainda nesse contexto, mas refor\u00e7ando mais a ideia de que s\u00f3 nos constru\u00edmos no outro, h\u00e1 uma cena (duas, na verdade)\u00a0que parecem ter sido escritas propositalmente para que fosse levantada essa quest\u00e3o na discuss\u00e3o: ainda vivo, Ash decide publicar em algum <a href=\"http:\/\/tarciziosilva.com.br\/blog\/quatro-aspectos-dos-sites-de-redes-sociais\/\" target=\"_blank\">site de rede social<\/a> uma foto dele ainda crian\u00e7a. Ele justifica essa a\u00e7\u00e3o explicando \u00e0 esposa que acredita que as pessoas ir\u00e3o achar aquela foto engra\u00e7ada. No entanto, na mesma cena, ele revela que aquela foto n\u00e3o tinha nada de engra\u00e7ada &#8211; remontava, em sua mem\u00f3ria, pelo contr\u00e1rio, um fato bem triste. Ou seja, ele resignificou aquela imagem para conscientemente criar uma nova narrativa simb\u00f3lica do que aquele evento o remetia. No final do epis\u00f3dio, esse arco narrativo \u00e9 retomado (talvez em tom de cr\u00edtica) quando o rob\u00f4 Ash v\u00ea aquela foto na sala e comenta: &#8220;Ha, engra\u00e7ado&#8221; &#8211; provavelmente porque o desenrolar da a\u00e7\u00e3o prim\u00e1ria do Ash &#8220;verdadeiro&#8221;, quando publicou a foto no SRS, tenha se dado nesse contexto c\u00f4mico da situa\u00e7\u00e3o, atrav\u00e9s de coment\u00e1rios de amigos e do pr\u00f3prio em resposta \u00e0quele est\u00edmulo comunicacional. Isso, no entanto, coloca-nos outro fato muito importante &#8211; que, novamente, rebate a superexposi\u00e7\u00e3o desenfreada: a narrativa que constru\u00edmos de n\u00f3s mesmos no ciberespa\u00e7o \u00e9 insuficiente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Esse embate que limita a simula\u00e7\u00e3o de Ash entra em pauta principalmente no final do epis\u00f3dio, quando pequenas situa\u00e7\u00f5es de desconforto s\u00e3o criadas entre Martha e o &#8220;novo&#8221; Ash. Num primeiro momento, a hist\u00f3ria toca nesse aspecto quando, numa cena de sexo, o personagem explica que n\u00e3o h\u00e1 &#8220;registros&#8221; desse contexto processadas pela sua tecnologia de <em>deep learning<\/em> &#8211; o que \u00e9 rapidamente superado pela proposta de aprendizado em outras fontes, no caso, sites de v\u00eddeos porn\u00f4. Esse embate pode ser refor\u00e7ado pelo argumento de Silva (2015, online) que explica que <em>&#8220;produtos que atendem necessidades fisiol\u00f3gicas s\u00e3o alvo de conversa\u00e7\u00f5es nas m\u00eddias sociais quando atendem tamb\u00e9m necessidades simb\u00f3licas&#8221;<\/em>, contextualizando &#8211; e abrangendo &#8211; essa argumenta\u00e7\u00e3o a um universo maior de conversa\u00e7\u00e3o, que n\u00e3o envolve apenas produtos, mas a sociabilidade digital como um todo. No final da hist\u00f3ria, essas incongru\u00eancias come\u00e7am a se tornar ainda mais conflitantes para a personagem principal, num contexto no qual acho coerente apresentar\u00a0um conceito de Giddens abordado no artigo em quest\u00e3o:<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em seu argumento, o autor lista seis caracter\u00edsticas principais das rela\u00e7\u00f5es puras, quais sejam:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">1) \u201cem contraste com la\u00e7os pessoais pr\u00f3ximos em contextos tradicionais, a rela\u00e7\u00e3o pura n\u00e3o est\u00e1 ancorada em condi\u00e7\u00f5es exteriores da vida social e econ\u00f4mica \u2013 \u00e9 como se flutuasse livremente\u201d (2002, p. 87);<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">2) \u201ca pura rela\u00e7\u00e3o \u00e9 buscada apenas pelo que a rela\u00e7\u00e3o pode trazer para os parceiros envolvidos (\u2026) \u00e9 precisamente neste sentido que a rela\u00e7\u00e3o \u00e9 \u2018pura\u2019\u201d (p. 88);<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">3) \u201ca rela\u00e7\u00e3o pura \u00e9 reflexivamente organizada, de modo aberto e em base continua\u201d. (p.89);<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">4) \u201co \u2018compromisso\u2019 tem um papel central nas rela\u00e7\u00f5es puras\u201d (p. 89);<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">5) \u201ca rela\u00e7\u00e3o pura enfoca a intimidade, que \u00e9 uma condi\u00e7\u00e3o principal de qualquer estabilidade de longo prazo que os parceiros logrem atingir\u201d (p. 91) e;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">6) \u201ca rela\u00e7\u00e3o pura depende da confian\u00e7a m\u00fatua entre os parceiros, que por sua vez se liga de perto \u00e0 realiza\u00e7\u00e3o da intimidade. (\u2026) a confian\u00e7a n\u00e3o \u00e9 e n\u00e3o pode ser tida como \u201cdada\u201d: como outros aspectos da rela\u00e7\u00e3o, deve ser trabalhada &#8211; a confian\u00e7a do outro precisa ser ganha\u201d (p. 92).<\/p>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sob essa perspectiva de Giddens, \u00e9 essa quest\u00e3o da rela\u00e7\u00e3o pura que escancara as rachaduras do novo &#8220;relacionamento&#8221; do casal. Estendendo-se nessa ideia, S\u00e1 e Polivanov (2012) explicam\u00a0o conceito de <em>self-disclosure<\/em> de Baym no qual <em>&#8220;a necessidade de &#8216;abertura&#8217; para com a figura do outro de forma a mostrar-se como sujeito &#8216;cr\u00edvel&#8217;, &#8216;ver\u00eddico&#8217; e pass\u00edvel de se tornar confi\u00e1vel&#8221;<\/em> \u00e9 tra\u00e7o fundamental para a rela\u00e7\u00e3o pura. No entanto, esse argumento poderia ser rebatido com o fato de que, nos sites de redes sociais, temas como sexo n\u00e3o s\u00e3o realmente expostos, mas em outros canais como e-mail, mensagens instant\u00e2neas, etc., poderiam ser. \u00c9 a\u00ed que entra uma quest\u00e3o mais subjetiva, na qual a quebra de expectativa que prejudica o relacionamento e auxilia na quebra de sentido que a narrativa de <em>machine learning<\/em> constru\u00edra para Ash acontece porque o &#8220;eu&#8221; constru\u00eddo n\u00e3o \u00e9 total, ou seja, n\u00e3o corresponde \u00e0 compreens\u00e3o de Martha do que seu marido, enquanto sujeito plural, apresentava ser. Uma das \u00faltimas cenas, bastante emblem\u00e1tica, quando, depois de passar por todos esses conflitos, ela desabafa e pede que ele se destrua &#8211; jogando-se de um penhasco &#8211; exemplifica sua &#8220;limita\u00e7\u00e3o&#8221; identit\u00e1ria.<\/p>\n<figure id=\"attachment_2468\" aria-describedby=\"caption-attachment-2468\" style=\"width: 720px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-large wp-image-2468\" src=\"https:\/\/insightee.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2016\/10\/blackmirror-whoisyou-1024x575.png\" alt=\"Imagem: Netflix\" width=\"720\" height=\"404\" srcset=\"https:\/\/insightee.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2016\/10\/blackmirror-whoisyou-1024x575.png 1024w, https:\/\/insightee.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2016\/10\/blackmirror-whoisyou-300x168.png 300w, https:\/\/insightee.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2016\/10\/blackmirror-whoisyou-768x431.png 768w, https:\/\/insightee.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2016\/10\/blackmirror-whoisyou.png 1174w\" sizes=\"auto, (max-width: 720px) 100vw, 720px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-2468\" class=\"wp-caption-text\">Imagem: Netflix<\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\">No entanto, retomando minha argumenta\u00e7\u00e3o no sexto par\u00e1grafo sobre narrativas e plataformas, confesso que sou um pouco c\u00e9tico sobre essa limita\u00e7\u00e3o ser um aspecto exclusivo de plataformas e dispositivos de comunica\u00e7\u00e3o mediada por computador. Como tamb\u00e9m mencionei anteriormente, a constru\u00e7\u00e3o da identidade \u00e9 feita no discurso, na narrativa, \u00e9 uma constru\u00e7\u00e3o lingu\u00edstica. Entretanto, a meu ver, a pr\u00f3pria l\u00edngua enquanto instrumento comunicacional \u00e9 limitante ao tentar fixar (e representar) a identidade. Ou seja, a identidade, nesta minha linha de racioc\u00ednio, \u00e9 m\u00faltipla, flex\u00edvel, cont\u00ednua, inconstante, etc. demais para que alguma ferramenta comunicacional seja capaz de\u00a0narr\u00e1-la em sua plenitude. Por isso tenho a interpreta\u00e7\u00e3o de <em>&#8220;presentation&#8221;<\/em> em Goffman (gra\u00e7as a minha querida prof. Ana L\u00facia Enne), como aquilo que se presentifica, que pode vir a ser (um devir) como mais apropriada para pensar a constru\u00e7\u00e3o identit\u00e1ria narrada pelos sujeitos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para finalizar, gostaria de pedir paci\u00eancia (e compreens\u00e3o) caso qualquer uma das minhas ideias apresentadas aqui tenham parecido pretensiosas ou prepotentes. Estou atualizando meu repert\u00f3rio sobre identidade no ciberespa\u00e7o atrav\u00e9s de um projeto que tenho desenvolvido no est\u00e1gio, que tem me proporcionado conhecer v\u00e1rios autores estrangeiros que j\u00e1 trouxeram \u00e0 discuss\u00e3o esse car\u00e1ter da sociedade atual. A minha ideia aqui era expor pensamentos, indaga\u00e7\u00f5es, reflex\u00f5es e inquietudes sobre o que pude absorver do epis\u00f3dio da s\u00e9rie referida, para ent\u00e3o trazer para debate e estar sujeito a quaisquer cr\u00edticas que possam ser pautadas sobre minha argumenta\u00e7\u00e3o. Espero que tenha sido prazeroso ao leitor e prometo (talvez) retomar as ideias deste post em outros momentos, talvez pelo terceiro epis\u00f3dio da nova temporada da s\u00e9rie, que tamb\u00e9m vai abordar satiricamente a identidade na era das m\u00eddias sociais.<\/p>\n<p><strong>Refer\u00eancias bibliogr\u00e1ficas<\/strong><\/p>\n<p>PEREIRA DE S\u00c1, Simone; POLIVANOV, Beatriz. Auto- reflexividade, coer\u00eancia expressiva e performance como categorias para an\u00e1lise dos sites de redes sociais. Contempor\u00e2nea, v. 10, n. 3, set-dez 2012, pp. 574-596.<\/p>\n<p>SILVA, Tarc\u00edzio. Necessidades humanas, camadas simb\u00f3licas e o monitoramento de m\u00eddias sociais. Tarc\u00edzio Silva,\u00a0online, 2015. Dispon\u00edvel em: http:\/\/tarciziosilva.com.br\/blog\/necessidades-humanas-camadas-simbolicas-e-o-monitoramento-de-midias-sociais\/.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Este \u00e9 um post que estava engavetado h\u00e1 meses. Prova disso \u00e9 que tenho, no meu quarto, um quadro branco onde mantenho minhas tarefas, aspira\u00e7\u00f5es e inspira\u00e7\u00f5es; hoje, quando tentei\u00a0apagar &#8220;post Black Mirror e coer\u00eancia expressiva&#8221;, uma mancha deixou uma marca como se me dissesse para n\u00e3o adiar tanto assim as minhas ideias que precisam [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":2465,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[121],"tags":[130,131,122],"class_list":["post-2451","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-artigos","tag-black-mirror","tag-coerencia-expressiva","tag-identidade"],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v27.5 - https:\/\/yoast.com\/product\/yoast-seo-wordpress\/ -->\n<title>Be Right Back: a narrativa do &quot;eu&quot; e a coer\u00eancia expressiva no epis\u00f3dio de Black Mirror &#8211; insightee<\/title>\n<meta name=\"description\" content=\"Para analisar um epis\u00f3dio de uma das s\u00e9ries mais pol\u00eamicas da atualidade, revisitei conceitos sobre identidade, representa\u00e7\u00e3o e narrativa do &quot;eu&quot; online.\" \/>\n<meta name=\"robots\" content=\"index, follow, max-snippet:-1, max-image-preview:large, max-video-preview:-1\" \/>\n<link rel=\"canonical\" href=\"https:\/\/insightee.com.br\/blog\/be-right-back-a-narrativa-do-eu-e-a-coerencia-expressiva-no-episodio-de-black-mirror\/\" \/>\n<meta property=\"og:locale\" content=\"pt_BR\" \/>\n<meta property=\"og:type\" content=\"article\" \/>\n<meta property=\"og:title\" content=\"Be Right Back: a narrativa do &quot;eu&quot; e a coer\u00eancia expressiva no epis\u00f3dio de Black Mirror &#8211; insightee\" \/>\n<meta property=\"og:description\" content=\"Para analisar um epis\u00f3dio de uma das s\u00e9ries mais pol\u00eamicas da atualidade, revisitei conceitos sobre identidade, representa\u00e7\u00e3o e narrativa do &quot;eu&quot; online.\" \/>\n<meta property=\"og:url\" content=\"https:\/\/insightee.com.br\/blog\/be-right-back-a-narrativa-do-eu-e-a-coerencia-expressiva-no-episodio-de-black-mirror\/\" \/>\n<meta property=\"og:site_name\" content=\"insightee\" \/>\n<meta property=\"article:publisher\" content=\"https:\/\/www.facebook.com\/pedrormeirelles\" \/>\n<meta property=\"article:author\" content=\"https:\/\/www.facebook.com\/pedrormeirelles\" \/>\n<meta property=\"article:published_time\" content=\"2016-10-13T01:02:29+00:00\" \/>\n<meta property=\"article:modified_time\" content=\"2016-12-25T14:00:08+00:00\" \/>\n<meta property=\"og:image\" content=\"https:\/\/insightee.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2016\/10\/blackmirror-isthatyou.png\" \/>\n\t<meta property=\"og:image:width\" content=\"1173\" \/>\n\t<meta property=\"og:image:height\" content=\"657\" \/>\n\t<meta property=\"og:image:type\" content=\"image\/png\" \/>\n<meta name=\"author\" content=\"Pedro Meirelles\" \/>\n<meta name=\"twitter:card\" content=\"summary_large_image\" \/>\n<meta name=\"twitter:image\" content=\"http:\/\/insightee.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2016\/10\/blackmirror-whoisyou-768x431.png\" \/>\n<meta name=\"twitter:creator\" content=\"@https:\/\/twitter.com\/peumeirelles\" \/>\n<meta name=\"twitter:site\" content=\"@peumeirelles\" \/>\n<meta name=\"twitter:label1\" content=\"Escrito por\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:data1\" content=\"Pedro Meirelles\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:label2\" content=\"Est. tempo de leitura\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:data2\" content=\"14 minutos\" \/>\n<script type=\"application\/ld+json\" class=\"yoast-schema-graph\">{\"@context\":\"https:\\\/\\\/schema.org\",\"@graph\":[{\"@type\":\"Article\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/insightee.com.br\\\/blog\\\/be-right-back-a-narrativa-do-eu-e-a-coerencia-expressiva-no-episodio-de-black-mirror\\\/#article\",\"isPartOf\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/insightee.com.br\\\/blog\\\/be-right-back-a-narrativa-do-eu-e-a-coerencia-expressiva-no-episodio-de-black-mirror\\\/\"},\"author\":{\"name\":\"Pedro Meirelles\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/insightee.com.br\\\/blog\\\/#\\\/schema\\\/person\\\/25bb944f37e66a0298f607979c5b0a22\"},\"headline\":\"Be Right Back: a narrativa do &#8220;eu&#8221; e a coer\u00eancia expressiva no epis\u00f3dio de Black Mirror\",\"datePublished\":\"2016-10-13T01:02:29+00:00\",\"dateModified\":\"2016-12-25T14:00:08+00:00\",\"mainEntityOfPage\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/insightee.com.br\\\/blog\\\/be-right-back-a-narrativa-do-eu-e-a-coerencia-expressiva-no-episodio-de-black-mirror\\\/\"},\"wordCount\":2728,\"commentCount\":4,\"image\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/insightee.com.br\\\/blog\\\/be-right-back-a-narrativa-do-eu-e-a-coerencia-expressiva-no-episodio-de-black-mirror\\\/#primaryimage\"},\"thumbnailUrl\":\"https:\\\/\\\/insightee.com.br\\\/blog\\\/wp-content\\\/uploads\\\/2016\\\/10\\\/blackmirror-isthatyou.png\",\"keywords\":[\"Black Mirror\",\"coer\u00eancia expressiva\",\"identidade\"],\"articleSection\":[\"Artigos\"],\"inLanguage\":\"pt-BR\",\"potentialAction\":[{\"@type\":\"CommentAction\",\"name\":\"Comment\",\"target\":[\"https:\\\/\\\/insightee.com.br\\\/blog\\\/be-right-back-a-narrativa-do-eu-e-a-coerencia-expressiva-no-episodio-de-black-mirror\\\/#respond\"]}]},{\"@type\":\"WebPage\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/insightee.com.br\\\/blog\\\/be-right-back-a-narrativa-do-eu-e-a-coerencia-expressiva-no-episodio-de-black-mirror\\\/\",\"url\":\"https:\\\/\\\/insightee.com.br\\\/blog\\\/be-right-back-a-narrativa-do-eu-e-a-coerencia-expressiva-no-episodio-de-black-mirror\\\/\",\"name\":\"Be Right Back: a narrativa do \\\"eu\\\" e a coer\u00eancia expressiva no epis\u00f3dio de Black Mirror &#8211; insightee\",\"isPartOf\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/insightee.com.br\\\/blog\\\/#website\"},\"primaryImageOfPage\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/insightee.com.br\\\/blog\\\/be-right-back-a-narrativa-do-eu-e-a-coerencia-expressiva-no-episodio-de-black-mirror\\\/#primaryimage\"},\"image\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/insightee.com.br\\\/blog\\\/be-right-back-a-narrativa-do-eu-e-a-coerencia-expressiva-no-episodio-de-black-mirror\\\/#primaryimage\"},\"thumbnailUrl\":\"https:\\\/\\\/insightee.com.br\\\/blog\\\/wp-content\\\/uploads\\\/2016\\\/10\\\/blackmirror-isthatyou.png\",\"datePublished\":\"2016-10-13T01:02:29+00:00\",\"dateModified\":\"2016-12-25T14:00:08+00:00\",\"author\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/insightee.com.br\\\/blog\\\/#\\\/schema\\\/person\\\/25bb944f37e66a0298f607979c5b0a22\"},\"description\":\"Para analisar um epis\u00f3dio de uma das s\u00e9ries mais pol\u00eamicas da atualidade, revisitei conceitos sobre identidade, representa\u00e7\u00e3o e narrativa do \\\"eu\\\" online.\",\"breadcrumb\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/insightee.com.br\\\/blog\\\/be-right-back-a-narrativa-do-eu-e-a-coerencia-expressiva-no-episodio-de-black-mirror\\\/#breadcrumb\"},\"inLanguage\":\"pt-BR\",\"potentialAction\":[{\"@type\":\"ReadAction\",\"target\":[\"https:\\\/\\\/insightee.com.br\\\/blog\\\/be-right-back-a-narrativa-do-eu-e-a-coerencia-expressiva-no-episodio-de-black-mirror\\\/\"]}]},{\"@type\":\"ImageObject\",\"inLanguage\":\"pt-BR\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/insightee.com.br\\\/blog\\\/be-right-back-a-narrativa-do-eu-e-a-coerencia-expressiva-no-episodio-de-black-mirror\\\/#primaryimage\",\"url\":\"https:\\\/\\\/insightee.com.br\\\/blog\\\/wp-content\\\/uploads\\\/2016\\\/10\\\/blackmirror-isthatyou.png\",\"contentUrl\":\"https:\\\/\\\/insightee.com.br\\\/blog\\\/wp-content\\\/uploads\\\/2016\\\/10\\\/blackmirror-isthatyou.png\",\"width\":1173,\"height\":657,\"caption\":\"Imagem: Netflix\"},{\"@type\":\"BreadcrumbList\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/insightee.com.br\\\/blog\\\/be-right-back-a-narrativa-do-eu-e-a-coerencia-expressiva-no-episodio-de-black-mirror\\\/#breadcrumb\",\"itemListElement\":[{\"@type\":\"ListItem\",\"position\":1,\"name\":\"In\u00edcio\",\"item\":\"https:\\\/\\\/insightee.com.br\\\/blog\\\/\"},{\"@type\":\"ListItem\",\"position\":2,\"name\":\"Be Right Back: a narrativa do &#8220;eu&#8221; e a coer\u00eancia expressiva no epis\u00f3dio de Black Mirror\"}]},{\"@type\":\"WebSite\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/insightee.com.br\\\/blog\\\/#website\",\"url\":\"https:\\\/\\\/insightee.com.br\\\/blog\\\/\",\"name\":\"insightee\",\"description\":\"\u00e0 procura do insight perfeito\",\"potentialAction\":[{\"@type\":\"SearchAction\",\"target\":{\"@type\":\"EntryPoint\",\"urlTemplate\":\"https:\\\/\\\/insightee.com.br\\\/blog\\\/?s={search_term_string}\"},\"query-input\":{\"@type\":\"PropertyValueSpecification\",\"valueRequired\":true,\"valueName\":\"search_term_string\"}}],\"inLanguage\":\"pt-BR\"},{\"@type\":\"Person\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/insightee.com.br\\\/blog\\\/#\\\/schema\\\/person\\\/25bb944f37e66a0298f607979c5b0a22\",\"name\":\"Pedro Meirelles\",\"image\":{\"@type\":\"ImageObject\",\"inLanguage\":\"pt-BR\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/secure.gravatar.com\\\/avatar\\\/65e627ac6c71e8afcd40409c252c043555caf5da4f58ba46ab903227744c24fd?s=96&d=mm&r=g\",\"url\":\"https:\\\/\\\/secure.gravatar.com\\\/avatar\\\/65e627ac6c71e8afcd40409c252c043555caf5da4f58ba46ab903227744c24fd?s=96&d=mm&r=g\",\"contentUrl\":\"https:\\\/\\\/secure.gravatar.com\\\/avatar\\\/65e627ac6c71e8afcd40409c252c043555caf5da4f58ba46ab903227744c24fd?s=96&d=mm&r=g\",\"caption\":\"Pedro Meirelles\"},\"description\":\"Mestrando em Cultura e Territorialidades pela Universidade Federal Fluminense, formado em Estudos de M\u00eddia pela mesma institui\u00e7\u00e3o. Interessado em pesquisa digital, m\u00e9todos digitais, an\u00e1lise de dados, cultura, sociedade e Nordeste. Pesquisador no Instituto Brasileiro de Pesquisa e An\u00e1lise de Dados. (+)\",\"sameAs\":[\"https:\\\/\\\/www.facebook.com\\\/pedrormeirelles\",\"http:\\\/\\\/instagram.com\\\/seekpedro\",\"https:\\\/\\\/www.linkedin.com\\\/in\\\/meirellespedro\",\"https:\\\/\\\/x.com\\\/https:\\\/\\\/twitter.com\\\/peumeirelles\"],\"url\":\"https:\\\/\\\/insightee.com.br\\\/blog\\\/author\\\/pedro-meirelles\\\/\"}]}<\/script>\n<!-- \/ Yoast SEO plugin. -->","yoast_head_json":{"title":"Be Right Back: a narrativa do \"eu\" e a coer\u00eancia expressiva no epis\u00f3dio de Black Mirror &#8211; insightee","description":"Para analisar um epis\u00f3dio de uma das s\u00e9ries mais pol\u00eamicas da atualidade, revisitei conceitos sobre identidade, representa\u00e7\u00e3o e narrativa do \"eu\" online.","robots":{"index":"index","follow":"follow","max-snippet":"max-snippet:-1","max-image-preview":"max-image-preview:large","max-video-preview":"max-video-preview:-1"},"canonical":"https:\/\/insightee.com.br\/blog\/be-right-back-a-narrativa-do-eu-e-a-coerencia-expressiva-no-episodio-de-black-mirror\/","og_locale":"pt_BR","og_type":"article","og_title":"Be Right Back: a narrativa do \"eu\" e a coer\u00eancia expressiva no epis\u00f3dio de Black Mirror &#8211; insightee","og_description":"Para analisar um epis\u00f3dio de uma das s\u00e9ries mais pol\u00eamicas da atualidade, revisitei conceitos sobre identidade, representa\u00e7\u00e3o e narrativa do \"eu\" online.","og_url":"https:\/\/insightee.com.br\/blog\/be-right-back-a-narrativa-do-eu-e-a-coerencia-expressiva-no-episodio-de-black-mirror\/","og_site_name":"insightee","article_publisher":"https:\/\/www.facebook.com\/pedrormeirelles","article_author":"https:\/\/www.facebook.com\/pedrormeirelles","article_published_time":"2016-10-13T01:02:29+00:00","article_modified_time":"2016-12-25T14:00:08+00:00","og_image":[{"width":1173,"height":657,"url":"https:\/\/insightee.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2016\/10\/blackmirror-isthatyou.png","type":"image\/png"}],"author":"Pedro Meirelles","twitter_card":"summary_large_image","twitter_image":"http:\/\/insightee.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2016\/10\/blackmirror-whoisyou-768x431.png","twitter_creator":"@https:\/\/twitter.com\/peumeirelles","twitter_site":"@peumeirelles","twitter_misc":{"Escrito por":"Pedro Meirelles","Est. tempo de leitura":"14 minutos"},"schema":{"@context":"https:\/\/schema.org","@graph":[{"@type":"Article","@id":"https:\/\/insightee.com.br\/blog\/be-right-back-a-narrativa-do-eu-e-a-coerencia-expressiva-no-episodio-de-black-mirror\/#article","isPartOf":{"@id":"https:\/\/insightee.com.br\/blog\/be-right-back-a-narrativa-do-eu-e-a-coerencia-expressiva-no-episodio-de-black-mirror\/"},"author":{"name":"Pedro Meirelles","@id":"https:\/\/insightee.com.br\/blog\/#\/schema\/person\/25bb944f37e66a0298f607979c5b0a22"},"headline":"Be Right Back: a narrativa do &#8220;eu&#8221; e a coer\u00eancia expressiva no epis\u00f3dio de Black Mirror","datePublished":"2016-10-13T01:02:29+00:00","dateModified":"2016-12-25T14:00:08+00:00","mainEntityOfPage":{"@id":"https:\/\/insightee.com.br\/blog\/be-right-back-a-narrativa-do-eu-e-a-coerencia-expressiva-no-episodio-de-black-mirror\/"},"wordCount":2728,"commentCount":4,"image":{"@id":"https:\/\/insightee.com.br\/blog\/be-right-back-a-narrativa-do-eu-e-a-coerencia-expressiva-no-episodio-de-black-mirror\/#primaryimage"},"thumbnailUrl":"https:\/\/insightee.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2016\/10\/blackmirror-isthatyou.png","keywords":["Black Mirror","coer\u00eancia expressiva","identidade"],"articleSection":["Artigos"],"inLanguage":"pt-BR","potentialAction":[{"@type":"CommentAction","name":"Comment","target":["https:\/\/insightee.com.br\/blog\/be-right-back-a-narrativa-do-eu-e-a-coerencia-expressiva-no-episodio-de-black-mirror\/#respond"]}]},{"@type":"WebPage","@id":"https:\/\/insightee.com.br\/blog\/be-right-back-a-narrativa-do-eu-e-a-coerencia-expressiva-no-episodio-de-black-mirror\/","url":"https:\/\/insightee.com.br\/blog\/be-right-back-a-narrativa-do-eu-e-a-coerencia-expressiva-no-episodio-de-black-mirror\/","name":"Be Right Back: a narrativa do \"eu\" e a coer\u00eancia expressiva no epis\u00f3dio de Black Mirror &#8211; insightee","isPartOf":{"@id":"https:\/\/insightee.com.br\/blog\/#website"},"primaryImageOfPage":{"@id":"https:\/\/insightee.com.br\/blog\/be-right-back-a-narrativa-do-eu-e-a-coerencia-expressiva-no-episodio-de-black-mirror\/#primaryimage"},"image":{"@id":"https:\/\/insightee.com.br\/blog\/be-right-back-a-narrativa-do-eu-e-a-coerencia-expressiva-no-episodio-de-black-mirror\/#primaryimage"},"thumbnailUrl":"https:\/\/insightee.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2016\/10\/blackmirror-isthatyou.png","datePublished":"2016-10-13T01:02:29+00:00","dateModified":"2016-12-25T14:00:08+00:00","author":{"@id":"https:\/\/insightee.com.br\/blog\/#\/schema\/person\/25bb944f37e66a0298f607979c5b0a22"},"description":"Para analisar um epis\u00f3dio de uma das s\u00e9ries mais pol\u00eamicas da atualidade, revisitei conceitos sobre identidade, representa\u00e7\u00e3o e narrativa do \"eu\" online.","breadcrumb":{"@id":"https:\/\/insightee.com.br\/blog\/be-right-back-a-narrativa-do-eu-e-a-coerencia-expressiva-no-episodio-de-black-mirror\/#breadcrumb"},"inLanguage":"pt-BR","potentialAction":[{"@type":"ReadAction","target":["https:\/\/insightee.com.br\/blog\/be-right-back-a-narrativa-do-eu-e-a-coerencia-expressiva-no-episodio-de-black-mirror\/"]}]},{"@type":"ImageObject","inLanguage":"pt-BR","@id":"https:\/\/insightee.com.br\/blog\/be-right-back-a-narrativa-do-eu-e-a-coerencia-expressiva-no-episodio-de-black-mirror\/#primaryimage","url":"https:\/\/insightee.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2016\/10\/blackmirror-isthatyou.png","contentUrl":"https:\/\/insightee.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2016\/10\/blackmirror-isthatyou.png","width":1173,"height":657,"caption":"Imagem: Netflix"},{"@type":"BreadcrumbList","@id":"https:\/\/insightee.com.br\/blog\/be-right-back-a-narrativa-do-eu-e-a-coerencia-expressiva-no-episodio-de-black-mirror\/#breadcrumb","itemListElement":[{"@type":"ListItem","position":1,"name":"In\u00edcio","item":"https:\/\/insightee.com.br\/blog\/"},{"@type":"ListItem","position":2,"name":"Be Right Back: a narrativa do &#8220;eu&#8221; e a coer\u00eancia expressiva no epis\u00f3dio de Black Mirror"}]},{"@type":"WebSite","@id":"https:\/\/insightee.com.br\/blog\/#website","url":"https:\/\/insightee.com.br\/blog\/","name":"insightee","description":"\u00e0 procura do insight perfeito","potentialAction":[{"@type":"SearchAction","target":{"@type":"EntryPoint","urlTemplate":"https:\/\/insightee.com.br\/blog\/?s={search_term_string}"},"query-input":{"@type":"PropertyValueSpecification","valueRequired":true,"valueName":"search_term_string"}}],"inLanguage":"pt-BR"},{"@type":"Person","@id":"https:\/\/insightee.com.br\/blog\/#\/schema\/person\/25bb944f37e66a0298f607979c5b0a22","name":"Pedro Meirelles","image":{"@type":"ImageObject","inLanguage":"pt-BR","@id":"https:\/\/secure.gravatar.com\/avatar\/65e627ac6c71e8afcd40409c252c043555caf5da4f58ba46ab903227744c24fd?s=96&d=mm&r=g","url":"https:\/\/secure.gravatar.com\/avatar\/65e627ac6c71e8afcd40409c252c043555caf5da4f58ba46ab903227744c24fd?s=96&d=mm&r=g","contentUrl":"https:\/\/secure.gravatar.com\/avatar\/65e627ac6c71e8afcd40409c252c043555caf5da4f58ba46ab903227744c24fd?s=96&d=mm&r=g","caption":"Pedro Meirelles"},"description":"Mestrando em Cultura e Territorialidades pela Universidade Federal Fluminense, formado em Estudos de M\u00eddia pela mesma institui\u00e7\u00e3o. Interessado em pesquisa digital, m\u00e9todos digitais, an\u00e1lise de dados, cultura, sociedade e Nordeste. Pesquisador no Instituto Brasileiro de Pesquisa e An\u00e1lise de Dados. (+)","sameAs":["https:\/\/www.facebook.com\/pedrormeirelles","http:\/\/instagram.com\/seekpedro","https:\/\/www.linkedin.com\/in\/meirellespedro","https:\/\/x.com\/https:\/\/twitter.com\/peumeirelles"],"url":"https:\/\/insightee.com.br\/blog\/author\/pedro-meirelles\/"}]}},"views":17567,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/insightee.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2451","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/insightee.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/insightee.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/insightee.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/insightee.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2451"}],"version-history":[{"count":12,"href":"https:\/\/insightee.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2451\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":2469,"href":"https:\/\/insightee.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2451\/revisions\/2469"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/insightee.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media\/2465"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/insightee.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2451"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/insightee.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2451"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/insightee.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2451"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}