Categoria: Eventos

Ferramentas e outras indicações do CodaBR18, por Matheus Dantas

[Texto por Matheus Dantas, participante do Pontão da ECO-UFRJ]

Durante dois dias de aprendizado com mais de 40 horas de treinamento e várias trocas de conhecimento na ESPM em São Paulo, a Conferência Brasileira de Jornalismo de Dados e Métodos Digitais, Coda.br, em sua terceira edição apresentou diversas ferramentas – tanto para usuários experientes como para novatos – que facilitam o trabalho e divulgação de dados.

Se você não teve a oportunidade de acompanhar o evento, ou esteve lá e não conseguiu anotar tudo, o Insightee traz as principais ferramentas apresentadas e suas utilidades:

Base de dados da ABRAJI

Qual base de dados eu necessito para uma determinada pauta? Por onde começar a busca de dados sobre o sistema prisional? Esta planilha da Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo é colaborativa e atualmente contém mais de 180 base de dados de diversos assuntos desde economia e política a dados militares e de segurança pública. Ótimo lugar para iniciar sua busca: http://bit.ly/2DuVDs7

Google Trends

Sem ideia para pautas? Que tal ver o que as pessoas estão pesquisando no google. Keila Guimarães, curadora de dados do Google News Lab, mostrou que as pessoas são bem sinceras quando buscam no google. A ferramenta pode ser usada para encontrar reportagens fora da nossa bolha: as estatísticas de Trends são um termômetro, elas revelam aquilo que as pessoas querem saber mais a respeito. Para aprender a usar o Google Trends a empresa disponibiliza alguns cursos para extrair o melhor da ferramenta: http://bit.ly/2Q43kfC

IramuteQ

A ferramenta gratuita faz uma poderosa análise de textos de forma simples e foi apresentada pelo IBPAD – Instituto Brasileiro de Pesquisa e Análise de Dados. A pasta com o tutorial de instalação, apresentação da ferramenta, exercícios e exemplos de análises estatísticas está aqui: http://bit.ly/2KfsMcK

Queremos Saber

Se você se sente em risco quando se identifica ao pedir dados através da LAI (Lei de Acesso à Informação) o projeto Queremos Saber, que conta com apoio da Open Knowledge Brasil (OKBr), pode pedir para você. É necessário cadastrar o pedido no site https://queremossaber.org.br/, guardar o número do protocolo e o robô do projeto faz o trabalho no anonimato.

O órgão público responde a sua solicitação e o projeto disponibiliza a resposta através do número do seu protocolo (é muito importante guardar o número, não há outro tipo de identificação). O projeto ainda não disponibiliza para acesso público as informações já solicitadas, mas durante o evento Camille Moura da OKBr prometeu considerar a ideia.

Atualizando Tarefas Maçantes

Já estamos há muito tempo na terceira revolução industrial, que tal deixar as atividades repetitivas para os robôs? Aprenda aautomatizar tarefas maçantes com o Fernando Masanori: http://bit.ly/2DstJNk

Flourish

Dados são um monte de número e nem sempre a narrativa textual criada ajuda a interpretação do leitor. Que tal criar mapas bonitos, daqueles de grandes reportagens numa ferramenta sem custo nenhum? Graças ao Google News Lab, o Flourish é de graça para jornalistas, confere lá: www.flourish.studio

SQL

Como ‘entrevistar’ grande bases de dados? Tenta o SQL. Nesta pasta você encontra a apresentação da Cecilia do Lago, repórter do Estadão Dados, com o Leonardo Ferreira Leite, desenvolvedor de software no Serviço Federal de Processamento de Dados (Serpro) e algumas bases de dados para exercícios: http://bit.ly/2OTgsjf

Bots no Twitter

Bots estão no twitter tanto para o bem como para o mal e você pode criar um (claro que para o bem) com as metodologias disponibilizadas pelo Pedro Burgos: http://bit.ly/2Kcswen

Dados Abertos para Investigações Jornalísticas

Imagens ou vídeos estranhos na internet? Confira ferramentas para criar o seu lide (Como, Onde e Quando?) nessa apresentação da Barbára Libório e do Adriano Belisário: http://bit.ly/2PAa1GI

Estatística para jornalistas

Tá difícil de entender inferência, correlação e regressão linear? Renata Hirota do Volt Data Lab mostra como sair do básico para nunca mais errar em estatística: http://bit.ly/2qRYYd9

Como tornar sua história de dados mais atraentes?

Essa daqui não é bem uma ferramenta, mas é a apresentação da jornalista Amanda Rossi sobre como deixar sua historia de dados mais atraente para o público, afinal não adianta você ter um ótimo furo e o seu leitor não se interessar por ele. Aqui vão as dicas: http://bit.ly/2A3tMfh

+80 ferramentas

Para completar a lista aqui vão 80 ferramentas para ajudar a pesquisar, obter, coletar, armazenar, limpar, analisar e visualizar dados. Muitas são amigáveis para quem não tem grandes conhecimentos de programação. Elas foram apresentadas pela Natalia Mazotte, diretora-executiva da Open Knowledge Brasil: http://bit.ly/80tools-codabr

Outros links interessantes

+ Mini-tutorial introdutório sobre expressões regulares, por Álvaro Justen

Regressão linear, por Renata Hirota

Thread de conteúdos/indicações por Raphael Hernandes, incluindo documento de anotações sobre palestras e atividades

+ Lista de bases públicas (para jornalistas), por Tiago Mali

Dicas, recomendações e apresentações do #CodaBR18

+ Análise de dados: Pandas não morde, por Fernando Masanori

Jornalismo investigativo open-source: ferramentas on-line para responder quem, quando e onde, por Bárbara Libório e Adriano Belisário

Computação visual para Ciências Sociais e Jornalismo, por Tarcízio Silva

Jupyter Notebook – o bloquinho megablaster dos jornalista de dados, por Fernanda Campagnucci

Sobre Coda.br, humildade e networking no bar

18 palestras para assistir no Social Media Week São Paulo 2017 (com gravações na íntegra)

[Atualizado 20/09: disponibilizei aqui no post as gravações feitas pela organização do Social Media Week e patrocinadores para quem não pôde comparecer ao evento]

Entre os dias 11 e 15 de setembro acontece em São Paulo mais uma edição do Social Media Week, evento global que reúne anualmente milhares de pessoas em todos os quatro cantos do mundo. Com mais de 200 palestras, a expectativa é que esta edição brasileira supere o público do ano passado de 4.400 participantes, chegando a receber cerca de 5.000 inscritos nas centenas de atividades que acontecerão durante os cinco dias no campus Joaquim Távora da ESPM-SP.

Com tantas opções (já são mais de 227 atividades e 281 palestrantes), fica fácil se perder nesse oceano de possibilidades. Para ajudar a encontrar as palestras que são do seu maior interesse, a equipe do SMW convidou curadores, patrocinadores e jurados para montar trilhas de conteúdo com hashtags temáticas que direcionam o assunto de cada palestra. Desta forma você consegue facilmente encontrar os temas do seu interesse: inteligência artificial, influenciadores, chatbots, inovação, negócios, etc.

Também com a intenção de orientar quem possa estar perdido, montei o meu próprio cronograma de palestras que devo (ou gostaria de) acompanhar. Ratifico desde já que se trata apenas de sugestões e há várias outras atividades/palestrantes de qualidade no evento, mas aqui listei apenas aqueles profissionais cujo trabalho conheço pelo menos superficialmente. São professores, pesquisadores, empreendedores e outros profissionais que posso garantir que têm conhecimento bacana a ser compartilhado!

SEGUNDA-FEIRA, 11 DE SETEMBRO

Para abrir o evento com o pé direito, recomendo esta palestra importantíssima de Monique Evelle e Lucas Santana. A Evelle Consultoria foi responsável pelo levantamento que escancarou a falta de diversidade no Rock In Rio 2017 que homenageia a África. Já falei sobre diversidade aqui no blog e reforço o papel da comunicação na criação das desigualdades.

Marcella Rodrigues é Mestre pela Universidade Federal de Pernambuco e trabalha desde 2008 com marketing em mídias sociais. Sua pesquisa foi justamente sobre as estratégias narrativas dos clubes de futebol para engajar o torcedor conectado, então podemos ter certeza que a junção entre academia e mercado será bem trabalhada nessa palestra!

Rodrigo Helcer é um dos fundadores da Stilingue, ferramenta que tem ganhado o mercado devido ao seu intenso trabalho de inovação e tecnologia, além de um direcionamento dedicado criteriosamente às estratégias com influenciadores. Helcer também foi autor do capítulo “Para onde vamos”, do livro Monitoramento e Pesquisa em Mídias Sociais, do IBPAD.

No ano passado eu recomendei o conteúdo da Mônica Duarte Bulgari pela palestra “Como não cometer gafes sobre questões de gênero e feminismo nas redes sociais” aqui no blog. Baseado no que pude conferir da sua apresentação no ano passado, pode ter certeza que sua fala sobre redação para mídias digitais deve seguir a mesma linha de qualidade e profissionalismo.

TERÇA-FEIRA, 12 DE SETEMBRO

Na terça-feira o tema inteligência artificial é predominante na maioria das palestras, inclusive na minha lista. A começar pela apresentação de Andrea Hiranaka, que trabalha na Ipsos e escreveu o excelente capítulo “COMUNIDADES ONLINE: Construindo conhecimento sobre o consumidor de forma ativa, interativa e colaborativa”, também do livro do IBPAD.

Quando o assunto é novidade (no mundo da comunicação/tecnologia), há muito ânimo e pouco debate sobre o que é real e o que é apenas frenesi – por isso a importância desse painel! Com mediação de Tarcízio Silva (IBPAD), os pesquisadores Erick Fonseca e Luiz Merschmann trazem a qualidade acadêmica para o debate com Milton Stiilpen Jr, cofundador da Stilingue.

E para fechar a terça-feira com debates qualificados e responsáveis sobre inteligência artificial, Wesley Muniz (Bradesco; também professor do curso de Monitoramento do IBPAD) recebe Vinícius Padalino (Social QI) e Will Zanette (F.biz) para discutir como a IA pode ajudar os profissionais de BI e mídia a tomarem melhores decisões.

QUARTA-FEIRA, 13 DE SETEMBRO

No Profissão Social Media: Relacionamento Marcelo Salgado falou um pouco sobre o trabalho que o Bradesco desenvolve com a ajuda de (micro-)influenciadores/creators e nesta apresentação Nayara Ruiz promete compartilhar mais um pouco de como a empresa tem utilizada dessa estratégia para construir o ciclo social da marca.

Dani Rodrigues é Gerente de Real-Time na Coca-Cola e uma das minhas maiores inspirações profissionais, como já explicitei aqui no blog diversas vezes. Já a escutei falando como aluno, como ouvinte e como amigo, e posso garantir sem titubear: você sempre sairá da sua presença com um ar renovado e muito entusiasmo para se tornar um melhor profissional e melhor pessoa.

QUINTA-FEIRA, 14 DE SETEMBRO

Gutenberg Almeida é coordenador na pós-graduação do Centro Universitário Una, onde foi responsável pela reformulação no currículo da especialização em Comunicação Digital e Mídias Sociais. Tenho acompanhado um pouco do seu trabalho nas mídias sociais (principalmente LinkedIn) e estou ansioso para poder aprender mais de perto!

Essa é uma das palestras pela qual coloco a minha mão no fogo. Jaqueline Buckstegge é cientista política pela UnB e minha colega no IBPAD. Além disso, ninja do Excel. Fui eu quem insisti que ela oferecesse essa atividade, aliás, porque achei que ela deveria compartilhar tanto conhecimento com o mundo. Obrigado, de nada!

Soraia Lima é coordenador no curso de pós-graduação em Planejamento Estratégico e Concepção de Branded Content do Senac em São Paulo. Já foi Community Manager do Scup e já ofereceu/ainda oferece aulas em diversos cursos sobre mídias sociais em todo o Brasil. Também faz a ponte entre academia e mercado, o que é sempre um selo de qualidade.

Para fechar a quinta-feira com chave de ouro, Gabriel Ishida apresenta o resultado da pesquisa que realizou sobre as dificuldades de mensuração com influenciadores para campanhas em mídias sociais. No livro do IBPAD, ele escreveu o capítulo “Influenciadores”, onde apresentou uma tipologia de classificação com foco no trabalho de métricas (e ROI).

Sou fã do trabalho que Alexandre Formagio desenvolve na Media Education desde a primeira vez que conheci, ainda de longe, o Social Analytics Summit. Nesse workshop ele aborda um tema que aparece de vez em quando mas que deveria ser um debate constante para profissionais que trabalham com mídias sociais, onde somos todos usuário-mídia e brand personas.

SEXTA-FEIRA, 15 DE SETEMBRO

Eu trabalho diretamente com a Débora Zanini e posso dizer que cada dia que passa aprende um pouco mais. Ela apresentou uma palestra semelhante no Social Analytics Summit do ano passado e foi uma das mais elogiadas do evento. Ao lado de Jaqueline Buckstegge, sobre quem já comentei anteriormente, deve deixar todos encantados mais uma vez.

Eu queria muito ter entrevistado o Gustavo Rodrigues para o Profissão Social Media: Planejamento, mas infelizmente não consegui por motivos que já não me recordo. Agora, felizmente, terei a sorte de aprender um pouco do muito que ele tem a compartilhar sobre o trabalho de planejamento – e justamente no foco que mais nos interessa, o de mídias sociais.

Disputando a atenção com a palestra do Gustavo, está essa também incrível palestra do Felipe Proto sobre métricas incomuns para mídias sociais. Gerente de BI na iProspect, sei que ele também tem um excelentíssimo repertório com o trabalho de métricas e terá perspectivas singulares para quem trabalha na área, trazendo insights valiosos e importantes.

Por fim, recomendo humildemente a palestra que vou oferecer com base na série Profissão Social Media. A proposta é trazer os highlights dos seis posts da série (monitoramento, planejamento, criação de conteúdo, relacionamento, mídia e métricas — os dois últimos já em fase de finalização) com o conhecimento dos 60 profissionais que tive a oportunidade de entrevistar.

Reitero que essas são apenas algumas das sugestões que compartilho por conhecimento prévio dos respectivos profissionais, mas há outras centenas de atividades interessantes com palestrantes de qualidade e com muito conhecimento a compartilhar. Caso tenha alguma sugestão, é só deixar aqui nos comentários que posso até atualizar o texto! 🙂

Planner Summit 2017: palestras extras online sobre insights, carreira e diversidade

Cerca de um mês atrás aconteceu mais uma edição do Planner Summit, evento anual da Media Education que tem a proposta de debater, discutir e provocar reflexões acerca do trabalho de planejamento na área de comunicação. Neste ano, além da dobradinha workshop + palestras, a organização preparou também alguns benefícios extras para que o processo de aprendizado não se limitasse aos encontros presenciais: um relatório oficial com as principais ideias levantadas durante o evento e três palestras inéditas divulgadas em seu canal no YouTube.

Com a diversidade em pauta, o evento se preocupou em trazer falas que discutissem com propriedade não apenas a questão da representatividade enquanto ato político, mas também as particularidades e peculiaridades dos públicos e consumidores brasileiros em seus diferentes níveis de comportamento e consumo. O argumento principal é que a avalanche de dados que temos à disposição nos dias de hoje é o mais potente artifício que possuímos para tentar dar conta da complexidade dos indivíduos/usuários/consumidores – e é onde os profissionais de planejamento precisam cada vez mais se ancorar para criar conceitos e campanhas responsáveis, coerentes e coesos com todos os propósitos do trabalho. As palestras extras, as quais você confere abaixo, foram tangenciais a esse debate.

A palestra “Será que esse é o insight correto?”, de André Sinkos (supervisor de planejamento da F.biz) remete bastante a uma percepção que tive a partir da elaboração do Profissão Social Media: Planejamento – que é: o planner deve ser sempre inquieto. Conforme apresenta algumas soluções para responder ao tensionamento do título, podemos perceber que o trabalho de planejamento exige uma constante provocação de verdades absolutas. Há uma preocupação bastante forte também com a metodologia do trabalho, que merece atenção redobrada em todos os pontos e deve se manter fiel à linha de argumentação do início ao fim. E, por fim, o lema cada vez mais adotado no mercado – pelo fim do achismo: “In God we trust, all other must bring data”.

“O insight é uma correlação de informações que te permite encontrar uma solução para um problema.”

Mais curtinha, a palestra “Como o planejamento pode ir além em sua carreira”, de Karen Oliveira (consultora de marketing da TopperMinds) é bastante interessante. Relevante porque traz algumas provocações sobre como precisamos nos enxergar, enquanto profissionais, também como marcas e principalmente estarmos cientes de negócios. Gostei particularmente dos três pilares indicados para um planner: o olhar, a sensibilidade e a objetividade. O primeiro diz respeito a repertório, um dos pontos de atenção mais comum quando falamos da profissão; o segundo, ao caráter de etnógrafo, aquele que deve observar e compreender indivíduos, comportamentos, valores, etc.; e, por fim, a objetividade de negócios que visam o lucro.

Fechando com chave de ouro (tanto este post quanto a série de palestras presenciais e online do Planner Summit), Nathalia Andrijic (estrategista na R/GA) dá uma aula na palestra “Gênero e diversidade. Como planejar corretamente?”. O roteiro é uma expansão e adensamento de um texto semelhante publicado no blog Jovens Planners, o qual já recomendei veementemente aqui no blog em outras ocasiões. Ela apresenta seis desculpas reais que profissionais engajados na tentativa de melhorar a questão da representatividade em agências de comunicação/publicidade enfrentam (pelos outros e por consigo mesmos) ao serem chamados a atenção quando o assunto é diversidade (e gênero). Para superá-las (além da boa vontade), ela contra-argumenta com seis atitudes que devemos adotar para trabalharmos com maior responsabilidade.

A palestra me lembrou também a fala de Fernando Montenegro, da consultoria Etnus, no debate “Dados para conhecer melhor as diversidades” no II Simpósio de Mídias Sociais no IBPAD. Na ocasião, entretanto, o recorte não era de gênero, mas de raça. Pegando esse gancho, vale provocar também – já que estamos em processo de contínuo aprendizado – o debate sobre raça em eventos de comunicação. Enquanto a pauta de gênero parece ter ganhando e continua ganhando cada vez mais espaço e legitimidade no mercado, há ainda uma lacuna muito grande no que tange a preocupação com representatividade racial em ambientes de negócios. Sobre o tema, recomendo o texto “Muito mais que 8%, muito além da temática racismo”, de Taís Oliveira.

Feita a crítica construtiva, só tenho a parabenizar a Media Education pela incrível iniciativa. Como infelizmente não pude comparecer ao evento, fiquei extremamente satisfeito de poder ter um pouco de acesso às temáticas debatidas através de outros pontos de conexão com tanta qualidade quanto os debates que aconteceram presencialmente. E, mais uma vez, parabéns por colocar em pauta o tema da diversidade que ao mesmo tempo que é político, é também (ou pelo menos deveria ser) apenas o comum.

Social Analytics Summit 2016: o evento segundo o Twitter (e o Slideshare)

Aconteceu em São Paulo nos dias 25 e 26 de novembro o Social Analytics Summit 2016, realizado pela Media Education. Com a curadoria de Gabriel Ishida e Vinícius Ghise, a quinta edição do evento reuniu centenas de profissionais dos mais diferentes cargos e funções de trabalho em dois dias recheados de palestras interdisciplinares sobre como trabalhar de forma inteligente com dados na/da internet. Este ano, pela primeira vez, tive a oportunidade de estar presente na Faculdade Cásper Líbero para acompanhar tanto o workshop, na sexta-feira, quanto o evento, no sábado.

No entanto, como reitero desde o início do blog, embora os cursos e eventos aconteçam na rua (geralmente em São Paulo), muito do que se produz ali também chega de alguma forma à internet. Portanto, para ajudar aqueles que por quaisquer motivos não puderam (ou não quiseram) presenciar o SAS 2016, relato aqui o que rolou no evento de acordo com o Twitter. Para ajudar a estruturar a narrativa, conto também com o perfil da Media Education no Slideshare – que merece todos os elogios por sempre disponibilizarem os materiais de seus diversos eventos gratuitamente para quem tiver interesse em aprender. Antes, um adendo: infelizmente eles só divulgarão as apresentações daqui a alguns dias, ou seja, por ora, teremos apenas o Twitter para nos guiar.

Na sexta-feira, 25, aconteceu o workshop com palestras de Eduardo Faria (Pesquisas com dados digitais), Vinícius Ghise (Transformando dados em planejamento), Gustavo Pereira (Planejamento e resultados de mídia) e Beatriz Blanco (Data visualization). Como o público era bem menor e o caráter das palestras mais “educativo”, infelizmente não tivemos produção de tweets suficientes para contar como foi o dia. Ou seja, atualizo o post assim que as apresentações no Slideshare forem disponibilizadas para acrescentar mais conteúdo e contar o que rolou no workshop. Partimos, portanto, para sábado, dia do evento, com palestras sobre influenciadores, dashboards, big data, pesquisa, gestão de crise e estratégia.

Alguns slides do workshop já estão disponíveis:

A primeira palestra, “Dashboards e inteligência em tempo real”, foi comandada por Ingrid Pino com algumas intervenções de Leonardo Naressi, ambos da dp6. Ela falou sobre o assunto em três aspectos: 1) a diferença entre medir em tempo real e agir em tempo real; 2) quais dados entregar em um dashboard para inteligência em real-time; 2) como comunicar os dados para melhorar as ações. Ou seja, quando falamos de “real-time“, precisamos tratar de três pilares básicos: para que medir (objetivos práticos), o que medir (método) e como apresentar (data viz). Ou seja, é preciso que tudo esteja muito bem alinhado e estruturado porque é tudo muito rápido. Nas palavras dos próprios: “Planeje o que vai medir, prepare-se para agir e esteja aberto para improvisar”.

Embora a expressão “marketing real-time” tenha se popularizado pela adoção de uma estratégia de guerrilha de grandes empresas, como Coca-Cola, eles mostraram que essa prática não é tão “ostentiva” assim. Tendo um guia de conduta bem planejado e responsável, algumas ferramentas de criação de dashboards possuem uma taxa razoavelmente barata para implementar o necessário desse tipo de atuação, que pode ser útil para empresas de médio porte que estão bem imersas no universo digital (como e-commerces, por exemplo) – e não apenas para gestão de crises, mas também para criação de oportunidades. Felizmente o Slideshare já está disponível para quem tiver interesse:

Em seguida, foi a vez de Maira Berutti (MC15), Gabriel Ishida (Atlas Media Lab) e Leandro Bravo (Celebrity’s) assumirem o palco para um debate riquíssimo e muito importante: influenciadores trazem resultado? Berutti trouxe sua visão enquanto pesquisadora, Ishida pôde contribuir através da experiência com grandes marcas e estudos recentes sobre o assunto, e Bravo colaborou com uma visão de quem faz casting de produtores de conteúdo. Dividi algumas questões que foram abordadas em tópicos:

Como justificar o investimento em influenciadores?

Essa é uma questão que acho importante fazer um recorte. Na minha percepção, grandes empresas já compreenderam a importância (e contribuição) de se trabalhar com influenciadores digitais – o que deve ter sido relativamente fácil, já que a publicidade historicamente usa de celebridades há décadas para promover uma marca ou um produto. Ou seja, já não se precisa mais argumentar tanto assim com marcas como Coca-Cola, Skol, McDonald’s, Vivo, etc. quanto ao uso de influenciadores, principalmente quando o público que querem atingir é mais jovem. Entretanto, quando se trata de marcas menores ou de pequenas e médias empresas, a pergunta fica mais apropriada.

E aí a questão fica mais adequada: como justificar o investimento em influenciadores para marcas menores, pequenas e médias empresas? A resposta parece simples, mas a execução é bem mais desafiadora: educando o cliente. Acredito que uma falha seja a decisão de trabalhar com influenciadores antes de ter definido qual é o objetivo estratégico de comunicação da marca/empresa. O influenciador precisa vir como “ferramenta” ou “plataforma” para endossar a mensagem que se quer passar – e, neste caso, vale citar McLuhan para argumentar que o meio também é mensagem. Tendo os objetivos em mente, é possível argumentar com os clientes como e por qual motivo aquele influenciador pode ser um recurso para aquele esforço comunicacional: para ajudar na argumentação, vale embasar a fala na pesquisa da Traackr que listou os “tipos” de influenciadores.

Ao mesmo tempo em que o objetivo é definido e pensa-se num influenciador para uma ação ou uma campanha, é importante discutir também quais são os valores acionados por aquela pessoa e como esses aspectos simbólicos podem beneficiar ou destratar a imagem da empresa. Para selecionar com inteligência e responsabilidade o influenciador (seja ele youtuber, ex-viner, famoso do Snapchat ou Instagram, blogueiro, ou simplesmente um fã influente na sua comunidade de consumidores), é preciso analisar tanto os números (o que em termos de mensuração a pessoa pode entregar) quanto o histórico, valores simbólicos/culturais do indivíduo. Talvez o termo mais apropriado para discutir sobre a escolha de influenciadores não seja influência, mas relevância – e isso é sempre relativo, depende de referenciais distintos.

Se o tempo permitisse, o debate sobre influenciadores com certeza durariam alguns dias. Para quem tiver mais interesse no assunto, recomendo o capítulo escrito por Gabriel Ishida para o novo livro do IBPAD, “Monitoramento e Pesquisa em Mídias Sociais: metodologias, aplicações e inovações”, onde ele compilou descobertas de estudos que têm feito sobre a significância de influência e relevância nas mídias sociais. Para uma perspectiva mais acadêmica, conheci recentemente o trabalho de Crystal Abidin, que estuda sobre influenciadores, blogueiras e webcelebridades no Oeste da Ásia. Considero um assunto de tremenda importância e que precisa ser debatido com mais seriedade e responsabilidade, indo além das falácias e celebrações mercadológicas que vemos por aí.

A penúltima palestra da manhã, “Dados para quê mesmo?”, foi ministrada por Willian Zanette, da F/Nazca Saatchi. Ele falou sobre o uso de dados para embasar decisões estratégicas e gerar resultados valiosos. Sua fala foi bastante inspiradora para aqueles que trabalham com métricas e indicadores digitais em geral, argumentando que os profissionais data-driven já não são mais trunfos para as empresas, mas essenciais ao mercado. Por outro lado, ele também fez colocações importantes sobre a “generalização apressada” de dados como verdades absolutas, o que serve para refletir as limitações que o digital também apresenta. Em resumo, uma frase da apresentação que explica bem sua fala: “Pensamento integrado com inteligência de dados orientado para resultados”.

A palestra da Polis Consulting, patrocinadora do evento, “Identificação de influenciadores: como os dados podem te ajudar?” fechou o turno da manhã. Eles mostraram alguns dos trabalhos que têm desenvolvido na pesquisa e monitoramento de mídias sociais. apresentando também algumas aplicações para o famoso Facebook Topic Data. Um adendo cômico: como o horário do almoço estava próximo, a produção de tweets caiu bastante – mas, mesmo sendo breve, a apresentação foi bem interessante, principalmente no quesito de visualização de dados. Espero que disponibilizem em breve o Slideshare (e atualizo aqui quando isso acontecer).

Retornando do almoço, tivemos o resultado da pesquisa “O profissional de inteligência de mídias sociais no Brasil” apresentada por Ana Claudia Zandavalle, que visa gerar informação estratégica para o mercado. Em sua sexta edição, a pesquisa, que já foi comandada por Tarcício Silva e Júnior Siri, teve seu número mais alto de respondentes (386), com representantes de 24 dos 26 estados brasileiros. Os resultados apresentam informações sobre demografia, formação e estudos, ferramentas e conhecimento na área, campo de trabalho, fontes de informação e referências. Para quem tiver interesse, vale também dar uma olhada no capítulo homônimo do novo livro do IBPAD, que conta com descrições mais detalhadas sobre a pesquisa e seus dados evolutivos.

Pretendo me aprofundar mais na pesquisa quando fizer um post (ainda este ano) sobre produzir conteúdo para a internet. Preciso, entretanto, utilizar este breve espaço para agradecer a você – leitor – que, ao responder a pesquisa, recomendou este blog como um dos principais blogs/portais de referência. Com pouco mais de 1 ano de blog, já colhi frutos extraordinários de aprendizados (para quem não sabe, consegui meu atual estágio graças ao blog) e de vivências que a vida me proporcionou ao conhecer pessoas e profissionais incríveis em quem me espelho fielmente para traçar minha jornada profissional. Aos interessados, a boa notícia é que o Slideshare da pesquisa já está disponível tanto no perfil do Media Education quanto no perfil da Ana Claudia, que você confere logo abaixo:

Em seguida, foi a vez de Fabiane Nardon, da Tail Target, para falar sobre “O verdadeiro big data: possibilidades e desafios”. Esta foi sem dúvida uma das melhores – se não, a melhor – palestras de todo o Social Analytics Summit 2016. Além do conteúdo ter sido extraordinário (crédito para Fabiane), foi uma apresentação muito importante para o mercado no momento em que “big data” já foi (des)conceitualizado de várias formas. Ela apresentou como tem sido feito o trabalho com big data no Brasil e no exterior, apresentando possibilidades de atuação para o mercado digital e para onde o futuro aponta. Vale mencionar também seu alerta sobre o uso automatizado irresponsável dos dados, que reproduzem os preconceitos dos próprios indivíduos (no caso, aqueles que programam as máquinas).

Outra pesquisa incrível foi a “Dados para pesquisas sociais”, de Débora Zanini (Ovilgy). Mais do que uma palestra, foi uma verdadeiro aulão: ela quis mostrar ao público que é possível fazer pesquisas de âmbito sociais, políticas e culturais nas mídias sociais (desde que fique ciente suas proporções e limitações), ou, nas palavras de Richard Rogers: “A questão não é mais saber o quando da sociedade e da cultura está online, mas sim como diagnosticar mudanças culturais e condições da sociedade através da internet”. Para quem tiver interesse, escrevi um pouco sobre isso no curso que fiz no IBPAD sobre Etnografia para Mídias Sociais e na resenha que publiquei sobre o livro “Etnografia e consumo midiático: novas tendências e desafios metodológicos” – especialmente no capítulo de Christine Hine, citada na apresentação (sobre os 3 “e”s da internet).

Confira a apresentação:

Ela apresentou resumidamente um pouco da metodologia para realizar pesquisa sócio-político-cultural nas mídias sociais, tendo em visto as plataformas, os contextos sociais e os usuários e suas reapropriações. Também indicou diversas ferramentas acadêmicas para essa finalidade, como a Netvizz e a Netlytic. Destaco também o exemplo que trouxe para o evento, o relatório “The iconic image on social media”, realizado pelo grupo de pesquisa Visual Social Media Lab sobre a imagem do menino sírio que mudou o debate sobre imigração. Foi talvez a palestra mais rica em conteúdo, com assunto que poderia se desdobrar em muito mais conhecimento. Para nossa sorte, isso já aconteceu: recomendo o capítulo de sua autoria para o livro do IBPAD e o curso (que já fiz!) “Etnografia para mídias sociais”, que em breve terá sua modalidade online.

Por fim, como os tweets acima indicam, a última palestra foi sobre “Um novo patamar na gestão de crise”, por Willian Rocha. Ele apresentou um framework bem interessante para a utilização de práticas de monitoramento e métricas na gestão de crise (e de risco). Foi uma apresentação bem rápida, principalmente devido ao tempo curto que lhe restara, mas o conteúdo foi bem útil para aqueles que trabalham com Community Management e SAC 2.0/Relacionamento nas mídias sociais. Infelizmente o Slideshare ainda não está disponível, mas, assim que estiver, atualizo o post com o conteúdo.

Em suma, posso dizer que foi um grande evento. Destaco principalmente as palestras das mulheres, que tiveram falas bastante focadas e ricas em conteúdo, sem dar muitas voltas sobre o que tinham a falar. Não há críticas a se fazer sobre o local do evento, mas acho que seria interessante pensar um modo de aumentar ainda mais o networking dos profissionais atendentes. Talvez fosse legal programar algumas mesas de debates mais abertas e horizontais, com alguns mediadores que estimulassem a participação do público em geral. No mais, parabéns a Gabriel Ishida e Vinícius Ghise pela curadoria, e à Media Education pelo evento – até 2017!