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Um discurso sobre as ciências

O texto “Um discurso sobre a ciências” (1987), de Boaventura de Sousa Santos, chegou até mim na primeira aula de Epistemologias que tive na pós. Refiro-me a ele como texto porque, ao lermos na própria sala de aula, ainda não tinha ciência de que aquele artigo de 22 páginas já havia sido publicado como livro com mais de 90 páginas em sua oitava edição pela Editora Cortez. Não suficiente, uma continuação com textos de vários autores compunham a coletânea “Conhecimento prudente para uma vida decente – ‘um discurso sobre as ciências’ revisitado”, de 2004.

Do mesmo modo que sua primeira publicação, feita em Portugal em 1987, causou um rebuliço intenso na comunidade acadêmica, também me impactou profundamente antes mesmo de descobrir todo esse contexto por trás da obra. Se, ao finalizar a leitura, já tinha como afirmativa de que ele precisava ser leitura básica em qualquer (ou melhor, em todas) disciplina(s) de graduação, depois que descobri toda a polêmica por trás de sua publicação (e continuações/revisões), não tenho dúvida de que ele deve ser apresentado e discutido sempre nas primeiras aulas. Sobre essas polêmicas, o autor explica no prefácio (da 8ª edição, que foi a que adquiri):

Em meados dos anos 1990, eclodiu, primeiro na Inglaterra e depois nos EUA, um novo episódio de debate aceso entre positivistas e antipositivistas, entre realistas e construtivistas, que em breve se transformou numa nova guerra da ciência. O momento mais intenso desta guerra ficou conhecido pelo nome de Sokal Affair, por ter tido origem num embuste redigido pelo físico matemático Alan Sokal e publicado na revista Social Text, com o objetivo de denunciar as supostas debilidades das posições antipositivistas ditas pós-modernas. Neste artigo, Sokal menciona, como textos representativos desta corrente, Um Discurso sobre as Ciências e Introdução a uma Ciência Pós-Moderna. Logo depois, o esclarecimento do embuste é publicado em Língua Franca (1996, 62/64), num artigo intitulado “A Physicist Experiments in Cultural Studies”. Em 1997, Sokal publica, junto com Jean Bricmont, o livro Impostures Intellectuelles, em que é desenvolvida a crítica aos filósofos e cientistas sociais “pós-modernos” franceses, genericamente acusados de uso incorrecto de teorias e conceitos das ciências físico-naturais. Entretanto, em 2002, foi publicado em Portugal um livro intitulado O Discurso Pós-moderno contra a Ciência: obscurantismo e irresponsabilidade, de autoria de António Manuel Baptista. Em grande medida, este livro repete, e nem sempre corretamente, os argumentos de Alan Sokal e dos que, do seu lado, intervieram nas guerras da ciência, tomando Um Discurso sobre as Ciências como o seu principal alvo. […]

(SOUSA DOS SANTOS, p.9-10)

Hoje, com 24 anos, formado e já no mestrado, consigo entender (e, metaforicamente, visualizar) tudo que engloba e atravessa esse trecho. Acho fundamental a sua leitura para absorver os argumentos que o autor levanta, mas – e talvez até mais enfaticamente – acho ainda mais relevante essa contextualização por trás da obra. A academia, em várias instâncias e de diferentes formas, sempre me ajudou/me ajuda a compreender melhor o mundo, e penso que o próprio caráter pedagógico-social do livro já reflete o que vemos para além de seus muros: é tudo disputa, é tudo luta – é tudo discurso (que envolve também performance) + relação de poder.

Parto dessa breve contextualização/explicação porque ela dialoga (ou introduz) também muito da própria proposta de conteúdo do texto: provocar as ordens de saber dominantes. Ainda que seja do final da década de 80, é extremamente atual pela aderência do debate com a força que ganhou nos últimos anos os estudos decoloniais/pós-coloniais/anti-coloniais (o próprio Boaventura é um dos organizadores da obra Epistemologias do Sul, possivelmente a mais popular sobre o tema no Brasil) e pela discussão explicitamente política que envolve fake news, pós-verdade, etc. – no geral, o intenso debate sobre como combater o anticientificismo e suas derivações.

Sem mais delongas, apresento a seguir um resumo comentado (como já é de costume aqui no blog) da obra, que está dividida em três grandes partes: (I) O paradigma dominante, na qual Boaventura situa como a ciência e o método científico se estabeleceu como modo de ver/crer/saber regente; (II) A crise do paradigma dominante, quando aponta os problemas que desencadearam da lógica mecanicista da ciência moderna e; (III) O paradigma emergente, onde enuncia alguns dos pressupostos fundamentais para a concepção do que veio a se convencionar (e se criticar) de ciência pós-moderna (todo conhecimento é social, local/total, autoconhecimento e visa o senso comum).

Antes de entrar no texto, vale explicar (para quem não conhece) algumas das terminologias frequentemente utilizadas pelo autor: epistemologia (e suas derivações, como “condições epistêmicas”) é, basicamente, uma ordem de conhecimento – ou seja, é o modo de “fazer crer”, como, por exemplo, o método científico; positivismo (e, novamente, suas derivações, como antipositivismo, linha de argumento a qual o autor se alinha) é uma corrente de pensamento ancorada nos ideais de Auguste Comte, na qual a razão é produto indissociável do progresso – ou seja, só a iluminação do conhecimento (científico) seria capaz de levar uma sociedade para frente.

E é nesse tom que Boaventura inicia o texto: estamos (já há algumas décadas) num período de transição ambíguo e complexo “descompassado em relação a tudo o que o habita”. Ele inicia seu argumento afirmando que “perdemos a confiança epistemológica”, o que tem causado uma “sensação de perda” tanto pela perda em si quanto por não sabermos ao certo o que estamos perdendo. No entanto, o mesmo sentimento que assusta é também o que entusiasma: para surgir o novo, precisamos encarar e deixar para trás a estabilidade que nos ancorou por tanto tempo no velho.

Estamos no fim de um ciclo de hegemonia de uma certa ordem científica. As condições epistémicas das nossas perguntas estão inseridas no avesso dos conceitos quo utilizamos para lhes dar resposta. É necessário um esforço de desvendamento conduzido sobre um fio de navalha entre a lucidez e a ininteligibilidade da resposta. São igualmente diferentes e muito mais complexas as condições sociológicas e psicológicas do nosso perguntar. É muito diferente perguntar pela utilidade ou pela felicidade que o automóvel me pode proporcionar se a pergunta é feita quando ninguém na minha vizinhança tem automóvel, quando toda a gente tem excepto eu ou quando eu próprio tenho carro há mais do vinte anos.

(SOUSA SANTOS, p.17-18)

O paradigma dominante

Na primeira seção, o autor caracteriza brevemente a ordem científica hegemônica, com uma preocupação latente em contextualizar social e historicamente seu surgimento e viradas epistêmicas. Explica, por exemplo, que esse paradigma é fruto da revolução científica do século XVI, baseado nos estudos das ciências naturais e que só chega – ou melhor, impõem-se – sobre as ciências sociais no século XIX. Essa racionalidade científica seria um modelo global e totalitário, “na medida em que nega o carácter racional a todas as formas de conhecimento que se não pautarem pelos seus princípios epistemológicos e pelas suas regras metodológicas”.

O que Boaventura se propõe a explicar aqui é como o conhecimento científico se consagrou com parâmetros e propostas rigorosas que se diferenciam dos outros tipos de conhecimento hegemônicos anteriores, como a teologia e a metafísica. Essa característica, que soaria como universal – no sentido que seria válida para todos, um “ponto zero comum” -, deu aos protagonistas dessa revolução toda a confiança necessária para legitimar esse novo modo de saber. Para além da simples observação dos fatos, a ciência moderna se distinguiu do saber aristotélico e medieval ao estabelecer uma nova visão do mundo e da vida que “desconfia sistematicamente das evidência da nossa experiência imediata”.

As ideias que presidem à observação e à experimentação são as ideias claras e simples a partir das quais se pode ascender a um conhecimento mais profundo e rigoroso da natureza. Essas ideias são as ideias matemáticas. A matemática fornece à ciência moderna, não só o instrumento privilegiado de análise, como também a lógica da investigação, como ainda o modelo de representação da própria estrutura da matéria. […] Deste lugar central da matemática na ciência moderna derivam duas consequências principais. Em primeiro lugar, conhecer significa quantificar. O rigor científico afere-se pelo rigor das medições. As qualidades intrínsecas do objecto são, por assim dizer, desqualificadas e em seu lugar passam a imperar as quantidades em que eventualmente se podem traduzir. O que não é quantificável é cientificamente irrelevante. Em segundo lugar, o método científico assenta na redução da complexidade. O mundo é complicado e a mente humana não o pode compreender completamente. Conhecer significa dividir e classificar para depois poder determinar relações sistemáticas entre o que se separou. […] Esta distinção entre condições iniciais e leis da natureza nada tem de “natural”. Como bem observa Eugene Wigner, é mesmo completamente arbitrária. No entanto, é nela que assenta toda a ciência moderna.

(SOUSA SANTOS, p. 26-29)

Em outras palavras, o autor está dizendo que a ciência estabeleceu um protocolo de atuação que visa a formulação de leis a partir de regularidades observadas a fim de prever o futuro. Neste contexto, explica os quatros tipos de causa (essência da ciência moderna) para Aristóteles: a material, a formal, a eficiente e a final. “As leis da ciência moderna são um tipo de causa formal que privilegia o como funciona das coisas em detrimento de qual o agente ou qual o fim das coisas”, pontua. Ou seja, o propósito fundamental da ciência moderna é o de reprodutibilidade: compreender como acontece/aconteceu no presente/passado para que seja possível repetir no futuro.

A ideia de ordem e estabilidade do mundo é o pressuposto principal para esse projeto epistêmico, que também se traduz como pré-condição para a transformação tecnológica do real. Boaventura cita, aqui, a noção de mundo-máquina de Newton, no qual “o mundo da matéria é uma máquina cujas operações se podem determinar exactamente por meio de leis físicas e matemáticas, um mundo estático e eterno a flutuar num espaço vazio”, ou ainda, “um mundo que o racionalismo cartesiano torna cognoscível por via da sua decomposição nos elementos que o constituem”. E é essa ideia que se constitui como hipótese universal da época, averiguada como mecanicismo.

Esse determinismo mecanicista, conforme explica, é essencialmente utilitário e funcional, mais preocupado em dominar e transformar do que em “compreender profundamente o real”. Sendo filho das ciências naturais, foi assumido pelas ciências sociais sob duas vertentes: a primeira, “dominante, consistiu em aplicar, na medida do possível, ao estudo da sociedade todos os princípios epistemológicos e metodológicos que presidiam ao estudo da natureza desde o século XVI”; enquanto a segunda “consistiu em reivindicar para as ciências sociais um estatuto epistemológico e metodológico próprio, com base na especificidade do ser humano e sua distinção polar em relação à natureza”.

A primeira variante/vertente

  • Ciências naturais = modelo de conhecimento universalmente (e único) válido;
  • Fenômenos naturais e sociais podem ser estudados da mesma maneira;
  • Visão durkheimiana: “é necessário reduzir os factos sociais às suas dimensões externas, observáveis e mensuráveis”;
  • OBSTÁCULO I: “as ciências sociais não dispõem de teorias explicativas que lhes permitam abstrair do real para depois buscar nele, de modo metodologicamente controlado, a prova adequada”;
  • OBSTÁCULO II: “as ciências sociais não podem estabelecer leis universais porque os fenómenos sociais são historicamente condicionados e culturalmente determinados”;
  • OBSTÁCULO III: “as ciências sociais não podem produzir previsões fiáveis porque os seres humanos modificam o seu comportamento em função do conhecimento que sobre ele se adquire”;
  • OBSTÁCULO IV: “os fenómenos sociais são de natureza subjectiva e como tal não se deixam captar pela objectividade do comportamento”;
  • OBSTÁCULO V: “as ciências sociais não são objectivas porque o cientista social não pode libertar-se, no acto de observação, dos valores que informam a sua prática em geral e, portanto, também a sua prática de cientista”.

A segunda variante/vertente

  • Reivindica para as ciências sociais um estatuto metodológico próprio;
  • O argumento fundamental é que a ação humana é radicalmente subjectiva;
  • Ciências social é subjetiva -> “tem de compreender os fenómenos sociais a partir das atitudes mentais e do sentido que os agentes conferem às suas acções”
  • São necessários métodos de investigação e critérios epistemológicos diferentes das ciências naturais;
  • PROBLEMA – “Partilha com este modelo a distinção natureza/ser humano e tal como ele tem da natureza uma visão mecanicista a qual contrapõe, com evidência esperada, a especificidade do ser humano”.

Talvez o mais interessante, a meu ver, deste capítulo, é refletirmos como esse modo de fazer crer – ou seja, a epistemologia do conhecimento científico – é o alicerce de várias instâncias da vida em sociedade hoje. Se pensarmos em todo o molde de currículo estrutural escolar, por exemplo, temos uma aplicação bastante evidente de como isso pode ser traduzido. A própria ordem de disciplinas, separadas em diferentes áreas de conhecimento, são fruto dessa lógica de dividir para (re)produzir – e assim criam-se operadores da máquina capitalista.

A crise do paradigma dominante

Na segunda seção, o autor argumenta pelos sinais de crise do modelo de racionalidade científica a partir de três questões principais: 1) trata-se de uma crise profunda e irreversível; 2) o período de revolução científica dura desde Einstein até a atualidade, sem previsão de fim; 3) podemos apenas especular sobre o que virá a seguir como fruto desse período revolucionário, ainda que já seja possível “afirmar com segurança que colapsarão as distinções básicas em que assenta o paradigma dominante e a que aludi na secção precedente”.

A primeira condição teórica (que se une a uma pluralidade de outras, também sociais) resultante dessa crise é o avanço do próprio conhecimento científico, que “permitiu ver a fragilidade dos pilares em que se funda” – a exemplo da relatividade da simultaneidade de Einstein. A segunda condição teórica, segundo o autor, é o surgimento da mecânica quântica – que relativizou a microfísica como Einstein o fez com as leis de Newton. Nesse contexto, surgem três problemáticas: uma vez que o rigor científico é estruturalmente limitado, as leis da física seriam “tão-só probabilísticas”; a totalidade do real é incabível de redução à soma das partes para observação e mensuração; sujeito e objeto não são tão afastados assim.

O teorema da incompletude (ou do não completamento) e os teoremas sobre a impossibilidade, em certas circunstâncias, de encontrar dentro de um dado sistema formal a prova da sua consistência vieram mostrar que, mesmo seguindo à risca as regras da lógica matemática, é possível formular proposições indecidíveis, proposições que se não podem demonstrar nem refutar, sendo que uma dessas proposições é precisamente a que postula o carácter não-contraditório do sistema. Se as leis da natureza fundamentam o seu rigor no rigor das formalizações matemáticas em que se expressam, as investigações de Gödel vêm demonstrar que o rigor da matemática carece ele próprio de fundamento. A partir daqui é possível não só questionar o rigor da matemática como também redefini-lo enquanto forma de rigor que se opõe a outras formas de rigor alternativo, uma forma de rigor cujas condições de êxito na ciência moderna não podem continuar a ser concebidas como naturais e óbvias.

(SOUSA SANTOS, p. 47-48)

Há em voga um movimento convergente que, junto as já referenciadas condições teóricas da crise, tem propiciado “uma profunda reflexão epistemológica sobre o conhecimento científico”. Compõem-na duas facetas sociológicas, segundo o autor: é capitaneada “por cientistas que adquiriram uma competência e um interesse filosófico para problematizar a sua prática científica”; e abrange questões antes relegadas apenas a sociólogos – e agora centrais ao novo modelo -, como “a análise das condições sociais, dos contextos culturais, dos modelos organizacionais da investigação científica”.

Alguns dos temas principais dessa reflexão epistemológica são:

  1. O conceito de lei e de causalidade associado são questionados;
  2. O rigor científico é questionado no seu caráter epistemológico totalitário;
  3. A irredutibilidade dos objetos é enfrentada em seus diversos limites e problemáticas.

Boaventura fecha esta seção falando sobre a problemática da industrialização da ciência: “referirei tão-só que, quaisquer que sejam os limites estruturais de rigor científico, não restam dúvidas que o que a ciência ganhou em rigor nos últimos quarenta ou cinquenta anos perdeu em capacidade de auto-regulação”. Ratifica que “as ideias da autonomia da ciência e do desinteresse do conhecimento científico, que durante muito tempo constituíram a ideologia espontânea dos cientistas, colapsaram perante o fenómeno global da industrialização da ciência a partir sobretudo das décadas de trinta e quarenta”.

“A ciência e a tecnologia têm vindo a revelar-se as duas faces de um processo histórico em que os interesses militares e os interesses económicos vão convergindo até quase a indistinção”

Boaventura de Sousa Santos

O final desta seção é bem interessante porque, ao mesmo tempo em que coloca o dedo na ferida e basicamente diz: foi a ciência (ou pelo menos legitimados pela ciência) que nos levou às guerras, à exploração, à opressão, à escravidão, etc.; ainda mantém o entusiasmo ao afirmar que a crise é “o retrato de uma família […] criativa e fascinante, no momento de se despedir […] dos lugares conceituais, teóricos e epistemológicos, ancestrais e íntimos, mas não mais convincentes e securizantes” – e acrescenta: “uma despedida em busca de uma vida melhor a caminho doutras paragens onde o optimismo seja mais fundado e a racionalidade mais plural e onde finalmente o conhecimento volte a ser uma aventura encantada”.

Aqui, retomo o que falei no início do post sobre o caráter para além do conteúdo do texto que, a meu ver, é também instrumento pedagógico fundamental em sala de aula: o autor está jogando o jogo da disputa. Depois de passar uma seção (ou capítulo) inteira(o) citando problemas que as próprias ciências naturais acabaram encontrando conforme seus próprios paradigmas, amacia a mensagem basicamente falando que cientistas podem ser bonzinhos, só estão perdidos (parafraseando Criolo). Ou ele está tentando agradar um público que também quer persuadir com o texto, ou está simplesmente usufruindo do privilégio da epistemologia da ignorância.

O paradigma emergente

Na última seção, Boaventura apresenta o paradigma emergente a partir de quatro teses principais: 1) todo o conhecimento é científico-social; 2) é local e total; 3) é auto-conhecimento; 4) e visa constituir-se em senso comum. Antes, ratifica que são premissas para o futuro que “o que dele dissermos é sempre o produto de uma síntese pessoal embebida na imaginação, no meu caso na imaginação sociológica”. Ainda mais importante, também chama a atenção para o caráter desta revolução: “sendo uma revolução científica que ocorre numa sociedade ela própria revolucionada pela ciência, o paradigma a emergir dela não pode ser apenas um paradigma científico […], tem de ser também um paradigma social […]”.

1. Todo o conhecimento científico-natural é científico-social

A primeira tese do autor argumenta pelo fim da distinção dicotômica entre ciências naturais e ciências sociais e elege esta como catalisador necessário do paradigma emergente. Num primeiro momento, ele então discorre sobre diversas teorias da ciência moderna que “introduzem na matéria os conceitos de historicidade e de processo, de liberdade, de auto-determinação e até de consciência que antes o homem e a mulher tinham reservado para si”. Além desse esforço, ainda explica a importância da mecânica quântica como responsável pela transformação na distinção atual entre sujeito e objeto.

O conhecimento do paradigma emergente tende assim a ser um conhecimento não dualista, um conhecimento que se funda na superação das distinções tão familiares e óbvias que até há pouco considerávamos insubstituíveis, tais como natureza/cultura, natural/artificial, vivo/inanimado, mente/matéria, observador/observado, subjectivo/objectivo, colectivo/individual, animal/pessoa. Este relativo colapso das distinções dicotómicas repercute-se nas disciplinas científicas que sobre elas se fundaram.

(SOUSA SANTOS, p. 69)

Para além da superação dessa distinção, Boaventura argumenta também que é necessário enunciar “quem” dita o caminho a seguir. “Precisamente porque vivemos um estado de turbulência, as vibrações do novo paradigma repercutem-se desigualmente nas várias regiões do paradigma vigente e por isso os sinais do futuro são ambíguos”, explica. É nesse contexto que surgem matérias como a sociobiologia, cuja superação da dicotomia alinha muito mais a favor das ciências naturais. No entanto, se “atentarmos no conteúdo teórico das ciências que mais têm progredido no conhecimento da matéria, verificamos que a emergente inteligibilidade da natureza é presidida por conceitos, teorias, metáforas e analogias das ciências sociais”.

A máxima dukrheimiana seria, portanto, invertida: os fenômenos naturais deveriam ser estudados como fenômenos sociais (e não o contrário). Ainda assim, argumenta o autor, superar essa dicotomia pela égide das ciências sociais ainda não é um movimento “suficiente para caracterizar o modelo de conhecimento no paradigma emergente”. Como já explicou previamente, isso porque “as próprias ciências sociais constituíram-se no século XIX segundo os modelos de racionalidade das ciências naturais clássicas”. Como solução para essa armadilha, que pode ser apenas ilusória, Boaventura sugere um caminho direcionado ao campo de saber das humanidades, cujo projeto epistêmico é ainda mais subjetivo e relativo.

A superação da dicotomia ciências naturais/ciências sociais tende assim a revalorizar os estudos humanísticos. Mas esta revalorização não ocorrerá sem que as humanidades sejam, elas também, profundamente transformadas. O que há nelas de futuro é o terem resistido à separação sujeito/objecto e o terem preferido a compreensão do mundo à manipulação do mundo. Este núcleo genuíno foi, no entanto, envolvido num anel de preocupações mistificatórias (o esoterismo nefelibata e a erudição balofa). O ghetto a que as humanidades se remeteram foi em parte uma estratégia defensiva contra o assédio das ciências sociais, armadas do viés cientista triunfalmente brandido. Mas foi também o produto do esvaziamento que sofreram em face da ocupação do seu espaço pelo modelo cientista. […] Há que recuperar esse núcleo genuíno e pô-lo ao serviço de uma reflexão global sobre o mundo.

(SOUSA SANTOS, p. 76)

Confesso que o termo “humanidades”, para mim, não é tão comum. Apenas recordo de tê-lo visto em artigos/produções acadêmicas (geralmente em inglês) relacionados às chamadas “humanidades digitais” – mas que nunca me foi explicado ou que busquei compreender em sua complexidade, tomando-a como em sua concepção minimamente literal. “É pois necessário descobrir categorias de inteligibilidade globais, conceitos quentes que derretam as fronteiras em que a ciência moderna dividiu e encerrou a realidade”, pontua. “A ciência pós-moderna é uma ciência assumidamente analógica que conhece o que conhece pior através do que conhece melhor”.

O autor encerra esta primeira tese com um argumento que dialoga bastante com a minha trajetória acadêmica deste ano, conforme a urgência que notei – e adotei – de mudança de projeto do mestrado. É talvez a primeira vez que ele coloca, de maneira escancarada, o sujeito-pesquisador enquanto potência. Essa é uma das críticas que tenho ao texto, a qual já tinha pontuado brevemente ao final da primeira seção e que se repete de modo ainda mais grave (a meu ver) em parte da próxima tese, a seguir. No entanto, aqui, confesso que fui bastante atravessado ao modo como encerra:

Já mencionei a analogia textual e julgo que tanto a analogia lúdica como a analogia dramática, como ainda a analogia biográfica, figurarão entre as categorias matriciais do paradigma emergente: o mundo, que hoje é natural ou social e amanhã será ambos, visto como um texto, como um jogo, como um palco ou ainda como uma autobiografia. […] A nudez total, que será sempre a de quem se vê no que vê, resultará das configurações de analogias que soubermos imaginar: afinal, o jogo pressupõe um palco, o palco exercita-se com um texto e o texto é a autobiografia do seu autor. Jogo, palco, texto ou biografia, o mundo é comunicação e por isso a lógica existencial da ciência pós-moderna é promover a “situação comunicativa” tal como Habermas a concebe. Nessa situação confluem sentidos e constelações de sentido vindos, tal qual rios, das nascentes das nossas práticas locais e arrastando consigo as areias dos nossos percursos moleculares, individuais, comunitários, sociais e planetários.

(SOUSA SANTOS, 77-79)

2. Todo o conhecimento é local e total

Para argumentar por sua segunda tese, Boaventura critica a hiper-especialização da ciência moderna: “a excessiva parcelização e disciplinarização do saber científico faz do cientista um ignorante especializado”. Explica que o avanço pela especialização acarretou no dilema básico da ciência moderna: “o seu rigor aumenta na proporção directa da arbitrariedade com que espartilha o real”. Ainda que os males desse fenômeno já sejam reconhecidos, a ainda mantida disciplinarização (que organiza o saber e policia as fronteiras contra transposição) de novas disciplinas reproduzem o mesmo modelo de cientificidade.

Contra a parcelização do conhecimento, o autor defende o conhecimento total (universal e/ou indivisível) do paradigma emergente. Em vez de disciplinas, sugere temas, “galerias por onde os conhecimentos progridem ao encontro uns dos outros”. Contrário ao paradigma dominante, o novo paradigma tem o avanço do conhecimento “à medida que o seu objecto se amplia, ampliação que, como a da árvore, procede pela diferenciação e pelo alastramento das raízes em busca de novas e mais variadas interfaces”. Em outras palavras, é um passo em direção ao caráter interdisciplinar da academia – não de novas disciplinas, mas disciplinas dialogando entre si.

A segunda parte do argumento por esse conhecimento local é a que mais me incomodou em todo o texto: “o conhecimento pós-moderno é também total porque reconstitui os projectos cognitivos locais, salientando-lhes a sua exemplaridade, e por essa via transforma-os em pensamento total ilustrado”. Ainda sobre a ciência do paradigma emergente, acrescenta: “sendo […] assumidamente analógica, é também assumidamente tradutora, ou seja, incentiva os conceitos e as teorias desenvolvidos localmente a emigrarem para outros lugares cognitivos, de modo a poderem ser utilizados fora do seu contexto de origem”.

Eu não sei se entendi errado, ou se de fato ele quis dizer que o conhecimento pós-moderno pode transpor um conhecimento específico para outra realidade completamente diferente. Não é isso que a ciência moderna já faz? Em outro trecho, ele até reconhece isso, mas passando pano para o paradigma emergente: “Este procedimento [de tradução], que é reprimido por uma forma de conhecimento que concebe através da operacionalização e generaliza através da quantidade e da uniformização, será normal numa forma de conhecimento que concebe através da imaginação e generaliza através da qualidade e da exemplaridade”.

Novamente, não sei se entendi errado, mas, caso esteja correto, o que o autor faz é simplesmente privilégio acadêmico. Mais uma vez, ignora – ou melhor, vangloria – o sujeito-pesquisador, colocando-o o cientista pós-moderno tão iluminado quanto o cientista moderno que tanto critica. É conivente com as relações de poder que estão em jogo também na academia, que, como ele mesmo já afirmou anteriormente, traduz-se para toda a sociedade (visto que é onde parte a revolução científica da sociedade científica). E aí, enfim, esquece quem, histórica e socialmente, sempre teve a possibilidade de habitar esse espaço e criar/legitimar suas epistemologias.

O conhecimento pós-moderno, sendo total, não é determinístico, sendo local, não é descritivista. É um conhecimento sobre as condições de possibilidade. As condições de possibilidade da acção humana projectada no mundo a partir de um espaço-tempo local. Um conhecimento deste tipo é relativamente imetódico, constitui-se a partir de uma pluralidade metodológica. Cada método é uma linguagem e a realidade responde na língua em que é perguntada. Só uma constelação de métodos pode captar o silêncio que persiste entre cada língua que pergunta. Numa fase de revolução científica como a que atravessamos, essa pluralidade de métodos só é possível mediante transgressão metodológica. Sendo certo que cada método só esclarece o que lhe convém e quando esclarece fá-lo sem surpresas de maior, a inovação científica consiste em inventar contextos persuasivos que conduzam à aplicação dos métodos fora do seu habitat natural.

(SOUSA SANTOS, p. 83-84)

Mais uma vez, entretanto, o autor finaliza a tese de modo muito interessante, agora colocando o sujeito-pesquisador como potência criativa (entusiasta), porém possivelmente transgressora. Cabe a este ator transgredir metodologicamente para desenvolver um estilo literário novo, “uma configuração de estilos construída segundo o critério e a imaginação pessoal do cientista”. Em contraponto à suposta imparcialidade do racional científico moderno, aposta na “composição transdisciplinar e individualizada [… que] sugere um movimento no sentido da maior personalização do trabalho científico”.

3. Todo o conhecimento é auto-conhecimento

A terceira tese é, para mim, a mais interessante. Se critiquei o autor algumas vezes até aqui por conscientemente esquivar o sujeito do debate, é aqui que ele se redime de todas as minhas críticas. Boaventura começa este argumento explicando a problemática distinção dicotômica entre sujeito e objeto: “um conhecimento objectivo, factual e rigoroso não tolerava a interferência dos valores humanos ou religiosos”. Reconhece, entretanto, que essa distinção nunca foi tão simples nas ciências sociais, afinal éramos nós estudando nós mesmos. Parte daí a diferenciação básica entre sociologia e antropologia, que inicialmente se afastaram e a tendência agora é convergirem metodologicamente cada vez mais.

Parafraseando Clausewitz, podemos afirmar hoje que o objecto é a continuação do sujeito por outros meios. Por isso, todo o conhecimento científico é auto-conhecimento. A ciência não descobre, cria, e o acto criativo protagonizado por cada cientista e pela comunidade científica no seu conjunto tem de se conhecer intimamente antes que conheça o que com ele se conhece do real. Os pressupostos metafísicos, os sistemas de crenças, os juízos de valor não estão antes nem depois da explicação científica da natureza ou da sociedade. São parte integrante dessa mesma explicação. A ciência moderna não é a única explicação possível da realidade e não há sequer qualquer razão científica para a considerar melhor que as explicações alternativas da metafísica, da astrologia, da religião, da arte ou da poesia. A razão por que privilegiamos hoje uma forma de conhecimento assente na previsão e no controlo dos fenómenos nada tem de científico. É um juízo de valor. A explicação científica dos fenómenos é a auto-justificação da ciência enquanto fenómeno central da nossa contemporaneidade. A ciência é, assim, autobiográfica.

(SOUSA SANTOS, 89-90)

O que ele chama atenção aqui é justamente sobre como o fazer científico é atravessado pelo intermediário que é o sujeito cientista, citando como exemplo o próprio Descartes, em Discurso do Método. “No início, os protagonistas da revolução científica tiveram a noção clara que a prova íntima das suas convicções pessoais precedia e dava coerência às provas externas que desenvolviam”, explica. É como se a ciência, em sua máxima de imparcialidade e rigor, tivesse esquecido do básico: o instrumento que nos faz entender o real somos nós mesmos, cheios de bagagens, interpretações e atravessamentos.

“Hoje sabemos ou suspeitamos que as nossas trajectórias de vida pessoais e colectivas (enquanto comunidades científicas) e os valores, as crenças e os prejuízos que transportam são a prova íntima do nosso conhecimento”, aponta. Sem isso, “as nossas investigações laboratoriais ou de arquivo, os nossos cálculos ou os nossos trabalhos de campo constituiriam um emaranhado de diligências absurdas sem fio nem pavio”. Boaventura argumenta que, entretanto: “este saber, suspeitado ou insuspeitado, corre hoje subterraneamente, clandestinamente, nos não-ditos dos nossos trabalhos científicos”.

No paradigma emergente, o carácter autobiográfico e auto-referenciável da ciência é plenamente assumido. A ciência moderna legou-nos um conhecimento funcional do mundo que alargou extraordinariamente as nossas perspectivas de sobrevivência. Hoje não se trata tanto de sobreviver como de saber viver. Para isso é necessária uma outra forma de conhecimento, um conhecimento compreensivo e íntimo que não nos separe e antes nos una pessoalmente ao que estudamos. A incerteza do conhecimento, que a ciência moderna sempre viu como limitação técnica destinada a sucessivas superações, transforma-se na chave do entendimento de um mundo que mais do que controlado tem de ser contemplado. Não se trata do espanto medieval perante uma realidade hostil possuída do sopro da divindade, mas antes da prudência perante um mundo que, apesar de domesticado, nos mostra cada dia a precaridade do sentido da nossa vida por mais segura que esteja ao nível da sobrevivência. A ciência do paradigma emergente é mais contemplativa do que activa. A qualidade do conhecimento afere-se menos pelo que ele controla ou faz funcionar no mundo exterior do que pela satisfação pessoal que dá a quem a ele acede e o partilha.

(SOUSA SANTOS, p.92-93)

E mais uma vez, termina, a meu ver, de forma brilhante: “a criação científica no paradigma emergente assume-se como próxima da criação literária ou artística, porque a semelhança destas pretende que a dimensão activa da transformação do real (o escultor a trabalhar a pedra) seja subordinada à contemplação do resultado (a obra de arte)”. E acrescenta: “a crítica literária anuncia a subversão da relação sujeito/objecto que o paradigma emergente pretende operar; […] o objecto do estudo, como se diria em termos científicos, sempre foi, de facto, um super-sujeito (um poeta, um romancista, um dramaturgo) face ao qual o crítico não passa de um sujeito ou autor secundário”.

4. Todo o conhecimento científico visa constituir-se em senso comum

Sua quarta e final tese critica o afastamento do conhecimento científico das outras formas de conhecimento ao mesmo tempo em que atribui à ciência pós-moderna a responsabilidade racional de fazer essa aproximação para que, então, torne-se também parte desse amaranhado. “A ciência moderna construiu-se contra o senso comum que considerou superficial, ilusório e falso. A ciência pós-moderna procura reabilitar o senso comum por reconhecer nesta forma de conhecimento algumas virtualidades para enriquecer a nossa relação com o mundo”, explica.

O senso comum faz coincidir causa e intenção; subjaz-lhe uma visão do mundo assente na acção e no princípio da criatividade e da responsabilidade individuais. O senso comum é prático e pragmático; reproduz-se colado às trajectórias e às experiências de vida de um dado grupo social e nessa correspondência se afirma fiável e securizante. O senso comum é transparente e evidente; desconfia da opacidade dos objectivos tecnológicos e do esoterismo do conhecimento em nome do princípio da igualdade do acesso ao discurso, à competência cognitiva e à competência linguística. O senso comum é superficial porque desdenha das estruturas que estão para além da consciência, mas, por isso mesmo, é exímio em captar a profundidade horizontal das relações conscientes entre pessoas e entre pessoas e coisas. O senso comum é indisciplinar e imetódico; não resulta de uma prática especificamente orientada para o produzir; reproduz-se espontaneamente no suceder quotidiano da vida. O senso comum aceita o que existe tal como existe; privilegia a acção que não produza rupturas significativas no real. Por último, o senso comum é retórico e metafísico; não ensina, persuade.

(SOUSA SANTOS, 96-97)

Esse com certeza é o argumento mais polêmico do autor. É extremamente complicado em diversas instâncias, principalmente na onde bastante atual de anticientificismo (terraplanismo, antivacina, etc.). Eu entendo, entretanto, onde o autor esteja querendo chegar aqui: ele quer prezar pela “dimensão utópica e libertadora” do senso comum que “pode ser ampliada através do diálogo com o conhecimento científico”. Isso não quer dizer descartar por completo o conhecimento científico nem colocar o senso comum como estatuto de verdade, mas simplesmente abrir a estrutura enclausurante do primeiro para com o segundo.

“Deixado a si mesmo, o senso comum é conservador e pode legitimar prepotências, mas interpenetrado pelo conhecimento científico pode estar na origem de uma nova racionalidade”, explica. Há, para o autor, que se inverter a ruptura epistemológica: do conhecimento científico para o senso comum – tanto o primeiro bebendo da fonte do último quanto o primeiro eventualmente tornando-se também o último. Novamente, entendo como isso é radical – no sentido de ir à raiz mesmo – e, portanto, complicado de ser recebido sem resistência – e muito provavelmente daí surjam todas as críticas que o procederam.

A ciência pós-moderna, ao sensocomunizar-se, não despreza o conhecimento que produz tecnologia, mas entende que, tal como o conhecimento se deve traduzir em auto-conhecimento, o desenvolvimento tecnológico deve traduzir-se em sabedoria de vida. É esta que assinala os marcos da prudência à nossa aventura científica. A prudência é a insegurança assumida e controlada.

(SOUSA SANTOS, p. 98)

Talvez o maior problema do texto, que é o que possivelmente acarreta nas críticas que citei, seja não localizar explicitamente o conhecimento científico enquanto estatuto legitimado de relação de poder. E aí o contexto, mais uma vez no jogo que cito desde o início, importa: Boaventura é português, formado em Direito, homem, branco, etc. Ou ele não precisa passar por esse enfrentamento ou ele simplesmente não quer, para conseguir agradar parte de sua audiência. Ainda assim, não tenho dúvidas de quanto é e foi um texto necessário (complicado, mas necessário).

“Nenhum de nós pode neste momento visualizar projectos concretos de investigação que correspondam inteiramente ao paradigma emergente que aqui delineei”, reconhece, por estarmos (na década de 80) numa fase de transição. “Duvidamos suficientemente do passado para imaginarmos o futuro, mas vivemos demasiadamente o presente para podermos realizar nele o futuro. Estamos divididos, fragmentados. Sabemo-nos a caminho mas não exactamente onde estamos na jornada. A condição epistemológica da ciência repercute-se na condição existencial dos cientistas”, finaliza. E é aí que entra a importância da academia está mudando de cara e de cor.

SANTOS SOUSA, Boaventura. Um discurso sobre as ciências. 8ª edição. São Paulo, Cortez: 2018.

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