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Planner Summit 2017: palestras extras online sobre insights, carreira e diversidade

Cerca de um mês atrás aconteceu mais uma edição do Planner Summit, evento anual da Media Education que tem a proposta de debater, discutir e provocar reflexões acerca do trabalho de planejamento na área de comunicação. Neste ano, além da dobradinha workshop + palestras, a organização preparou também alguns benefícios extras para que o processo de aprendizado não se limitasse aos encontros presenciais: um relatório oficial com as principais ideias levantadas durante o evento e três palestras inéditas divulgadas em seu canal no YouTube.

Com a diversidade em pauta, o evento se preocupou em trazer falas que discutissem com propriedade não apenas a questão da representatividade enquanto ato político, mas também as particularidades e peculiaridades dos públicos e consumidores brasileiros em seus diferentes níveis de comportamento e consumo. O argumento principal é que a avalanche de dados que temos à disposição nos dias de hoje é o mais potente artifício que possuímos para tentar dar conta da complexidade dos indivíduos/usuários/consumidores – e é onde os profissionais de planejamento precisam cada vez mais se ancorar para criar conceitos e campanhas responsáveis, coerentes e coesos com todos os propósitos do trabalho. As palestras extras, as quais você confere abaixo, foram tangenciais a esse debate.

A palestra “Será que esse é o insight correto?”, de André Sinkos (supervisor de planejamento da F.biz) remete bastante a uma percepção que tive a partir da elaboração do Profissão Social Media: Planejamento – que é: o planner deve ser sempre inquieto. Conforme apresenta algumas soluções para responder ao tensionamento do título, podemos perceber que o trabalho de planejamento exige uma constante provocação de verdades absolutas. Há uma preocupação bastante forte também com a metodologia do trabalho, que merece atenção redobrada em todos os pontos e deve se manter fiel à linha de argumentação do início ao fim. E, por fim, o lema cada vez mais adotado no mercado – pelo fim do achismo: “In God we trust, all other must bring data”.

“O insight é uma correlação de informações que te permite encontrar uma solução para um problema.”

Mais curtinha, a palestra “Como o planejamento pode ir além em sua carreira”, de Karen Oliveira (consultora de marketing da TopperMinds) é bastante interessante. Relevante porque traz algumas provocações sobre como precisamos nos enxergar, enquanto profissionais, também como marcas e principalmente estarmos cientes de negócios. Gostei particularmente dos três pilares indicados para um planner: o olhar, a sensibilidade e a objetividade. O primeiro diz respeito a repertório, um dos pontos de atenção mais comum quando falamos da profissão; o segundo, ao caráter de etnógrafo, aquele que deve observar e compreender indivíduos, comportamentos, valores, etc.; e, por fim, a objetividade de negócios que visam o lucro.

Fechando com chave de ouro (tanto este post quanto a série de palestras presenciais e online do Planner Summit), Nathalia Andrijic (estrategista na R/GA) dá uma aula na palestra “Gênero e diversidade. Como planejar corretamente?”. O roteiro é uma expansão e adensamento de um texto semelhante publicado no blog Jovens Planners, o qual já recomendei veementemente aqui no blog em outras ocasiões. Ela apresenta seis desculpas reais que profissionais engajados na tentativa de melhorar a questão da representatividade em agências de comunicação/publicidade enfrentam (pelos outros e por consigo mesmos) ao serem chamados a atenção quando o assunto é diversidade (e gênero). Para superá-las (além da boa vontade), ela contra-argumenta com seis atitudes que devemos adotar para trabalharmos com maior responsabilidade.

A palestra me lembrou também a fala de Fernando Montenegro, da consultoria Etnus, no debate “Dados para conhecer melhor as diversidades” no II Simpósio de Mídias Sociais no IBPAD. Na ocasião, entretanto, o recorte não era de gênero, mas de raça. Pegando esse gancho, vale provocar também – já que estamos em processo de contínuo aprendizado – o debate sobre raça em eventos de comunicação. Enquanto a pauta de gênero parece ter ganhando e continua ganhando cada vez mais espaço e legitimidade no mercado, há ainda uma lacuna muito grande no que tange a preocupação com representatividade racial em ambientes de negócios. Sobre o tema, recomendo o texto “Muito mais que 8%, muito além da temática racismo”, de Taís Oliveira.

Feita a crítica construtiva, só tenho a parabenizar a Media Education pela incrível iniciativa. Como infelizmente não pude comparecer ao evento, fiquei extremamente satisfeito de poder ter um pouco de acesso às temáticas debatidas através de outros pontos de conexão com tanta qualidade quanto os debates que aconteceram presencialmente. E, mais uma vez, parabéns por colocar em pauta o tema da diversidade que ao mesmo tempo que é político, é também (ou pelo menos deveria ser) apenas o comum.

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