Autor: Pedro Meirelles

Faço o curso de Estudos de Mídia na UFF, onde aprendi que Bourdieu, Hall e tantos outros autores podem ser úteis para entender melhor o mundo. Comecei a trabalhar com monitoramento em dezembro de 2015 e desde então tenho voltado meus estudos para o assunto. Gosto de pensar a internet e seus rastros digitais como frutos de sociabilidade. (+)
Pesquisas

Os estereótipos mais comuns nos anúncios do Facebook

O Facebook divulgou na semana passada o relatório "Dados, Diversidade e Representação: Por uma publicidade mais inclusiva na América Latina", desenvolvido a partir de um levantamento interno que analisou milhares de campanhas realizadas na plataforma entre 2017 e 2018. Produzido junto à consultoria 65 / 10, o documento une o discurso de responsabilidade social da publicidade à provocação da realidade baseada em dados para mostrar como as marcas devem tomar ação imediata para mudar o cenário atual, que reforça estereótipos e não corresponde com suas audiências. "Nossa missão é incentivar e apoiar as empresas que se dispõem a trilhar esse…

Artigos

Entre identidade e representação: uma análise exploratória da produção acadêmica sobre nordestinos

*Texto originalmente produzido para o XV ENECULT - Encontro de Estudos Multidisciplinares em Cultura, submetido e não aprovado para o GT de Culturas e Identidades. Pedro Meirelles(1) Nas últimas décadas, diversas produções acadêmicas têm se dedicado a compreender como a cultura nordestina tem sido (re)produzida em/para produtos culturais e midiáticos que (re)constroem os sentidos em torno do que significa Nordeste e ser nordestino. Esses trabalhos surgem como esforço coletivo para pensar sobre uma identidade conjugada na esfera cultural da sociedade brasileira que se formou de maneira muito específica, constantemente no lugar de oposição – não necessariamente de forma combativa, mas…

E-books

Histórico das APIs no monitoramento e pesquisa em mídias sociais

Quando eu comecei a trabalhar com monitoramento, em dezembro de 2015, o Facebook já tinha matado de vez a possibilidade de coleta de posts públicos no feed da plataforma. Ou seja, quando eu entrei no mercado, o caos que agitou empresas e agências já tinha sido razoavelmente controlado para o ano seguinte, com algumas alternativas surgindo para suprir essa valiosa lacuna - como escrevi nesse outro post, a exemplo da popularização das disciplinas de Etnografia e Análise de Redes, além do redirecionamento para CRM. Desde então, fora algumas perdas pontuais, não tivemos muitas mudanças no cenário - até que 2018…

Opinião

Pesquisa com APIs pós-Cambridge Analytica

Em setembro do ano passado, trouxe aqui para o blog o texto “Computational research in the post-API age”, do pesquisador Dr. Deen Freelon,  no qual ele faz algumas considerações sobre o futuro da pesquisa computacional no que ele chamou de "era pós-APIs". Dando sequência ao debate levantado naquele momento, trago desta vez outro texto de pesquisadores também renomados, Tommaso Venturini e Richard Rogers, no qual discutem sobre o futuro da pesquisa em mídias sociais após o escândalo da Cambridge Analytica - e suas devidas consequências. Antes de entrar no texto, uma rápida contextualização (para quem não trabalha na área): 2018…

Análises

A imagem dos nordestinos e do Nordeste segundo o Google

Quando você pensa em Nordeste e/ou em nordestinos, o que vêm à sua cabeça? Quais referências visuais primeiro vêm à mente? Como pessoas inseridas na cultura brasileira, temos no nosso imaginário social uma série de signos aos quais podemos associar o "ser nordestino". Segundo Albuquerque Júnior (199, p. 307), o Nordeste "é uma cristalização de estereótipos que são subjetivados como característicos do ser nordestino [...]", através de verdades instituídas "repetidas ad nauseum, seja pelos meios de comunicação, pelas artes, seja pelos próprios habitantes de outras áreas do país e da própria região". Na obra "A invenção do Nordeste", o historiador…

Pesquisas

Um breve rascunho sobre a história da inteligência em mídias sociais

O mês de novembro sempre chega, há pelo menos alguns anos, com bastante expectativa para profissionais que trabalham com monitoramento e métricas (social analytics). Isso porque, além de ser o mês oficial da Consciência Negra (sempre bom lembrar), é também o mês não-tão-oficial da divulgação dos resultados da pesquisa "O profissional de inteligência de mídias sociais". Agora já na sua 8ª edição, tendo passado pelas mãos de grandes profissionais (Tarcízio Silva, Júnior Siri, Ana Claudia Zandavalle e atualmente com Pedro Barreto), a pesquisa chega aos quase dez anos de idade com muitas histórias para contar. É por isso que, neste…

Livros

O papel da representação – em Cultura e representação, de Stuart Hall

Em março de 2017 publiquei aqui no blog a primeira parte do que prometi que seria uma série de três posts sobre o livro "Cultura e Representação" (Stuart Hall, 2016), organizado pela Editora PUC-Rio. A obra traz três textos independentes (produzidos originalmente para diferentes publicações), porém complementares: a Apresentação (introdução da coletânea Representation: Cultural Representation and Signifying Practices, de 1997), o Capítulo 1 - O papel da representação (o original, The Work of Representation) e o Capítulo 2 - O espetáculo do outro (o original, The Spectacle of the Other). Tendo mais de um ano do lançamento desta série, compartilho aqui - enfim…

Opinião

A minha saga com Python (ou como aprendi o básico do básico)

Em abril de 2017, escrevi aqui no blog o texto "A minha saga com redes sociais (ou por que é importante compreendê-las)", no qual narrava a minha relação com a disciplina de análise de redes sociais, desde o preconceito acadêmico-epistemológico até a inevitável aceitação e consequente aprendizado (resultante até em palestra no Social Media Week SP). Um ano e cinco meses depois, escrevo este post quase em situação e contextos idênticos, mudando apenas a protagonista: agora, compartilho a minha experiência com (e a minha redenção à linguagem de programação) Python. Antes de começar, um spoiler: não sou (nem pretendo ser/me tornar)…

Opinião

Pesquisa em mídias sociais na era pós-API

No rascunho "Computational research in the post-API age", o pesquisador Dr. Deen Freelon, da University of North Carolina, aponta dois marcos importantíssimos para quem atua com pesquisa/monitoramento de mídias sociais - ambos específicos do Facebook: em abril de 2015, quando a plataforma fechou a API de pesquisa pública (que permitia acesso "buscável" a todos os posts públicos num período de duas semanas); e outro, mais recente, quando a empresa de Mark Zuckerberg fechou drasticamente o cerco de acesso à API de páginas. De 2015 para cá, muita coisa mudou no mercado de inteligência de mídias sociais - dentre as principais mudanças,…