Autor: Pedro Meirelles

Faço o curso de Estudos de Mídia na UFF, onde aprendi que Bourdieu, Hall e tantos outros autores podem ser úteis para entender melhor o mundo. Comecei a trabalhar com monitoramento em dezembro de 2015 e desde então tenho voltado meus estudos para o assunto. Gosto de pensar a internet e seus rastros digitais como frutos de sociabilidade. (+)
Opinião

Pesquisa com APIs pós-Cambridge Analytica

Em setembro do ano passado, trouxe aqui para o blog o texto “Computational research in the post-API age”, do pesquisador Dr. Deen Freelon,  no qual ele faz algumas considerações sobre o futuro da pesquisa computacional no que ele chamou de "era pós-APIs". Dando sequência ao debate levantado naquele momento, trago desta vez outro texto de pesquisadores também renomados, Tommaso Venturini e Richard Rogers, no qual discutem sobre o futuro da pesquisa em mídias sociais após o escândalo da Cambridge Analytica - e suas devidas consequências. Antes de entrar no texto, uma rápida contextualização (para quem não trabalha na área): 2018…

Análises

A imagem dos nordestinos e do Nordeste segundo o Google

Quando você pensa em Nordeste e/ou em nordestinos, o que vêm à sua cabeça? Quais referências visuais primeiro vêm à mente? Como pessoas inseridas na cultura brasileira, temos no nosso imaginário social uma série de signos aos quais podemos associar o "ser nordestino". Segundo Albuquerque Júnior (199, p. 307), o Nordeste "é uma cristalização de estereótipos que são subjetivados como característicos do ser nordestino [...]", através de verdades instituídas "repetidas ad nauseum, seja pelos meios de comunicação, pelas artes, seja pelos próprios habitantes de outras áreas do país e da própria região". Na obra "A invenção do Nordeste", o historiador…

Pesquisas

Um breve rascunho sobre a história da inteligência em mídias sociais

O mês de novembro sempre chega, há pelo menos alguns anos, com bastante expectativa para profissionais que trabalham com monitoramento e métricas (social analytics). Isso porque, além de ser o mês oficial da Consciência Negra (sempre bom lembrar), é também o mês não-tão-oficial da divulgação dos resultados da pesquisa "O profissional de inteligência de mídias sociais". Agora já na sua 8ª edição, tendo passado pelas mãos de grandes profissionais (Tarcízio Silva, Júnior Siri, Ana Claudia Zandavalle e atualmente com Pedro Barreto), a pesquisa chega aos quase dez anos de idade com muitas histórias para contar. É por isso que, neste…

Livros

O papel da representação – em Cultura e representação, de Stuart Hall

Em março de 2017 publiquei aqui no blog a primeira parte do que prometi que seria uma série de três posts sobre o livro "Cultura e Representação" (Stuart Hall, 2016), organizado pela Editora PUC-Rio. A obra traz três textos independentes (produzidos originalmente para diferentes publicações), porém complementares: a Apresentação (introdução da coletânea Representation: Cultural Representation and Signifying Practices, de 1997), o Capítulo 1 - O papel da representação (o original, The Work of Representation) e o Capítulo 2 - O espetáculo do outro (o original, The Spectacle of the Other). Tendo mais de um ano do lançamento desta série, compartilho aqui - enfim…

Opinião

A minha saga com Python (ou como aprendi o básico do básico)

Em abril de 2017, escrevi aqui no blog o texto "A minha saga com redes sociais (ou por que é importante compreendê-las)", no qual narrava a minha relação com a disciplina de análise de redes sociais, desde o preconceito acadêmico-epistemológico até a inevitável aceitação e consequente aprendizado (resultante até em palestra no Social Media Week SP). Um ano e cinco meses depois, escrevo este post quase em situação e contextos idênticos, mudando apenas a protagonista: agora, compartilho a minha experiência com (e a minha redenção à linguagem de programação) Python. Antes de começar, um spoiler: não sou (nem pretendo ser/me tornar)…

Opinião

Pesquisa em mídias sociais na era pós-API

No rascunho "Computational research in the post-API age", o pesquisador Dr. Deen Freelon, da University of North Carolina, aponta dois marcos importantíssimos para quem atua com pesquisa/monitoramento de mídias sociais - ambos específicos do Facebook: em abril de 2015, quando a plataforma fechou a API de pesquisa pública (que permitia acesso "buscável" a todos os posts públicos num período de duas semanas); e outro, mais recente, quando a empresa de Mark Zuckerberg fechou drasticamente o cerco de acesso à API de páginas. De 2015 para cá, muita coisa mudou no mercado de inteligência de mídias sociais - dentre as principais mudanças,…

Análises

#existepesquisanobr: as narrativas na mobilização em prol da ciência brasileira

Atualização 06/08/2018: @felipebsoares e @raquelrecuero também fizeram redes sobre o tema - clique aqui e aqui para conferir! A última semana foi bastante agitada no cenário político brasileiro. As duas entrevistas concedidas pelo candidato Jair Bolsonaro - uma na segunda-feira, 30, para o Roda Viva; e outra na sexta-feira, 3, para a Globo News - já deram um gostinho de como será o cenário de discussão sobre os debates para as eleições presidenciáveis este ano. No meio desse caos, a notícia sobre a possível suspensão das bolsas Capes agitou ainda mais a esfera pública (digital). Em resposta, milhares de pessoas…

Análises

Dois artigos, um relatório e um poster: novos trabalhos publicados

O ano passado foi um ano de muitas conquistas para mim. Principalmente aqui no blog, realizei e produzi muitas coisas legais das quais me orgulho bastante. O difícil, entretanto, é ter que lidar com "a queda" quando chegamos no topo. Não que eu tenha chegado no topo (longe disso), mas é inevitável comparar o que você já realizou com o que tem realizado atualmente. Por isso, em alguns momentos deste ano, fiquei frustrado com a baixa produtiva que tive no blog em 2018 - principalmente depois de um ano cheio como foi 2017. No entanto, mais recentemente, parei para refletir…

Artigos

10 artigos sobre performance, análise de redes e métodos digitais

No final do ano passado, finalizei um dos ciclos mais importantes da minha vida: a faculdade. Foram cinco anos na graduação de Estudos de Mídia estudando muito sobre comunicação, cultura, sociologia, política, mídias, identidade, consumo e muito mais. Embora tenha sido um bom aluno (com boas notas), sei que não aproveitei a universidade em todo o seu potencial - em vários sentidos, mas principalmente também quanto ao aprendizado. Sei que não sou completamente responsável por essa negligência - coloca aí na conta a falta de maturidade, um sistema de ensino ainda ultrapassado (mesmo num curso progressista como o meu), despreparo…